Notas iniciais
~Rose-chan~
O segundo capitulo que me queimou os olhos a escrever. 12 páginas certar no Word. Nunca escrevemos tanto num dia.
Esperemos que gostem e ajudem a trazer mais leitores para nós please. *olhos de cãozinho abandonado*
Imagens:
1- Dark
2- Leigh
3- Link e Dark

«Sou o melhor.» disse Link para si mesmo ao sair do táxi em frente a magnifica Torre do Arcanjo «Sou o melhor.»

–O senhor vai pagar ou quer ficar ainda mais tempo a falar sozinho?

–Como? Ah!

Link puxou da carteira, pagou ao taxista que partiu logo a seguir, aquela torre causava pânico a toda a gente, e andou até a entrada da torre. A manhã invulgarmente soalheira fazia cintilar as pedras brancas do caminho, suficientemente aguçadas para cortar. Retirou os óculos escuros da gola da camisa e colocou-os sobre os seus olhos cansados, ensonados, resultado de uma noite mal dormida. Agora que já não corria o risco de ficar ofuscado, via as sombras que antes lhe passaram despercebidas. Bem, sabia que estavam ali, mas não os podia ver antes, a visão não era o sentido que ele usava para detectar vampiros.

Muitos estavam de pé ao lado e pelo menos três escondiam-se ou andavam entre os arbustos bem aparados do exterior. Link sabia que aqueles vampiros não eram como a que ele tinha apanhado na noite anterior. Esses andavam por ali há muito tempo. O seu cheiro forte, mas não desagradável, aliado ao facto de estarem a guardar a orre do Arcanjo, dizia-lhe que era espertos e extremamente perigosos.

Respirando fundo e tentando abstrair-se dos anjos que sabia que andavam por ali a esvoaçar, Link dirigiu-se a entrada. Ninguém lhe passou atenção, mas quando chegou a porta o vampiro que estava de serviço baixou a cabeça e disse:

–Sempre em frente até ao balcão da recepção.

Link piscou os olhos e tirou os óculos.

–Não é preciso identificar-me?

–Estávamos á tua espera.

O cheiro sedutor do vampiro porteiro rodopiou ao seu redor numa caricia sinistra. Um cheiro hipnotizante como aqueles seus olhos lilases. Link agradeceu e avançou. Entrou no átrio com ar condicionado e dirigiu-se a recepcionista vampira com aparência jovem, mas que Link sabia ter muitos, muitos mais anos do que ele.

–Senhor Link, chamo-me Amu. Hinamori Amu. – a recepcionista saiu da sua secretária curva com um sorriso – Muito prazer em conhecê-lo.

Link apertou a mão dela, sentindo o fluxo de um sangue fresco e o calor de um coração acelerado. Por um triz não perguntou a Amu quem tinha sido o seu pequeno almoço, o sangue era realmente potente, mas conteu o impulso antes que lhe arranjasse problemas.

–Obrigado.

Amu sorriu. Um sorriso que, para Link, detinha anos de conhecimento e de experiencia.

–Chegou cedo. – disse Amu consultando o seu relógio de pulso – São apenas sete e quarenta e cinco.

–Não havia muito transito. – disse Link não querendo causar ma impressão logo no primeiro encontro – É muito cedo?

–Não, ele está a sua espera. – disse Amu sorrindo

Link seguiu a estranha secretária de cabelos rosa até ao elevador, onde ela digitou um código no pequeno teclado ao lado, abrindo as portas do elevador que o levaria ao encontro do arcanjo.

–Ele está a sua espera. – disse Amu

Link assentiu e entrou no elevador, sorrindo para Amu até as portas se fecharem. Um tremor trespassou o corpo de Link. Lembrou-se da vampira que tinha fechado numa caixa a menos de doze horas atrás. Agora sabia o que era estar do outro lado e, se não soubesse que estavam a vigia-la, provavelmente andaria de um lado para o outro naquela caixa metálica que nem um louco.

O elevador continuava a subir suavemente, Link confirmou se tinha as suas armas bem escondidas, afinal ninguém lhe tinha pedido para vir desarmado.

