Angel's Blood
1 O caçador de Vampiros
Notas iniciais
O primeiro capitulo desta fic. Espero que gostem.
Não nos responsabilizamos por lágrimas de decepção, quebra de monitores ou pc's atirados das janelas.
Divirtam-se. ^_^
.-.-.
Imagens:
1- Cidade de Tokio
2- Link
A sala onde se encontravam era a mais alta em toda a Torre, de lá podia ver-se todas as luzes de todas as casas de Tokio. Um ser de grandes asas brancas olhava pelos vidros que constituíam a parede como se as luzes o hipnotizassem.
-Encontraste um decente? – perguntou sem deixar de olhar para a cidade
-Sim senhor. – disse o outro que se encontrava na divisão – É o melhor caçador da Guilda do Japão tal como pediu. Tendo em conta as habilidades dele, penso que será perfeito para o procurar.
-Não perguntei o que tu pensavas Zero. – disse o sujeito olhando nos olhos lilases do outro
-Perdoe-me senhor. – disse o de cabelos prateados curvando-se – Se não se importar, irei retirar-me. Ainda preciso de me alimentar. – disse ele colocando uma pequena pasta de documentos em cima da secretária de pedra do seu senhor e com um sorriso que mostrava um dos caninos afiados
Assim que Zero saiu, deixando o seu mestre sozinho com os papeis. O ser de asas brancas olhou para a fotografia presa por um clip aos papéis e sorriu.
-Parece que isto vai ser divertido.
.-.-.-.-.-.-.-.-.-.
Quando Link dizia que era caçador de vampiros, invariavelmente as pessoas reagiam sufocando um grito, seguindo-se de um: «Andas por aí a espetar estacas afiadas naqueles corações maléficos e pútridos?»
Está bem, as palavras podiam não ser exactamente estas, mas o sentimento era. Dava-lhe logo vontade de ir a procura do idiota do contador de histórias do século XV a quem se devia a invenção da história. Claro, os vampiros já devem ter tratado disso depois de os primeiros terem ido parar ao serviço de urgência da época.
Link não apunhalava vampiros. Perseguia-os, capturava-os e devolvia-os aos seus donos, os anjos. Algumas pessoas chamavam-no caçador de recompensas, mas no cartão da Guilda a que pertencia apenas se lia «Autorizado a caçar vampiros e afins», ou seja, era um caçador de vampiros com os benefícios que isso acarretava, incluindo subsídio de risco.
Mesmo assim, Link decidiu que precisava de um aumento antes que o musculo da barriga da sua perna desatasse a protestar. Estava enfiado no canto de uma rua em Kyoto apinhada de gente já há duas horas.
Teve vontade de puxar o seu barrete verde até ao nariz, mas sentiu que isso só iria intensificar o “ambiente” malcheiroso, o que o fez pensar nas virtudes dos tampões nasais. Se bem que com eles ficava, segundo o seu por vezes amigo Ikuto, ridículo.
-Onde raio te meteste? – murmurou para consigo, abaixando-se para massagear a perna
Ikuto perguntou-lhe um dia se não o incomodava apanhar vampiros indefesos e arrasta-los novamente para uma autêntica vida de escravatura. Na altura, Ikuto estava a rir histericamente. Não, não o incomodava nada. Tal como não incomodava o próprio Ikuto. Os vampiros optavam por essa escravatura na altura em que solicitavam a um anjo que os tornasse quase imortais.
Um clarão de luz na rua.
Boa!
Ali estava o seu objectivo, de cabelos apanhados e telemóvel na mão a mostrar que agora era uma mulher Feita e qua não seguia as ordens de nenhum anjinho. Mesmo a alguns metros dela, Link conseguiu cheirar o suor que se lhe acumulava nas axilas. O vampirismo ainda não estava desenvolvido o suficiente para derreter aquela espécie de casaco e ela pensava que se ia ver livre de um contrato com um anjo?
Idiota.
Link avançou, tirou o seu barrete verde, guardando-o na algibeira de trás. O seu cabelo loiro brilhante, ficou a vista dos demais para além daqueles seus olhos azuis como a mais bela das safiras. Não era perigoso. Não naquela noite. Os dali podiam conhece-lo bem, mas aquela tinha um sotaque nitidamente americano. Chegara recentemente de New York e o seu patrão queria-a de volta aquela cidade o mais depressa possível.
