Angels : Heaven Against Darkness [Fic Interativa]
38 O Fogo De Uma Paixão
Notas iniciais
Pov by Morgan
— Seu humor continua agradável como sempre, Alfred! Quero que saiba que é uma honra tê-lo aqui no palácio — Deborah parecia feliz com a chegada de Wick ao palácio e o olhava com muita admiração.
— Há, que isso, Deborah! Bondade sua. A honra na verdade é minha — ele pegou delicadamente na mão dela — por rever uma dama tão bela como você — e depositou um beijo ali. O que aumentou o sorriso dela e a fez suspirar.
Espiando da cozinha, tive vontade de vomitar. Ele até que parecia um cavalheiro, porém, eu sabia que não era. Ele estava atuando, aquilo era só um plano! E concluir isso me deixava com um pouco de pena de Deborah, pois ela não fazia idéia do que estava se passando e estava caindo como um patinho no plano dele.
Claro que o cara poderia fazer de mim uma das maiores bruxas de Relsyn se eu pedisse! E eu sou boa em negociar. Mas isso seria como trair os anjos das trevas e eu não queria trair ninguém naquele momento. Pois mesmo que aquela fosse uma grande oportunidade, Jeremy jamais me perdoaria. E Jeremy... poxa... ele é tudo pra mim. Mesmo que ele não seja muito carinhoso ás vezes, eu juro que daria minha vida por ele! Eu o amo.
— Wick? É você mesmo? — A voz logo me tirou de meus pensamentos. Era a voz de Strayder, que descia as escadas com um olhar curioso e travesso — Você está vivo?
De repente ele parecia bastante espantando, mas eu tinha minhas dúvidas. Ele podia estar sendo sincero ou podia muito bem estar atuando.
— Sim, sou eu, velho amigo! Sou eu, o Alfred! — Wick disse de braços abertos — Mas por favor Strayder, não fique bravo! Eu vim aqui para lhe pedir perdão.
— Me pedir perdão? Pra que me pedir perdão se você não tem culpa de nada?
Deborah tombou a cabeça de lado, parecendo um tanto confusa e Wick ficou sem jeito com tal afirmação. Digamos que aquilo os pegou de surpresa.
— Eu sei que Alana te seduziu — Strayder completou.
— Então você descobriu? — perguntou Wick entrando na "brincadeira".
— Claro! E acredita que ela teve a coragem de fazer o mesmo comigo? Sinceramente, de puritana ela não tem nada!
Mas o quê? Deu um pouco de raiva dele. Eu não era nada de Alana, mas a forma como ele falava a fazia parecer uma vadia, coisa que ela não é e nunca foi! Até porque se fosse, ela não estaria na droga daquele templo!
— Alfred, eu sim lhe devo perdão — Strayder continuou — Deveria ter te ajudado a acordar do transe no qual ela te colocou, mas eu fui tão burro que... você sabe.
— Tudo bem, isso são águas passadas, irmão!
Mas que merda é essa de irmão?
– O importante agora é nos unirmos! E hã... — ele fez uma pausa, como se parasse pra pensar — eu posso te ajudar a matar aquela mulher, não posso?
— Mas é claro! Claro que sim, irmão! — Strayder enfim desceu os ultimos degraus da escada e caminhou até Wick para lhe dar um abraço.
Deborah achou aquilo bonito e não conseguiu parar de sorrir, afinal para ela, dois velhos amigos estavam se reconciliando. Já para mim, aquilo era patético! Aquele teatro todo, aqueles sorrisos e abraços, eram falsidade demais!
"Morgan, aproveite enquanto Wick está aqui e ataque o templo! Convoque as tropas e chame Jeremy para te ajudar. Tenho certeza de que agora é a melhor hora pra matar aquela rainha de uma figa! E há! Não se esqueça de tortura-la... "
E assim a verdade aparece!
— Deborah, prepare um chá, sim?
— Claro, senhor — Deborah assentiu e veio em direção a cozinha.
— Que tal se irmos ao meu escritório enquanto ela prepara o chá? Posso lhe mostrar alguns projetos!
— Será uma honra.
— Ótimo, siga-me! — Strayder sugeriu e guiou Wick para além do corredor.
***********
Quando abri a porta, dei de cara com Deborah.
— Mas o que é isso, menina? Não me diga que estava ouvindo atrás da porta? — ela resmungou.
— Não tenho tempo para explicar, Deborah. Eu preciso subir — passei por ela correndo e atravessei o grande salão.
— Olha, vê se tem cuidado! Eu estou com um pressentimento ruim.
— Tá bom!
