Angel's Blood
8 No mesmo dia ...
Zero estava em frente a um prédio. A mando do seu patrão, ele próprio foi procurar pelo caçador em alguns locais óbvios e, se caso ele la estivesse, traze-lo custasse o que custasse. Se Link estivesse entre aquelas paredes ia haver sangue. Aquele era um lugar onde ele não aceitava nem permitiria a presença dele.
Entrou no apartamento pela porta da frente. Ouviu vozes no quarto ao lado. Um homem e uma mulher, mas a desta vinha de algum tipo de aparelho, talvez um telemóvel.
–Por favor. Eu só …
–Estou farto de te ouvir.
«Então porque não desligas?» Era a pergunta que vagava pela mente raivosa de Zero. Tinha entrado no apartamento com raiva de que o loiro estivesse no local a roubar aquilo que Zero já tinha proclamado como seu – apesar de ele ser o único a saber disso – agora sentia raiva daquela que falava com ele, possivelmente uma ex-namorada. Ele tinha de admitir, o dono do apartamento era sem duvida belo aos olhos de qualquer um.
–Admito que fui uma idiota, mas …
–Mais para uma grande e teimosa imbecil. – suspirou frustrado – Que e lixe! Acabou Utau! Não me voltes a telefonar.
–Espera! Iku …
Ele desligou.
Zero sentiu-se um pouco aliviado quendo o neko recusou o pedido da jovem.
Ouviu passos. Afastou-se rapidamente, impedindo-se de lavar com a faca que foi atirada na sua direcção. Ceifou mesmo alguns cabelos ate que Zero o prensou contra a parede com uma das mãos a volta do pescoço do menor.
–É preciso ter coragem … para atacar um caçador na sua própria casa.
Ikuto podia estar em desvantagem, mas nunca demonstraria medo para com um vampiro ou qualquer outra criatura. Esse não era o jovem caçador de orelhas de neko. Já Zero sorriu com o atrevimento do menor.
–Interessante. És muito forte.
Zero meditou nestas palavras. Podia matar o neko, mas assim a Guilda perderia um dos seus melhores caçadores. Sim. Era apenas por isso que não queria matar o neko. Alem disso Link poderia recusar-se a trabalhar mais por causa da morte do amigo.
–Não é do meu interesse acabar contigo. Não tentes atacar-me se quiseres continuar vivo.
–Vai a merda! — Disse Ikuto tentando soltar-se da mão que apertou ainda mais o seu pescoço — Não te vou dizer onde está o Link.
–Ai isso é que vais.
Zero concentrou as suas capacidades sem pensar no que aconteceria com o menor.
Ao sentir o leve cheiro doce Ikuto tremeu. Sabia o que aquilo era. Amaldiçoou-se por não ter dado ouvidos ao amigo loiro. Pensava que já tinha superado o trauma mas, pelo que parece, ele ainda estava ali e bem vivo.
–Onde está o Link? — Zero perguntou com a voz seria
–Não sei. — respondeu Ikuto tentando disfarçar o seu desespero com um sorriso
Zero fitou-o, sabendo que ele dizia a verdade. Ninguém conseguia mentir depois de dominado. Corriam rumores sobre humanos com algum tipo de imunidade aos poderes vampíricos tal como havia quem tivesse aos poderes dos anjos, sendo estes ainda mais raros, mas Zero nunca conhecera nenhum na sua longa vida.
–Onde se esconderia ele para proteger os amigos? — perguntou
Viu que Ikuto se esforçava por não responder, mas o impulso venceu.
–Ele nunca se esconderia.
Zero meditou sobre a resposta.
–Não se esconderia hein?
Com um sorriso de canto, o albino libertou, finalmente o pescoço do menor, que tossiu ao sentir o pescoço livre, e recolheu o seu cheiro da mesma forma que o libertou.
–Fico a dever-te um murro no queixo e dois olhos negros, talvez seis.
–Quando quiseres. — respondeu Zero vendo o caçador levantar-se — Nem sequer te mato se o conseguires.
–Tens a certeza que vais viver o suficiente para isso? Afinal, se bem conheço o Link, deve estar a espera de qualquer inimigo com uma faca a espreita.
Zero fitou o caçado com um olhar serio, não gostando da forma de como ele falava do caçador loiro.
–Isto é entre mim, o meu chefe e o Link. O melhor que tens a fazer é não te meteres nesta guerra.
O rosto de Ikuto ficou duro como pedra.
