Angel of Light
41 Quarenta e Um
Notas iniciais
“Isso foi divertido. Mas chegou a hora de conversarmos de verdade”, Stephen ouviu uma voz feminina dizer antes que todas as luzes se apagassem de vez. O breu não foi completo graças às luzes de Nova York do lado de fora e o Punho de Ferro em Danny que estava aceso. Tocou a mão de Wanda e a ajudou a se levantar proferindo um feitiço simples para que o tapete sujo à sua frente sumisse.
Wanda tinha razão quando dizia que o dia estava sendo longo. Há menos de uma hora Wong o havia confrontado sobre as besteiras que fez utilizando o Olho de Agamotto, Wanda e Danny havia retornado de Long Island e sabia que era questão de tempo até que as duas realidades ligadas se interseccionassem verdadeiramente, tanto que ela conseguiu cuspir Luna Maximoff na sua realidade. Sim, este dia estava sendo tão longo que duvidava que ele fosse acabar agora.
O cheiro do ambiente ainda estava fétido em uma mistura de fossa a céu aberto, carne queimada no bisturi elétrico, sangue quente e fresco e o próprio cheiro de fogo. Não demoraria muito para que ele também passasse mal junto com a sua esposa.
“Quem está aí?”, Danny perguntou. Revirou os olhos para o garoto à medida que a claridade retornava para o ambiente.
“Em filmes de terror, quem faz as primeiras perguntas idiotas geralmente não dura muito tempo”, a voz continuou dizendo. Fechou os olhos e tentou se lembrar de onde parecia que conhecia essa voz, sabia que já a havia ouvido, mas não se lembrava de onde. Ouviu o barulho de salto alto bater no piso de madeira anunciando a chegada de quem quer que estivesse falando. “Talvez você não dure muito tempo, garoto do punho brilhante”.
Tentou segurar Danny, mas ele foi mais rápido em sair de onde estavam tecnicamente seguros já que estavam juntos e andou rapidamente até a entrada do corredor dos quartos. Tão rápido quanto Danny, percebeu quando ele não conseguiu mais dar um passo à frente notando que estava paralisado no local. Continuou ouvindo o barulho dos saltos andando, até que conseguiu ver perto da janela a silhueta de uma jovem mulher.
“Ela não está aí, Danny. Está brincando conosco”, falou.
“Muito perspicaz da sua parte perceber isso, Mestre das Artes Místicas”, ela disse. “Mas acho que agora é hora de os adultos conversarem”, assim como havia visto há não muitos minutos atrás, percebeu sombras se grudando nas pernas de Danny Rand e pelo modo como ele gritava, elas estavam tentando machucá-lo. Aos poucos o percebeu, assim como Luna, derretendo para dentro das sombras e não fazia ideia de para onde aquilo o estava levando. “Não se preocupem, isso não vai machucá-lo demais. Ele ainda vai ser capaz de acender essa coisa brilhante quando tudo acabar”.
“Quem é você?”, foi a vez de Wong perguntar.
“Bom, digamos que agora estamos entrando no momento em que perguntas como essa são permitidas”, ela riu. Quando percebeu, já não a via mais perto da janela, mas sentada na sua poltrona perto da sua biblioteca pessoal. Assim como feito com Danny, Wong também sucumbiu aos poucos às sombras que insistiam em queimá-lo e derrete-lo.
“Ai!”, resmungou. Olhou para baixo e viu a magia escarlate de Wanda emanando da mão dela que estava atada a sua. “Wanda...?”, chamou, mas ela não respondeu.
Prestando atenção em como Wanda estava no momento, se lembrou de quando a encontrou planando e em transe no Sanctum. Engoliu a seco sobre como isso se assemelhava ao que haviam passado semanas atrás. Finalmente parecia que estavam entrando num jogo maior ainda, talvez um que decidisse o que seria deles a partir de agora.
“Wanda?”, a chamou novamente e tudo o que ela conseguiu fazer foi abrir os olhos para que tivesse a confirmação de que estava acontecendo novamente. Os olhos dela estavam vermelhos, tomados por uma cor sangrenta e levemente cintilante. “Wanda...”.
“Não vai durar para sempre, mas teremos tempo para conversar, Mestre Strange”, a mulher falou.