Subi os degraus da escada e entrei em um corredor. Nele havia várias portas de um lado e de outro! O que poderia deixar as coisas mais difíceis, mas por sorte, a porta do quarto dele estava aberta.
Ansiosa me aproximei devagar, medindo a gravidade do recado e pensando se deveria ou não contar a Jeremy. Talvez eu pudesse falar com Amanda primeiro,eu poderia salvar a mãe de Jennet se não contasse ao Jeremy. Mas eu não tinha mais nada a ver com os Louis, portanto, eu iria contar pra ele.
Entrei no quarto e encontrei Jeremy deitado em sua cama, calmo, lendo um livro. Até que ele notou minha presença:
— Morgan? — ele tirou os olhos do livro e começou a prestar atenção em mim — O que houve?
— Jeremy, o seu pai... — eu estava um tanto nervosa e ofegante.
— Diga.
— Seu pai quer que comecemos o ataque no templo agora — pronto! Está feito! O recado foi dado como deveria ser!
— O babaca já está ai? — ele perguntou largando o livro e se levantando da cama.
— Já! Ele está no escritório com o seu pai.
— Há, como eu daria tudo pra ir lá e cortar a garganta dele! — ele abriu o guarda-roupas e tirou de lá um casaco sobre-tudo e uma espada — Seria ótimo fazer com que ele voltasse pro túmulo!
— Nem pense nisso! Seu pai quer mata-lo sozinho. Deixe que ele o faça.
— Ta legal, eu deixo... se eu conseguir me controlar antes — ele vestiu o casaco e pegou a espada — Vamos?
Assenti e saímos do quarto. Mas ao chegar as escadas, ele continuou com suas reclamações:
— Mas sério, você nem imagina o quanto me faria feliz poder mata-lo, Morgan!
Ele parecia estar louco pra machucar Lil Wick, parecia realmente decidido a fazer isso!
Mas enquanto ele falava, algo me chamou a atenção. Percebi que Wick e Strayder já haviam voltado ao salão. O que foi um pouco estranho, porque achei que Strayder mataria ele na primeira oportunidade que tivesse. Mas não, o mago estava bem ali!
— Cara, como eu adoraria arrancar as entranhas daquele mag...- tapei a boca dele com a minha mão.
Qualquer palavrinha que ele dissesse poderia arruinar o plano de seu pai — seja lá qual plano fosse!
— Shh, fique quieto! — pedi, mas ele retirou minha mão da sua boca.
— Ei! Por que fez isso?! — ele resmungou.
— Seu pai e Lil Wick voltaram ao salão — sussurrei.
— Ótimo, vou cumprimenta-los — ele sorriu com malicia e ergueu a sua espada.
— Jerry! Não! Você pode estragar o plano do seu pai! — sussurrei quase que implorando.
Ele me encarou por um segundo, talvez pensando se ia atacar Wick ou não. Mas daí ele começou a rir.
— O que foi?
— Essa sua mania idiota! Qual é? Jerry! Quando é que vai parar de me chamar assim?
Sorri com o que ele disse...
— Nun-ca! Eu gosto de te chamar assim!
— Olha, então vou te chamar de Morg de novo, ein?
— Eu não ligo! Me chame do que você quiser! — afirmei contente.
— Certo, Morg! Agora me deixe acabar com aquele engraçadinho!
— Não! — me coloquei na frente dele, impedindo passagem.
— Morgan, me deixe ir.
O prensei contra a barra da escada:
— Não! Porque tem uma coisa bem mais legal para a gente fazer, sabia?
Eu mal podia acreditar no que estava fazendo. Mas era preciso!
— E o que seria mais legal do que ver aquele cara morto?
— Não sei. Talvez isso — sussurrei e o calei com um beijo. O que o deixou um pouco surpreso e sem jeito, mas ele não demorou nada para corresponder e acabou se entregando. Logo nossas linguas estavam em uma batalha por prazer.
Ele me apertou com vontade contra sua cintura e percebi que aquilo estava começando a esquentar! Parecia que ele tinha se esquecido de Lil Wick. Mas quer saber? Não era só ele, naquele momento eu também não ligava mais pro mago! O que importava era que eu estava nos braços de Jeremy.
— Mas olha só! Jovens! Sempre tão apaixonados!
Como um despertador, essa frase foi um alerta para gente e ele recuou. Mas mesmo assim, ele continuou a me olhar com desejo. Ambos estavamos sem fôlego e nenhum de nós conseguia acreditar no que havia acabado de acontecer. Era impressionante demais pra ser verdade!
— Seu filho?
— Sim.