–Não sei como é com os anjos ou vocês, vampiros, mas por estas bandas tomamos o partido dos nossos amigos. Ele chama, eu respondo.
–E morres. — replicou Zero — Eu não partilho o que é meu.
–Link não é teu.
–Eu não estava a falar do Link.
Ikuto nem teve tempo para assimilar o que o vampiro disse pois o mesmo fez questão de o empurrar para a cama ficando por cima dele enquanto um cheiro diferente invadia o ar. Um cheiro docemente viciante.
«Merda.»
Ikuto sabia o que iria acontecer. Ele não dizia que não queria aquilo, mas não tão depressa. Sentira-se atraído pelo vampiro assim que o vira pela primeira vez, mas não era assim que ele queria, não fora assim que ele sonhara. Sabia que Zero era um vampiro perigoso, afinal já fora vítima de um com os mesmos poderes de Zero. No entanto, o vampiro de que o neko fora vítima era bem mais novo que Zero. Se os vampiros melhoravam as suas habilidades a medida que ficavam mais velhos não queria saber o quão perigoso era o albino.
O cheiro excitantemente doce entrava por cada poro da pele do moreno deixando o mesmo mole e sem força para empurrar o maior de cima de si.
–Não ... por favor ...
Zero sorriu contra o pescoço do neko. O moreno nem sabia que o aroma que o seu corpo expelia era apenas uma tentativa falha de o proteger. O cheiro naturalmente doce era viciante para o albino, que se concentrava em não perder a pouca consciência que lhe restava. mais uma vez uma tentativa falha. Zero já estava excitado e não tinha consciência dos seus atos.
–Não ... Para ...
Ikuto entrava em desespero ao sentir as mãos do vampiro entrarem pela sua camisa, rasgando-a em pedaços.
–Por favor Zero. Não.
O menor já estava com lagrimas nos olhos. Não sabia se eram de desilusão por ver alguém por quem, talvez, setia uma certa atracção fazer aquilo com ele ou se eram de dor ao sentir as presas de Zero fazerem vários cortes por toco o seu peito. Ikuto era um caçador experiente com vários anos (nem tanto) de prática e, por isso, estava habituado a sentir esse tipo de dor. No entanto, aqueles cortes doíam mais do que qualquer outro que alguma vez sentira. Era como se cada vez que um ferimento era feito na sua carne uma parte da sua alma também era ferida.
Já o vampiro nem notava a dor e o desespero do menor. O sangue fez com que aquele cheiro tao viciante para o vampiro se intensifica-se. Zero já não conseguia aguentar mais. Num movimento rápido, Zero virou o menor de costas lambendo os lábios sujos com o sangue do menor a medida que ia baixando os jeans e boxers brancos do mesmo. Nem foi preciso esperar. O albino tirou o seu membro já pulsante da prisão que era as suas calças entrando de uma vez no neko sem nenhum preparo.
Nem mesmo o grito de dor do moreno fez com que o vampiro acordasse para a realidade. Não. Ele estocava com força e o mais fundo possível, sentindo o interior quente do jovem apertar o seu membro.
–Ah … Isso mesmo meu pequeno …
O neko ouvia os gemidos de prazer do vampiro que entrava e saia de dentro de si misturados com os seus gritos de dor e as lagrimas. E aquilo durou e durou, uns quinze torturantes minutos mais precisamente. A garganta de Ikuto já doía de tanto gritar, tal como os olhos inchados doíam de tanto chorar. Zero só foi perceber o tamanho da barbaridade que tinha cometido quando gozou dentro do menor, que caiu inconsciente entre os lençóis vermelhos do seu sangue.
–Ikuto? – a vos de Zero era culpada e desesperada ao mesmo tempo – Ikuto responde por favor!
O vampiro entrou em desespero. O jovem neko estava inconsciente com o corpo cheio de cortes feitos pelas suas presas que manchavam a sua pele macia de vermelho, os olhos vermelhos e inchados de tantas lagrimas que libertaram e a grande quantidade de sangue que saia pelo ânus do pequeno era preocupante.
O maior dobrou-se sobre o corpo do neko, passando a língua sobre os cortes que cobriam o corpo do mesmo e vendo que os mesmos cicatrizar em segundos.
Uma gota de sangue caiu sobre o peito, agora limpo de qualquer ferida, de Ikuto. Inconscientemente, o vampiro levou os dedos ao rosto surpreendendo-se ao vê-los sujos de sangue. Zero chorava. Ele chorava por alguém que mal conhecia, mas chorava.
