Anjo Negro
27 O sol irá se por pra você
Notas iniciais
Inspirei. Buscando ar para meus pulmões. Abri meus olhos, me encontrando em plena escuridão. Que lugar é esse. Eu conheço esse lugar. É meu quarto. Estou em meu quarto, deitada na cama. Como vim parar aqui? Será que foi tudo um sonho e Evy, me levou pra casa depois da escola? Não duvido de nada. Tenho tido sonhos cada vez mais loucos. Venho duvidando até da minha própria sanidade. As luzes estão apagadas. A janela está aberta, por onde uma leve brisa gelada da noite entra, balançando as cortinhas. Há uma sombra, alguém sentado na poltrona.
_Desculpa, eu não quis assustá-la. _Reconheço essa voz de algum lugar. Ele, o dono da voz, se levantou. Sentando na beira da cama. Acendi o abajur. Ao encarar o dono da voz, depare-me com dois olhos azuis, observando cada movimento meu. Azuis como o mar. É o garoto que estava conversando com Evy, na parta da biblioteca. O garoto que parece ser a copia de Cole Maclay. Um enorme sorriso surgiu em seu rosto.
_Quem é você?
_Meu nome é Jason. Não tive tempo de me apresentar. _Sorriu. _Como se sente Mirela? Você desmaiou do nada. _Não ficaria surpresa se o nome dele fosse Cole. Pera ai! Como ele sabe meu nome.
_Por que está na minha casa no escuro, como sabe o meu nome, como sabia onde morava? _Disparei uma enxurrada de perguntas.
_Não acendi as luzes, pois não queria te acordar. Evelyn, sua amiga me disse seu nome. Ela ficou e ainda está preocupada com você. Ajudei-a por você no carro e ela nos trouxe pra sua casa. Eu, sinceramente queria levá-la para um hospital. _Sorriu um sorriso doce. Nada ameaçador ou assustador como aquele sorriso que Cole deu a Jonathan na praia.
_Você se parece muito com um parente distante, meu. _Sem pensar estendi a mão, tocando seu rosto. Como isso pode ser. Cole morreu há muito tempo. A porta se abriu. Mostrando uma Evy sorridente, que ficou com um olhar mortal ao vê minha mão no rosto de Jason. Tirei-a rapidamente.
_Decidiu acorda e nos presentear com sua presença, bela adormecida? _Suas palavras saíram cheias de ironia e raiva.
_O mundo perde a graça sem minha presença. Posso trocar uma palavrinha com você?
_Claro.
_Eu espero lá em baixo na sala. _Se levantou saindo e fechando a porta.
_Como você traz um desconhecido pra minha casa e ainda o deixa sozinho comigo no quarto? _Disse serrando os dentes.
_Ah, mas não fui eu que desmaie e depois fiquei alisando o rosto do desconhecido. _Sorriu maliciosamente. _O nome dele é Jason.
_Eu sei.
_Então não é desconhecido. _Sorriu novamente. _Ele me ajudou a te trazer pra casa. Obrigada Evy. _Disse irônica. Imitou-me quando disse “obrigada Evy”.
_Valeu Evy, te amo. _A abracei. Que retribuiu o abraço, me empurrando em seguida.
_Chega de melo-melo. Vamos descer. Você vai gostar do Jason, ele é legal e gato também. Então tira o olho. _Mandou-me um olhar mortal.
_Vou precisar de uma faca ou algo cortante pra isso, e, por favor, que esteja bêbada quando fizer isso.
_Sua idiota! _Gargalhamos juntas. _Apenas se lembre do seu anjinho. O Lucas. _Sorri ao ouvi o nome dele. Abri a porta do quarto e desci. Jason não está em nem um lugar a vista.
_Jason! _Evy chamou. Indo até a cozinha procurá-lo. Uma lufada de ar frio soprou, terminando de abrir a porta entre aberta. Jason deve ter saído. Passei pela porta aberta, indo para o lado de fora. Da varando, olhei para todos os lados, o procurando. O avistei na beira do penhasco, sentado. Vendo o sol se fundir com o mar, em um por do sol esplêndido. Caminhei até ele, me sentando ao seu lado. Jason olhou para mim, com seus incríveis olhos azuis, tão misteriosos e profundos como o mar. Um sorriso, branco e brilhante surgiu em seu rosto. Sorri tímida, sentindo-me encurralada por seu olhar. Quem é você Jason? Por que se parece tanto com Cole Maclay? Ele quebrou nossa conexão, voltando seu olhar novamente para o por do sol.
_Evy me disse que a ajudou a me trazer, mesmo não tendo obrigação nem uma. Obrigada. _Disse. Ele continuou em silencio, olhando para o horizonte. Realmente o por do sol esta lindo. A luz do sol reflete nas águas salgadas do mar, como um espelho, as nuvens estão pintadas em tons de laranja e rosa.
