Angel of Light
21 Vinte e Um
Notas iniciais
Era capaz de sentir que Stephen estava escondendo alguma coisa. O tinha visto com Wong, segredando, e coisas boas não poderiam vir dali. A emanação do Sanctum estava diferente, tensa, como se uma guerra ou algo assim estivesse próxima.
O dia anterior foi o primeiro que foi até o Kamar-Taj depois de tudo. Estava sozinha e ninguém parecia se importar com o fato de que ela e Stephen estavam formalmente unidos. Ou talvez só não soubessem. Se fosse a segunda opção, deveriam permanecer sem saber o real motivo por trás da boda.
Tinha pegado da estante sobre demonologia um volume que falava sobre os Divididos. Não fazia ideia do quanto havia de citações sobre eles na História, seriam necessários anos de pesquisa para encontrar todas fontes e separar as confiáveis. Era o caso de famílias inteiras dominando terras na Europa e oeste da Ásia, dinastias com todo ou algum sangue demoníaco. Eles levavam caos e destruição? Quando ouvia-se falar de tais, era natural a ideia de bem e mal passar pela mente. Um frio passou pela sua espinha e fechou a encadernação com capa de couro.
Colocou o livro dentro da gaveta do criado-mudo e trancou aquilo com uma chave de ferro.
Era estranho ver Stephen em roupas civis, que não fossem as de treino do Kamar-Taj. Ele ficava bonito em ambas.
“Não acho que deva usar uma gravata hoje, é só um churrasco de Ano Novo”, disse.
“Eu não tenho jeans, não tenho roupas apropriadas, as que mais soam com a situação são essas”, ele resmungou.
“Mesmo assim, sem gravata”, insistiu e ele retirou o ornamento vermelho. “Acha que elas me aceitarão bem?”
“Elas já aceitaram você, mais rápido do que a mim que sou irmão do pai delas”, ele riu.
Stephen desenhou um portal com o anel e depois de passarem e fechá-lo, guardou o objeto dourado no bolso da calça. Victor estava no fundo do cenário, em frente à uma churrasqueira com as meninas correndo ao redor dele. Não nevava, só fazia frio àquela altura.
Stephen manteve distância do próprio irmão, sentia como ele ainda estava se habituando a isso, a essa reaproximação tardia e via que eles estavam lutando para se reaproximarem. Se Stephen o havia procurado quando algo aconteceu, era porque sabia que a sua família sempre estaria lá para isso. Agora eles eram seus também.
Donna e Amy a chamaram de tia Wanda novamente. Mostraram as bonecas e os desenhos que haviam feito quando estavam em Iowa na casa dos avós. Elas pegaram um embrulho que estava sobre a mesa e brigaram para ver qual das duas daria o seu presente. Não deixou que aquilo continuasse e acabou pegando por si só. O embrulho estava infantil com bichinhos coloridos no papel. Dentro havia um suéter.
“Toda Strange tem um”, Victor gritou de longe quando percebeu que ficou encarando o suéter vermelho com um imenso S mostarda no meio. Viu que Glenda vestia a dela nessa noite. Vestiu a sua depois da insistência das meninas.
“Espero que consiga nos perdoar pelas fotos e coisas que mandamos para o Steph enquanto estava aqui. Ele não nos contou tudo, tudo, mas nos disse que ia ajudar você a ficar no país”, Glenda disse.
“Ele fez mais por mim em pouco tempo do que qualquer outra pessoa teria feito. Ele se arriscou por mim”, confessou. Se arriscou assim como os seus amigos haviam tomado o seu lado.
“Eu conheço o Stephen desde o colégio, ele nunca ligou para muita coisa, mas quando ele gostava de alguém, ele gostava de alguém. Então não foi difícil adivinhar que ele estava arrastando uma asinha para o seu lado, querida”, ela riu.
“Eu não havia notado isso”, assumiu.
“Ele sabe esconder bem”, Glenda acalmou. “Agora você é pare da família oficialmente! E eu tenho uma cunhada que pode acrescentar muito na vida de Steph. Ele não foi o mesmo depois da Donna. Ele foi para a cidade e virou outra pessoa, as quando ele está aqui com a gente, com você, eu vejo aquele Stephen que eu conheci há vinte anos atrás e se balançava no pneu sobre o rio com os irmãos”, a sua agora cunhada disse. “Então espero que vocês providenciem logo primos para Donna e Amy porque elas precisam ter com quem brincar”, ouviu a risada.