A quanto tempo isso não acontecia? Talvez desde que a sua família fora morta quando ainda era um humano. Ou talvez desde a sua dolorosa transformação. Ele não sabia dizer, fora transformado a centenas de anos. J tinha cumprido o contrato de cem anos de lealdade com Dark a mais de seiscentos anos e em poucos anos cumpriria outros cem anos. Mas em todos os seus anos de vida, tanto de vampiro quanto de humano, nunca sentiu algo como o que sentia pelo pequeno neko.
Embrulhou o pequeno com cobertores limpos que estavam perto da cama, provavelmente era para trocar os que se encontravam agora na cama, e levou-o. Levou-o para um local onde apenas um humano tinha entrado. Sim. Zero levava-o para a sua morada. A Torre do Arcanjo.
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Dark estava de pé em frente do elevador que, pelo que lhe tinham dito, levava a Cave. Mas pareceu-lhe que não precisava de descer. A sua caça tinha sido afugentada.
A mensagem encontrava-se ao lado das portas do elevador. Estava presa com um prego martelado com tanta força que o chão por baixo estava cheio de cimento em pó.
"Queres brincar anjinho? Então brinquemos. Às escondidas."
Era um desafio. Obvio e simples. Uma parvoíce para um caçador fazer. No Sossego ele não podia irritar-se, mas estava-se mesmo a ver qual era a estratégia. Queria afasta-lo da Guilda e dos amigos.
Vais deixa-lo mandar em ti? Ele insulta-te.
Arrancou o papel da parede.
–Anjinho. — leu em voz alta amarrotando o papel nas suas mãos
Sim. Link precisava de aprender a ter respeito. Quando o encontrasse, ele iria suplicar por misericórdia.
Não o quero magoar. Não quero que ele suplique.
O eco das suas palavras deteve-o. Ele sabia que era verdade. Nunca teria coragem de magoar o loiro. Aquela voz na sua cabeça só o confundia. Era como se ela o estivesse a tentar controlar.
–Parece que ele fugiu.
Dark olhou pelo canto dos olhos, deparando-se com o seu, se é que pudesse chamar-lhe assim, amigo Kanda.
–Parece que sim.
A voz dele era seca, como se estivesse apenas a pensar alto.
–Queres que eu vá ver se ele não esta mesmo la em baixo?
O moreno de olhos rubi deu de ombros.
–Faz o que quiseres.
O anjo de asas brancas deu de costas mostrando não se importar verdadeiramente com o que o outro fazia.
–Tenta não fazer muitos estragos. Não estas no teu território.
Dito isto, em menos de um piscar de olhos, o arcanjo tinha desaparecido. O arcanjo de asas negras não disse nada. Em menos de um segundo já estava a descer no elevador para a Cave. Na verdade, ele não esperava encontrar alguém lá, apenas queria afastar-se de Dark. Ele estava muito diferente de como devia ser um arcanjo no Sossego. Como se fosse outra pessoa.
–Só um pouco Sting. — ouviu uma voz bem conhecida a falar num tom manhoso
–Não. Rogue, tu devias estar a ajudar o teu irmão e não aqui.
«Rogue? O que é que ele faz aqui?» era a pergunta que pairava na cabeça do moreno ao olhar pela porta semiaberta e ver o irmão mais novo de Dark abraçado ao pescoço de um loiro mais alto enquanto o mesmo o segurava a cintura dele, ambos concentrados no beijo que partilhavam.
«Francamente! Primeiro o Dark, agora o Rogue que se apaixona por um humano. Estarão todos loucos?»
O moreno praticamente gritava consigo mesmo, pensando o quanto os seus amigos eram loucos por se apaixonar por meros humanos que não mereciam sequer que um olhar de seres como eles.
Ignorando a cena que presenciava, Kanda continuou o seu "passeio" pelos corredores da cave, terminando numa sala repleta de computadores. Era quase como uma daquelas salas QG de um filme de agentes secretos.
Andando com cuidado para não tropeçar em nada, Kanda observava tudo em volta com certa curiosidade.
–Ele não está aqui.
O moreno virou-se para trás, deparando-se com um jovem com aparência de uns dezoito anos, com curtos cabelos brancos e lindos e hipnotizantes olhos cinza.
–Quem? — perguntou apos de se recuperar do choque que aquele albino causara nele
–Link. Ele saiu. Não se encontra aqui.
Kanda procurou algo naqueles olhos cinza vazios. Talvez a ver se ele mentia ou um resquício de vida. A única coisa no albino que mexia era a sua boca para falar. O que se passava com aquele humano?
