Angel's Blood
7 Da Cave a Torre
Notas iniciais
Oi pessoas lindas que nos amam.
Nos demoramos mas foi porque ficamos bem tristes por na termos reviews nos ultimos capitulos.
Nao custa nada deixar a vossa opiniao certo? :(
–Como é o perdeste de vista? – Dark fitou Zero impaciente
–Ele cortou-me a garganta.
Dark olhou para a camisa lavada do vampiro e o cabelo molhado.
Deve ter sido logo a seguir a ele sair, já que tiveste tempo para te lavares.
–Pois foi. Ele não quis ser acompanhado a casa.
–Provocaste o ataque? – perguntou, calmo porque a resposta era indiferente, estava apenas a testar a lealdade de Zero
–Quis prova-lo.
Dark avançou sem avisar e com uma estalada mandou Zero para o chão de queixo partido.
–Eu disse-te que ele era especial. Estás a desafiar a minha autoridade?
Zero esperou que o queixo voltasse ao lugar para poder voltar a falar.
–As minhas desculpas. Não sabia que o sangue dele estava reservado para ti.
Com a clareza estonteante do Sossego Absoluto, Dark percebeu que Zero estava a ser sincero.
–Hei-de encontra-lo.
Era um segredo que nenhum mortal conhecia. Os vampiros como Zero, os vampiros que adquirem a capacidade de atrair os caçadores por meio do cheiro, por vezes também conseguiam trocar as voltas dos adversários.
–Que queres que eu faça? – perguntou o albino
–Arranja-me a morada da Diretora da Guilda e a de Ikuto Tsukiyomi e chama o Kanda.
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Os grilhões magoavam os pulsos da loira. Se não fosse pela claridade vinda da tocha do outro lado das grades não saberia distinguir onde estava. A luz era fraca, mas suficiente para Layna perceber que se encontrava dentro de uma espécie de masmorra medieval. Os grilhões presos no alto da sua cabeça eram desconfortáveis e obrigavam-na a ficar de pé. No chão estavam todos os ganchos de cabelo partidos que a jovem loira usara para tentar abri-los.
–Mas que merda!
A porta da sua cela abriu-se, dando entrada ao anjo de cabelos negros e olhos azul-marinho. Drago trazia uma bandeja de medeira com um prato tapado e uma lata de coca-cola zero ao lado.
O anjo sorriu doce para a jovem.
–Com fome?
–Não fales comigo. – disse a jovem áspera
Drago ignorou o tom de voz dela, colocando a bandeja sobre a mesa e destapando o prato.
–Ravioli recheado com queijo e fiambre e encharcado em molho de tomate. – ele sorriu ao ver os olhos da jovem brilhar – Shiki disse que é o teu prato favorito antes de … bem, tu viste como ele está.
Silencio.
Drago suspirou.
–Layna. Eu não te vou magoar. Confia em mim.
Os olhos de Layna cruzaram-se com os de Drago. Azul do céu com o azul do oceano. Cores tao diferentes e ao mesmo tempo tao semelhantes.
–Vou tirar-te daqui quando as coisas acalmarem um pouco.
Os olhos do moreno transmitiam uma certa sinceridade que levou Layna a acreditar neles. Mas …
–E quando será isso? Quando os meus irmãos estiverem mortos?
A pergunta surpreendeu o anjo de asas escuras. Não admirava que ela e o gémeo fossem dos melhores caçadores da Guilda. Ela era esperta.
–Prometi ao Shiki que te protegia. A ti, ao Akira e ao Link. Mas vi que o Link já esta sob as asas do Dark e, mesmo estando a ser controlado, sei que o Shiki nunca feriria o Akira.
–Tens muita confiança nesses dois. – a loira virou o rosto – Não gosto do Dark. Ele enganou o meu irmão.
Drago riu.
–Tu sabes qual o significado daquela rosa?
A loira fez que não com a cabeça.
–Bem … acho que o assunto também não é nosso. – rui – Mas quando ele descobrir vai ficar em choque. Bem que o meu … digo, o Dark, é muito mau com palavras e o teu irmão tem dificuldade em acreditar nos sentimentos das pessoas depois do que aconteceu com a vossa mãe.
Os olhos de Layna estreitaram-se.
–Pareces saber muito sobre nós.
