Angel's Blood
9 Desculpas ...
Notas iniciais
No capitulo anterior:
Ikuto não tinha palavras. De facto, ele não esperava uma declaração do vampiro. No entanto as sombras do passado ainda o assombravam.
–Zero. – chamou – Isso … bem … a declaração veio meio que de repente. Mas, mesmo assim eu digo …
Capitulo 9 — Desculpas ...
– ... Não.
Aquela palavra foi como uma facada no coração do vampiro. Ele realmente achara que o neko iria aceita-lo. Mas nem ele próprio se aceitaria se se estivesse no lugar de Ikuto.
–Porquê?
Ikuto calou-se de repente pensando se devia ou não contar, pelo menos, algumas coisas ao albino. Ele gostava de Zero. Queria ficar com ele. Mas o seu passado não o queria deixar. Quando voltou a amar acontece exactamente a mesma coisa. Isso já era muito para o frágil coração de Ikuto aguentar.
–Estou partido Zero.
O vampiro estranhou a expressão usada pelo mais novo. Era verdade que Ikuto era um ser frágil e parecia ter uma espécie de medo no que toca a vampiros capazes de controlar humanos através do cheiro, mas isso não ... Claro! Era isso.
–Qual o vampiro que te fez mal Ikuto? Para além de mim qual te tocou? Quem te partiu? — perguntava com a raiva a correr-lhe no sangue só de pensar que mais alguém tinha tocado no seu neko
Ikuto suspirou. Sabia que o vampiro era esperto e logo descobriria o que se passava com ele. Só não esperava que fosse tão rápido. Aliás, ele esperava até ser corrido da Torre quando dissesse aquilo a Zero.
–Foi a três anos. — começou — Eu estava numa caçada a uma vampiro que já tinha cumprido o contrato com o seu mestre. No entanto, ele começou do nada a rasgar pescoços humanos sem motivo. Eu fui atrás dele. Ele ... ele ... tu sabes. Ele fez o mesmo que tu fizeste comigo. — o moreno engoliu o choro – Existem muito poucos varcolai e os nekos são ainda mais raros por só existirem homens …
–Espera! – Zero interrompeu – Tu és um varcolai? Um descendente direto dos anjos caídos?
Ikuto bufou.
–Nem os meus amigos mais próximos sabem. Nem toda a gente olha os varcolai com bons olhos por sermos “descendentes” dos anjos caídos. Agora posso continuar?
–Desculpa. – o albino calou-se
–Bem … Para garantir que a nossa espécie não se extingue os varcolai do tipo neko engravidam e foi isso que me aconteceu. Eu engravidei dele, mas não por muito tempo. O nosso tempo de gestação é de três meses e quando eu tinha um mês ele apareceu e ...
Ikuto calou-se de repente. Os seus olhos brilhavam em conta as lágrimas acumuladas. Olhou para Zero e, mesmo sem saber o quê, algo nos olhos do mais velho deram-lhe força para continuar.
–Ele ... — o neko levantou a camisa, mostrando um pouco da barriga, mais precisamente, a parte abaixo do umbigo — Ele arrancou-o do meu corpo.
Os olhos de Zero abriram-se ao olhar para a enorme cicatriz que estava no local onde o menor mostrava. A cicatriz era irregular mas ao mesmo tempo fazia uma linha, prova de que a criança fora arrancada pelas mãos do vampiro. E Zero quase bateu nele mesmo por não ter notado na cicatriz mais cedo. Realmente não era algo que passava despercebido.
O moreno chorava compulsivamente. Sempre lhe foi doloroso lembrar do incidente. Ele próprio teve meses de terapia até conseguir falar do assunto para com os seus amigos. Mas, e Zero? Será que o vampiro o iria ignorar? Talvez até mata-lo. Isso fazia a dor aumentar. Ikuto não queria ser odiado por Zero. Pela primeira vez desejava não ser o que era. Mas, surpreendeu-se quando dois braços fortes rodearam o seu corpo e mãos grandes afagavam com carinho entre as orelhas.