–Onde é que ele esta?
O moreno ia aproximando-se do albino, mas este nem se mexia, não saia do lugar. Era como se ele o visse como outro humano e isso irritou Kanda profundamente.
–Não tens medo de mim? — perguntou
–Estou aterrorizado. — respondeu o albino com um sorriso doce, mas com os olhos ainda vazios
–Não parece.
O moreno parou. Estava tão perto do menos que para o tocar bastava erguer o um pouco o braço. A essa distancia pôde notar melhor nos detalhes do albino. E deu-se consigo a pensar em como ele era belo. Os cabelos eram realmente brancos de comprimento médio, um pouco acima dos ombros, os olhos, que na realidade eram cor de prata e não cinza, mas estavam tão vazios de vida que mais pareciam mortos e a pele levemente pálida, provavelmente não saia com frequência para a superfície. Mas o que chamava mais a atenção nele era uma cicatriz incomum do lado esquerdo do seu rosto que começava com um pentagrama na testa que acabava numa linha que descia até ao queixo de forma irregular e o braço escondido pelas roupas mas que Kanda pôde notar que a pele era num tom próximo ao vermelho, provavelmente uma queimadura.
–Estou mesmo aterrorizado. Se pudesse, já teria fugido daqui a sete pés. — gracejou o albino
–Han!?
Kanda não entendia nada . O que é que ele queria dizer com "Se pudesse"?
–Tetraplegia. — ele respondeu a pergunta que povoava nos pensamentos do mais velho — Link tinha razão. As asas de um arcanjo são lindas.
O sorriso esculpido no rosto do mais novo deu a Kanda uma sensação boa, relaxante como a muitos anos não se sentia.
–Posso perguntar o teu nome humano? — deu-se consigo a questionar o albino
O mesmo sorriu levemente e Kanda quase que viu um sopro de luz naqueles olhos vazios.
–Allen. Allen Walker.
Esse nome foi como um soco no estômago do mais velho. Walker. Ele lembrava-se desse nome. Um dos maiores erros que cometeu em todos os seus séculos de vida. Ele lembrava-se bem demais do nome Walker. Tinha sido ele, o arcanjo Kanda, a tirar a vida ao pai daquela criança.
Um dos seus vampiros mais antigos dissera-lhe que Mana Walker, dono de uma grande empresa de tecnologia, planeava uma revolução contra ele e como para impor respeito a ele e a família do mesmo, Kanda provocou um acidente que tirou a vida ao mais velho. O problema era que Kanda não planeara que o único filho do homem estivesse com ele. Ele lembrava-se das notícias a anunciar a morte de Mana Walker no acidente que deixou o filho do mesmo tetraplégico. Tal como se lembrava que tudo não passava de uma artimanha montada pelo vampiro que o informou, pois se Mana saísse do caminho, os seus descendentes seriam os próximos donos da empresa. Kanda ainda sentia prazer ao recordar os gritos de desespero e de perdão do mesmo durante a longa tortura. O moreno ainda tentou procurar pelo filho do homem, mas ele desapareceu do mapa depois da morte do pai.
E agora lá estava ele. Allen Walker. Mesmo a sua frente.
–Parece que se lembrou do meu pai não é, Kanda-sama?
Kanda sentiu-se estremecer. A forma de como Allen dizia o seu nome era bastante excitante. Os olhos cinza olhavam para ele como se esperassem uma resposta que não veio. Em vez disso agarrou o albino pela cintura e segurou-o nos braços como uma princesa.
–O que ... O que pensas que estás a fazer? — ele praticamente gritou olhando para os lados a procura de ajuda
–Escusas de gritar. A única pessoa aqui em baixo é aquele tal de Sting e ele está bem ocupado no momento.
Ele não pareceu entender o que o outro dizia, até passar pelo quarto do loiro e ouvir os gemidos exageradamente altos.
–Deuses. — resmungou vermelho
Kanda sorriu com a ironia do momento. Iria cuidar de um humano que nem os seus dois amigos.
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Link tentou forçar as cordas que prendiam os seus braços a cadeira, mas só conseguia com que as que estavam a volta dos seus tornozelos ficassem mais apertadas. Estava de mãos e pés atados! Os braços tinham sido cruzados atrás das costas e a mesma corda descia e enrolava-se em volta de um tornozelo antes de ir atar o outro. Por fim, a corda voltava a subir até se enrolar nos pulsos e dar a volta a cintura até as costas do loiro. Estava eficientemente preso a uma cedeira pesada que ele não tinha hipótese de tombar.