— Ele escolheu uma bela moça
— Concordo plenamente. Morgan é uma das mulheres mais llndas que já vi e é tão encantadora.
Acabei sorrindo com o elogio e Jeremy sorriu também.
— Há, não fale isso. Vai acabar deixando seu filho com ciúmes! — e então os dois deram uma gargalhada.
Jeremy deu um sorriso timido e baixou a cabeça envergonhado, achei aquilo tão fofo da parte dele! Nossa, aquilo estava sendo perfeito! Jeremy estava como eu nunca havia o visto antes e a novidade me divertia.
Strayder pigarreou.
— Não vão cumprimentar Lil Wick?
— Hã? claro! Tudo bom, senhor Wick? — Jeremy se voltou ao mago.
— Estou ótimo! E vejo que está em boas companhias.
— Sim, esta é Morgan Scarlet — disse e me puxou novamente pela cintura — Ela é realmente uma mulher incrível! E o melhor, é minha! — Jeremy sorriu pra mim e eu o olhei confusa. Como assim dele? — Minha linda namorada.
Namorada dele... namorada dele... namorada... namor... NAMORADA?!
Meu queixo caiu e acabei balançando a cabeça incrédula do que havia acabado de ouvir. Meu cerebro havia parado de funcionar. Havia parado de funcionar completamente, até que um sorriso idiota resolveu aparecer nos meus lábios e meus olhos começaram a encher d'água. E acho que ele percebeu, pois seu olhar se suavisou.
— Ela realmente é linda. Já pensam em se casar?
Essa pergunta me fez corar! Casar? Wow! Se bem que fiquei curiosa pela resposta de Jeremy.
— Hã... bem... nós estamos apenas esperando as coisas se acalmarem, se é que me entende.
Não aguentei mais e dê um abraço nele. Se o que ele tinha dito era verdade ou não, isso não importava! O que importava era aquele momento e eu iria aproveita-lo enquanto pudesse.
— Sim, sim — Lil Wick deu um sorriso — desejo felicidades aos dois.
Jeremy retribuiu o abraço. E nossa, que abraço!
— Bem, filho. Se precisar de nós, estaremos na cozinha!
Ele assentiu e Lil Wick e Strayder entraram na cozinha. Queria que aquele abraço durasse para sempre, mas me lembrei de uma coisa... uma coisa que acabou com todo o clima.
— Eles já foram — disse me separando do abraço e tentando me recompor.
Ele olhou pra mim de um jeito bem sério, bem mais sério do que ele costumava ser.
— O que foi?
— Nada.
— Há, não! Agora fala!
— Tá! É que... nossa... você me surpreendeu! — ele engoliu em seco.
— Er... você também! — disse com aquele sorriso idiota de novo.
— Valeu — ele deu uma risada fraca.
Depois disso, um silêncio incomodo se instalou sobre nós.
— Pois é. Mas sejamos sinceros quanto a aquilo... vo-você tava falando sério?! Você... — eu tive que perguntar.
— Nunca falei tão sério na minha vida, Morgan Scarlet.
E aquela sensação boa voltou, aquela felicidade imensa e aquele sorriso idiota mais uma vez!
— Jerry! — queria ser mais forte na frente dele — Nossa, eu não acredito! — mas acabei deixando uma lágrima escapar. Quem era aquela garota? Eu acho que fui abdusida.
— É, vou ter que me acostumar com essa sua mania de me chamar de Jerry — ele sorriu e o abracei novamente.
— Achei que me via apenas como amiga.
— Morgan, eu nunca te vi apenas como amiga...
"Ei! Não ordenei a vocês que liderassem as tropas?"– gritou a voz de Strayder em nossas cabeças. Fazendo a gente se separar... de novo! Juro que eu que quis gritar com ele depois dessa — "Mandei atacarem o templo! E há, levem Amanda com vocês. Quero que a obriguem a matar Adam"
De repente toda aquela guerra me pareceu uma idiotice, mas quando olhei pra Jeremy vi que ele sorria triunfante.
— Com o maior prazer, pai.
Só que aquilo não me deixou animada, pelo contrário, me senti mal. Amanda matar Adam? Acabei me imaginando no lugar dela e sinceramente, era horrivel! Não podia permitir aquilo!
— Jeremy, você não vai obrigar sua irmã a fazer isso, vai?
O sorriso dele aumentou mais ainda e seus olhos escureceram.
— Jeremy?
Pov by Sarah
Bem, quero começar te fazendo uma pergunta: o que você faria por seu amigo? O que faria se ele estivesse correndo perigo? Com certeza você tentaria ajuda-lo, certo?