-Desculpe. A menina tem lume?
A vampira assustou-se e deixou cair o telemóvel. Link teve de fazer um esforço para não esbugalhar os olhos. Nem sequer estava bem formada, os pequenos caninos que exibia eram obviamente da primeira dentição. Não admirava que o seu patrão estivasse zangado. A ignorante queria fugir logo ao fim de pouco mais de um ano.
-Desculpe. – disse Link sorrindo enquanto ela guardava o telemóvel e o olhava de alto a baixo
Sabia o que estava a ver. Um homem com pouco mais de vinte anos, loiro, de olhos azuis, calças de ganga e uma t-shirt verde justa. Sem armas a vista.
Como era jovem e estupida, a imagem não a assustou.
-Claro querido. – disse ela levando a mão a bolsa a procura do isqueiro
Foi então que Link levou a mão atrás das costas, por baixo da t-shirt.
-Tss, tss, o Kanda-sama está muito decepcionado contigo. – encontrou a gargantilha e fechou-a antes que ela digerisse o significado daquela pequena frase
A jovem mulher ficou com os olhos vermelhos, mas, em vez de gritar, calou-se e não se mexeu. Ver uma gargantilha de caçador era aterrador para qualquer um. O medo era uma coisa viva que se arrastava pelo rosto dela. Teria sentido pena da coitada se não soubesse que ela já tinha rasgado quatro pescoços humanos desde a sua fuga. O que era inaceitável. Os anjos protegiam a sua gente mas até eles tinham limites e, no caso de Kanda-sama, este autorizara o recurso a tudo o que fosse necessário.
Agora Link deixava essa informação escorrer como sangue, deixava que a vampira soubesse que a sua intenção era fazer-lhe mal. O rosto dela perdeu o pouco de cor que tinha a exibir e Link sorriu:
-Segue-me.
Caminhou atrás dele como um cachorrinho obediente. Raios! Ele adorava as gargantilhas. A sua melhor amiga, Zelda, gostava de alvejar os inimigos com setas de pontas modificadas que continham o mesmo chip que tornava as gargantilhas tão eficientes. Assim que tocava na pele, o chip produzia um campo magnético que provocava imediatamente um curto de circuito nos campos neutrais dos vampiros. Link sabia quais os limites e as vantagens do seu método de captura preferido.
Sim, precisava de se aproximar dos objectivos mais do que Zelda, mas em compensação não tinha hipótese de errar ou de acertar num inocente. O que já sucedera com Zelda. O processo judicial custou-lhe meio ano de vencimentos. Quase a sorrir ao lembrar-se da cara da amiga quando errou o alvo, Link abriu a porta do passageiro do carro que estacionara ali perto.
-Lá para dentro. – ordenou
A vampira fez o que lhe foi mandado, colocando-se naquele lugar e Link entrou no banco do motorista. Enquanto dirigia, os olhos de Link pousaram na espada a seu lado, suspirou aliviado por não ter sido obrigado a utiliza-la.
Chegando ao autódromo, Link passou pela segurança e foi-lhe indicado que seguisse para a pista. A equipa encarregue de levar a vampira de volta a New York aguardava-o ao lado de um grande avião reluzente. Link entregou-lhes a vampira capturada e imediatamente indicaram-lhe que entrasse. Ele subiu as escadas ao lado da vampira e os dois seguiram até a grande grade aberta nas traseiras do porão dos passageiros.
-La para dentro.
A vampira prontamente obedeceu coberta com uma grande camada de medo. Link não lhe retirou as gargantilhas. Elas iriam com ela para New York e depois eram enviadas de volta para a Guilda. O chefe dos guardas mirou-o com os seus olhos cor de ovos de tordo.
-Sem lesões. Impressionante. – disse ele entregando-lhe um subscrito – A transferência bancaria foi feita para a sua conta na Guilda, como combinado.
Link consultou o substrato e confirmou. A sua testa franziu-se.
-Foi muito generoso, o Kanda-sama.