Se virou para onde a mulher estava. Aos poucos, lembranças da voz melodiosa que havia ouvido no limbo dos sonhos de Wanda e antes disso, quando Wanda mostrou o que viu quando estava em transe. Como Wong havia dito um dia, tudo isso estava fazendo sentindo de um jeito muito estranho.
“O que é você?”, perguntou ainda de longe. Era uma mulher baixa, caucasiana, de grossos cabelos escuros presos em um rabo de cavalo e olhos azuis bastante expressivos, do mesmo tom de safiras. Ela vestia um vestido preto elegante e esvoaçante nas saias.
“Acho que agora estamos começando a nos entender”, ela riu um pouco. “Percebi que você gosta de chá camomila, que tal tomarmos um chá agora? Ela está bem, não precisa se preocupar. Assim como o meu filho fez com você, eu dei a ela um pouco de conforto”.
“Dividida?”, perguntou duvidoso.
“Eu preferiria Sua Alteza Real, Princesa Illyana, então o que você disse não chega a se aproximar de quem eu sou. Venha antes que o chá esfrie”, ela movimentou a mão direita e sentiu uma queimação nas suas pernas. Gritou em dor ao mesmo passo que as sombras que ela conjurou agora o derrubaram no chão e bateu o nariz no piso, sentindo o cheiro de sangue com o impacto. Pela dor, com certeza havia saído do lugar. Respirava ofegantemente e não demorou muito para que o seu corpo deslizasse até onde a mulher estava sentada batendo em uma mesinha e deixando uma urna funerária cair, sendo despedaçada no chão e deixando somente as cinzas no lugar. “Sente-se comigo, Stephen Strange, isso está levando mais tempo do que temos disponível”.
Com um movimento da mão esquerda, a mulher agora intitulada Illyana colocou o seu nariz no lugar e gritou mediante a dor que isso lhe causou. Desorientado, demorou a encontrar forças para se levantar do piso de madeira; deslizou em algo viscoso e o odor que aquilo emanava não estava lhe dando sossego. Se ajoelhou no chão e se apoiou na poltrona e aos poucos conseguiu erguer o seu corpo para que fizesse o que lhe era ordenado.
“Viu? Coisas boas acontecem quando nos esforçamos só um pouquinho”, ela gesticulou e sorriu.
“Você...”, engoliu um pouco de bile que teimava em subir pela sua garganta. “Você fez... tudo isso soz-sozinha?”.
“Confesso que deu um pouco de trabalho, mas pode se dizer que sim. E me orgulho do meu trabalho quase bem feito. Se o mago bobão não tivesse metido o bedelho aonde não foi chamado, teria sido concluído com classe”, ela se serviu de chá e depois serviu a sua caneca também. Ouviu um barulho de algo pesado caindo no chão. Se virou lentamente para trás e viu Wanda agora sentada no chão, com as costas apoiadas em uma cristaleira, sentiu algo no estômago quando a viu espasmar os ombros. “Ela está bem, Mestre Strange, mantenha o foco em mim”, violentamente, a mulher usou a magia que ela mesma dispunha para fazer com que voltasse a sua posição inicial. “Hoje você não usará magia, nós só vamos conversar”.
“O que... você quer?”, perguntou ainda ofegante.
“Eu já disse... conversar com você, precisamos disso”, ela insistiu.
“Poderia ter feito isso... sem mexer... com as estruturas do multiverso?”.
“E tirar toda a graça do trabalho que fizemos juntos? Francamente, homem, você deveria ficar feliz em saber que a sua esposa conheceu outras coisas além de você”, ela bebericou o chá.
“O... o que quer dizer... com isso?”, perguntou.
“Oh, você não sabe? A realidade em que Luna Maximoff está inserida não foi a única que você criou. Você fez um trabalho bastante eficiente sozinho, eu praticamente não precisei fazer muita coisa, mas o pouco que fiz foi bem chatinho apesar de refinado”, ela concordou. “Você parece surpreso. Não é esta a beleza de um multiverso? Posso mostrar a você”, sentiu a mulher tocando o seu rosto e sentindo uma cabeçada na sua testa, para então logo tudo começar a girar.
