Animê Bizarre

31 Não é o fim


O passeio foi divertido. Ao fim do dia, estamos exaustos. Até Bill se cansou. No carro, a viagem foi tranqüila. Georg e Gustav dirigiam normalmente. O Tom conseguiu ir atrás com Alice, o que provocou certo probleminha.

No meio do caminho, fomos parados. Demorou um pouco para nos liberarem, mas eu estava tão entretida conversando com o Bill e com o Georg que nem percebi. Continuando o percurso, Georg colocou uma música que quase me fez dormir. Bill deitou no meu colo e me chamou de mãe por pura palhaçada.

-Mamãe! – deu um sorriso tentando mostrar inocência – Quero dormir.

-Não se preocupe meu filho. O tio Georg vai devagar.

-Tio o escambal!

-Ouviu só mãezinha como o vovô é malvado comigo?

-A sua mãe te protege – disse bagunçando levemente os cabelos da criança.

-Vovô também não Bill! Aí é o cúmulo.

- É o pai de santo Georg – disse Bill me fazendo rir. Georg fingiu olhar de cara amarada pelo retrovisor.

-Vai dormir filhote!

-Quero mamá.

-Pede pro pai Georg – empurrei Bill do meu colo.

-Nem conheço vocês – disfarçou Georg.

Bill me olhou com uma cara pervertida. Apontei para Georg. Bill chegou mais perto.

-Hinata, avisou pros seus amigos onde você está?

-Fica calmo. Todos sabem onde eu estou.

-Quem bom.

Chegamos à casa dos Kaulitz. Dona Simone nos recebeu bem. Os meninos estavam com um pouco de pressa para ir a uma matinê. Os meninos e Alice me acompanharam até a porta, nos despedimos e eu fui.

Após guardar o carro na garagem, entrei em casa. Minha mãe dormia de frente para a televisão. Passei por ela cuidadosamente e me tranquei no quarto. Tomei um banho, mudei de roupa e resolvi passar o tempo no computador. Tirei o meu computador portátil da escrivaninha e me deitei na cama. Fiquei por um tempo jogando e depois entrei na internet.

Adormeci um pouco depois de desligar o computador. Levantei para colocá-lo na escrivaninha e depois me taquei na cama. Cochilei por uma meia hora, quanto meu celular tocou.

-Boa noite, Hinata.

-Oi, Romeu.

-Você me ligou?

-Tentei.

-Algum problema?

-Nada demais, não se assuste.

-Está em casa?

-Sim. Cheguei agora a pouco.

-Posso retornar em alguns minutos?

-Sem problemas.

Deitada em minha cama, eu pensava no machucado de Romeu. Lembrei também de quando desmaiei. Fiquei imersa nessas lembranças por alguns minutos, até que algo bate na janela do meu quarto. Vinha da pequena varanda. Abri os olhos assustada, pulei da cama e olhei para o lado de fora. Não vi ninguém. Abri a porta e entrei na varanda. Não tinha nada ali. Até que eu olhe para a rua e vi um conversível prateado parado perto da minha casa.

-Te assustei? – falou uma voz atrás de mim.

-Romeu! – Gritei me virando.

-Hinata.

-O que faz aqui e como chegou nessa varanda?

-Subindo. Como mais poderia? – falou sarcástico.

-Óbvio! Mas como sabia que essa era a varanda do meu quarto?

-Talvez porque eu já tenha vindo aqui ontem pela tarde.

-E o que veio fazer?

-Você me ligou.

-Sim, liguei. E...?

-E eu quero saber o que você ia me falar.

-Bem, eu ia falar que estava tudo bem comigo.

-Então tudo bem.

Olhei para o braço arranhado de Romeu. Ele estava prestes a ir embora quando eu perguntei:

-E o seu braço? Está melhor?

-Vai indo.

-Você ainda não me disse como se machucou.

-Foi quando eu tentei te ajudar no dia que você desmaiou.

-Ah... Então obrigada.

-De nada.

-Posso ver como está?

-Não sei se vai gostar...

-Não tem problema.

Demorou um pouco, mas ele deixou. Olhei cada detalhe do profundo machucado ali entalhado e fiquei a examinar. Romeu se espantou comigo, achou que eu estivesse ficando espantada.

-Isso some daqui a uns dias. Depois será só uma cicatriz.

-É – disse fazendo um pequeno biquinho.

-Está triste?

-Sim.

-Não fique. Eu estou melhorando.

-Sei disso.

Romeu não conseguia me decifrar, então me abraçou. Foi um tanto diferente aquele abraço. Ele beijou a minha testa e aninhou minha cabeça em seu peito, depois ficou a brincar com meus cabelos.

-Romeu você está bem?- perguntei confusa.

Ele murmurou um sim. Mas eu ainda não tinha entendido o abraço.

-Já procurou um psiquiatra? – indaguei ficando cada vez mais embaraçada.

Desta vez não houve resposta. A mão que estava acariciando meus cabelos, agora mexia em minha franja. Romeu murmurou alguma coisa por várias vezes, mas como era em alemão eu não entendi muito bem. Fiquei tão lezada na hora que até esqueci que sabia alemão. * [momento tapada, o retorno] *

Foi uma frase tipo: ‘Ich liebe dich‘ Eu já escutei isso em algum lugar, é claro, mas desta vez eu não lembrava o significado. Então na maior cara de pau:

-Romeu, eu sei que já ouvi isso em algum lugar, mas não me lembro da tradução.

-Ein?

-‘Ich Liebe dich‘

-Sim, e daí? – Romeu ficou nervoso.

-Eu sei alemão, então eu deveria lembrar, não acha? Mas como eu não lembro, pode traduzir?