O elevador parou devagar e com um sussurro. As portas abriram-se. Sem permitir um momento de hesitação, saiu e entrou numa pequena cabina de vidro. Link verificou espantado que não havia nada que protegesse as janelas, se caísse seria morte certa. Era obvio que um arcanjo não precisava de coisas dessas quando podia voar.

Mas Link não podia dizer que Dark era um mau anfitrião. Uma mesa bem posta com croissants, café e sumo de laranja erguia-se solitária e resplandecente no meio do amplo espaço. Mais uma espreitadela e percebeu que o telhado não era só de betão. Estava revestido por mosaicos cinzento-escuros que a luz do sol projectavam um brilho prateado. Lindos e incontestavelmente caros.

Dark não aparecia.

Link pousou a mão na maçaneta, abriu a porta de vidro e saiu. Para seu alivio a superfície dos mosaicos era rugosa e o risco de cair era menor.

Largou o seu barrete em cima da mesa, caminhou devagar até ao extremo mais próximo e olhou para baixo. Quase teve vontade de rir ao ver os anjos a entrar e sair da Torre. Pareciam ao alcance da sua mão, aquelas asas grandes e poderosas eram uma tentação.

–Cuidado.

A voz era serena, o tom divertido. Link não se mexeu, pois sentiu a rajada de vento provocada pela aterragem silenciosa.

–Apanhavam-me se eu caísse? – perguntou sem olhar para ele

–Se estivessem para aí virados. – ele avançou e parou ao seu lado, com as asas a tomar-lhe todo o campo de visão – Não sofres de vertigens?

–Nunca sofri. – confessou Link tao aterrorizado com a presença poderosa dele que usou um tom perfeitamente normal. Ou isso ou desatava aos berros, não havia outra hipótese – Nunca estive num sitio tão alto.

–E que tal?

Link respirou fundo antes de dar um paço atrás antes de olhar. O impacto foi como uma pancada física. Ele era … lindo. Os olhos de um vermelho tao puro e ao mesmo tempo tao ameaçador, os cabelos negros curtos faziam sobressair os olhos dando-lhes um ar misterioso e perigoso e o rosto de traços delicados e angulosos. «Era lindo.» Link sentiu as unhas arrepiar com a vontade de lhe tocar. «Era lindo.»

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–Sim, isto é lindo. – disse ele interrompendo o seu fascínio

Link pestanejou, depois sentiu-se corar, sem saber a quanto tempo estava especado a olhar para ele:

–É.

O sorriso dele era perfeito, trocista com uma concentração pura de fatalidade.

–Vamos tomar o pequeno almoço e conversar.

Furioso por se deixar levar pela beleza dele, Link mordeu o interior da face para se repreender. Não ia voltar a cair na mesma armadilha. Era obvio que Dark sabia que era bonito e o efeito que causava nos desprevenidos mortais. O que fazia dele um filho da mãe arrogante a quem ele devia resistir sem problemas.

Dark puxou uma cadeira e aguardou. O loiro evitou aproximar-se demasiado, reparando na altura e na força do moreno. Não estava habituado a sentir-se pequeno. Nem fraco. O facto de ele o fazer sentir as duas coisas – e pelos vistos sem o menor esforço – irritava-o profundamente, o suficiente para o fazer retaliar.

–Não me sinto confortável sabendo que está alguém atrás de mim.

Uma chama de surpresa naqueles olhos vermelhos, vermelhos.

–Não devia ser eu a temer uma facada nas costas? Afinal não sou eu que ando por aí com armas escondidas.

O facto de ele ter adivinhado que o loiro trazia armas consigo não queria dizer nada. Um caçador anda sempre armado.

–A diferença é que eu posso morrer, tu não.

Com um pequeno aceno de mão e um sorriso divertido, Dark caminhou até ao outro lado da mesa e ao tocar nos mosaicos impecáveis, as suas asas rasparam e deixaram neles uma marca cintilante de ouro branco. Link estava certo que ele o tinha feito de prepósito. Os anjos nem sempre deitam pó de anjo. Quando o faziam, ele era rapidamente recolhidos tanto por humanos como por vampiros. Cada partícula daquele pó branco valia mais do que um diamante perfeitamente lapidado.

Mas se Dark estava convencido de que Link iria pôr-se de joelhos e esbracejar, bem que podia esperar deitado.