Se viu dentro de um apartamento minúsculo, reconhecia que o local tinha o toque de Wanda justamente pelas pequenas coisas que sabia que eram dela naquele lugar. Ouviu vozes e não demorou muito para que a visse na cozinha, fazendo chocolate quente ao lado de Cassie Lang. Scott Lang estava sentado à mesa da cozinha com um par de óculos de proteção no rosto soldando alguma placa eletrônica, rindo de algo que Cassie disse. Ouviu quando ele chamou Wanda de querida e o viu se levantar e beija-la nos lábios na frente da garotinha. Talvez essa fosse a casa deles, um lugar que tinham para eles juntos como uma pequena família.
Quando a cena se foi, se percebeu transportado para uma casa pequena e de madeira, um lugar bastante rústico para o seu gosto. Uma garotinha passou correndo pela sua frente e ela subiu no sofá, olhando pela janela ao lado de Bruce Banner. Se assustou com isso e principalmente com a possibilidade de ele ter algo com ela. As formas e os objetos mudaram até se ver novamente no Sanctum, reunido de todos os Vingadores e mais alguns seres que não fazia ideia de quem seriam. A sua Wanda estava agarrada ao grandalhão asgardiano Deus do Trovão.
“Nós estamos só começando, Mestre das Artes Místicas”, Illyana disse.
Estava em um corredor agora, o corredor da ala de quartos do seu próprio Sanctum. A porta ao seu lado estava entreaberta e olhou pela fresta rapidamente, viu Wanda sentada no colo de Tony Stark, o Homem de Ferro, com ele a agarrando pelas nádegas e grunhindo como um animal se saciando com um tapa estalado que com certeza deixaria uma marca generosa depois. Engoliu a seco quando ele se levantou devagar e abocanhou um dos seios dela fazendo-a gemer mais ainda, uma mão ainda estava segurando-a no lugar pela parte traseira enquanto a outra a segurava pelos cabelos compridos. Aquela provavelmente era a casa deles em algum lugar do multiverso, então o ouviu dizer que queria gozar dentro dela até que ela dissesse que estava cheia. Achou bastante vulgar. E reconhecia o seu próprio quarto naquele espaço que ocupavam.
“O que você fez?”, perguntou ofegante enquanto voltava a si.
“Ah, eu não fiz quase nada. Foi você quem ficou a parte mais pesada, eu só me aproveitei. Você faz ideia de quantas realidades conseguiu modificar?”, ouviu a mulher dizer. Engoliu novamente a bile que estava subindo à sua garganta. “Foram milhões delas apesar de algumas mais sutis que outras. E isso me ajudou muito, claro, só que foi difícil escolher só uma para brincar”.
A sua cabeça doía agora, resultado das pancadas seguidas e se considerava com sorte por não ter acontecida nada de muito ruim ainda. “Eu meio que desconfiei”.
“Realidades são frágeis, Mestre Strange, você melhor que ninguém deveria saber disso já que é o guardião de uma Joia do Infinito”, Illyana se serviu de mais chá e mordiscou um biscoito de açúcar. “Isso é realmente muito bom!”.
“Foi a Wanda que fez, ela gosta de doces”, retrucou. “Por que você está fazendo isso?”, perguntou olhando reagindo com nojo à calmaria mascarada da mulher à sua frente.
“Ele não era o meu único filho, Mestre das Artes Místicas, mas foi o único que eu realmente precisei abandonar”, ela falou.
“Você é Illyana, a Bela”, agora, finalmente, as coisas estavam às claras. Também havia encontrado coisas escritas sobre ela no diário de estudos de Wanda. Illyana, a Bela, era filha de Lúcifer e Princesa Regente da Dimensão Abissal. Todas as dimensões possuíam um Mago Supremo e o irmão dela, Droy, era o Mago Supremo da dimensão deles. Sabia que muitos deles andavam à luz do dia se passando por humanos, mas nunca imaginou que encontraria a própria diante dos seus olhos.
A Dimensão Abissal era parecida com uma dimensão infernal clássica de concepção judaico-cristã: havia fogo, havia danação eterna, havia tortura, havia sangue e também era verdadeira a história de que Dante Alighieri havia feito uma visita de cortesia para poder escrever a sua Divina Comédia. Estava mais próxima de realmente ser um inferno do que o que estudou até hoje.
“Me chamam de Bela por terem medo de proferir o que eu costumo fazer com os que chegam até mim. Nós precisamos conversar”, ela continuou insistindo. “Rodrick Errol-Wing era meu filho e a sua esposa o matou mesmo isso sendo impossível”.