–Cheira-me a sangue Link. – disse Zero numa voz arrastada – Estás a tentar seduzir-me?
Link virou o rosto na direcção de Zero. Lembrava-se bem da satisfação estampada na cara de Zero quando o desarmou. Não tinha sido bruto. Não, tinha sido a sensibilidade em pessoa. Isso é que irritava Link. Ele percebeu que Zero escondia algo. Sempre que o vampiro se aproximava dele o cheiro hipnotizante ficava mais forte. Mas não er hora de se preocupar com pormenores como aqueles.
–Como está o Dark?
Zero colocou-se em frente dele desapertando o nó da gravata vermelha que usava e abrindo os primeiros botões da camisa, mostrando um triângulo de pele pálida.
–Para com isso.
Zero sorria.
–Não estava a fazer-te nada.
–Mentiroso.
–Confesso. – disse o albino afastando-se do loiro – Vais sobreviver sabes?
O loiro levantou o olhar para o albino.
–Vou?
–Pelo menos até a missão estar cumprida. – Zero fitou-o – Mas isso não és tu nem eu quem decide. Tens fome?
Link fitou o vampiro incrédulo com a rápida mudança de assunto. Ele podia ver que Zero queria passar o menor tempo possível com ele possível. Mas não via razão para essa atitude.
–Estou a morrer de fome.
–Então já te vão dar de comer.
Desconfiado devido a frase que o mais velho usou como resposta, Link não abriu a boca quando ele saiu para regressar minutos depois trazendo um prato coberto. Quando tirou a tampa, Link olhou estupefacto para o que parecia peixe grelhado com uma espécie de molho claro, acompanhado de legumes salteados e batatas-novas. A água cresceu-lhe na boca.
–Obrigado.
–De nada. – Zero agarrou numa cadeira semelhante a de Link e moveu-a para a frente do loiro sem esforço – Por onde queres começar?
A expressão de Link endureceu.
–Não me vais dar a comida a boca.
Zero não disse nada, espetou o garfo numa cenoura dando-a a boca do loiro. O resto da refeição transcorreu entre eles em silencio.
–O Dark … acertei numa artéria importante ou algo assim?
Zero pousou o garfo.
–Porque falas como se te importasses?
–Porque me importo. Eu amo o Dark.
Aquelas palavras atingiram o albino de surpresa. Tanto que ele “desligou” o seu cheiro por um momento, mas foi suficiente para Link notar um cheiro bastante familiar nele, e isso, deixou-o possesso.
–Seu grande … O que é que tu fizeste com ele? – o loiro praticamente gritou
–Eu …
Os olhos de Zero fitavam o chão, a vergonha de ter feito aquilo com a única pessoa que fazia o seu coração bater como o de um humano. Estava na cara que amava o neko e só se ter apercebido disso depois de magoar o seu moreno foi muito doloroso para o mesmo.
–Eu … dou um monstro.
Link surpreendeu-se com a fala dele. Com isso e também com o facto de que o mesmo se sentou no chão com gotas de sangue a cair dos seus olhos.
–Zero … tu estás a chorar. – disse ele como se não acreditasse no que via
–Também não choraste quando atiraste no Dark?
Aquela pergunta fez com que o coração de Link doesse. Quase que se tinha esquecido que tinha atirado no seu anjo.
–Ele perdoou-me. – disse com a voz calma – Quem ama perdoa … seja o que for.
O vampiro olhou-o nos olhos como se buscasse ali a certeza de que o neko sentia a mesma coisa por ele.
–Não sei se o Ikuto sente a mesma coisa por ti, mas se não lutares por ele nunca saberás. – Link suspirou olhando pela janela com grades – Além disso, hoje é lua nova.
As sobrancelhas do albino contraíram-se em duvida.
–O que tem isso a ver?
–Vou ser sincero. Não gosto de ti. – disse ele sério – O que tu fizeste ao meu amigo foi imperdoável. – Zero abaixou o rosto – No entanto … o pai do Ikuto era um neko. Um dos poucos que acasalou com uma mulher humana porque deves saber a maior característica deles.
Zero arregalou os olhos e engoliu em seco. Sim, ele sabia.
–Eles só têm homens. – sussurrou
O rosto de Zero ficou branco. Sim. Ele também sabia o porquê disso. Não foi preciso Link dizer mais nada, no segundo seguinte o vampiro corria para fora do quarto.