–Está tudo bem, meu amor. Não irei odiar-te por causa disso. — sussurrou calmo ao ouvido do menor — Se me irrita o facto de alguém mais ter tocado no teu corpo? Irrita e não é pouco. Se esse vampiro estivesse aqui a esta hora estava morto. Mas eu não quero que algo assim nos separe. — disse limpando as lágrimas no rosto do menor — És a minha vida agora.
–Mas Zero ... — Ikuto já não conseguia resistir ao vampiro, no entanto, as suas lágrima eram muito bem presentes — Eu não posso ... Quando ... Quando ouvires o resto não vais querer olhar para mim ...
Zero fitou o neko com uma expressão séria. Não tinha pensado que Link se referia a algo tão horrível quando falou sobre o que aconteceu com o moreno. Ikuto tinha feridas. Feridas que nunca se fecharam, mas que ele aprendeu a disfarçar. Isso doía. Doía a Zero não ter percebido antes, mas aquilo não se iria voltar a repetir. Ele não ia deixar.
Cuidadosamente, segurou o rosto do moreno com as duas mãos e beijou-lhe os lábios suavemente, seguindo-se de um abraço apertado.
–Eu já sei o que é. — disse — Bom, ao menos tenho uma suspeita. Tu disseste que estava tudo a repetir-se ... Acho que é fácil adivinhar o que é.
Os olhos do menor arregalaram-se não sabendo distinguir se era a surpresa por ele ter descoberto ou o medo de que o que o mais velho dissera não passassem de palavras bonitas.
–Zangado? — perguntou num fio de voz que se Zero não estivesse tão próximo não ouviria
–Estou mas é surpreso. Vampiros normalmente deixam de poder ter filhos a partir dos duzentos anos. — apertou ainda mais os seus braços a volta da cintura do menor — E ao mesmo tempo estou feliz. Um dos meus maiores sonhos sempre foi ser pai, mas nunca encontrei a pessoa certa e quando fiz duzentos anos acabei por desistir ... até que te conheci. Eras a criatura mais bela que alguma vez vi, com lindos cabelos arroxeados que brilhavam a luz da lua e os lindos olhos ametista que brilhava mais do que as próprias estrelas. Não preciso de dizer que foi amor a primeira vista pois não?
–Então tu ...
Zero sorriu aproximando o seu rosto do de Ikuto.
–Eu amo-vos aos dois como nunca amei ninguém.
.-.-.-.-.
Dark tinha os olhos fechados, mas não estava propriamente a dormir. Encontrava-se numa espécie de coma semiconsciente, estado para o qual não havia equivalente nem para humanos nem para vampiros. Os anjos chamavam-lhe anshara.
Agora, a parte consciente de Dark estava ocupada com a cura do ferimento que Link lhe fizera com a sua pequena arma, depois de colocar o mesmo para dormir, enquanto o resto do seu ser dormia.
Só havia anshara quando um anjo ou arcanjo era gravemente ferido. Isso tinha sido raro nos últimos oitocentos anos da existência de Dark. Quando ele era jovem e inexperiente, lesionara-se, ou fora lesionado, algumas vezes.
Imagens suas a dançar no céu antes de ficar com as asas enrodilhadas e se despenhar no chão sentindo que o seu sangue iria deixar um tapete vermelho a cobrir o prado.
Memórias antigas. Do rapaz que ele tinha sido.
Braços partidos, pernas partidas, sangue a jorrar da sua boca.
E ela. De pé inclinada sobre ele, acariciando o seu rosto.
«Shhh, meu querido. Shhh»
Terror puro a galopar pelo seu sangue, o coração pesado por saber que não podia de tê-la ... a sua mãe. O seu maior pesadelo.
Cabelo castanho e os olhos azuis que não serviram de molde para nenhum dos filhos. Velha na altura, tão velha, não na aparência, mas no espírito, na alma. E, ao contrário de Rima, não evoluiu. Ela ... retrocedeu.
As memórias com Debrah emergiram à superfície. Ele? Ele olhou para baixo. Para o seu corpo ensanguentado e partido, a encolher-se enquanto a mão dela afastava os seus cabelos negros do rosto.