É, e foi isso que eu tentei fazer. Quando Iryna saiu atrás da tal Skyler, eu não me contive e corri até a árvore do quarto de Blake e comecei a escalar ela. Sabe, ficar ali parada e ver aquela casa queimar era uma droga pra mim, ainda mais sabendo que Blake estava lá dentro! E mesmo que Skyler tenha dito que... que ele já era, quem disse que eu iria acreditar nela? Eu senti que ele estava vivo e eu tive que entrar naquele quarto pra ver! E sabe o que aconteceu quando eu cheguei perto da janela dele? Eu vi ele caído no chão do jeitinho que ele estava quando eu e Lil Wick saimos! É, aquela criatura de uma figa tinha mesmo mentido! E o que eu fiz? Pulei pro parapeito da janela e entrei com cuidado no quarto dele.
Blake não estava respirando! E quando vi ele de tal forma, eu caí de joelhos ao lado dele.
— Blake, por favor! Por favor, acorda! — eu disse e peguei em sua mão — por tudo que é mais sagrado, seu chato, A-corda! — gritei com toda minha força — Blake, não — meus olhos começaram a arder e minha garganta a se fechar — Acorda! — gritei novamente e deixei uma lágrima escapar.
Mas ele não respondeu.
— Você é surda? Eu já não falei pra você que ele já era?!
Me levantei as pressas e olhei pra janela.
Era a vadia da Skyler e estava encostada na janela com os braços cruzados.
O que ela queria? Eu não sei. Mas respondi a ela:
— Olha aqui, eu não faço a minima idéia do que ele te fez, mas por favor, peço pra que o deixe em paz!
— Deixar em paz? Eu não sou fada madrinha pra atender pedido, queridinha! Não sou do tipo que faz caridade! — ela ergueu suas garras pra mim.
— Por favor, o que custa nos deixar em paz? — de repente me lembrei — A Iryna! O que você fez com ela?
— Não é da sua conta! O que eu faço ou deixo de fazer não te importa! Mas vamos ver, uni-duni-tê, eu só rasgo sua garganta ou mato logo você?
Ela gostava daquele joguinho, mas aquilo estava começando a me irritar.
E ela insistia:
— Fica fria quanto ao seus amiguinhos! Eles são só casca agora! Eu quero acabar mesmo é com você, fedelha! Você me irrita!
— Há meu Deus — fiquei paralisada — não me diga que você matou Iryna?
— Blá, blá blá! Adivinha?
Peguei um livro da prateleira de Blake e joguei na cara dela. Como ela pode?
— Sua... — ela ameaçou.
Abri a porta e corri pro corredor. Dali dava pra sentir um cheiro de fumaça e mais a frente, dava pra ver a sala dos McCartney totalmente consumida pelo fogo. E na escada, uma parte dela queimava, enquanto a outra continuava intacta.
— Olá! — ela cantalorou.
A peste estava ao meu lado.
— Sabe, eu pensei em facilitar isso pra nós duas. Mas de repente — ela sorriu — me deu uma vontade de te torturar!
Eu queria acordar daquele pesadelo. Queria fingir que aquilo era tudo mentira. E pra tentar tornar menos pior, fechei meus olhos e esperei pela minha hora.
Mas nada aconteceu, até que Skyler soltou um berro. Abri os olhos assustada e quando vi, ela estava segurando o próprio pescoço de boca aberta e olhos esbugalhados, como tivesse algo a sufocando. Achei aquilo esquisito e me afastei pra observa-la dos degraus seguros da escada. Ela urrava como se estivesse morrendo. Mas gente, o que podia estar acontecendo com ela? De repente, a imagem de Iryna apareceu segurando Skyler por trás, apertando o pescoço da garota com força.
— Iryna! — gritei.
Mas ela não ligou pra mim! Estava tão brava com Skyler que apertou o pescoço dela até conseguir quebra-lo... e ela quebrou! Quebrou e ainda arrancou a cabeça da menina!
— Sarah? — ela me viu espantada e jogou a cabeça de Skyler na sala, pra que o fogo a queimasse.
O corpo sem cabeça desabou no chão.
— Como você...? — perguntei impressionada.
— Você está bem? — ela me perguntou preocupada e eu assenti.
Ela pareceu um pouco aliviada e então pegou o corpo sem cabeça, para em seguida joga-lo na sala pra que também queimasse.
— Que foi? Achou que eu tivesse dado trégua pra isso ai? Fui treinada pra matar, garota! E quando eu preciso, eu mato.
— Mas e quanto ao Blake, ele está vivo?
— Blake?
— É! Você não o viu caído no quarto?
— Sarah, não tinha ninguém no quarto...
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