Animos
2 Capítulo 2
Agora estamos no meu apartamento, na sala de estar onde uma lareira queima a madeira comprada no outro lado da cidade. Faço duas xícaras de café e levo até Julie. Ela rejeita. Ela está deitada no sofá cinza italiano, fumando maconha. Sim, é o sofá de três mil dólares. Julie nasceu em Ohio, vendia limonada quando criança e saiu de lá com dezessete anos. Com uma bolsa de estudos pra Yale devido ao alto Q.I e as ótimas notas da escola. A madeira foi transportada por um caminhoneiro gordo e sujo, mas isso não importa. O café agora vai perdendo calor pro ambiente, deixando o formato da xícara na mesa de centro. Fez amigos, estudou e foi recrutada. Anderson Brown, aquele mesmo cara que estava o carro do qual eu pulei. Foi ele quem recrutou ela na faculdade.
Ele tem trinta e sete anos. Tudo era secreto. Um professor de Julie que a indicou para o agente. O Anderson. Anderson Brown. Terminou a faculdade e com um voo veio parar em Nova York. Apertaram as mãos e ela foi para um campo de treinamento. Ela costumava ser líder de torcida no Ensino Médio. Oito meses se passaram e ela desarmava um homem em dois segundos. Karate, krav maga e mais alguns ks, tudo ela tinha aprendido. Montar armas, limpar, fazer bombas e explosivos caseiros. Sobreviver na selva, matar um cervo com uma lança de madeira. E a madeira, foi cortada numa área de preservação. Chamem o Greenpeace! Publiquem na Internet! Agora voltem e leiam. E tudo que Julie sabe, agora eu sei. Eu sei por que ela me treinou. Eu sei por que eu estou nisso com ela a mais de quatro anos. Eu sei por que ela sabe. A fumaça do baseado não me incomodava mais depois de um tempo. Ela estava chapada, e eu acordado por conta do café. De repente, a luz acaba. Vou até a sacada para ver o que aconteceu. Junto com a luz, se foi meu sossego. Sabe quando você ta andando na rua e na frente de um banco você vê aqueles carros blindados com umas duas toneladas e dois homens com shotguns , levando dinheiro pra dentro do banco? Então, você geralmente morre de medo que eles te confundam com alguém criminoso e de batam até você desmaiar. Isso nunca vai acontecer, acreditem em mim. Só se você for um criminoso. Um criminoso muito burro, a ponto de passar perto desses camaradas. A coisa é que, um desses carros está parado na entrada do meu prédio. Bem, eles não vieram me entregar dinheiro. Pego Julie pelo pulso e levo ela até o elevador. Que ideia, eles já desativaram. Estamos no centésimo andar, enquanto eles devem estar no vigésimo segundo. Voltamos para o meu apartamento, eu fecho a porta e ela ri sem parar. Sem noção. No meu quarto tenho um guarda-roupas falso, onde eu escondo equipamentos, armas, documentos e afins, pra caso de uma merdas dessa como agora, acontecer. Finalmente encontro o que estava procurando, uma arma e dois rapunzels. Rapunzel é um equipamento criado pelo governo para agente escaparem de situação de risco, como por exemplo, saírem de um prédio de cem andares antes que a polícia chegue no local. Simplesmente incrível. Basta apenas grudar ele em algo, encaixar a mão dentro, puxar a alavanca dentro dele e descer. Salvos do inimigo com equipamentos do inimigo. Como Julie está muito chapada, decido usar somente um rapunzel. Ouvi um som como um chute forte na porta da frente. Quando corri para sala, fui nocauteado com um soco no nariz e cai no chão. Julie estava assustada. Eu estava caído. A polícia entrava no meu apartamento. E ele, ele estava ali. Maxwell, terno escuro, pele branca, corpo velho. Com um esforço, ainda consigo enxergar, porém apenas vultos. O mesmo homem que tinha colocado a maleta no nosso carro agora estava ali. Novamente, não pude ver o rosto dele. Ele pega o rapunzel e pula do prédio com Julie. Pensei que meus homens tinham dado um jeito em você em Springfield, Seattle ou sei lá que cidade. — Maxwell me diz, mancando aquele corpo caindo as pedaços, forçando a fala com aqueles pulmões afetados pelos charutos. — Você era um dos nossos melhores homens. Se você escolheu este caminho, que assim seja. Seu pai ficaria muito desapontado com você, grande filho da puta. Então eles abandonam meu apartamento e o que resta sou eu no chão e a porta quebrada e a futura dor de cabeça, nos dois sentidos. Pensei que fosse conseguir levantar, mas quando tentei, cai e desmaiei em um só ato.
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