«Doeu, mas foi necessário.»
O rapaz deitado no chão não falava, afogado no seu próprio sangue.
«Não morrerás Dark. Não podes morrer. És imortal.» inclinou-se para deixar um beijo frio no que restava do rosto do rapaz «És filho de dois arcanjos.»
Os olhos do rapaz, intactos por milagre, expressavam traição. O seu pai estava morto. Os imortais podiam morrer.
–Ele tinha de morrer, meu amor. Se ele não morresse o Inferno reinaria na Terra.
Os olhos do rapaz tornaram-se mais escuros, acusadores.
Debrah suspirou, depois sorriu.
«O mesmo se passa comigo por isso vieste matar-me não foi?» um riso suave, frio e irónico como centenas de agulhas perfurar a pele «Não podes matar-me, meu querido Dark. Só alguém do Grupo dos Dez pode destruir um arcanjo. E eles nunca me encontrarão»
A última imagem que viu da sua mãe foi a dos seus pés descalços saltitando levemente sobre a superfície verde do prado, deixando atrás de si um rasto brilhante de pó de anjo.
«Não.» tentou dizer
«Shhh, meu querido. Shhh»
Depois uma rajada de vento soprou terra para cima dos seus olhos. Quando acordou e piscou os olhos, Debrah tinha desaparecido.
.-.-.-.-.-.
As portas abriram-se para a "gaiola de vidro" em cima do telhado. Link teve uma pequena sensação de dejá vu ao ver uma mesa posta com toalha branca, croissants, toranjas, sumo e café erguia-se solitária e esplendida, no belo telhado. De costas para ele, Dark aguardava do outro lado da mesa.
Esquecendo-se da suas dores musculares pela posição desconfortável em que dormiu naquela cadeira, Link saiu em passos apressado do elevador, abraçando o outro pelas costas.
–Dark. — foi a única coisa que pronunciou
Dark virou-se ligeiramente, puxando Link para um abraço forte, seguindo-se de um beijo calmo e carinhoso como nunca ninguém imaginaria Dark. Como Link sentia falta daquilo. O moreno tinha um cheiro a oceano, mas a sua boca um sabor cítrico algo como laranja misturado com menta.
Foi quando se separaram que Link notou melhor nas asas. Elas pareciam perfeitas ao longe e só agora que estava consideravelmente perto é que reparou que havia uma diferença impressionante.
–Parece o percurso do tiro.
Dark abriu a asa para ver melhor o pormenor.
–Pensei que o desenho só se via no lado inferior, mas está nos dois.
Link estava boquiaberto. Era uma cicatriz, mas a cicatriz mais espantosa que vira em toda a sua vida.
–Já reparaste que assim elas ficam com um ar ainda mais especial? Com uma beleza ainda mais não humana.
A asa baixou.
–Estás a dizer que me deste o tiro por uma questão de cosmética?
Dark segurou o rosto do loiro entre as suas mãos com um sorriso doce que fez Link relaxar. Dark estava bem. Estava ali.
–Estás ferido. – o moreno constou ao reparar bem no rosto do loiro com dois cortes na bochecha direita, um na sobrancelha esquerda e um no queixo
–São só alguns golpes superficiais. – o loiro mostrou-lhe as palmas das mãos que também tinham sido feridas na noite anterior – Já nem doem.
–Tiveste sorte. – o tom de voz do anjo era sofrido, talvez pela culpa que o consumia por ter ferido o seu caçador
–Sim. Tive sorte em estares vivo. Nunca me perdoaria se o tiro te tivesse matado.
O loiro agarrou firme o corpo do moreno com medo que ele escapasse dos seus braços.
–Link. — o loiro levantou o rosto para o seu anjo recebendo um beijo na testa – Está tudo bem, meu amor.
–Eu sei. É que … Ontem a noite … Tu assustaste-me de verdade.
Os olhos vermelhos transmitiam surpresa.
–Eu já te assustei antes.
–Daquela maneira não.
