Notas iniciais
Olá, leitores! Como vão? Hoje estou aqui pra postar pra vocês um dos últimos capítulos de Angels! Pois é, a fic está acabando :( Mas bora aproveitar enquanto ta rolando! Uma ótima leitura a todos vocês! Ps: O capítulo foi divido em duas partes, porque ele meio que ficou enorme!

Pov by Jenn

Ao meio-dia, estavamos diante da grande cachoeira de Kane, que com seu tamanho esplendor, era cortada por um belo arco-íris — aquele que Shendrick havia citado e — que de fato, a deixava com um quê misterioso e enigmático.
Porém tinhamos um problema ali. Não havia nenhuma ponte para atravessar o rio. E isso tornava as coisas bem mais difíceis.
– E então? Alguma idéia de como a gente pode fazer para atravessar? — perguntou Derek de braços cruzados.
– Eu tenho! E tenho certeza que ela pode ajudar — ele apontou a pata branca e peluda pra mim.

– Eu? — perguntei confusa. Afinal, o que ele queria que eu fizesse?

– É que sinto que você é um anjo! E sendo um anjo, acho que pode nos levar até o outro lado.

– Mas como... há, deixa pra lá! É, eu sou um ani sim! Mas eu não acho uma boa idéia eu me transformar agora — alertei.

– Por quê?

– Ela não consegue se controlar ainda, Shendrick! — Derek interviu.

– Humm — ele me examinou com os olhos — está em Relsyn a tanto tempo e ainda não sabe como se controlar. Bem, ao menos ainda é uma aprendiz e não uma veterena como Derek.

– Hey! — Derek protestou — isso não é nada legal.
O gato o ignorou e se voltou a mim:
– Dane-se! Jennet, você pode ou não fazer isso?

– Bem, talvez eu possa tentar, não é?

Derek me olhou com pânico:
– Jennet, da ultima vez que fez isso você... você queria matar Alana!

– É, mas foi da ultima vez. Não agora.

– Mas Jennet...

– Shh, Derek! Eu sei o que tô fazendo — ele ainda estava relutante — Por favor, fique calmo! Prometo que a gente vai atravessar isso aqui rapidinho! — respondi e respirei fundo.
Decidida, fechei os olhos e tentei me concentrar no barulho da cachoeira, pois o som de suas águas caindo era tão bom, tão relaxante, que achei que poderia me ajudar na transformação. E realmente, ajudou.
– Mas veja só! — Shendrick exclamou e eu senti minhas asas se erguerem. Sorri por poder fazer aquilo mais uma vez e abri meus olhos. Por algum motivo, tanto Shendrick quanto Derek pareciam maravilhados.
– Você tá vendo isso?
– Sim, garoto e caramba!

Olhei pros dois confusa. Eram só asas! Que idiotice! Os dois já tinham visto outros anjos antes, não entendia porque estavam daquele jeito!
– Gente, são só asas! Também achei legal no inicio, mas já me acostumei com elas.

– Pode até ser. Mas eu nunca vi um anjo com uma asa negra e uma asa branca.

Agora eu estava assustada:
– O quê?

Joguei as asas pra frente, de modo que eu pudesse vê-las. Ele tinha razão. A da esquerda estava negra e sombria, enquanto a da direita estava branca, pura e reluzente.
– Oh meu Deus! — elas estavam mesmo diferentes uma da outra!

– Agora entendi porque você não está completamente malvada, Jenn — Derek concluiu.

– Isso quer dizer que eu...

– Que você nunca foi humana! Foi sempre um anjo — Shendrick completou.

– Mas e quanto a meu pai? Leroy? Ele é humano!

– Sim, ele é humano. Mas acho que você herdou mais os genes de sua mãe. E se não for isso, só pode ser...

– Só pode ser o quê?

– Talvez você tenha as 3 partes dentro de você — Derek estava tentando me confortar — e seja metade humana, metade anjo do bem e metade anjo do mal.

Shendrick o olhou perplexo e interviu:
– Não, ela tem apenas as duas partes, seu idiota. Eu posso sentir! A parte demoniaca e a outra celestial. Mas basta! Chega disso! Porque nosso problema é atravessar o rio!

Eu queria entender o porque de minhas asas terem ficado daquela forma, mas tentei focar no rio e joguei minhas asas pra trás.
– Consegue voar?

Engoli em seco, mas assenti. Ele era um aliado de Wick, portanto não poderia decepcioná-lo!

Dê alguns passos pra trás, pra poder pegar impulso e comecei a correr. Bati as duas asas e então sai do chão. Eu havia conseguido! Estava planando!
– Ótimo! Agora desça e venha me pegar — o gato gritou e eu mergulhei de cabeça no ar.