–Não estás com medo de mim. – disse o moreno

Link não era estupido ao ponto de lhe mentir.

–Estou petrificado. Mas creio que não me obrigaste a vir até aqui só para me empurrar lá para baixo. Estou certo?

A boca dele curvou-se como se ele tivesse dito uma piada.

–Senta-te Link.

O nome parecia diferente dos lábios dele. Um vínculo. Como se ao pronuncia-lo ele ganhasse um certo poder sobre o jovem de cabelos dourados.

–Como disse antes, não tenciono matar-te Link. Não hoje.

Link sentou-se de costas para o cubículo do elevador e reparou que ele, como um bom cavalheiro, só o fez depois dele. As suas asas ficaram graciosamente penduradas na cadeira, especialmente concebida, quando ele se sentou no seu lugar.

–Que idade tens? – perguntou Link sem querer, incapaz de conter a curiosidade

Dark abriu muito os olhos.

–Não tens qualquer noção de autodefesa?

Era um comentário casual, mas o loiro ouviu o aço sobre a superfície. Dedos gelados passearam sobre a sua coluna.

–Muitos diriam que não … eu sou um caçador de vampiros.

Uma coisa escura e requintadamente perigosa moveu-se nas profundezas daqueles olhos vermelhos que nenhum humano conseguiria ter.

–Uma aptidão inata e não adquirida.

–Sim.

–Quantos vampiros já capturaste ou matas-te?

–Sabes quantos. Por isso é que eu estou aqui.

Uma nova rajada de vento atravessou o telhado, desta vez suficiente forte para sacudir as chávenas e despertar Link. Não se preocupou em ajeitar o cabelo sem a protecção seu habitual do gorro verde, dedicando toda a sua atençãoao arcanjo. Dark, por sua vez, continuou a olhar para ele como um predador observa o coelho que será o seu jantar.

–Fala-me dos teus talentos.

Era uma ordem. O seu tom numa lamina avassaladora dizia-o. O arcanjo deixou de o achar divertido. Link recusou-se a desviar o olhar, mesmo precisando de espetar as um unhas nas cochas para se despertar.

–Cheiro vampiros, distingo-os da matilha pelo cheiro. É isso.

Uma competência inútil, excepto para um caçador de vampiros. Parecia transformar o termo «opção de carreira» numa combinação engenhosa de palavras contraditórias.

–Que idade precisa de ter um vampiro para que possas detectar o cheiro, ou a presença, dele, ou dela?

Era uma pergunta estranha que obrigou o loiro a parar para pensar bem na resposta.

–Bem … o mais novo que apanhei tinha dois meses e estava fora do meu alcance. A maioria dos vampiros espera pelo menos um ano para se fazerem de engraçados.

–Portanto nunca tiveste contacto com um vampiro jovem?

Link não percebia onde é que ele queria chegar com aquele tipo de perguntas.

–Contacto? … Tive … mas não na qualidade de caçador. – disse ele com a voz falha

Ping. Ping.

Vem cá caçadorzinho.

Link engoliu em seco sentindo um sabor amargo na boca.

–És um anjo, sabes com certeza que eles só funcionam bem um ou dois meses depois de serem Feitos.

Essa era a frase de desenvolvimento que alimentava o mito de que os vampiros eram mortos-vivos. Eram de facto aterradores durante as primeiras semanas. De olhos bem abertos mas sem reacção, a carne lívida e exangue, os movimentos descoordenados. Por isso os grupos de ódio preferiam visar vampiros recentes. Para a maioria das pessoas era mais fácil torturar e mutilar um cadáver ambulante do que alguém parecido com um velho amigo da família.

–Acabados de transformar, não conseguem controlar a fome de se alimentar, quanto mais fugir dos anjos. – disse Link

–Mesmo assim, faremos um teste. – disse o arcanjo bebendo de um copo de um liquido que parecia ter leite – Come.

–Perdi a fome.

Ele pousou o copo.

–É um insulto de sangue recusar a mesa de um arcanjo.

Link nunca tinha ouvido aquele termo, mas, se envolvia sangue, não podia ser nada de bom.

–Comi antes de vir para aqui.

Uma completa mentira. Não tinha conseguido engolir nada a não ser agua e, mesmo assim foi com um enorme esforço.