A voz do loiro era preocupada e chorosa e, ao voltar a fitar a asa, não resistiu e esticou a mão para tocar nela até que os seus neurónios transmitiram o alarme e parou a meio do caminho. Ninguém podia tocar nas asas dos anjos sem este autorizar.
–Desculpa.
Dark abriu a asa da cicatriz.
–Eu já te disse. Elas também são tuas. Queres certificar-te de que é verdadeira e não uma ilusão?
Indiferente ao facto de isso divertir o moreno, Link passou os dedos pela parte da asa que ele destruíra. A sensação foi ...
–Tão macia ... — murmurou sentindo, no entanto, que lá atrás havia músculos e força
Quando tirou a mão, com relutância, tinha as pontas dos dedos brilhantes.
–Pó de anjo.
–Prova.
Link olhou para o rosto do moreno, vendo as asas fecharem-se ao seu redor.
–Provar?
–Porque é que pensas que os humanos pagam fortunas por isso?
–Pensei que era apenas uma questão de estatuto ... tipo do género, olha, o meu frasco de pó de anjo é maior que o teu. — olhou para as partículas que brilhavam nos seus dedos — É bom?
–Há quem o considere uma droga.
Link abriu os olhos enquanto levava o indicador aos lábios.
Ambrósia.
Link sentiu o corpo todo vibrar, os dedos dos seus pés enrolaram-se, quase gemeu.
–Uau, um verdadeiro orgasmo. Andas a largar isso por ai?
Uma ponta de ciúme serpenteou o corpo do loiro que não passou despercebida pelo moreno. Este riu levemente, acariciando a face do menor.
–Oh nem pensar. Esta é uma mistura especial só para ti. — ele agarrou num dos dedos que Link não tinha lambido, espalhando o pó pelo seus lábios — O que normalmente temos é parecido com o mais delicioso dos chocolates ou o melhor dos vinhos. Decadente, doce e muito caro.
–Hum hum.
Link aconchegou-se melhor entre os braço de Dark, deitando a cabeça no seu ombro.
–Especial porquê?
–Esta mistura tem a ver com sexo. — o anjo sussurrou ao ouvido do humano sedutoramente
Link colocou as mãos sobre o peito do mais velho olhando sério para o mesmo como se fosse uma mãe desconfiada com o comportamento do filho problemático.
–Isso é outra forma de controlo mental?
Dark abanou a cabeça e a sua boca ficou a distância de um cabelo do menor.
–Acho justo.
–Justo?
Link passou a língua pelo lábio inferior de Dark, “limpando” o pó de anjo que lá se encontrava. O que só contribuiu para ficar ainda mais “colado” ao moreno.
–Se eu te lamber de cima a baixo o sabor terá o mesmo efeito afrodisíaco para mim.
O loiro sorriu. Um sorriso repleto de malícia e no segundo seguinte juntou os lábios dos dois. Link ficou em bicos de pés. Os braços de Dark apertaram-no contra o peito e as asas isolaram-nos do mundo. Aquele pó de anjo erótico e afrodisíaco perecia entrar por cada um dos poros de cada centímetro da pele exposta do loiro, serpenteando pelo seu corpo. O seu membro já estava erecto e os seus lábios ansiavam pelos do moreno.
–Como vai a produção de energia? — Link perguntou com um sorriso de canto ao separar-se do maior
–Maravilhosamente bem. — respondeu no mesmo tom
Link abriu a boca para falar, mas as palavras perderam-se na fúria do beijo seguinte. As mãos de Link sentiam a dureza e o calor daquele peito esculpido. Só queria tocá-lo, saboreá-lo, acariciá-lo. Quando a mão dele encontrou o colarinho da camisa do moreno, entrou e pousou no ombro. A reação de Dark foi agarrar o traseiro dele com uma mão e levantá-lo até ter a sua ereção “entalada” nas cochas dele.