Drago sorriu levando o prato ate a loira e retirando os grilhões dos pulsos dela com um “isto deve estar desconfortável”. A loira praticamente caiu de joelhos no chão pelas horas na posição desconfortável e, com os olhos postos no moreno, pôs-se a devorar a comida. Realmente aquele ravioli com tomate era …
–Delicioso.
O moreno sorriu.
–Obrigado. Acreditas que foi a minha primeira vez a fazer ravioli? – ele riu ao ver a cara de espanto de Layna – Não me olhes assim. Não coloquei veneno ou outra coisa parecida na comida. – disse o moreno comendo uma garfada de ravioli
–Porque estas a fazer isto?
A voz da loira era calma, como se não temesse o anjo a sua frente. Um sorriso iluminou o rosto de Drago, mostrando os dentes brancos e bem alinhados.
–Deixa-me contar-te uma historia …
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Link compôs a palavra «esconder» e depois esperou enquanto Allen pensava.
–Quero ir la pra cima. Gostava que fosse ainda este seculo, Al.
–Tem paciência.
O albino estava completamente imóvel, mas não por uma questão de auto disciplina. Allen perdeu a sensibilidade dos ombros para baixo quando ainda era um adolescente. Um acidente que resultou num braço e olho um pouco invulgares. Nunca ninguém soube o que fazia o seu braço, mas, segundo ele, o seu olho conseguia ver aqueles que eram vampiros ou não. Se o assidente não tivesse acontecido, provavelmente, ele seria um grande caçador.
Em vez disso, para alem das suas funções de director da Cave, ele era os olhos e os ouvidos da Guilda num mundo interligado, sentado na sua cadeira de rodas de alta tecnologia já com internet sem fios. Geralmente ele sabia o que as pessoas na Guilda pensavam antes de elas o dizerem.
Murmurou qualquer coisa entre dentes e no circuito do computador as letras deslocaram-se para formar «casa».
–E agora Link?
Era obvio que ele não se referia ao jogo. Link bateu com os dedos na mesa.
–Preciso de falar com a Zelda e os meus irmãos.
–Pelas ordens que recebi, estás em blackout.
–Então fala tu com eles. Diz-lhes que estão em perigo. Toda a gente sabe que a Zelda é a única pessoa que pode dizer onde eu estou. Para alem disso estou preocupado. E se decidirem usar os meus irmãos para me levar la pra cima?
Allen usou o comando de voz para abrir a porta por onde o loiro entrara.
–Sai. Eu faço a chamada e depois voltas a entrar.
Link não estava para aturar as criancices dele.
–Eu não roubo os códigos!
–Sai, ou eu não faço nada.
O loiro afastou-se da mesa com o monitor onde era mostrado o tabuleiro do jogo e saiu a passos rápidos.
–Despacha-te. – a porta fechou-se atras dele
Sentado no chão, encostado a porta, Link nem se lembrou que Ikuto também podia estar em perigo. Não estava habituado a pensar nele como alguém vulnerável. tal como não costumava preocupar-se tanto com Zelda antes de ela ter o bebé. Zelda sabia tomar conta de si própria e alem disso o marido, Kaname, era um filho da mãe letal. Mas Alan era tao pequenino.
A porta atras dele abriu-se.
–A Zelda quer falar contigo. – Allen parecia contrariado
Entrou e viu-o amuado na cabina as escuras, o que significava que Zelda não queria que ele ouvisse a conversa. Link estremeceu. Quando Allen amuava a vida na Cave tornava-se muito desconfortável como mudanças de temperatura, cheiros esquisitos no ar, comida com gosto a serradura. Uma vez fora obrigado a passar la um tortuoso mês inteiro depois de Allen ter discutido com Zelda. Um verdadeiro inferno. Mas o amuo de Allen não era nada comparado ao risco que Zelda corria.
Link pegou no velho telefone. Um modelo muito antigo a prova de piratas informáticos.
–Zelda, tens de vir para aqui com a tua família.
–A directora da Guilda não via as costas aos problemas ou se esconde. – Zelda falou num tom duro revelando a espinha de aço que a levou a subir a um cargo pejado de testosterona
–Não sejas parva! – Link fechou a mão com tanta força que as unhas ficaram marcadas na palma da mão – Zero não é nenhum bebé. É o chefe de segurança do Dark.
–E há outro assunto que temos de esclarecer meu menino … que desentendimento foi esse que tiveste com o Dark?
Link sentiu a sua alma gelar.
–Porquê?
–Porque quando voltei ao escritório havia uma mensagem nova a minha espera. Ele anda a tua procura, Link.
