Animê Bizarre

18 Nem um pouco atrasados


Aquela criatura me irritou tanto que eu resolvi mudar de roupa. Coloquei um vestido azul claro um pouco mais comprido do que o branco e sai do quarto para ver a reação do estrupício.

-Finalmente abriu esta maldita porta!

-Ninguém mandou você sair da sala.

-Eu só queria ajudar. Custa ouvir minha opinião?

-Sua critica – corrigi.

-Estava curto!

-Não estava! –teimei.

-Pra quem ia dançar forró estava curto até demais. É pedir pra fazer filho!

A minha vontade de soltar uns palavrões era de 150%. Preferi não discutir.

-Você tem que se trocar também. Será que vai dar tempo?

-Tranqüilo. Eu te deixo na festa antes.

-Não quero dar trabalho. Eu posso ir sozinha.

- Não é incomodo.

-Não me chamo Romeu.

-O que pretende insinuar com isso?

-Que a sua ‘opinião’ me incomodou.

-Então vá vestir aquele vestido branco, vai!

-Estamos atrasados. Eu vou assim mesmo.

Romeu saiu da sala e foi para o meu quarto. O que aquele ser pretendia fazer? No meu quarto, ele abriu o guarda roupa, então eu comecei a reclamar da falta de educação dele. O ser vivo teve a capacidade de fechar a porta do meu quarto na minha cara!

Torci meu pâncreas pra não avançar na garganta do energúmeno assim que ele saiu. Em sua mão esquerda ele segurava o vestido branco e com a mão direita me puxou (¬¬’ me puxar não é nem um pouco típico de sua parte). Sem entender a situação, e com toda a calma na qual eu não me encontrava, perguntei o que ele estava pensando em fazer.

-Vamos embora.

-De jeito nenhum. Devolva o meu vestido agora e rala daqui!

-Eu até me mando, mas você vai junto.

-Ninguém me obriga a sair de minha própria casa!

-Se é assim... Já que você não se importa com esse vestido...

-Não ousaria!

-Você escolhe, ou vem comigo, ou eu dou um sumiço no vestido.

-Não aceito suas condições!

-Estamos perdendo tempo, eu ainda tenho que me arrumar. Escolha logo!

-Estamos não, você está!

-Vem comigo, Hinata. Você não confia em mim?

- Que o diabo te carregue com vestido e tudo! – irritada, corri para o quarto e me tranquei. Romeu me seguiu.

-Eu não saio daqui sem você, Hyuuga! Trate de acabar com essa teimosia!

-Morra esperando!

-Acho tão lindo quando ela me irrita deste jeito – ele disse baixinho, mas eu pude escutar porque estava encostada na porta.

- Pois fique encantada minha querida!

-É o que? Repete isso e esta porta vai a baixo!

-Ui, ficou estressada! Maldita seja esta TPM que te consome!

-Eu não estou pra brincadeiras Hinata! Saia daí.

-Desista!

Os barulhos cessaram. A casa ficou em completo silêncio por alguns minutos e depois ouvi uma porta sendo fechada com força. ‘Ele foi embora’ pensei ‘ é seguro sair agora’. Abri a porta do quarto aos poucos, vi o corredor vazio. Tranqüila, eu andei em direção a sala com um sorriso de vitória no rosto. Quando passei pela porta do banheiro, algo me segurou e me jogou pra dentro do banheiro, trancando a porta imediatamente. Romeu não tinha ido e agora me olhava com raiva. Encarei com mais raiva ainda.

-O que está fazendo aqui?

-Tentando diminuir sua teimosia – ele deu uma pausa – é a ultima vez que peço para você vir comigo. Estou pedindo por bem, não quero ter que pedir por mal.

-Você não tem o direito de me machucar em minha própria casa.

-Não mesmo. – Romeu destrancou a porta e saiu andando pelo corredor. Fui atrás dele. Percebi que ele ia em direção a saída então parei no meio da sala. Ele abriu a porta e a fechou com uma raiva incomparável. Não sei por que, mas me arrependi de ter sido teimosa. Fui atrás dele e assim que abri a porta, pude vê-lo irritado andando em direção ao conversível.

Sai de casa esquecendo a porta aberta e tentei alcançá-lo. Puxei seu braço, porém ele se soltou sem o mínimo esforço. Tentei o outro braço e também não funcionou. O meu arrependimento se transformou em aflição, então, já sem alternativas, abracei Romeu pela cintura. Senti minha tênue respiração em suas costas e fiquei imóvel. Ainda irritado, Romeu falou:

-O seu vestido está na sua casa. Eu não estou com ele.

A resposta foi o silêncio. Eu continuava a abraçá-lo e a respirar irregularmente.

-Já disse que o vestido não está comigo! – disse aumentando o tom de voz.

-Não importa. – Falei num tom de manha.

Romeu se soltou de meus braços e me encarou. A raiva passara parcialmente.

-Desculpa – continuei.

-Está bem – Romeu deu um discreto sorriso.

-Ainda está bravo?

-Um pouco.

Abracei Romeu. Por poucos minutos porque logo percebi que eu estava ficando louca ao abraçá-lo tão carinhosamente. Por mais que eu me arrependa, abraçar o Romeu não é meu costume. Larguei Romeu, pedi para ele esperar um minuto e entrei em casa. Procurei o vestido branco e corri para o quarto. Eu me arrumei rapidamente e sai de casa, desta vez tranquei a porta. Apesar de confuso, Romeu não disse nada.

-Está muito curto? – Perguntei

-Não muito.

-Tem certeza? – perguntei enquanto dava uma volta.

-Tenho.

O olhar de Romeu me pareceu brevemente malicioso. Acho que fui boazinha demais pedindo a opinião dele e certamente, ele adorou isso.

Chegamos à casa de Romeu em menos de vinte minutos. Ele insistiu para que eu entrasse e eu resolvi não contrariar. A mãe dele estava lá e foi muito simpática. Tentei não matar o filho dela depois do que ele disse:

-Meu filho, como está? Tudo bem?

-Tudo, mãe.

-Quem é a sua amiga?

-É a Hinata mãe – falou e depois olhou pra mim num tom sarcástico – sua futura nora.

-Como o seu filho é brincalhão – disfarcei aproveitando para beliscar o braço que Romeu tinha passado em volta da minha cintura.

Romeu foi se trocar em seu quarto. Eu fiquei na sala conversando com a mãe dele. Quando Romeu saiu do quarto, ficou envergonhado ao saber o assunto da conversa. A mãe dele estava mostrando um álbum de quando ele era neném e contando as travessuras do filho. Imediatamente, ele deu um jeito de arrancar o álbum da mãe antes dela mostra uma foto constrangedora dele com o bumbum de fora e me lançar um olhar dizendo ‘pare de olhar isto’. Simpatizei com a mamãe do Romeu, acho que por conta da nora eu até pensaria em me casar com ele.