Se lembrava de como era a descrição feita por Coucla no livro escrito sobre os Divididos e como ele desconfiava de que houvesse um bastardo dentro da Casa Real Infernal. Teve a sua confirmação com a própria Illyana lhe dizendo que Coucla estava certo. “Eu não sei... o que aconteceu com Rodrick... Wanda nunca falou”.
“Eu não acredito em você”, ela ergueu as sobrancelhas. “Em nenhuma palavra que sai da sua boca mentirosa ou da cabeça daquela garota maluca”.
“Se Rodrick morreu...”, engoliu a saliva que se formava na sua boca. “A alma dele deveria estar... descansando com vocês... no Abismo”.
“Rodrick nunca chegou a Cocite, a sua esposa mirim o matou. Ela conseguiu oblitera-lo da existência para sempre”, Illyana se levantou da poltrona e se aboletou ao seu lado. Sentiu o perfume de fogo que ela exalava, assim como todos os habitantes da Dimensão Abissal, seguido de uma respiração quente no seu ouvido. “Rodrick pode ter sido um idiota, mas era meu filho... e não se insulta uma mãe, Stephen Vincent Strange”.
Sentiu calor subindo pelo seu corpo. Abriu a boca para gritar, mas nenhum som saía por mais que estivesse a plenos pulmões. Sentia chamas queimando a sua pele por debaixo das roupas e pela sua visão percebeu um vapor escuro subir. Querida, a capa, também se incomodava com isso apesar de estar tentando conter o que se passava no seu corpo.
“Scott Lang. Bruce Banner. Anthony Stark. Thor Odinson. Samuel Wilson. Daniel Rand. Um agente da S.H.I.E.L.D. que não me recordo o nome, até o sintozóide esquisito duas vezes. Você mexeu tanto com a realidade usando essa Joia do Infinito para benefício próprio que acabou por reescrever estruturas que nem pensava que poderiam existir. Nisso você e o meu filho são muito parecidos”, a ouviu fungar como se estivesse chorando. “A sua realidade foi a que deu origem a todas as que vieram depois do dia 26 de dezembro de 2016 mesmo que esta data seja irrelevante para tudo o que o consome agora”.
Continuou sentindo as chamas que o estava cozinhando dentro das vestes. Illyana se distanciou e caminhou para trás fazendo com que a poltrona que estava sentado girasse de modo que conseguisse ver para onde ela estava indo. Ela o olhou nos olhos quando se virou lentamente e piscou. A viu se aproximar de Wanda, endireitando a cabeça que estava levemente tombada para o ombro esquerdo. Os dedos compridos e delicados da criatura infernal tocaram o rosto da sua esposa e Wanda abriu um pouco os lábios como se quisesse dizer algo. Estava próximo de algo acontecer, sentia isso no seu coração. Ela alisou o rosto de Wanda e começou a falar.
“Eu tinha a aparência de uma garota como ela quando Eddie e eu nos conhecemos, eu me apresentei bonita desse jeito. Eu me passei por uma cortesã quando subi, ele... adorava um rabo de saia, você não faz ideia. Errolwing, tudo junto, e depois ele colocou um maldito hífen para modernizar o nome, como se tivesse pai e mãe vivos, inclusive acrescentou um c em Rodrick. Eu dei à luz a ele deitada no chão da varanda da torre mais alta de um castelo à beira-mar na Escócia. Ele batizou o nosso filho de Rodrik, O Nascido Nas Rochas. Um filho bastardo não era algo tão ameaçador naquela época.
“Eddie tinha um punhal bonito, presente do meu pai, de um rei para um rei. Ele abriria a própria garganta e quando descesse, arranjos poderiam ser feitos para que ele ficasse comigo em Cocite quando chegasse o momento certo. Mas o tempo passou e ele ficou aqui porque a esposa finalmente engravidou, e as leis eram claras quanto a permanência de Rodrick no Abismo, ele era um Dividido. Eu poderia ter uma dúzia de bastardos e ninguém se importaria com eles contanto que não fossem Divididos. E quando o meio-irmão do meu filho nasceu, ele decidiu que não viria mais comigo e disse que Rodrick continuaria a ser criado com o filho legítimo dele. Eu deixei o meu próprio filho aqui e retornei para casa, coisa que já haviam acontecido algumas vezes.