–Eu falo com …
–Não te chegues ao pé dele de maneira nenhuma. Ainda não ouviste a mensagem. Se a lamina mais perigosa do mundo falasse, aquela era a mensagem que ela transmitiria.
Link praguejou entre dentes. O que teria acontecido entre a altura em que ele deixara a Torre e a chegada da mensagem? O arcanjo deixara-o sair sem nenhuma dificuldade. Porque razão andaria o arcanjo atras dele agora?
–Tens a certeza que ele esta assim tao furioso?
–Eu não diria furioso. Letal é um termo mais apropriado. – havia preocupação na voz da directora – O que é que tu fizeste para deixar o arcanjo tao lixado?
–Bati-lhe.
Zelda respirou fundo.
–Bateste num arcanjo?
Link reconheceu a sensação de perigo que irradiara do moreno como uma espécie de calor.
–Ele é que teve a culpa. Por isso, ele que pense no assunto e depois se acalme.
–Os arcanjos não são propriamente mestres a pedir desculpas. – a sarcasmo era evidente em cada palavra que saia pela boca da mulher – Não importa o que é que ele fez, tu sabes que tens de ceder ou morres.
–Não cedo perante ninguém. Tu sabes isso muito bem.
–Claro que sei seu casmurro. Estava só a ver se te convencia.
–De que estou tramado?
–E bem tramado.
–E por isso é que eu quero convencer-te.
–De quê?
–Tens de levar o Alan e o Kaname para um lugar seguro. Se o Dark anda atras de mim vai querer saber onde é que eu estou através de ti ou da tua família. Não permito que o meu orgulho ponha a tua família em perigo. Vou telefonar-lhe …
–Cala-te. Vou levar Alan para um local seguro. Eu e o Kaname sabemos como cuidar nós.
–Desculpa Zelda.
–Achas mesmo que eu iria deixar que vendesses a tua alma com tanta facilidade? – e desligou
Link sentiu-se pessimamente. Zelda era a sua melhor amiga, mas sabia que seria perdoado. E Zelda zangada significava Zelda em acção. Quando estava a largar o auscultador parou. Um olhar breve bastou para ver que Allen estava de costas para ele. Aproveitou a oportunidade para desligar o telefone com o dedo e marcar rapidamente um numero bem conhecido.
«Despacha-te.» murmurou em voz baixa enquanto o telefone tocava do outro lado
–Fala o A …
–Akira, fala o Link. – o loiro interrompeu o irmão mais velho
–Link?
–Sim sou eu. – dos olhos do loiro escorriam lagrimas de alivio ao notar que o irmão se encontrava bem
–O que se passou Link? – a voz de Akira era preocupada, como não podia deixar de ser vinda de um irmão mais velho
–Como assim?
–Não te faças de desentendido Link. Os vampiros na cidade andam loucos a tua procura. Zero anda a tua procura. E sabes a melhor? Ele anda a tua procura a mando do patrão dele.
–O quê!?
–Dizem por ai que Dark gelou.
Link não sabia o que aquilo queria dizer. Tanto Zelda como Akira falavam que Dark estava mais perigoso. Será que a culpa disso era de Link? Não. Link não iria culpar-se pelo comportamento actual de Dark. Podia? Porque é que Link sentia o coração na garganta? Preocupação? Mas … com Dark?
–Obrigado pelo aviso.
–Só mais uma coisa … — Akira suspirou – Sabes onde esta a Lay?
O coração de Link falhou uma batida. A irmã não estava em casa? Será que … Dark?
–Eu liguei-lhe hoje de manha … — a sua voz estava falha – Ela disse para te dizer que encontrou o que procuravam.
Desta vez foi Akira que se calou por alguns segundos.
–Shiki. – o nome saiu num sussurro quase inaudível, tanto que Link não percebeu o que o irmão dissera
–O quê?
–Nada. Tenho de ir. – desligou
Allen saiu da sua cabine, dirigindo-se aos seus computadores. Link pensou que ele iria explodir quando ele visse a chamada não autorizada, mas ele apenas se limitou a suspirar e a sacudir a cabeça antes de se voltar para ele.
–Entendes não é?
–Sim. Ainda bem que eles ficaram contigo. Se eles fossem como o resto da tua família não valia a pena. Eles rejeitaram-vos porque vocês não se encaixavam. – Allen franziu os lábios – Acredita, sei do que estou a falar.