-Um bónus por a ter capturado depressa e sem a lesionar. O Kanda-sama tem planos para ela. A jovem Lenalee era a sua secretária.
Link estremeceu ao lembrar-se de um vampiro que uma vez teve os seus membros amputados e que, segundo um vídeo, esteve consciente durante toda a tortura. Os anjos só faziam cerca de mil vampiros por ano, mas os pretendentes eram na ordem das centenas de milhar.
Com o sabor amargo na boca, enfiou o extracto como um subscrito no bolso das calças.
-Por favor diga ao Kanda-sama que agradeço a sua generosidade. – disse Link sério
-Vejo que está livre. – disse um dos homens
Link não cometeu o erro de pensar que o vampiro o queria levar para sair, era experiente demais para cometer esse erro.
-Sim. Estou livre para outro trabalho. – ele preferia sempre acabar um trabalho antes de começar o seguinte – O Kanda-sama precisa que eu apanhe mais algum renegado?
-Não. Tem um amigo que requisitou os seus serviços. – o guarda entregou-lhe outro subscrito, desta vez fechado – O encontro foi marcado para amanhã ás oito da manhã. Por favor não falte. Está tudo tratado com a sua guilda, o deposito foi pago.
Se a guilda tinha autorizado, a caçada era legítima.
-Com certeza. Onde é o encontro?
-Tokio.
A alma de Link gelou. Só havia um anjo para quem essa palavra bastava para indicar uma direcção. Porem, tao depressa o medo veio como passou. Kanda-sama, era um do Grupo dos Dez, mas o seu nome não espalhava tanto medo como o arcanjo de Tokio.
-Algum problema?
Link abanou a cabeça em sinal de negação.
-Não, claro que não. – consultou o relógio – É melhor eu ir andando. Por favor dê os meus comprimentos a Kanda-sama.
Com isto, Link deixou o espaço do luxuoso avião privado, juntamente com a sua carga repugnante. Entrou no carro e como lhe apetecia rasgar aquele documento com os dentes, esperou até estar em casa, o seu maravilhoso e acolhedor apartamento na baixa de Tokio. Tendo em conta o tempo que passavam atrás de coisas horríveis, a maioria dos caçadores fazia das suas casas uns verdadeiros paraísos. Link não era excepção.
Assim que entrou largou as suas botas num canto qualquer e dirigiu-se a sua luxuosa banheira/chuveiro. Ikuto ria bastante com as suas manias um tanto quanto femininas e estava sempre a meter-se com ele por causa disso, mas a ultima vez que ele abrira a sua grande boca Link vingou-se dizendo que os seus cabelos azul-arroxeados pareciam muito bem tratados.
Tomou um banho demorado para fazer aquele fedor a vampiro assustado sair do seu corpo, vestiu um pijama de algodão verde e secou os cabelos enquanto fazia café. Enquanto se deliciava com o café na sua espaçosa sala, Link não resistiu a curiosidade e abriu o subscrito. Ele leu-o umas duas ou três vezes, mas as palavras ainda continuavam ali.
Gostava que viesses tomar o pequeno almoço comigo. 8 horas
Dark
Não havia endereço, mas Link também não precisava, levantou o olhar para a torre luminosa a sua frente, a Torre do Arcanjo. Através da grande janela de vidro, que tornava aquele apartamento estupidamente caro, Link podia admirar os anjos a sair e a entrar pelas janelas da torre. A noite pareciam sombras a bailar na escuridão, mas durante o dia parecia que as suas asas reflectiam os raios do sol.
No dia seguinte, ele também iria estar naquela torre de luz e vidro, mas não para se encontrar com um dos anjos. Não, no dia seguinte iria estar frente a frente com o próprio arcanjo.
Dark.
Link dobrou-se, subitamente enjoado.
.-.-.-.-.-.-.-.-.-.
Assim que se desfez da vontade de vomitar, Link ligou para a guilda.
-Preciso de falar com a Zelda. – disse ele à telefonista
-Lamento. A directora não se encontra no escritório.
Link desligou e digitou o numero da casa de Zelda, que atendeu o telefone assim que o ouviu tocar.
