Angel Or Devil?
9 Capítulo 9
― Como você ainda não se transformou, nós teremos que focar a maioria dos nossos treinamentos em resistência física.
― Por quê? ― eu perguntei um pouco confusa.
― Simples. Quando você se transformar, certamente sentirá uma dor insuportável. Ficará descontrolada se não souber como agüentá-la.
― Entendi. Mas como iremos fazer isso?
― Primeiro, vamos melhorar a sua respiração. Isso apenas levará um segundo. Deite-se. ― ele determinou.
Meu coração estava indo a mil quando eu deitei no chão de madeira lisa, e ele se agachou ao meu lado. ― Respire fundo. ― a mão dele estava sob o meu abdômen agora, e eu fiquei mais tensa ainda. ― Relaxe Annelise. ― mas eu estava relaxada, não estava? – Seu diafragma está sendo utilizado corretamente. ― ele sussurrou.
Pareceu-me que minutos haviam se passado, e ele ainda estava em silêncio, alisando o meu abdômen. Eu estava nervosa, nervosa o suficiente para não perguntar sobre nada. Era bom ter a sensação dele me tocando.
Ele não poderia parar dessa vez. Quando ele fora tirar a mão da minha barriga, eu peguei em seu pulso, o impedindo. ― Não pare dessa vez, Miguel. ― eu falei.
― Annelise. ― sua voz estava profunda ao pronunciar o meu nome, tão profunda que calafrios percorreram-me quando eu a escutei. ― Você está confundindo as coisas.
Quando eu soltei seu pulso, ele se levantou, estendendo a mão para me ajudar a fazer o mesmo.
― O próximo passo é você preparar o seu corpo. ― ele falou, parecendo que nada havia acontecido há poucos segundos.
Rejeitada. Era isso que eu era. Eu estava tentando me manter firme, prestando atenção em tudo o que ele falava. Mas eu não estava tendo muito sucesso ao tentar fazer isso.
― A aula hoje irá ser apenas teórica? ― eu o interrompi, tentando me tirar dos meus próprios devaneios.
― Pode ir. ― ele falou, virando de costas e se alongando. ― Amanhã nós continuamos. Se você for prestar a atenção, é claro.
Envergonhada, eu saí daquela cabana. Minhas bochechas deviam estar em uma cor escarlate, e eu estava literalmente quente. Eu só fazia coisas impensadas, e isso só me fazia ficar em situações constrangedoras. Onde que eu estava com a cabeça quando fiz aquilo?
Já era de se esperar que ele fosse não querer. Além do mais, é errado. Eu sabia que os híbridos me proibiram de ter qualquer relação amorosa, mas mesmo assim eu fui burra o bastante para tentar com Miguel. Realmente, ele estava me tirando do sério.
O enorme pátio estava vazio agora. Havia apenas um garoto, encostando-se a uma das árvores perto do dormitório feminino, só que eu estava muito longe para ver os traços de seu rosto, que estavam agora sendo tampados pela sombra.
Eu estava estranhamente cautelosa quando eu apressei os meus passos. Silêncio era tudo o que eu escutava. E isso apenas dava um ar ainda mais sombrio ao meu redor.
Quando eu cheguei perto o suficiente do dormitório feminino, eu fiquei assustada ao perceber que o garoto que eu estava observando de longe, tampado pelas sombras daquela árvore, não estava mais ali. Talvez fosse impressão minha.
Eu iria subir o primeiro degrau daquela escada de mármore, se não fosse pela mão no meu ombro que estava me impedindo agora. Eu gritei, me virando logo em seguida.
― Mestiça, não grite!
― Quem é você? ― eu perguntei alarmada.
― Meu nome é Nathanael. ― ele sussurrou. Sua voz tinha um forte sotaque inglês. ― Me desculpe se eu a assustei. ― ele estava segurando o riso, e isso me deixou completamente irritada.
― Na próxima vez, não se esconda em uma árvore, Nathanael. ― eu dei minhas costas, subindo os degraus. Ele me seguiu. ― Isso aqui é o prédio do dormitório feminino, se ainda não percebeu.
― Se algum anjo nos pegar aqui, nós estamos ferrados. Mas não irei parar de te seguir, até você parar e me escutar.