A família do albino tinha-o internado logo depois do acidente.
–Eu sei.
Link sabia que Allen tinha sofrido muito na sua família mas não sabia o que dizer para lhe responder, portanto saiu. Mas aquelas palavras enterravam-se no seu crânio, cada vez mais profundamente. Ele sabia que a família do lado do seu pai o odiava a ele e aos irmãos. Mas mesmo assim as palavras eram dolorosas. Cruéis.
–Ei, Link!
O loiro virou a cabeça e viu outro caçador a porta de um dos quartos de dormir. Alto, musculado, cabelos loiros espetados, grandes olhos azuis e uma pequena cicatriz no rosto. Sting era um grande caçador detetor. Era também completamente louco. Por isso é que ele e Layna se davam tao bem.
–Ola. – respondeu, satisfeito por poder pensar noutras coisas, nem que fosse por um instante – Pensei que andasses pela Europa.
–Já fui e já vim. Voltei a dias, mas só agora vim para a sede.
–Já estavas ca quando telefonaste a Zelda?
Sting fez que sim com a cabeça.
–Houve uma reviravolta inesperada na caçada. Rogue quis voltar.
–Rogue? Tu estavas com ele?
O loiro maior corou levemente ao sentir que tinha falado demais. Mas será que ele conseguia esconder algo dos amigos? Não, não conseguia.
–Digamos que … a minha caçada terminou duas semanas depois de começar.
Link arregalou os olhos. Duas semanas depois e começar? Mas iam fazer dois anos que Sting andava naquela caçada.
–Ao inicio não me senti bem porque … bem, ele é um arcanjo. – o maior sentou-se no chão com as costas encostadas a parede, convidando Link a fazer o mesmo – Quando o vês pela primeira vez parece ate que … ele parece uma criança mimada que tem tudo o que quer quando quer. – Sting sorriu, um sorriso doce que raramente era visto no rosto do loiro – Mas … Eu amo aquele arcanjo e sei que ele também me ama.
–Como sabes isso? Ele pode estar só a brincar com os teus sentimentos? – Link não sabia se ele falava de Sting ou dele mesmo
Sting riu.
–Parece que não sou o único que caiu no charme de um arcanjo. Sabes Link, segundo o que Rogue me disse, os arcanjos são ensinado desde que nascem a esconder os seus sentimentos. Mas que quando se declara é a serio. – ele suspirou alto olhando para o teto com um olhar distante – Lembro-me de quando ele mo disse pela primeira vez … como é que pode existir alguém tao fofo neste mundo?
Sting riu mexendo em algo dentro do casaco, tirando de la uma flor, mas não uma qualquer. Era um lírio feito a partir de uma única pedra de uma cor meio vermelho meio rosa. Topázio imperial.
–Vês isto? É o meu anel de noivado. Os anjos têm uma tradição estranha que nem nós humanos imaginamos que existe. Eles não têm anéis de noivado. Em vez disso eles dão isto. Uma jóia que eles próprios fazem. Se bem que ainda me pergunto porque é que ele escolheu o lírio para mim.
Sting riu da sua própria piada sem piada não notando o rosto de surpresa de Link. Ele não podia acreditar. Naquela noite … Dark fora sincero.
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Akira desligou o telemóvel antes que o irmão mais novo perguntasse algo mais. Ele sabia que Layna se referia a Shiki. O seu Shiki. Seu arcanjo. Ele já sabia o que tinha de fazer. Mas para isso precisava da ajuda de alguém.
Com um sorriso, Akira guardou a pequena corrente no bolso e seguiu para o ultimo lugar onde a irmã fora vista. Se a encontrasse, encontraria o seu arcanjo de asas vermelhas.
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De pé a porta da casa nos subúrbios de Tokio, Dark aplaudia mentalmente inteligência da directora da Guilda. A mulher tinha deixado o prédio de época perfeitamente restaurado onde vivia para se instalar naquela casinha de madeira rodeada por outros edifícios semelhantes. Parecia uma casinha invulgar mas era uma verdadeira fortaleza.
O quintal a sua frente, aparentemente igual aos outros, dispunha de sensores provavelmente ligados a armadilhas que se accionavam no interior da casa.
Se ele não tivesse acabado de entrar no Sossego talvez ficasse impressionado. A segurança era notável, perfeitamente eficaz contra um vampiro de alto nível, mas talvez não a um ao nível de Zero. No entanto, ate Zero precisaria de se desviar das armas. Dark, por sua vez, nem sequer precisava de por os pés dentro de casa.