Naquele momento, nada em Dark parecia diferente ou angélico. Ele era apenas um homem delicioso e puro. E forte, tão perfeitamente forte que Link se sentiu indefeso até as entranhas. Pela primeira vez não precisou de disfarçar a sua força de caçador. Esse era um facto pouco conhecido acerca dos que nasciam já caçadores. Eram mais fortes do que um ser humano normal, mais capazes de sobreviver numa luta contra um vampiro furibundo.
–Hum ... — Dark gemeu quando Link cruzou as pernas a volta da cintura ele
Continuou a segura-lo como se não pesasse nada. Um gesto tão erótico como a da sua mão forte a percorre-lo.
–Beijas muito bem para quem tem asas. — o loiro sussurrou mordendo de leve o lábio inferior do maior
–E a tua boca ainda te vai arranjar problemas. — Dark ameaçou enquanto a sua mão apertava o membro ainda coberto do loiro, fazendo o mesmo gemer alto — Amas-me Link?
–Mais do que tudo no mundo.
Dark sorriu com a resposta. Ouvir da boca do loiro que o amava aquecia o seu corpo por dentro. Com isso voltou a beija-lo de modo selvagem, continuando com a sua mão no traseiro dele, mas a outra ziguezagueou até chegar a um mamilo. Um choque eléctrico atravessou o corpo do caçador.
–Não perdes tempo. — disse, interrompendo o beijo para engolir uma golfada de ar
–Os mortais não vivem muito tempo. — respondeu beliscando-lhe um mamilo — Tenho de aproveitar enquanto posso.
–Hum ... Não tem graça. — resmungou o loiro com a voz rouca — Ao fim de quanto tempo é que te fartas dos teus brinquedos?
Dark retirou-lhe a camisola de malha, desta vez azul.
–Quando eles deixam de me divertir.
A resposta podia ter abrandado o calor entre os dois, mas os olhos rubi transmitiam desejo e paixão de uma forma que o loiro nunca conhecera.
–Não tenciono divertir-te.
Com a mão, sentiu a pele delicada de Link.
–Então isto vai acabar depressa. — mas o seu tom dizia o contrário
Mais uma vez, as bocas juntaram-se. Eles agiam por puro instinto e os seus instintos diziam que aquilo era o certo. Eles eram duas faces da mesma moeda. Um não era nada sem o outro. Eles tinham nascido um para o outro.
Os lábios de Dark deixaram os do loiro e desceram-lhe pelo pescoço, que as suas mordidas e chupões contribuíram para deixar uma enorme quantidade de manchas.
–Quero muito foder-te.
Link inspirou, enterrando o rosto no pescoço dele.
–Que proposta tão romântica.
Dark fechou mais as asas, que roçaram nas costas do loiro.
–Preferias que eu me pusesse com floreados a louvar a tua beleza?
Link riu e lambeu-lhe a pele, absorvendo aquele perfume selvagem, intensamente másculo.
–Não, para mim a honestidade é tudo.
–Ótimo.
Dark meteu mãos a obra.
–Espera!
Link contorceu-se, deixando o moreno tão surpreso que o largou. Assim que pôs os pés no chão, Link empurrou-o para trás ... mas teve de se apoiar nele pois as suas pernas desequilibraram-se. Dark segurou-o pela cintura.
–Hoje não. — o loiro disse com a cabeça no peito do maior
–Han!?
O tom usado por Dark deu a Link vontade de rir. Sabia que o moreno estava terrivelmente excitado, mas isso fazia parte da sua pequena vingança.
–Sê forte. Eu passei a noite atado a uma cadeira.
Dark finalmente pareceu ligar os pontos.
–Quer dizer que isto é uma espécie de vingança? — perguntou abraçando o menor pela cintura
–Pensa o que quiseres.
O loiro afastou-se dos braços do maior dirigindo-se a mesa com a comida intocada, servindo-se de um croissant.
–Hum ... chocolate. — disse lambendo os lábios sujos com o doce de cor acastanhada
Ao olhar a cena, Dark não conseguiu deixar de imaginar varias cenas com ele, Link e chocolate. O que contribuiu para a sua excitação aumentar e um pequeno filete de sangue sair pelo deu nariz. Link, ao olhar para ele, não conseguiu evitar rir e, por isso, riu, alto e bom som.