-Porque será que eu tinha a certeza que me ias ligar hoje? – perguntou Zelda apertando o auscultador
-Zelda, por favor, diz-me que estou a delirar e que não me puseste a trabalhar com mais um arcanjo. Ainda por cima, aquele arcanjo.
-Hum … Bem … — Zelda, directora da Guilda para o Japão e metade da Asia, autoritária da cabeça aos pés, de repente parecia uma adolescente nervosa – Bem Lin-chan, era um caso em que eu não podia dizer que não.
-Mas porquê? Se o dissesses morrias?
-Provavelmente. – murmurou Zelda – O vampiro lacaio dele disse especificamente que te queria a ti e sabes muito bem que os arcanjos não gostam de ser contrariados.
-Ao menos tentaste dizer que não?
-Sou a tua melhor amiga. Acredita um pouco em mim.
Link afundou-se nas almofadas do sofá a olhar para a torre.
-Qual é o trabalho?
-Não sei. – Zelda começou a fazer ruídos suaves – Não te preocupes. Não vou desperdiçar as minhas energias tentando em vão tranquilizar-te. O bebé está acordado. Não estás, amor?
O barulho de beijos encheu o ar. Link ainda não acreditava que Zelda tinha dado o nó e sido mãe, ainda por cima.
-Como está o mini-eu? Espero que te esteja a fazer a vida num inferno.
Verdade. Zelda deu ao seu filho o nome de Alan Link. O que fez com que Link chorasse que nem um bebé.
-Ele adora a sua mamã. – mais sons de beijos – E manda dizer que qualquer dia ele é que te vai chamar mini-eu.
Link riu da forma de como a amiga falava, quase que conseguia ver a cara dela no momento.
-Onde está o teu querido? Pensei que ele gostasse de se ocupar do bebé.
-E gosta.
O sorriso de Zelda era evidente mesmo atras da linha telefónica, o que fez algo dentro de Link apertar no seu coração. Não que ele invejasse a sorte de Zelda ou que queria Kaname. Não. Era mais a sensação de que o tempo escoava por entre os seus dedos. Durante o ultimo ano tornara-se mais óbvio que os seus amigos estavam a entrar numa nova fase das suas vidas. Zelda tinha arrumado o arco e a flecha, excepto numa ou outra missão importante, e aceitar o emprego admistrativo mais difícil da Guilda. O seu marido, um perseguidor letalmente habilidoso, dedicava-se agora a criação de armas da Guilda e, claro, a mudança de fraldas com um sorriso sereno que mostrava felicidade. Que patético, até Ikuto tinha o mesmo parceiro na cama faz dois meses.
-Então Lin-chan. Adormeceste? – Ouviu a voz de Zelda a perguntar e um fundo de guinchos de bebé – Estás a sonhar com o teu arcanjo?
-É antes um pesadelo. – murmurou Link semicerrando os olhos para ver uma anjo aterrar no telhado da torre. O seu coração parou ao ver uma lindas assas brancas e detalhes dourados abrirem-se e abrandarem em preparação para a descida – Não respondeste a minha pergunta sobre o Kaname. Porque não está ele a tratar do bebé?
-Foi ao mercado comprar gelado de dois chocolates com frutos vermelhos. Expliquei-lhe que os desejos não desaparecem logo após o parto.
O prazer com que Zelda pregava partidas ao marido costumava dar a Link vontade de rir, mas desta vez estava demasiado atento ao medo que lhe trepava pelas costas.
-Zelda, o vampiro não te deu nenhuma explicação para o facto de só me querer a mim?
-Deu. Disse que Dark queria o melhor.
Continua ...
Capitulo 2 — O arcanjo de Tokio
Notas finais
E foi o primeiro capitulo. O Dark aparecerá no próximo.
Comentem onegai. Deixem elogios, ofensas, pedradas, o que quiserem, mas comentem pois as autoras trabalham a reviews.
Agora a Himea vai comer o delicioso bolo de três chocolates enfeitado e recheado com creme de baunilha e triângulos de açúcar caramelizado que a Rose fez, ou "O Pecado da Gula" como eu chamo aquela delicia.
Até a próxima minna. ^_^
Fale com o autor