Mas devias. uma voz soou dentro da sua cabeça, uma voz muito familiar Devias ensinar-lhes uma lição. Ensina-lhes que ninguém pode desafiar um arcanjo de forma imprudente.
Ele conhecia a voz uma voz melodiosa com um tom mortal.
Sem nem perceber, já estava dentro da casa da directora.
Mata-lhe o filho. Murmurou a voz Mata-lhe o filho em frente dela. Em frente de Link.
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Um despertador desatou aos berros junto a cama de Link, resgatando-o de um sono agitado. Já completamente vestido, levantou-se e desatou a correr. Allen esperava por ele.
–Despacha-te! É o telefone! Zelda!
Nem esperou que Allen saísse da frente, saltou por cima da cadeira de rodas do albino e encostou o auscultador ao ouvido.
–Zelda?
–Foge Link! Foge! – segredou Zelda, havia lagrimas na sua voz
O frio imobilizou as pernas do loiro. Não reagiu.
–Alan?
–Ótimo. – soluçou Zelda – Não estava aqui. Oh, Link, ele sabe onde tu estas.
–Como? O que é que ele te fez?
Só quando os seus dedos se fecharam em torno de um cabo é que Link reparou que tinha uma faca na mão.
–Como? – seguiram-se gargalhadas histéricas – Eu disse-lhe.
O choque imobilizou-o.
–Oh, Link, ele voou ate a janela e olhou para mim. Mandou-me abrir a janela e eu nem hesitei! Eu não hesitei! – foi quase como um grito – Depois ele perguntou-me onde é que tu estavas e eu disse-lhe! Porquê, Link? Porque lhe fui responder?
A respiração de Link acelerou.
–Não faz mal, Zelda.
–Claro que faz mal! Denunciei o meu melhor amigo! Não te atrevas a dizer que não faz mal!
–Controlo mental. Ele brinca connosco como se fossemos brinquedos. – se bem que Link já sabia que com ele não tinha brincado – Não podias fazer nada.
–Link, havia algo seriamente estranho com ele.
–Que queres dizer com isso? Ele … fez alguma coisa?
No seu interior, Link desejava que Dark não tivesse feito nada de mau.
–Não. Ele não falou no Alan, nem o ameaçou. Mas também não era preciso não é? Ele podia fazer o que quisesse com a minha mente. – Zelda suspirou – Bem. tens de te por a milhas. Ele vai a caminho e no estado em que esta é bem capaz de destruir toda a Guilda só para te encontrar. Ele conhece todos os códigos, eu dei-lhos. Eu mandei ao Allen que mudasse os códigos, mas não acho que isso o vá deter. Ele quer-te a ti.
–Estou aqui e vou deixar uma mensagem para ele ter a certeza que me ausentei e não vem chatear o Allen.
–Vai para o Cofre Azul.
O Azul er uma camioneta que tinha a capacidade de passar despercebida pelo meio do transito, dando sumiço ao condutor.
–É isso mesmo que vou fazer. – Link mentiu – Obrigado.
–Obrigado pelo quê? – perguntou logo Zelda – Mas uma coisa é certa, não estava normal. Falei com ele ao telefone e sabes como eu sou com as vozes. A dele estava diferente. Monótona. Monocórdica … Fria. Não furiosa ou algo do género. Apenas fria.
Porque toda a gente insistia em usar aquela palavra? Dark podia ser muitas coisas, mas nunca lhe pareceu frio. No entanto, Link não tinha tempo a perder com pormenores.
–Vou sair então. Volto quando puder. E não te preocupes … aconteça o que acontecer ele não me matará. Precisa de mim para encontrar o que ele quer. «Alem disso, agora acredito que ele me ama.» – pensou
Desligou antes que Zelda se apercebesse de que havia coisas piores que a morte. Entre elas, gritar, gritar, gritar, ate ficar sem voz.
Códigos novos. Havia um papel em cima do tabuleiro da impressora.
–Usa-os para sair. Eu volto a muda-los assim que sairés do elevador.
–Obrigado Allen.
–Espera.
Allen conduziu a sua cadeira a um pequeno armário ao canto da sala. Link não sabia tanto quanto ele, mas de repente o armário abriu-se.
–Toma.
Link pegou na arma pequena e esguia.