_Esse é meu lugar favorito. _Sorri. Ele me encarou. Como se neste momento estivesse me vendo pela primeira vez.
_Escolheu bem. Pode ser o meu também? _Sorriu.
_Sim, pode sim.
_Finalmente encontrei vocês. Pensei que algum E.T tinha sequestrado os dois nerds. _Disse sorrindo, se sentando no meio. Entre eu e Jason. _E nunca mais me deixe sozinha dentro da sua casa, ela é...
_Sinistra. _Disse junto com ela.
_O que a torna perfeita. _Disse Jason. Nos duas o encaramos, saindo de nossa briguinha. _Amei o lugar, e essa vista é maravilhosa. _Sorriu.
_Ok, você é estranho igual à Mirela. _Eu e ele gargalhamos juntos.
_E você é totalmente normal Evy? _Disse ele. “Evy?” É pelo tempo em que passei dormindo eles conversaram bastante e se tornaram amigos. Evelyn só deixa amigos próximos a chamarem de Evy.
_Eu? É claro que, talvez seja um pouquinho anormal. _ Rimos juntos.
_Um pouquinho? _Questionei.
_Sua boba! _Me empurrou para o lado com o ombro. _Jason sabe praticamente tudo sobre a história da cidade.
_Quase tudo. _Sorriu.
_Ele trabalha na biblioteca. Se me lembro, bem temos um trabalho de história pra fazer Mirela, e você, Jason. È de grande ajuda.
_Vamos começar. _Levantei-me. Evy e Jason se levantaram também, me seguindo de volta pra dentro de casa.
_Onde o seu pai está? _Perguntou Evy.
_Sinceramente, não sei. Ele sempre esta saindo por ai, pesquisando. Falar nisso ele me disse que tem material no porão que podemos usar para fazer o trabalho.
_Se sua casa é estranha, imagine o porão. Fiz uns sanduiches, pois deve esta com fome. Vou trazer o lanche pra sala. Você me ajuda Jason?
_Mirela, quer que eu vá com você? _Perguntou ele.
_ Não precisa. Arrumem as coisas que eu já volto. _Fui até a porta em baixo da escada. Coloquei minha mão na maçaneta e a girei de vagar. Ao abrir a porta me deparei com uma escuridão aterradora. Entrei, em meio ao breu. Desci até o meio da escada. Deslizando minha mão pela parede procurando o interruptor. Achei! Apertei. E duas luzes foram acesas, revelando um lugar pequeno, cheio de caixas e mais caixas de papelão, com uma mesa de escritório e uma cadeira. Que com certeza é onde meu pai se esconde para pesquisar. Sabendo que não irei perturbá-lo aqui. Terminei de descer a escada e fui de encontro a mesa. Em cima da mesa há uma caixa com meu nome. Meu pai deve a ter deixado separada para mim. Poupado meu trabalho. Abri, encontrando vários papeis; fotos; textos e jornais antigos. Não sabia que meu pai passou tanto tempo e juntou tanto material sobre nossos antepassados. Os antepassados da minha mãe. Os Macbele. Peguei um dos jornais velhos, nele está uma reportagem sobre os Maclay.
“O corpo de Cole Maclay. Filho caçula do senhor Maclay, foi achado sem vida na floreta. Segundo o legista, apesar de ter um ferimento à faca na coxa direita, ele morreu por hipotermia. Seu corpo foi achado pelo próprio irmão, Jonathan Maclay. A policiar investiga se Cole mantinha algum tipo de rixa com alguém.”
Como assim? Cole foi assassinado. Se Cole Maclay foi assassinado e não se matou isso quer dizer que Cole o anjo negro e ele, não é a mesma pessoa, ou melhor, dizendo, alma. Para se tornar um anjo negro apenas se matando. O que também não quer dizer que todos os suicidas do mundo, se tornaram anjos negros. Natha será que ele é um anjo negro. O ex-namorado da Evy? As luzes começaram a piscar. Um estrondo me assustou. Virei-me para vê o que foi que fez este barulho. Foi a porta que se fechou sozinha. Um vento frio fez com que os pelos de meus braços se arrepiassem.
_Cole? _Disse baixo, com a voz falhando. As luzes pararam de piscar. Voltei minha atenção para o jornal. Que comprova o que já sei. Jason e Cole Maclay são idênticos. Andei para trás, batendo em algo duro e solido. Senti mãos me tocarem, uma em cada ombro. Geladas como o gelo. Uma respiração forte e quente em meu pescoço. Posso sentir as batidas de seu coração. Será que Cole resolver me mostrar sua verdadeira face. E me encarar, dentro dos meus olhos?
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