–Então bebe.

Uma ordem tao absoluta que Link percebeu que tinha de ser imediatamente obedecida.

Mas qualquer coisa dentro dele perguntou: « … Se não?»

O vento parou. Até as nuvens pareciam imobilizar-se.

A morte suspirou ao seu ouvido.

Os instintos de Link ordenaram-lhe que retirasse a faca que estava na sua bota, que oferecesse resistência, que se pusesse dali para fora, mas ele obrigou-se a ficar quieto no seu lugar. A verdade é que ele sabia que bastava avançar nem que fossem cinco centímetros que Dark lhe partiria todos os ossos do corpo.

Era exactamente o que ele tinha feito a um vampiro que se tinha atrevido a pensar em trair Dark.

Esse mesmo vampiro foi encontrado na baixa de Tokio e ainda tentou gritar «Não, Mestre Dark, não!» mas imediatamente a sua voz se tornou um simples latido, a sua maxila ficou caída, presa por finos tendões, bocados da sua carne a desaparecer aqui e ali.

Link – estava numa caçada fora do país – viu o que se passava num noticiário da televisão. Soube que o vampiro ficou a agonizar durante três horas até ser recolhido por dois anjos. Toda a gente em Tokio, ou melhor, toda a gente no país, ficou a vê-lo ali deitado, mas ninguém ousou ajuda-lo depois de ver a marca de Dark gravada na sua testa. O arcanjo quis que o castigo fosse divulgado, quis recordar as pessoas quem era e o que era. Deu resultado. Agora a simples menção do seu nome causava um medo descomunal.

Mas Link não rejeitaria por nada deste mundo. Era uma decisão que tinha tomado na noite em que o seu pai lhe ordenou que se ajoelhasse e suplicasse e, talvez, talvez, ele o deixasse voltar a fazer parte da família. Ele não o fez e o seu pai perdeu não um, mas sim os seus três filhos, Layna, irmã gémea de Link, e Akira, meio irmão mais velho de Link.

Fazia uma década que Link não falava com o seu pai e não queria falar tao cedo. Para ele bastava continuar a ter o apoio dos seus dois irmãos. Layna aprendeu com Zelda a arte do arco e flecha e Akira já tinha o seu talento natural de luta devido as lutas na rua. Layna já era uma caçadora experiente e Akira acompanhava-a para todo o lado, pois sentia-se obrigado a proteger a irmã mais nova. No fundo Link agradecia por isso.

–Devias tomar cuidado. – disse Dark, rompendo o silencio forçado

Link não caiu para o lado de alivio, no ar a promessa de ameaçar continuava a pesar.

–Não gosto de jogos.

– Aprende. – Dark recostou-se na cadeira – Vais ter uma vida muito curta de estiveres sempre a espera da verdade.

Sentindo que o perigo havia passado, para já, Link esticou os dedos com esforço. O fluxo do sangue que voltou a correr neles doeu.

–Não disse que só esperava a verdade. As pessoas mentem. Os vampiros mentem. Até … — calou-se

–De certeza que agora não te vai armar em discreto? – o tom divertido regressara, mas temperado com um sarcasmo que lhe raspava a pele como uma lâmina

Link olhou para aquele rosto perfeito e apercebeu-se que nunca tinha visto ser mais mortífero em toda a sua vida. Se o irritasse, Dark matá-lo-ia com a facilidade com que se mata uma mosca. Era um facto de que ele não se poderia esquecer, por mais que estivesse furioso com aquilo tudo.

–Disseste que eu tinha de submeter-me a um teste? – perguntou Link tentando dissipar esses pensamentos da sua cabeça e concentrar-se no seu trabalho

As asas dele moveram-se ligeiramente, distraindo Link. Eram realmente maravilhosas e ele não podia deixar de as cobiçar. Ter a capacidade de voar … que dom espantoso.

Os olhos de Dark fitaram algo por cima do ombro de Link.

–Não é bem um teste. É mais uma experiencia.

Link não se virou. Não era necessário.

–Está um vampiro atrás de mim.

–Tens a certeza? – perguntou ele imperturbável

Link resistiu a vontade de olhar para trás.

–Tenho.