–Não serve muito contra um arcanjo, mas agradeço.
–Não dispares contra o corpo dele. – recomendou Allen – Estas partes redondas rasgam as asas dos anjos.
Não! Só de pensar em destruir a incrível beleza daquelas asas sentiu uma dor no coração.
–Elas voltam a crescer. Regeneram-se. – disse Link para consigo
–Leva tempo. E segundo os nossos registos, são o que um anjo leva mais tempo a sarar. Vai ficar incapacitado o tempo suficiente para te safares. A não ser … — havia medo no seu tom de voz – Ouvi o que disseste sobre controlo mental. Se ele conseguir fazer isso á distancia, não sei se existe alguma coisa que te ajude.
Link colocou a arma a cintura assim que se certificou de que ela estava trancada.
–Assim que sairés tranco tudo e vou para o meu abrigo. – disse o albino apontando com o queixo para o compartimento secreto atras da parede – Tem cuidado Link. Olha que ainda temos de acabar o nosso jogo.
Link baixou-se e abraçou Allen.
–Dou-te uma palmada nesse rabo esquelético quando voltar. – para já tinha que se manter vivo … e inteiro.
Link percorreu o caminho para o cofre Azul com determinação. Não ia esconder-se. Isso só traria mais problemas as pessoas que gostava … e aquele que amava. De modo a que fez a única coisa que podia fazer para garantir a segurança deles.
Foi para casa.
E ficou a espera de arma na mão.
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A noite estava fria, fria ao ponto de fazer com que Akira fechasse o fecho do seu casaco. O armazém onde estivera não estava nada bonito de se ver. Tivera de sair dali ou então não conseguiria controlar a sua sede. Afinal, ele ainda era um vampiro.
Mas, como vampiro, ele também tinha instintos mais aguçados e certos poderes que nem os humanos imaginavam. Não, ele não conseguia seguir Shiki pelo cheiro. A sua maior habilidade eram os seus olhos.
Ele podia ver o rasto do cheiro de um grande numero de vários tipos de sangue como um rasto vermelho escuro. Ele não sentia os cheiros do sangue, dos outros vampiros ou dos humanos. Ele não cheirava os cheiros, ele via os cheiros. Ele descrevia os cheiros como os traços de um pincel no ar.
No momento, ele apenas seguia o cheiro de duas pessoas. O da sua irmã e o do seu amado arcanjo. Mas havia algo ali que não encaixava bem. o cheiro dos dois era acompanhado por um outro desconhecido.
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A julgar pelo relógio, Link estava a olhar para a Torre a cerca de uma hora. Talvez a localização escolhida não fosse tao obvia como ele pensara. Mas esses pensamentos logo findaram. Endireitou-se e olhou para a janela a sua frente. O seu estomago contraiu-se.
Fitando a vasta extensão dourada de Dark, que pairava sem esforço la fora, Link manteve uma pose dura. Ele precisava de saber se o que diziam sobre Dark era verdade.
–Não te vou deixar entrar.
Posso entrar quando quiser.
Link ficou gelado com a clareza cristalina do tom dele.
–Eu avisei-te. Nada de brincadeiras com a minha cabeça.
Porquê?
O arrepio provocado por aquelas palavras atravessou-o de uma maneira única. Era mesmo verdade. Havia algo de muito errado com Dark.
–O que se passa contigo?
Nada. Estou no Sossego.
–Mas que raio quer isso dizer? – os olhos de Link tinham um certo brilho característico da acumulação de lagrimas nos olhos – Porque tens os olhos tao … frios? – outro vez aquela palavra
Dark abriu as asas ainda mais, exibindo o padrão dourado e branco do lado inferior. Tao belo que o ia distraindo.
–Esperto. A manipular-me sem usar a mente.
Tinhas razão quando disseste que preciso de ti cem por cento operacional. Controlo a mais e os teus trajectos mentais ficam baralhados para sempre.
–Tretas. Podes dominar-me durante algum tempo, mas no minuto em que parares de me controlar activamente, estou livre.
Tens a certeza?
Não. Link sabia que não conseguia fugir dele. Fugir daquele que começou a amar. Mas aquele homem. Aquele homem frio, frio com a morte no olhar … ele não era o Dark arrogante por quem ele se apaixonara.
A mão dele fechou-se em torno da arma.
Tens uma arma na mão?
A mão do loiro apertou a arma com força.
–Que arma?