Eu parei. Nós ainda estávamos no meio da escada. ― O que você quer?
Seus olhos eram verdes, tão claros como grandes esmeraldas. Seu corpo era largo, como se ele fosse realmente grande. A barriga dele estava tampada por uma camisa branca, mas ainda assim dava para perceber claramente a definição dela. Ok, todos os homens daqui eram gostosos? Mas nem assim a beleza dele se comparava a de Miguel.
― Eu quero você. ― por um momento eu pensei que fosse verdade, mas eu percebi que novamente ele estava segurando o riso.
Eu cruzei os meus braços em meu peito, virando os meus olhos. ― Certo. Acabou? ― eu ia voltar a continuar subir os degraus, quando ele segurou o meu braço, me impedindo.
― Espere aí. Só vim aqui para te informar de uma coisa. ― ele falou, parecendo estar sério agora.
― O que?
― Eu escutei algumas garotas falando que fariam uma surpresa para você, no seu quarto.
― Surpresa? Que tipo de surpresa?
― Uma das não muito boas.
Oh céus, só me faltava isso agora.
― Mas... Se você for dormir no meu hoje, você certamente não sofrerá nenhuma conseqüência. ― ele falou, sorrindo de canto.
― Você me acha com cara de otária, para cair nessa Nathanael? ― eu perguntei, rindo.
― Bom, eu estou falando a verdade. Só estava tentando ser amigável te contando isso. Afinal, você é novata e não conhece nada dos nossos costumes. ― ele falou, dando as costas e indo embora.
Ele parecia ser sincero. E também era impossível ele fazer algo comigo aqui, nesse internato.
― Espere! ― eu pedi, correndo atrás dele.
Nós fomos em silêncio, com cuidado para que ninguém nos pegasse no flagra. Pois pelo o que eu entendi, já era o toque de recolher, e ninguém poderia mais ficar fora de seus quartos. Quando chegamos ao prédio masculino, nós subimos a escada indo então para o primeiro andar. Quando fomos para o segundo, eu percebi um malicioso sorriso se formando no rosto de Nathanael.
Eu levei um enorme susto quando ele abriu a porta do quarto dele. Pois bem ali, estava acontecendo uma... Festa.
― Falei que conseguiria trazê-la. ― Nathanael falou para os garotos sentados na cama, estes por sua vez riram. Ele me empurrou lentamente para dentro do quarto, e então trancou a porta.
Eu estava totalmente sem graça ao perceber a atenção de várias pessoas em mim.
E ainda mais por ser enganada.
― Calma Mestiça, relaxe. ― Nathanael sussurrou no meu ouvido.
Uma música dançante estava tocando agora, e fiquei boquiaberta ao ver três garotas começarem a dançar na frente dos três garotos que estavam sentados na cama. Elas se esfregavam entre si, e uma até mesmo tirou a blusa, ficando apenas de sutiã. Até a atenção dos casais que estavam se agarrando na parede do quarto elas conseguiram ter.
Eu estava meio que sem jeito de fazer qualquer movimento. Eu estava me sentindo uma intrusa aqui. Pois realmente parecia que isso aqui era um antro de perdição.
― Beba um pouco. ― Nathanael apareceu com uma bebida alcoólica, empurrando-a para mim.
― Não, eu não bebo. ― falei, rejeitando.
Ele soltou um leve riso. ― Inacreditável. ― e então empurrou novamente a bebida em minha mão. ― Não irá lhe fazer nenhum mal.
Ele estava certo. Eu tinha que parar de agir como uma velha. Eu peguei a bebida de sua mão, dando um longo gole.
― Espera aí, mocinha. Vá com calma. É Vodka. ― ele falou, pegando na minha cintura e colando o meu corpo no dele. Lentamente nós começamos a dançar. Sua mão passeava pelas minhas costas, enquanto a outra segurava na minha cintura, movendo-a conforme a música cujo ritmo era totalmente sensual. Os olhos dele estavam prendendo os meus agora, e eu senti uma leve intuição de que ele iria me beijar.
Mas não fora isso que aconteceu, quando a porta do quarto fora arrombada.
Quando eu olhei para o causador daquilo, eu fiquei surpresa ao ver Miguel. E a atenção dele estava inteiramente em mim e em Nathanael, que por sua vez ainda estava me segurando.
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