Link deu um leve sorriso, esperava que o amigo pudesse superar as perdas e dores do passado e ser feliz com Zero. Ele via o amor que o vampiro tinha pelo seu amigo. O brilho nos olhos dele era igual ao dos olhos de Dark quando o loiro disse que o amava. Tanto na primeira vez deles como quando estavam no apartamento do menor. E pensar nisso fez com que uma lágrima solitária correr pela sua face.
–Desculpa-me. Não era minha intenção ferir-te. – mais duas lágrimas seguiram o caminho da primeira – Eu amo-te tanto Dark. Não me deixes.
Uma brisa fresca e marítima passou por ele.
Nunca faria isso. Se eu te deixasse seria outro a provar os teus lábios. E isso só por cima do meu cadáver.
Link ficou completamente imóvel. Mais ou menos como imaginava um rato ficaria em frente a um gato grande e cruel com dentes aguçados.
–Dark? – sussurrou embora conhecesse aquele cheiro a oceano, fresco e nítido tao bem quanto o dele
Dorme Link. Precisas de descansar.
O loiro respirou fundo.
–Como estás? Que tal a ferida?
Está a regenerar-se. Não te preocupes, vou sobreviver.
Um sorriso de completa felicidade iluminou o rosto do caçador.
–Ainda bem. Estava tão preocupado.
Na sua mente, Dark riu.
Não te preocupes, meu amor. Será preciso mais do que isso para deitar o teu amado arcanjo abaixo.
Link riu.
–Se já não o tivesses feito, diria que estavas a tentar conquistar-me gabando-te da tua força.
Na verdade é só para poder comer o meu delicioso caçador logo de manhã.
–Dark!!! – Link gritou com o rosto tão vermelho como os olhos rubi do amado dando graças pelo mais velho não o poder ver assim
O quê? Metade da minha asa foi destruída. Mereço um pouco de mimo quando acordar.
–Tu não existes. – o loiro suspirou – Mas se tens tempo para provocar quer dizer que estás bem.
Dark riu novamente.
Agora dorme Link. Amanha falamos. Tenho algo que te pertence.
–Boa noite Dark. – sussurrou antes de adormecer, com um pouco de ajuda dos poderes do moreno
Boa noite, meu pequeno caçador.
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Ikuto abriu levemente os olhos reparando logo que não estava no seu quarto. As memorias do que tinha acontecido atingiram-no como um flash. Virou levemente o rosto, fitando a lua pela janela. Noite de lua nova. O neko só queria chorar. Aquilo não podia estar a acontecer. Não novamente. Porquê?
Tentou levantar-se, mas notou que a sua mão era firmemente segurada por outra maior. O que Ikuto viu a seguir deixou-o em choque. Zero estava com a cabeça deitada sobre o colchão bem perto dele e segurava firmemente a mão do menor. No rosto do vampiro um pequeno rato de sangue, que começava nos seus olhos e terminava no seu queixo. Lágrimas de vampiro. Lágrimas de sangue.
Quando o vampiro chegou ao quarto o neko ainda dormia e, por mais que quisesse falar sobre aquilo com ele, não o acordou. No fina, o vampiro também adormeceu.
De certa forma isso aqueceu um pouco o coração do moreno, mas ele sabia que não podia deixar-se levar pelos sentimentos no momento. Ele amava o vampiro, mas não iria repetir o erro.
Ao sentir o movimento na cama, Zero acordou. O seu olhar violeta conectou-se ao olhar arroxeado do neko e no segundo seguinte abraçava o menor com força.
–Desculpa. Desculpa. Desculpa. – as lágrimas de sangue tinham voltado – Sei que o que eu fiz não tem perdão, mas … por favor Ikuto. Eu não te quero perder por causa de uma idiotice minha. Eu já me sentia diferente antes daquilo acontecer. Desde a primeira vez que te vi que estou apaixonado por ti, mas só depois daquilo percebi o que sentia. Sinto ciúmes de qualquer pessoa que tente aproximar-se de ti. Realmente senti vontade de matar a tua ex-namorada hoje de manha quando vocês falaram ao telemóvel. Só o teu cheiro deixou-me anestesiado.
–Zero …
Ikuto não tinha palavras. De facto, ele não esperava uma declaração do vampiro. No entanto as sombras do passado ainda o assombravam.
–Zero. – chamou – Isso … bem … a declaração veio meio que de repente. Mas, mesmo assim eu digo …
Continua …
Por serem boas leitoras e terem comentado. No próximo tem lemon.
Cap. 9 — Desculpas
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