–L ... Link ... !?
O loiro fingiu que não o ouvia, continuando a gemer sempre que mordia o bolo, para o desprazer de Dark que estava quase para desmaiar de tanta excitação contida.
–Ok. Ok. Já entendi. — o moreno andou em passos apressados até ao loiro, abraçando-o pela cintura — Desculpa ter-te deixado naquela cadeira a noite toda. Agora já posso?
Link corou ao ouvir o tom do outro. Era como se tivesse atravessado o deserto a pé e o loiro fosse um copo de água.
–Não sei não.
Sem que ele percebesse o moreno abraçou-o por trás, mordendo o pescoço do mesmo.
–Hum! – gemeu ao sentir o sabor doce da pele do caçador – Não me testes Link.
–Nunca pensaria em tal loucura. – disse fingindo indignação
–Ai ai … vais aprender a não me desafiar meu querido caçador. – falou com os lábios bem próximos aos de Link
–Não sei. É divertido. – devolveu rindo levemente segurando as madeixas negras entre os dedos
Não foi preciso dizer mais nada para que os lábios se juntassem desta vez num beijo violento e necessitado. Nenhum deles detinha agora controle sobre si. Moviam-se pelo desejo de tal forma que Dark nem reparou que o seu manto branco e a camisa negra tinham sido retirados ou que Link se encontrava agora sem uma única peça de roupa e extremamente excitado.
–Hum … Dark … — gemeu após o beijo
–O quê amor?
–Quero-te dentro de mim, o mais fundo que conseguires. – o loiro sussurrou ao ouvido do maior
Se Dark ainda tinha um pequeno resto de sanidade, ele foi-se ao ouvir aquelas palavras.
–Era só isso que eu queria ouvir.
O loiro nem teve tempo de reagir. Dark entrou nele de uma vez, fazendo o loiro soltar um gemido alto de dor misturada com prazer. Talvez Link fosse um pouco masoquista. No entanto, não estava com a intensão de pensar nisso no momento. Não quando um moreno lindo de corpo definido estocava dentro dele enquanto beijava o seu pescoço. Como é que se respira mesmo? Link já não sabia. A única coisa que fazia era gemer tamanho o prazer que o maior lhe dava.
Dark estocava num ritmo frenético mas com um pouco de cuidado. Não tinha coragem de ferir o menor. Não depois dos acontecimentos da noite anterior. Sabia que só naquela noite tinha ferido o menor, tanto física quanto mentalmente e isso levou-o a reduzir um pouco o ritmo. Antes de si, tinha de pensar no bem do menor.
Link gemia pedindo por mais e isso aliviava o seu espírito por não estar a juntar mais um trauma naquele que amava. O amor era tão novo para si. Nunca na vida tinha sentido algo como aquilo. Ele era um arcanjo, estava acima dos humanos, vampiros e até de outros anjos. Mas mesmo assim, mesmo tendo um mar de humanos, vampiros e anjos interessados em si, foi aquele loiro a cativa-lo. Quando era criança, com o seu pai ainda vivo, ele falara-lhe sobre o amor. Sobre como ele fazia os anjos cair. Sobre como ele fazia os anjos fracos. Mas ele estava enganado. O amor não fez Dark cair ou mais fraco. Mesmo depois do tiro, ele pôde sentir o quanto a sua força tinha aumentado e tudo porque ele tinha em mente apenas proteger aquele humano. Aquele que amava.
–Dark … estou quase …
A voz do loiro despertou-o dos seus pensamentos. Ele olhou para o menor deitado na mesa com o rosto vermelho e ofegante como se tivesse acabado de correr uma maratona. Sim. Dark tinha sorte.
–Eu também … Link …
Os movimentos feitos pelo moreno aumentaram de velocidade até o loiro sentir um jato quente inundar o seu interior e, pouco depois, gozou no seu próprio abdómen.
–Hum … — Link abraçou o maior pelo pescoço – Agora estou com sono. – murmurou
–Ainda temos trabalho para fazer.