Viu de longe que Stephen e Victor estavam montando alguma coisa estranha no chão. Tinha formato cilíndrico e não conseguia ver algo bom ali. Tinha medo de alguém se machucar, parecia um rojão, igual aos que usavam nas festividades e Sokovia.
“Cuidado aí, os dois. E cuidado com as meninas”, Glenda gritou ao seu lado depois de desviar a atenção para ver o que os dois faziam.
Viu Victor riscar um fósforo e Stephen pegou as meninas no colo para correr pois algo ali daria errado. O rojão subiu e logo explodiu com o brilho avermelhado que não levantou muito. Aquilo tinha que levantar mais, sabia. Stephen não correu rápido o suficiente e viu uma faísca cair na testa dele e ele tropeçou, levando Donna e Amy para o chão também.
Os dois irmãos pareciam discutir. Não mais do que ela mesma e Pietro quando faziam isso no Ano Novo em Sokovia, antes dos seus pais serem mortos.
[...]
Estava sendo bastante complicado esconder coisas de Wanda. Ela seria útil, mas ainda não estava pronta para enfrentar algo como Rodrick. Não tinha lido muito sobre os Divididos e, em sua crença, achava que eles não existissem mais. Pelo menos não um tão perto assim dos seus olhos.
Ainda não sabia o que ele era capaz de fazer, mas isso era ruim. Ter alguém como ele no Kamar-Taj era perigoso e sem um Mago Supremo não poderia tomar as precauções que julgava necessárias nesse tipo de situação.
Uma queimadura leve na sua testa agora ficava vermelha. Os rojões haviam sido uma péssima ideia mesmo e por sorte não machucou Donna ou Amy. Ainda conseguiria ver as sobrinhas depois disso. Como teria filhos no futuro se tinha sido tão descuidado as meninas?
“Já passou, você não tinha como saber que daria errado. Não é como se você pudesse usar a Joia do Tempo para prever se uma formiga vai para a direita ou esquerda”, Wanda falou.
“Eu não tenho habilidade nenhuma em cuidar delas, eu caí por cima das duas”, riu.
“Você vai aprender com o tempo. E com os nossos filhos no futuro. Acho que eles vão nos ensinar muitas coisas e você não pode querer aprender tudo em um dia”, ela continuou.
“Você anda muito paciente para o meu gosto”, brincou.
“Talvez. O ímpeto não é uma coisa boa para alguém como eu”, ela retrucou, afirmando.
E mais uma vez a visão dela era tentadora demais para que pudesse ignorar. Não estava vestida de forma provocativa, o pijama de Glenda ficou até um pouco largo nela, mas era a única coisa que tinham na hora. A camisa de flanela quadriculada vermelha e a calça de moletom preta queriam dizer que ela sentiria frio durante a noite, porém, sabia que isso era uma mentira. O clima no qual ela cresceu era mais frio que o que tinham no país e ela não se incomodava com isso.
A sua parte íntima já estava quase pronta só de vê-la. Ansiando por vê-la nua. A intimidade deles já havia passado o patamar somente sexual depois do que aconteceu na banheira e Wanda estava mais do que inclinada a fazer as coisas funcionarem.
A viu se aproximar silenciosa como um felino e ficar com o corpo na frente do seu tal como estavam acostumados a fazer. A diferença de altura que tinham o fazia olhar para baixo enquanto os olhos dela encontravam os seus. Havia desejo neles, muito mais do que das outras vezes.
“Acho que pode sentir o quanto eu a quero hoje à noite”, tocou a mão de Wanda.
“Shakespeare? O teu irmão sabe que tu usas a cortina vermelha dele durante a semana?”, ouviu o gracejo dela pelo modo como tinha se referido a ela. Um pouco de norma culta nunca seria capaz de matar alguém. Levou a mão pequena dela até o volume na sua calça. O suspiro dela tinha sido curto e quase imperceptível.
“Ás vezes. Andei sabendo que a mesma cortina andou dando umas escapadinhas para os seus ombros”, piscou.