Dark baixou a cabeça.

–Olha.

Link hesitou sem saber o que era pior. Estar de costas para o arcanjo enigmático e altamente imprevisível ou para um vampiro desconhecido. O rosto de Dark exibia uma expressão claramente satisfeita e o loiro quis saber o que a tinha provocado.

Estremeceu e virou o corpo todo para um lado, posição que lhe permitia manter Dark dentro do seu campo de visão periférico. Depois olhou para … as duas criaturas que lá se encontravam.

–Kami-sama.

–Podem ir. – a voz de comando de Dark despertou o terror nos olhos do que parecia vagamente humano, o outro fugiu a correr como o animal que era

Link viu-os partir através da porta de vidro e engoliu em seco.

–Que idade tinha … ?

Não podia chamar aquela coisa um vampiro e humano também não era.

–O Castiel foi feito ontem e o Lysandre é ligeiramente mais velho.

–Não sabia que tao novos já podiam andar. – tentava ter um ar normal apesar de estar completamente apavorado

–Teve uma pequena ajuda.

O tom de voz tornou claro que não iria revelar mais nada ao loiro.

Link no copo de leite que rejeitara e bebeu um pouco, tentando disfarçar o cheiro que penetrava nos seus poros. Os vampiros mais velhos não tinham esse fator nojento. À excepção dos mais invulgares como o vampiro porteiro, cheiravam apenas a vampiro, como humanos cheiram simplesmente a humanos. Mas os mais jovens tinha um certo odor a couves podres/carne putrefacta de que o loiro só se libraria depois de se lavara esfregar três vezes. Por isso começara a coleccionar espumas de banho e perfumes. Quando teve o seu primeiro contacto com um recém-feito pensou que nunca iria tirar aquele fedor da cabeça.

Ping. Ping.

–Nunca pensei que um caçador ficasse tao aflito ao ver um recém-feito.

Link achou estranhas as sombras que se projectavam no rosto do ser de olhos rubi, mas percebeu que ele erguera levemente as asas. Sem saber se isso significava atenção ou fúria, Link pousou o copo.

–Não estou aflito, não, a sério. – e era verdade, pois aquela primeira impressão de repugnância tinha passado – É o cheiro … parece que tenho a língua coberta por penugem e, por mais que me esforce ou raspe, não consigo elimina-la.

O rosto dele revelava um interesse profundo.

–A sessação é assim tão intensa?

Link estremeceu e olhou em redor à procura de qualquer coisa que pudesse aliviar o cheiro. Quando Dark empurrou uma fatia de toranja na sua direcção, trincou-a com avidez.

–Umh, umh.

Os ácidos cítricos suavizavam um pouco o cheiro. Pelo menos o suficiente para ele poder raciocinar.

–Se eu te pedisse que me localizasses o Castiel, conseguias?

Link tremeu ao lembrar-se daqueles olhos nem de vivo nem de morto. Não se admirava mais que as pessoas referissem os vampiros como mortos vivos.

–Não, acho que ele é novo demais.

–E o Lysandre?

–Está no rés-do-chão de edifício neste momento. – o cheiro do vampiro recente era tao forte que cobria o edifício inteiro – No átrio.

A sombra de uma das asas brancas abertas com as bordas prateadas projectou-se sobre a mesa enquanto Dark batia palmas devagar.

–Muito bem, Link, muito bem.

Link levantou os olhos da toranja, mais ou menos ciente que tinha acabado de demonstrar as suas excelentes capacidades, quando devia ter ignorado ou esquecido «aquilo», fosse lá o que fosse. Merda. Mas ao menos tinha-lhe dado uma ideia do que esperava.

–Queres que eu localize um fugitivo?

Dark levantou-se da cadeira num movimento súbito. Liquido.

–Aguarda um instante.

Petrificado, Link viu-o a caminhar até a beira do telhado. Era um ser de tal maneira magnifico que só de o ver movimentar-se sentia um aperto no coração. Apesar de saber que se tratava de uma miragem, que ele era mortífero como a lâmina da faca que o loiro trazia dentro da bota. Ninguém, nem o próprio Link, podia negar que o arcanjo Dark era digno de ser admirado. De ser venerado.