Ao me aproximar deles, agarrei Shendrick pelas patas e Derek pela camisa.
Derek ficou tão assustado que começou a berrar sem parar, fazendo Shendrick gritar pra que ele calasse a boca. Apesar de que Shendrick também parecia estar com um pouco com medo. Por isso fiz questão de voar rapidamente sobre o rio, pra depois pousar do outro lado da margem com cuidado.
Coloquei ambos no chão e guardei minhas asas.

– E então, vocês estão bem? — perguntei preocupada.

Shendrick assentiu e Derek disse um "ufa" aliviado.
Os dois se levantaram e Shendrick apontou pra uma caverna a nossa esquerda.
– Lá! Estamos perto do ouro.

O arco-iris que eu vi acabava naquela caverna.
– Nossa! — exclamei surpresa por estar tão perto dele.

– Okay, vamos lá buscar nosso ouro — Shendrick começou a correr até a caverna, mas algo o jogou de volta pra nosso lado.

– O que foi isso? — perguntei.

De repente, na entrada da caverna apareceram quatro elfos armados.

– Eu me esqueci! São os primeiros guardiões! Eles regulam quem pode entrar e quem pode sair da caverna — Derek explicou.

– E como vamos fazer pra entrar então?

– Eu não sei vocês — Shendrick se transformou na pantera gigante — mas eu vou acabar com eles!

– Não! — Derek e eu tentamos alertá-lo.

Mas o gato correu novamente até os elfos e então o primeiro deles atirou uma flecha, que acertou o ombro dele; O segundo jogou um bulmerangue afiado, que fez um pequeno corte no outro ombro do felino; O terceiro ergueu um chicote gigante e chicoteou o gato no olho; quanto ao quarto, esperou Shendrick chegar bem perto e o chutou tão forte que o gato saiu voando no ar e foi parar novamente ao nosso lado.

Derek correu pra socorrê-lo e me disse:
– Jenn, acho melhor você tentar falar com eles! Diga que é filha da rainha Alana e explique a nossa situação! Talvez assim nos deixem passar.

– Mas — ele me olhou clamando — tá legal.

Arrumei minha postura e caminhei até chegar a uma distância razoável dos elfos. Limpei a garganta e disse:
– Com lincença, Guardiões. Sou Jennet, filha de Alana, a rainha de Relsyn — eles se entreolharam — por favor, peço que perdoem meu amigo Shendrick. Mas é que precisamos de um pouco do ouro. É uma emergência, pois estamos prestes a... — eles fizeram uma reverência e sairam da frente da caverna.

– Nós que pedimos perdão a vossa alteza. É que seu amigo nos pareceu um pouco suspeito. Mas agora, você três podem passar.

– Obrigada — agradeci e chamei Derek e Shendrick.

O gato voltou a forma normal — agora com um olho roxo e os dois ombros machucados — e quando estava perto de nós, todos os quatro elfos pediram desculpas a ele.
– Humm, assim é bem melhor. Mas eu vou logo dizendo, me pegaram desprevinido! Deixa outra hora pra vocês verem! Sou o companheiro de Lil Wick sabiam? — ele disse e os elfos logo o olharam com arrependimento.
– Deus! Nos perdoe, senhor!

– Há, tudo bem! Alguns arranhões fazem bem de vez em quando e um olho roxo não vai me fazer diferença! — ele riu sem graça — Sou bravo mesmo assim — Shendrick entrou na caverna e eu e Derek o seguimos.

– Shendrick, você consegue caminhar? — perguntei, pois ele parecia estar com dificuldade.

– Sim, menina. Não se preocupe.

Eu já estava começando a focar no barulho abafado da cachoeira, quando uma luz dourada surgiu a nossa frente. Haviamos encontrado o ouro!
Ajoelhei diante daquilo e peguei algumas moedas em minha mão pra analisar.
– É ouro de verdade!

– Claro que é! — respondeu uma voz feminina e eu me levantei as pressas. Era uma serpente enorme de cinco metros. Ela tinha a pele da mesma cor que aquele ouro e os olhos dela eram vermelhos como rubis.
– Para quê precisam do meu ouro, garotos?

– Somos amigos de Alana, senhora. E está é a filha dela, a Jennet — Derek começou.

– O-Oi! — eu gaguejei e ela fez um tipo de reverência.

– E então? — ela perguntou.

– Bem, estamos prestes a passar por uma guerra lá fora e precisamos do seu ouro pra comprar algumas armas pra Jenn.
– Você precisa matar Strayder, não é menina?

– Como sabe? — perguntei impressionada.

E ela respondeu:
– Um velho sábio me apareceu aqui ontem e me falou que vocês viriam. Ele disse que a situação está realmente complicada para vocês.