O cabelo negro fustigava-lhe o rosto, empurrado pelo vento, mas ele manteve a sua posição sem esforço. Aquele rosto era de uma beleza tao pura que o coração de Link acelerou. Parecia ser esculpido pelos maiores artesãos, com feições bem marcadas e tipicamente masculinas. Era sem duvida o homem mais belo que alguma vez vira em toda a sua vida.
Ou talvez o seja somente para ti.
Link estremeceu, saindo do seu estado de fascínio.
–Sejas simplesmente o quê?
Belo.
Link observou com ironia:
–Acredita, anjinho, as mulheres perdem a cabeça por tua causa.
A maioria das mulheres vê em mim crueldade e não beleza.
Nesse momento, ele partiu o vidro que os separava. Tudo aconteceu tao depressa que Link nem teve oportunidade de proteger os olhos com o braço. Quando baixou o braço, deu por si a olhar um quadrado de escuridão enquanto o vento passava no apartamento com asas suaves e sedosas.
De Dark nem sinal.
O vento soprou atras dele.
Realmente vertigens são um problema que não se põe.
Ele teria caído se as mãos fortes do arcanjo não o tivessem segurado pela cintura.
–Sacana! Pregaste-me um susto de morte.
Link virou-se tentando soltar-se, mas Dark continuou a segura-lo com os braços a volta da cintura dele.
–Juizo, Link.
O tom invulgar da voz de Dark fez soar um alarme na cabeça de Link.
–Vais deixar-me cair?
–Porque dizes isso? Não acabaste de dizer a ti próprio que …
–Sai. Da. Minha. Cabeça.
Fechando os olhos com força, reuniu toda a sua força de vontade e tentou precipitar-se na escuridão. Uma reação estupida, humana, mas antes de ser qualquer outra coisa, Link era humano.
Atras dele, Dark inspirou. Sobressaltado, Link intensificou o esforço de bloqueá-lo, mesmo com uma queda mortal em espirala a sua espera. Não desviou o olhar. Preferia encarar a morte do que deixar a sua mente ser invadida, pois isso não seria uma forma de rendição? Não se renderia sem lutar primeiro. Mudou a posição da mão que segurava a arma. Desta vez, dispararia contra as asas mas propositadamente.
–Porque estas aqui? Por que ter ferido Zero?
–Ele tinha ordens para não te tocar.
Cansado de fazer força para desviar o seu corpo, descontraiu-se e a sua cabeça ficou encostada ao peito de Dark. O moreno nem pestanejou.
–Que lhe fizeste?
–A esta hora o queixo dele já deve estar sarado.
Link suspirou.
–Ferir-me, fazer-me sangrar, é irresistível para Zero. Para ti também?
–Não.
Link percebeu que, naquele estado de espirito, Dark podia mesmo acabar com ele.
De modo que … alvejou-o. Sem pré-aviso, sem lhe dar hipótese. Virou a pistola atras de si e disparou as cegas. No segundo em que o braço do maior afrouxou, Link tombou para o lado. Podia ter caído, mas confiou nos seus reflexos e eles ajudaram-no.
Caiu em cima dos estilhaços maiores da vidraça. Não se partiram, mas Link feriu-se no rosto e nas mãos quando se agarrou ao vidro para não se despenhar na escuridão da noite. Assim que se sentiu seguro, recorreu a uma das suas acrobacias para passar por cima do vidro e ficar sentado na alcatifa.
Dark estava deitado em cima do vidro, com as costas contra a mesa de centro. Tinha os olhos fixos na asa. Link seguiu o seu olhar e ficou chocado com o que viu.
A arma cumprira a promessa de Allen. tinha quase destruído a metade inferior de uma asa. O que Allen não disse era que quando um anjo era ferido numa asa sangrava. As gotas de sangue vermelho-escuro caiam sobre os pedaços de vidro, deslizando sobre a sua superfície lisa ate atingirem a alcatifa. Link levantou-se a tremer.
–Já passa ... — murmurou o loiro tentando convencer-se a si mesmo que não o tinha ferido, mas as suas lágrimas desmentiam o que ele dizia — És imortal. Já passa.
–Porque fizeste isso?
–Estavas a torturar-me com medo, provavelmente preparavas-te para me empurrar do parapeito abaixo para depois me apanhares em pleno voo varias vezes só para teres o prazer de me ouvir gritar.
–O quê?
Dark franziu a testa sacudindo a cabeça como se quisesse desanuvia-la, depois olhou para o espaço deixado vazio pela janela.