Esse pensamento extremamente errado tirou-o da estupefacção em que se encontrava. Puxando o cabelo para trás, fitou as costas do arcanjo. Teria ele entrado na sua mente? Nesse instante, o moreno virou-se e Link encarou o doloroso vermelho sangue dos olhos do arcanjo. Depois ele virou a cara … e saiu do telhado.

Link pôs-se de pé num pulo. Mas sentou-se logo de seguida, vermelho, quando ele bateu as asas e subiu em direcção a um anjo que ele não tinha reparado, Leigh. O irmão mais velho de Dark, conhecido por ser calmo e com uma sabedoria inigualável.

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Segundo o que Link sabia, Dark era o terceiro de quatro irmãos, Leigh, o “mais velho”, Shiki, o segundo, Dark e, o “mais novo”, Rogue, também conhecido como o fugitivo. Um amigo de Link, Sting, aceitou o trabalho de procurar e trazer Rogue de volta, a pedido de Leigh. Não era fácil. Sting estava nesse trabalho faz dois anos e o arcanjo mais jovem arranjava sempre forma de lhe escapar. Link sempre ria da cara do amigo quando ele voltava para a guilda com o trabalho por terminar.

O loiro voltou a olhar para o outro arcanjo, tinha uma beleza tao intensa que Link sentiu a sua força mesmo a distância. Constatou com surpresa que estava a assistir a um encontro de arcanjos em pleno voo.

–A Zelda não vai acreditar.

Esqueceu o odor do jovem vampiro por instantes, pois a sua atenção estava tomada. Ele já tinha visto fotos de Leigh, mas nenhuma se comparava ao que ele era na realidade.

Tinha uma pele do mais requintado tom de leite e uma cabeleira negra brilhante que lhe chegava aos ombros. O seu corpo era bem desenhado, com traços masculinos e fortes e ao mesmo tempo com uma aparência frágil e delicada. As asas de um branco puro com traços de prata, semelhantes as de Dark, mas com um brilho mais forte, como se projectassem a luz da própria lua. O rosto … «Uau!». Mesmo visto de longe, o rosto de Leigh era a maior das perfeiçoes. Link julgou ver-lhe os olhos de um negro tao escuro como a própria noite, mas sabia que devia ser fruto da sua imaginação. Estava demasiado distante para os ver.

Não importava. O arcanjo mais velho tinha um rosto capaz não só de para o trânsito , mas também de causar alguns engarrafamentos.

Link franziu a testa. Apesar de fascinado com a beleza de Leigh, não ia deixar de pensar correctamente. O que significava que o maldito e arrogante sacana de olhos vermelhos tinha estado a brincar com ele. Queria que ele o adorasse? Ele ia ver. Ninguém, nem sequer um arcanjo, iria transformar o loiro num fantoche.

Como se tivesse ouvido, Dark disse qualquer coisa ao seu irmão e esvoaçou de regresso ao telhado. Desta vez, aterrou de forma mais espantosa. Link teve a certeza de que ele tinha pousado de modo a exibir o padrão da superfície interior das suas asas. Parecia que um pincel molhado em prata tinha desenhado uma faixa, do topo de cada asa para baixo, tornando-se cada vez mais branca a medida que se aproximava do fundo. Apesar da sua fúria tinha de encarar a verdade: se o diabo, ou um arcanjo, viesse ter com ele para lhe oferecer asas, ele era capaz de vender a alma por elas.

Mas os anjos não faziam outros anjos. Eles apenas fariam vampiros sugadores de sangue. De onde vinham os anjos, isso ninguém sabia. Mas Link calculava que viriam de pais angélicos, apesar de nunca ter visto um anjo bebé.

Os seus pensamentos descarrilaram novamente quando ele viu a graça fluida do andar de Dark, tão sedutor, tão …

Quando se pôs de pé sentiu o cheiro dos mosaicos pisados pela sua cadeira.

«Sai. Da. Minha. Cabeça.»

Dark parou.

–Tencionas usar essa faca?

As palavras dele eram frias como gelo. O ar cheirava a sangue e Link percebeu que era o seu. Olhou para baixo e deu com a sua mão a agarrar a lâmina da faca que tinha escondido na bainha da bota. Nunca tinha cometido semelhante erro. Ele obrigara-o a ferir-se, mostrando-lhe que ele não passava de um brinquedo nas suas mãos. Em vez de resistir, Link apertou os dedos com ainda mais força.