“Então ela deve gostar mesmo de mim”, Wanda falou depois de beijar a linha do seu maxilar.
As suas mãos foram guiadas por ela até onde os botões da camisa começavam na barra. Abriu o primeiro, depois o segundo, depois o terceiro, o quarto e o quinto até chegar no derradeiro sexto. O tecido quadriculado deslizou pelos ombros alvos de Wanda até cair no chão sem fazer barulho algum. Ela não vestia nenhuma outra camiseta por baixo, estava nua. Então também deveria estar nua por baixo da calça do moletom. Os seios dela estavam no lugar estava se segurando para não ataca-los de uma vez, sem apreciar todo o resto que ela tinha a oferecer.
Segurou a cintura dela e a direcionou até a escrivaninha antiga. A colocou encostada ali e encostou as duas mãos dela no móvel para que ela se apoiasse. Se ajoelhou, como em uma prece. Puxou a calça do pijama com urgência e foi até um pouco desajeitado. Segurou as pernas dela e a sentou de vez. Um pé se apoiou no seu ombro permitindo ver a intimidade rosada e quente, sedenta. Quando a sua língua tocou aqueles lábios, a mão de Wanda agarrou um pouco do seu cabelo e sentiu o seu couro cabeludo doer levemente enquanto ela gemia.
A sua boca era o que deveria proporcionar prazer nesse momento e estava tendo isso nesse pequeno momento em que esqueciam que havia perigo lá fora. Enquanto achava o que deveria achar, os seus dedos talvez dessem conta de completa-la no momento. Lentamente a penetrou com o dedo do meio à medida que a ouviu chamar alto o seu nome por ter encontrado o ponto sensível. No seu baixo-ventre, latejava por querer trocar de lugar com o seu próprio dedo.
Ela não era fácil de saciar assim, mas gostava dos gemidos dela quando fazia isso. Introduziu um segundo dedo quando apartou o seu beijo apaixonado na intimidade de Wanda. Mordiscou a barriga dela e subiu as mordidas até chegar entre os seios. A sua boca alcançou o seio direito enquanto a sua mão esquerda alcançou o respectivo. O seu apetite por ela só aumentava e queria poder fazer um bom trabalho antes de voltar para o Metro General.
Parou. Se afastou. Admirou o corpo que estava à sua frente. O corpo de uma jovem mulher. Wanda se fechou como se quisesse se esconder e aos poucos foi se retirando de cima da escrivaninha. Ela apagou a luz do abajur que estava aceso ali e deixou só a luz ambiente que ficava na tomada perto da porta. O corpo dela à meia luz se virou, ficou de costas e se inclinou lentamente para frente se apoiando nos cotovelos. Sabia o que isso significava.
Se aproximou novamente e percorreu a extensão das costas dela com os dedos. Beijou cada centímetro de pele até chegar no começo das nádegas. Ali a espalmou levemente e depois a segurou com firmeza. Com o joelho separou as pernas dela para que fosse possível entrar nela naquele ângulo. Se guiou até lá e não encontrou dificuldade. Na primeira estocada conseguiu ficar na mesma altura que ela e o ombro com pele macia estava lhe chamando para uma mordida. E como gostava de morde-la assim como ela também gostava de fazer o mesmo no seu corpo, já tinha uma marca no pescoço por causa disso.
“Eu gosto quando você faz assim”, ouviu. Não era a primeira vez que ela dizia algo assim.
“Eu também”, estocou uma. Estocou duas. Estocou três. “Você é linda de todos os jeitos, mas assim, rendida, é o melhor deles”, estocou uma. Estocou duas. Estocou três. “E é só minha”.
Todas as vezes que dizia que ela era só dele, Wanda descia uma mão para entre as suas pernas e sabia o que ela fazia ali. O seu braço esquerdo agarrou a cintura dela e começou a se forçar mais rápido, mais forte. O ambiente foi preenchido por um gemido abafado dela e sentiu quando as pernas dela amoleceram. Não parou, sabia que ela deixava porque queria ser preenchida por ele, completamente.
Todo esse preenchimento levaria aos seus gêmeos alguns anos depois, mas agora só parecia um modo de pertencer.
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