– Sim, está — Shendrick confirmou — será que poderia nos ajudar?

– Com a maior honra.

Suspirei aliviada. Mas fiquei curiosa pra saber quem seria o tal velhinho.

– A propósito, o velho sábio me aconselhou a dar isso a você, menina — ela apontou com a cabeça pra uma espada de prata que estava fincada sob um altar feito de ouro. Ela era perfeita! Seu cabo continha uma linda esmeralda verde e seus detalhes eram tão bem entalhados que parecia ter sido feita pelos Deuses.

– Uma espada de prata! — retirei a espada do altar.

– Ele disse que iria precisar e a propósito, vocês podem pegar o ouro que precisam.

– Obrigada!

Após a permissão da serpente, enchemos a bolsa do Derek de ouro e saimos da caverna. Nos despedimos dos elfos — que pediram desculpas novamente por atacar Shendrick — e fomos ao mercado.

O mercado, na verdade, era meio que uma feira onde todos os elfos da aldeia Luna se reuniam pra vender coisas e ter seu ganha pão.
Mas naquele momento, tudo estava uma bagunça e tinha até uma comerciante passando mal.
– Shendrick, vamos lá! — disse Derek ao nota-la — Jennet, você fica aqui! — assenti e os dois doram correndo ajudar a mulher. A verdade era que todos ali andavam apressados de um lado para o outro e se esforçavam para colocar tudo em seu lugar. O quer que tenha passado por ali, havia criado um verdadeiro caos. E curiosa, fui até a primeira barraca que eles haviam posto de pé e perguntei o que havia acontecido ali. A comerciante me olhou com um ar triste ao se recordar do que havia acontecido e respondeu:
– Foram aqueles ratos.

– Ratos?

– Sim! Aqueles cavaleiros negros do Strayder! E não estavam sozinhos. Bruxas e dragões estavam junto deles. E elas eram umas pestes! Chegaram aqui e começaram a revirar tudo! Jogaram um monte de coisa no chão, quebraram nossos produtos! E depois ainda começaram a nos ameaçar — a mulher tomou fôlego — tivemos que entregar toda nossa mercadoria aos desgraçados.

– Ai meu Deus — será que... — Eu sinto muito, sinto muito mesmo, senhora. Mas será que poderia dizer para que lado eles foram?

– Eles foram para a aldeia, senhorita.

– Para a aldeia?

– Sim, disseram que iam matar a rainha.

– O-O quê?

Eles... eles iam matar minha mãe?!

– Jennet? — a voz preocupada de Derek me chamou. Ele havia voltado.

Meus olhos se encheram d'água e minha garganta começou a se fechar. "Eles iriam matar minha mãe". Cerrei meus punhos e o maxilar com enorme ódio e tristeza no coração.

– Jennet? O que aconteceu? O que ela te disse? — Derek colocou a mão sobre o meu ombro.

– Minha mãe, Derek... eles vão matar a minha mãe!
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Pov by Adam

Enquanto isso, no templo...

– Eu avisei a você! — a rainha me lembrava mais uma vez.

– Sim, eu sei — respondi cabisbaixo.

Estava um caco naquele momento. Claro, eu já imaginava que amar um anjo negro me trouxesse problemas, mas não imaginava que aquilo me machucaria tanto. Eu devia saber, anjos negros nunca fazem o bem. É da natureza deles. E por causa dessa maldita natureza, eu estava perdendo as minhas asas.

A rainha soltou um suspiro e tocou meu ombro.
– Desculpe, Adam. Sei o quanto a amava e entendo como está se sentindo. É um sentimento horrivel, mas acredite, uma hora isso vai passar.

De fato, ela me entendia. Tivera um caso de amor com Strayder e também havia se ferrado por conta dele. Mas com certeza, pra ela deve ter sido mil vezes pior. Afinal, ele havia partido seu coração, amaldiçodo sua filha e a feito sofrer pra caramba em um hospital.

– Talvez possamos enganar o conselho e dizer que ela te seduziu! — ela sugeriu ficando de frente pra mim — Sim! Podemos dizer que ela usou um feitiço para que você...

– Não! — gritei cansado de tudo aquilo — Se eu estou sendo punido, é porque mereço. Eu sabia das regras, rainha! E mesmo assim contrariei elas, portanto, não sou digno dessas asas.

– Pare com isso! É claro que você é digno. Sei que a amava e só queria tira-la daquele lugar. Adam, isso não é ruim.

– Certo. Talvez não seja mesmo, mas e quanto as minhas asas? Além de perdê-las — respirei fundo — vai acontecer mais alguma coisa comigo?