–Eu …
A fala de Link foi interrompida pelo barulho do telemóvel do mesmo. Este pegou nele e levou-o ao ouvido sem sequer ver quem era.
–Fala o Link. – disse esfregando um dos olhos mas rapidamente substituiu a expressão por uma mais séria – O que quer? – perguntou áspero – Sim. – nos seus olhos, uma expressão caótica – Eu … — pela primeira vez Dark viu-o inseguro – Sim, vou já. – desligou o telemóvel – Preciso de sair por uns instantes. Volto antes da hora de almoço.
–Onde vais? – perguntou Dark preocupado
Um olhar duro.
–Não é da tua conta.
O moreno devia ter-se indignado, mas em vez disso ficou preocupado, e porque não um pouco intrigado.
–Um pouco do meu próprio remédio?
Link encolheu os ombros e franziu os lábios.
–O teu pai.
Os ombros dele endireitaram-se.
–Como? Agora escutas as conversas?
–Nunca seria capaz de te faltar ao respeito. Apenas fiz as minhas pesquisas. Sei que ele é o único humano capaz de te fazer perder o controlo tal como ele só quer saber de vocês, os filhos dele, quando lhe convém. – o moreno olhou para o outro preocupado – Tem cuidado sim? E se ele te fizer alguma coisa juro que deixo o Dimitry brincar com ele por tempo indeterminado. Pode não parecer, mas aquele tipo é um sádico de primeira.
Link podia ter rido, mas não o fez. Conhecia o moreno o suficiente para saber que ele não brincava.
.-.-.-.-.-.
O quarto em si assustava. As paredes cor de vinho, os móveis pretos e a ausência de janelas davam muito a conhecer do dono da casa. A unica coisa branca do local era um tufo de cabelos pertencentes a pessoa que lá se encontrava deitada.
Allen não estava a dormir. Tinha acordado a imenso tempo e com uma grande raiva de si mesmo por se ter deixado dormir nos braços do arcanjo que destruiu a sua vida. Ainda se lembrava bem do dia do acidente. Da ultima vez que viu o seu pai com vida. Desde aquele dia ficara incapacitado dos ombros para baixo, tetraplegia disseram os médicos. Não conseguia andar, mas a sua vontade era de fugir daquele lugar o mais depressa que conseguisse.
Mana tinha sido a melhor coisa que lhe acontecera. Ele tinha aceitado Allen como um filho mesmo ele não sendo humano. Sim. Allen não era humano. Ele sabia disso. Todos os caçadores têm os seus segredos e dores do passado. O seu era o facto dos seus pais o terem abandonado por ser mais fraco que os seus irmãos. Eles tinham outros filhos então não fazia mal livrarem-se do defeituoso.
Para Allen estava tudo bem. Não se lembrava deles a mesma. A sua família era Mana. Isso até ele ter sido morto e Allen internado.
–Vejo que estás acordado irmão.
A voz, que ele reconheceu como não sendo do arcanjo, fez com que o albino o seu cérebro parar. A sua frente encontrava-se um ruivo de olhos verdes que faziam lembrar as folhas das arvores em pleno verão, sendo que um deles tinha uma pala, e algumas sardas pelo rosto.
–Não somos irmãos. — ditou seco
–Não de sangue. — o ruivo ditou aproximando-se dele — Mas de espécie.
Os olhos de Allen arregalaram-se ao ver aquele rosto mais de perto. Não eram sardas, eram números. Ele tinha o rosto repleto de pequenos números.
–Cifra. — o albino murmurou tão baixo que se o ruivo não estivesse próximo não o ouviria
–O meu nome é Lavi. — ditou ao levantar-se — Espero que o quarto esteja adequado para ti Allen. Pedi ao Yuu a alguns anos para criar um quarto na mansão para um sombra.
Novamente, os olhos de Allen arregalaram-se.
–Como sabes o meu nome?
