-Gostei da sua mãe, Romeu.

-Que bom – disse sem nenhum entusiasmo.

-Ela falou tanto de você.

-Eu percebi.

-Você estava uma gracinha naquelas fotos!

-Pois é.

-Não fique bravo com ela pelas fotos.

-Não estou bravo com ela.

-É comigo?

-Não, imagina!

-Qual é. Vamos, não fique assim. Toda mãe gosta de mostrar as fotos dos filhos quando bebezinhos.

-Eu ainda queimo aquela foto.

-Não se chateie. Você não tem culpa por ter sido um bebê lindo.

-Hinata, não enche!

-Não acredito que aquele bebê bonitinho está sendo tão mal educado comigo... Que decepção.

-Dá pra mudar de assunto?

-Parei, parei. – olhei pra ele engolindo uma risada.

-O que foi desta vez?

-Oiw, o bebê mais lindo e de bumbum mais banquinho e lisinho que mamãe já viu, já sabe dirigir.

Depois de ouvir isso, Romeu quase atropelou uma velhinha ao parar no sinal vermelho. Ficou puto comigo e se recusou a responder. Olhei para ele assustada. Ele ignorou minha presença. Tentando acalmá-lo eu acariciei sua mão (eu estava no carro o qual ele estava dirigindo, faze o que né? *--*). Primeiramente ele afastou a mão, depois, percebendo minha insistência, ele cedeu.

-Romeu, eu não falei aquilo pra você ficar chateado comigo. Na verdade, você não precisa ficar constrangido pelo que eu vi. Geralmente sempre te vejo com um garoto teimoso e irritante, mas depois de ver aquelas fotos mudei um pouco de opinião.

-Eu não quero saber de desculpas. Estou irritado com você.

-Por quê? Qual é o problema de saber o que eu achei das fotos? Não te ofendi nem nada parecido.

-Sua atitude debochada me constrangeu. E futuramente me constrangerá ainda mais.

-Não vou contar a ninguém. E eu falei em tom de deboche porque eu nunca imaginaria que algo pudesse fazer com que eu te julgasse muito lindo ou um amor.

-Eu sei que você me ama!

-Não é pra tanto. Aliás, eu te mato pelo que você disse! Eu lá tenho cara de sua esposa por acaso?

-Tem. – disse num tom de brincadeira.

-Mais nem em sonho.

-Não posso garantir que você não sonhe, tenha sonhado ou sonhará comigo! Apenas sei que sou uma tentação pra você. – disse mais sarcástico ainda.

-Você tem passado muito tempo com o Tom.

-É só impressão sua.

-A propósito, você tem novidades sobre o pessoal?

-Que pessoal?

-A nossa galera, eu, tu, o Strify, o Shin, a Mey, a Suze, a Lya, o Kiro, o Tom, a Dayse e o Yu.

-Que tipo de novidades?

-Sei lá, pode ser qualquer uma.

-Qualquer uma mesmo?

-Qualquer.

-O Shin e a Dayse estão namorando.

-Sério? Quanto tempo?

- Um dia. Isso foi ontem.

-Que legal.

-E o Strify cantou a música que ele fez pra Suze na rádio.

-Qual é o nome da música?

-‘My obsession’.

-Quero escutar depois.

-Eu tenho a música no meu mp6. Conecta o USB no som do carro e escuta.

-Ok. Mais alguma novidade?

-Você não pode saber por mim.

-E por que não?

-Suas amigas breve irão te contar.

-Quero saber logo. Conta Romeu! Por favor!

-Não! Eu prometi ao Cinema Bizarre que não contaria a ninguém.

-O que tem de tão secreto?

-É inapropriado.

-Porra! Não me venha com essa de censura não!

-Olha o palavreado, Hinata! Comporte-se pelo menos hoje. Pelo dia dos namorados.

-Não tenho namorado pra comemorar.

-Porque não quer.

-O que está dizendo com isso?

-Nada demais. Só te avisando que tem um deus grego do seu lado e você não se manca.

Olhei pro outro lado da rua

- Você tem razão! Tem o maior gatinho bem ali do outro lado! – falei empolgada.

-Deixa de ser tapada!

-Quer que eu faça o que? Saia do carro e peça o cara que eu nem conheço em namoro? Ficou maluco.

-Você é burra demais pra me entender.

-Atrás de mim, você é um jegue!

-Gostei disso.

-A maldade está no seu modo de interpretação.

-Tem gente que não percebe o que tem nem quando cai de pára-quedas.

-Se for você, não precisa de pára-quedas. Eu deixo cair mesmo!

-Está vendo como você me ama?

-Você sonha alto.

-Então está encabulando por quê?

-Porque o gatinho que tava do outro lado da rua está olhando pra cá. Ai, ai, que pedaço de mau caminho!

-Suspirando por pouco... Vai entender esta mulher!

-Sinto cheiro de ciúmes.