“Droy teve o trabalho de observar o que o bunda-mole do meu filho fazia e confesso que fiquei bastante surpresa quando ele sumiu e depois se juntou a ordem que vocês servem já que isso era melhor do que ver o mundo mudar sem acontecer nada. Deveria ser dado a eles o direito de morrer. Morrer, nunca mais existir, ainda era melhor do que toda uma existência esperando um fim que nunca chegava. E depois ele roubou aquela porcaria de rede de cabelos, não dá para não culpar o que se passou na cabeça dele”.
Olhou diretamente para Illyana e a viu continuar a acariciar Wanda. Ouviu uma canção de ninar ser proferida pelos lábios dela. Não demorou muito para a vitrola começasse a tocar sozinha a mesma música. Sentia o pavor tomar de conta do corpo pois sabia que nada de bom viria da conversa que estavam tendo. Nada de bom aconteceria hoje.
“Eu escolhi Luna Maximoff para me receber quando fosse a hora. Nada mais poético do que uma irmã tirando a vida da outra, graças ao meu pai isso aconteceu uma primeira vez e depois continuou se repetindo”.
Percebeu que havia sangue no chão, muito sangue, como se alguém já tivesse sido morto ou seriamente machucado, daí concluiu que era em sangue no que havia escorregado. Na direção que olhava, Illyana encarava Wanda com curiosidade, como se estivesse decorando as feições dela para que não se esquecesse desse momento jamais. Agora sabia que ela estava com muita raiva, conseguia sentir a ira crescendo no ambiente com o fogo esquentando mais ainda o seu corpo. Estava cansado e respirou ofegante, não estava mais aguentando isso. O corpo de Wanda deitado no chão que batia com a trilha de sangue que havia encontrado. O odor ainda lhe era insuportável, um cheiro parecido com carne crua e sangue quente, fresco, como se alguém tivesse acabado de morrer e ser aberto.
“Mas neste caso, nada é mais justo do que um filho por um filho, Mestre das Artes Místicas, a lei de talião é clara quanto a isso. Olho por olho, dente por dente”, ela falou enquanto descia a mão pelo abdômen de Wanda e tocava o baixo ventre dela. Olhou para as mãos da mulher e viu sangue também nelas. “Meus sentimentos, Stephen Vincent Strange, você seria pai de uma menina”.
Gritou e se ouviu dessa vez, caindo no chão. Wanda se contorcia à sua frente e tocava o ventre desesperadamente. Quando Illyana se levantou do chão, o olhar dela encontrou com seu pela última vez. Entendeu que a vingança dela estava completa e que se não a havia visto em mais de dois mil anos, era porque ela não tinha motivos para estar ali como agora. Viu a mulher de preto caminhar lentamente em direção a escada e começar a descer os degraus já que sabia eu ela desapareceria do mesmo jeito que havia aparecido.
Cambaleou e finalmente se arrastou até onde Wanda estava deitada. Ouviu o gemido que ela proferia no momento e nem todo o seu treinamento médico o havia preparado para ver as coisas nessa perspectiva. Se ajoelhou no chão amadeirado e tocou as pernas de Wanda com as mãos trêmulas direcionando os seus dedos para a parte interna das coxas dela, chegando perto da genitália. Mesmo com a meia luz, viu nos seus dedos o sangue que estava ali e sabia de onde ele havia saído.
“Calma, eu estou aqui”, conseguiu dizer sem dificuldades. “Calma, Wanda”.
“Dói... muito”, ela disse chorando. Tocou o rosto de Wanda e percebeu a elevação na temperatura dela, isso significava que tinham que ir para o hospital o mais depressa possível.
Sentiu um nó se formar na sua garganta e os seus olhos se fechando pesadamente por conta do que estava sentindo. Todas as peças finalmente se encaixavam nos seus lugares agora, infelizmente. Mesmo toda essa confusão tendo sido culpa exclusivamente sua, existia um motivo para que o primeiro filho deles não estivesse na sua visão de futuro. Se ela não estava, era porque simplesmente não havia nascido e deveria ter desconfiado disso mais cedo. A sua respiração se acelerou à medida que Wanda começou a recobrar a consciência e gemer mais alto, estava sentindo a pior dor física da sua vida até o momento. Haviam falhado juntos.
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