A rainha hesitou em responder, mas disse por fim:
– Talvez.

– Você também perdeu suas asas, não é? — perguntei e ela me olhou surpresa.

Jamais havia perguntado isso a ela, porém tinha dúvidas. Ela nunca exibia suas asas no templo.
– Sim, as perdi — ela confirmou com uma voz fraca.

Depois um grande silêncio pairou sobre o salão.
– Mas você está bem, certo? — tentei animá-la.

Ela deu um sorriso fraco.
– Sim, estou — concordou com uma pontada de tristeza ainda, até que voltou a si — e você também vai ficar! Claro que vai passar por algumas mudanças e tudo mais, no entanto, vai ficar bem — agora ela estava sorrindo. Ou ao menos tentava. Acho que ela queria parecer forte pra me encorajar e por alguns minutos, deu certo.
– É, eu vou ficar bem. E não pense que vou largar do seu pé tão cedo, Alana!

E finalmente ela riu.
– É uma honra poder saber disso! Você sabe que é como um filho pra mim, Adam.

– Nossa, agora ganhei meu dia! — sorri e dê mais um grande abraço nela.

Alana era realmente uma mulher incrível e saber que ela me considerava um filho era incrível.
– Certo — ela estava quase chorando — precisamos ir ao conselho... de um jeito ou de outro.

Respirei fundo e assenti. Talvez eu tivesse alguma sorte e eles devolvessem as minhas asas, ou ... bem, logo eu ia descobrir.

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Pov by Scarpana

E sobrevoando a aldeia do templo...

Enquanto patrulhava a área com meu dragão Tempestade, avistei ao longe um exercito que saia da floresta de Kane. Eram os cavaleiros negros de Strayder, e desta vez, acompanhados por outros seres. Mais ou menos vinte dragões e trinta bruxas estavam acima deles e mais a frente, seres que não consegui identificar avançavam rapidamente como borrões negros que derrubavam tudo o que impedisse sua passagem. E o mais curioso, é que quatro cavaleiros pareciam carregar um corpo e eu podia jurar que sabia de quem era aquele corpo...
– Há, não! Isso é terrivel! Precisamos avisar a rainha!
– Mas e quanto ao Noah?

Noah também estava fazendo patrulha na área, mas naquele momento, não havia nenhum sinal dele.
– Eu não sei, ele sempre desaparece nessas horas! Acha que devemos procurar por ele?
– Nem pensar! Nos vamos é falar com a rainha! Você viu! Eles estão carregando o corpo de... de.. vamos falar com a rainha — concluiu Tempestade e desceu as pressas até os portões do templo. Ela pousou de frente para os guardas do templo e eu desci para avisá-los.

– Guardas, temos problemas!
– Problemas? Que tipo de problemas, senhorita?
– O maldito Strayder mandou seu exercito das trevas e agora estão vindo nos atacar.
– Tre-trevas?! A senhorita tem certeza?

Tempestade os olhou com raiva soltando fumaça pelo nariz e perguntou:
– Ela tem cara de quem mentiria sobre isso?
– Na-não — responderam assustados — É só que...

Um grande estrondo ecoou ao longe, o que assustou todos nós. E ele foi seguido por outro, até que fomos surpreendidos por uma enorme bola de fogo que acertou um dos celeiros da aldeia, o que fez uma manada de cavalos sair correndo de lá, obrigando elfos a surgirem para tentar controla-los.
Depois disso, mais uma enorme bola de fogo caiu sobre uma casa. E mais bolas de fogo vieram. Eram os dragões deles! E já haviam começado a sobrevoar o templo.
– O que vocês estão esperando?! — gritei e eles tocaram suas trombetas.
Logo todos os anjos e elfos da aldeia estavam correndo para se colocar em seus postos.
E além dos dragões que cospiam fogo, várias bruxas estavam chegando a aldeia.
– Scar, eu vou lá. Acho que vão precisar de mim! Você fica aqui pra falar com a rainha.
– Mas — não queria que ela se arriscasse, mas era preciso — está bem.
– Quanto ao Noah, não se preocupe ele deve estar escondido em algum lugar. Nos encontramos depois! — ela levantou voo.

– Tenha cuidado!

– Pode deixar! — respondeu e voou em direção as bruxas que estavam chegando.

– Senhorita! — um dos guardas chamou minha atenção — temos que ser rápidos!
– Certo.

Subi as escadas correndo e eles abriram os portões pra mim. Ao entrar, me deparei com a rainha e o Adam conversando.
– Scarpana?! — ela me olhou surpresa.

Notas finais
E esse foi a primeira parte do capítulo 39 e eu espero que todos tenham gostado! Bjos, nos vemos no próximo cap ;)