«Se queres que eu faça um trabalho para ti. Ótimo. Mas não serei manipulado.»

Os olhos vermelhos faiscaram ao ver o sangue que escorria pelos dedos do loiro.

Ping. Ping.

–Mamã?

Ping. Ping.

–Podes ser capaz de me controlar, mas se a missão de que me queres encarregar se cumprisse deste modo não precisavas de ter dar ao trabalho de me contratar. Precisas de mim, Link Hylian, e não de um dos teus lacaios.

A mão dele soltou a faca num espasmo involuntário, causando um baque surdo da faca em contacto com a poça de sangue que se acumulara no chão. Link não se mexeu, nem tentou estancar a hemorragia. E quando Dark parou a menos de trinta centímetros dele, pestanejou.

–Com que então pensas que me tens na mão?

O céu estava completamente azul, mas Link sentiu ventos tempestuosos despentea-lo e sacudir-lhe o cabelo.

–Não. – deixou o cheiro dele, fresco, nítido, a mar, impregnar a camada vampírica da sua língua – Estou disposto a ir-me embora sem pensar duas vezes e a devolver a entrada que pagaste à Guilda.

–Isso – respondeu ele, pegando num guardanapo de pano e enrolando-o a volta da mão do loiro – é uma questão que não se põe.

Espantado com o ato inesperado, Link fechou a mão a fim de ajudar a abrandar a hemorragia.

–Porquê?

–Quero que isso seja feito por ti. – explicou ele como se não precisasse de explicar mais nada. E não era. Ele era um arcanjo

–De que tipo de trabalho se trata? Recuperação?

–Sim.

O alivio invadiu Link como a chuva que sentia a aproximar-se. Mas não, era o perfume dele, aquele travo fresco a água.

–Para começar, só preciso de alguma coisa que o vampiro tenha usado recentemente. Se tiveres uma ideia geral da localização, melhor. Se não, eu peço aos génios informáticos da guilda que investiguem os transportes públicos, os estratos bancários, etc., enquanto eu trabalho no terreno. – a cabeça dele já estava a trabalhar, considerando e eliminando possibilidades

–Não compreendes bem Link. O que eu quero encontrar não é um vampiro.

A frase intrigou-o.

–Queres que encontre um ser humano? Bem, posso fazê-lo, mas não sou melhor do que um bom detective particular.

–Também não é isso.

Nem vampiro, nem humano. Só podia ser …

–Um anjo? – murmurou Link – Não.

–Não. – respondeu ele e, mais uma vez, Link sentiu uma onda fria de alivio percorrê-lo por todo o corpo – Um arcanjo.

Link olhou-o de frente.

–Estás a brincar.

As maças do rosto de Dark destacavam-se nitidamente contra a macieza da sua pele beijada pelo sol.

–Não. O Grupo dos Dez não brinca.

O estomago de Link deu um nó ao ouvir a referencia ao Grupo.

–Porque queres apanhar um arcanjo?

–Isso não é da tua conta. – o tom dele era decisivo – Só precisas de saber que se conseguires localiza-lo serás recompensado com uma recompensa que não conseguirás gastar até ao fim dos teus dias.

Link olhou para o guardanapo manchado de sangue.

–E se eu falhar?

–Não falhes, Link. – os olhos dele eram meigos, mas o sorriso sugeria coisas das quais não se deve falar – Acho-te interessante … detestava ter de te castigar.

Dito isto o moreno tomou os lábios do loiro num pequeno toque entre eles. Mas na mente de Link surgiu aquela imagem do vampiro da baixa de Tokio, aquela miséria que um dia foi gente … a definição do castigo de Dark.

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Continua ...

Capitulo 3 — Meus amigos, minha família ...

Notas finais
~Himea-chan~
Esperemos que tenham gostado.
Como disse a Rose. Ajudem-nos a trazer mais leitore porque nós estamos mesmo em baixo. T:T
Rose. *corre até Rose* Preciso da tuas bolachas espirais de baunilha e chocolate.
Rose: Lá vou eu para a cozinha. -.-'