Não lhe agradava nada a ideia de um estranho a invadir o seu cérebro. Merda! Ele podia muito bem descobrir todos os seus códigos e deixar a Guilda indefesa. O facto era que quando um fae cifra toca em alguém é como se tivesse acesso a toda a mente dessa pessoa, conseguindo guardar todas as informações necessárias no seu cérebro.
–Tem calma. — o ruivo esta a ponto de rir — Estás assim tanto tempo longe da tua própria espécie para não te lembrares que os fae cifra não conseguem penetrar na mente de outro fae?
O albino olhou-o irritado.
–Eu nunca estive com outro fae. E já agora, nós, fae sombra, podemos ser expostos a luz do sol que não nos acontece nada, no máximo ficamos invisíveis aos olhos humano e ao de algumas criaturas. Nada mais que isso.
–Mas parece que vocês são tão frágeis como os humanos. — obviamente ele referia-se ao facto do menor ser tetraplégico
–Já chega Lavi. — uma terceira voz ecoou pelo quarto
Ao mesmo tempo que o ruivo se virava para a porta os olhos do albino fazia o mesmo percurso, já que a porta se encontrava no seu limitado campo de visão. E lá estava ele. O temido arcanjo de asas negras. Yuu Kanda.
–Eu não te disse para não o incomodares? — perguntou com uma voz levemente irritada
–Mas não ordenaste Yuu querido. — a voz do ruivo parecia irritar cada vez mais o moreno
–Então está bem. Eu ordeno que saias deste quarto, não te aproximes do moyashi — apontou para Allen — e deixes de me chamar pelo primeiro nome. — já se via uma veia pulsante na sua testa.
–Merda! — resmungou o ruivo saindo do quarto
Já Allen ficou atónico com o facto de Lavi o ter obedecido e isso só podia dizer uma coisa.
–Sim. Eu sei o número dele.
A fala do moreno só o deixou ainda mais chocado. Nunca na vida conhecera alguém que tivesse descoberto a soma de todos os números de um fae cifra. Era praticamente impossível já que os numero estavam em constante mudança. Mas quem o conseguia fazer, o fae cifra tinha de lhe jurar serventia. Mas, aquele momento não era para ficar impressionado com as capacidades do arcanjo.
–Porque me trouxeste para aqui? — a sua voz voltara a ter um tom sério
Kanda hesitou. Será que lhe devia dizer? Bom, talvez um pouco.
–Hum … — não sabia como começar – Eu … queria … pedir desculpas. O que aconteceu foi um mal-entendido.
Allen soltou o riso sarcástico.
–Desculpas não me vão dar a sensibilidade no corpo. Desculpas não me trarão o pai de volta. – gritou a ultima frase
É. Kanda sabia que não podia devolver o pai aquela criança. Sim. Comparado com ele, Allen era apenas uma criança.
Na verdade, Kanda sempre teve um interesse especial por aquela criança. Claro. Ele não era estúpido ao ponto de deixar um fae sombra nas mãos de um humano sem vigilância tendo em conta que todos sabem que os fae e varcolai são descendentes de anjos caídos. Foi uma questão de tempo para não conseguir tirar o albino da cabeça de modo que quando descobriu que não só matara o pai dele como também o deixara tetraplégico ficou em choque e quando se recuperou o outro desaparecera num piscar de olhos. Descobri-lo na Cave da Guilda foi como se algo que perdera há muito tempo voltasse para si. Claro que o mais frio dos arcanjos não admitiria isso em voz alta.
–Leva-me de volta.
Allen fitava-o com um olhar sério. De certo não aceitaria um não como resposta. Bom. Já que ele não aceitaria a ajuda a bem, seria a mal.
Com a ajuda das unhas, Kanda fez pressão no pulso direito até fazer uma pequena ferida e o sangue escorrer. Allen olhou intrigado para o moreno que levava o pulso aos lábios lambendo o sangue, aproximando-se cada vez mais do albino.
–O que é que …
Allen nem teve tempo de falar, pois na altura teve os seus lábios selados pelos do arcanjo. Onde um fio de sangue escorreu pelo canto dos lábios. De seguida. Escuridão.
Continua …
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