–Sim, tens razão.
Não era exactamente a resposta que o loiro estava a espera.
–Estavas lá … porque falas como se não acreditasses?
O olhar do moreno cruzou-se novamente com o do loiro. Os olhos vermelhos do moreno voltaram a ser aquele belo par de rubis que Link tanto amava.
–No Sossego … eu mudei.
–O que é o Sossego?
Dark não respondeu.
–Vais lá com frequência?
–Não. – respondeu Dark de lábios cerrados – Estas bem? Não te magoei ... – ele olhou para as mãos e o rosto do loiro — … muito? Desculpa.
–Eu é que devia dizer isso. Agora estás normal certo?
Ele fez a pergunta enquanto corria para a cozinha a procura de toalhas e as lagrimas banhavam o seu rosto. Quando voltou, encontrou o moreno na mesma posição.
–O sangue continua a correr? Porquê?
O pânico fez a voz do loiro subir de tom.
Dark viu-o tentar estancar o sangue em vão.
–Não sei.
Link olhou para a arma que tinha deixado do outro lado da sala. A arma, os danos que causara … pegou o telefone e ligou para a Cave, os dedos sujos do sangue de Dark. A sua frente, aqueles grandes olhos vermelhos pareciam esmorecer, a cabeça inclinava-se para trás.
–Por favor. – disse, segurando-lhe o rosto com os dedos sujos de sangue e o rosto molhado de lagrimas – Reage. Não me deixes … eu … amo-te. Por favor … não entres em estado de choque.
–Sou um arcanjo. – murmurou Dark entre a sua voz arrastada, mas ainda teve forças para levar uma das mãos aos cabelos dourados de Link e sorrir – Eu também te amo.
Alguém atendeu o telefone.
–Allen?
–Link! Estás vivo!
–Allen. O que havia dentro daquelas balas?
–Eu disse-te.
–Mas foram testadas?
–Sim. Os anjos começam a sarar assim que a bala os atinge.
Link olhou para a asa partida de Dark.
–Não esta a sarar. Esta a piorar a olhos vistos.
–Impossível.
Link desligou porque era evidente que o albino não conseguia explicar nada.
–Va la Dark, diz o que queres que eu faça.
–Liga ao Zero.
Link marcou o numero da Torre do Arcanjo e instantes depois estava a falar com Zero.
–Vem ao meu apartamento.
–Não é …
–Fiz qualquer coisa a Dark. Esta a sangrar e o sangue não coagula.
Um instante de silencio.
–Ele é imortal.
–Mas o sangue é vermelho como o meu.
–Eu desfaço-te em bocados pequenos, minúsculos, se lhe fizeres algum mal. – e desligou
–Zero já vem.
–Ele é leal.
O cabelo negro caiu-lhe para a testa, dando-lhe um ar juvenil. Um esguicho de sangue, quente e espesso, atingiu a perna de Link.
–Porque raio não melhoras?
Um pouco de brilho naqueles olhos vermelhos.
–Eu apaixonei-me por ti. Tornaste-me um pouco mortal.
As lagrimas que já tinham parado voltaram a escorrer dos olhos de Link, seguindo-se de um abraço da parte do loiro.
–Não morras Dark. Eu finalmente percebi que o podia dizer sem medos. Eu amo-te. não me deixes.
Um riso fraco invadiu o ar. Dark puxou das foças que nem sabia que tinha para poder afagar os cabelos do loiro com certo carinho.
–Nunca farei isso Link. És demasiado importante para mim
Foram as ultimas palavras que ele proferiu antes de perder a consciência. Link ainda estava ao lado dele quando Zero chegou acompanhado com mais vampiros. Arrombaram a porta, não se dando ao trabalho de tocar a campainha.
–Agarrem o caçador.
Link nem tentou resistir, pois sabia que não valia a pena. Naquele instante, tudo isso era indiferente para ele.
–Ajudem-no!
Continua …
Cap. 8 – No mesmo dia …
Leiam as notas finais
Notas finais
Minna. Agora falamos a serio, nao postamos mais ate termos, no minimo tres reviews neste cap. E muito chato duas pessoas esforçarem-se para escrever capitulos grandes para voces e nao receberem reviews nao?
Desculpem se fomos mazinhas, mas isso pode fazer com que paremos de escrever a fic percebem?
Ate ao proximo cap.
Kissus baby. ;-)
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