-Eu tenho certeza que significa algo como ‘eu te adoro’ – respondeu Romeu ainda nervoso.

-Eu te adoro... Hmm... – fiquei pensando. Romeu me olhava com curiosidade.

-Hinata?

-Por acaso você está mentindo?

-O que? – Ele arregalou os olhos – Não, imagina! É claro que não – disfarçou.

-Romeu não me faça de besta. Eu sei que você veio aqui por alguma coisa.

-Vim... – confessou – Vim pedir desculpas por ontem.

-Não estou falando disso. Eu sei que o Shin pediu para que você fosse me buscar na casa dos Kaulitz hoje.

-É isso? – perguntou com um ar de alívio – Foi sim. O Shin me pediu.

-Romeu, você está bem? Ficou pálido. Quer um copo d’água?

-Não obrigado, eu estou bem.

-Bem mal só se for.

Romeu me abraçou mais forte. Sua mão deslizou da minha franja para minha nuca.

-Eu estou bem.

* [momento tapada parte II] * Só agora percebi que eu estava com roupa de dormir. Ô pouca vergonha ein? Depois olhei para Romeu e passado um minuto me espantei.

-Hinata? –indagou Romeu assustado.

-Romeu! – encabulei.

-Aconteceu alguma coisa?

-Eu me esqueci de alimentar o Yago! – lembrei.

Romeu me soltou aos poucos e ficou me observando. Ouvi ele me chamar de maluca em alemão. Dei comida pro Yago e depois voltei para falar com ele. Na hora, eu tinha deixado de lado, mas assim que vi Romeu me lembrei daquela frase ‘Ich liebe dich’. Associei essas palavras e traduzi. Feliz da vida [E muito tapada ¬¬] Eu falei alegremente para Romeu.

-Sabe uma coisa? Acabei de me lembrar de onde eu já tinha visto aquela frase. Agora sei o que significa.

-Sabe? – Romeu falou embaraçado o.O

-É, sei. Significa: eu te amo. Certo?

Romeu não respondeu. Ficou estranho. Ele sempre foi estranho, mas começou a me assustar.

-Romeu, você está estranho – comentei.

-Não. É você que está muito tapada, Graças a Deus!

-Se eu tivesse de mau humor você iria retirar isso agora.

-Talvez, mas se parar para pensar bem, você está sendo tapada.

-Eu sei que estou não precisa tacar na cara!

-Não fique chateada. Agora eu tenho que ir.

-Tudo bem – me aproximei de Romeu para me despedir. Ele preferiu que não nos abraçássemos de novo. Vai entender?

-Boa noite, Hinata.

-Boa noite, Romeu.

Romeu já estava saindo quando eu o chamei.

-Romeu! Volta aqui!

-Depende, pra quê?

-Deixa de fricotes e vem aqui.

-Diga primeiro para que.

-Para me ajudar – menti.

-Já vou.

Entrando em meu quarto, Romeu estava cauteloso. Suponho que os efeitos da bebida tenham se manifestado um pouco atrasados. Encarei Romeu.

-Romeu, que foto horrorosa é essa? – mostrei uma foto dele no perfil da Priscilla.

-Sei lá. Deve ter sido ela que tirou. A Pri não é boa nisso.

-Nisso?

-Tirar fotos.

-Ah,...

-É só isso?

-É. Por quê? Ta com pressa é? Quer se livrar da chata aqui?

-Não.

-Essa é a resposta de qual das duas perguntas?

-Serve para as duas. Eu não estou com pressa e não te acho chata.

-Romeu, eu acho que você está me escondendo alguma coisa...

- Eu? Não, eu não tenho segredo – mentiu descaradamente.

-Que mentira mais cabeluda! Desembucha homem, o que te incomoda?

-Eu juro que tenho que ir agora se não minha mãe me mata.

-Não tem problema, eu falo com ela.

-Não precisa.

-Romeu! – falei num tom sério.

-Hinata... Não podemos discutir isso outra hora?

-Você quer mesmo que eu responda?

-Não – ele se apavorou mais ainda.

Não entendo o que estava causando tanto medo nele, mas tentei tranqüilizá-lo para evitar futuros traumas psicológicos.

-Então tudo bem – falei calma – Você pode ir.

-Boa noite.

-Boa noite – abracei a criança. Ele por sua vez, retribuiu. E repetiu a frase que tinha murmurado milhões de vezes quando me abraçou anteriormente – Ich liebe dich, Hinata... – falou baixo.

-Ich liebe Romeu... – falei sem prestar atenção. Eu pensava estar dando boa noite. Segundos depois captei o motivo do nervosismo de Romeu. Ele tinha dito que me ama e eu ACABEI DE DIZER O MESMO! – AAAH!

-Hinata?

-Romeu, eu não acredito que você falou isso- me soltei.

-Você deve ter escutado errado – disfarçou.

-Não... – dei uma pausa- Eu tenho certeza que você murmurou milhões de vezes ‘eu te amo’.

-Murmurei? – fingiu de desentendido.

-Romeu...

-Eu não queria... Foi involuntário disser que te amo. Porque eu te amo! Fiquei muito preocupado com você esse tempo todo. É amor de amigo, me entende?

-Entendo – Romeu ficou aliviado – Você ficou preocupado?

- Fiquei. Depois que nós brigamos, eu me arrependi. Fui eu que notei a sua ausência. Tentei te achar, mas já era tarde, você não estava mais ali. Por um momento pensei que você pudesse ter voltado ao colégio antigo.