Notas iniciais
Dedico esse capítulo para minha nova leitora
iheartmalikz :)

Eu não tive tempo de falar nada, pois Miguel veio diretamente e literalmente para cima de nós dois.

― O que está acontecendo aqui? ― Miguel perguntou, sua voz soou como um trovão aos meus ouvidos. Ele estava com raiva, e dava para ver isso claramente em seus olhos.

Nathanael me soltou, se pondo em minha frente. ― Foi minha culpa. Eu que trouxe ela aqui.

Eu vi que todos que estavam no quarto saíram correndo. E fiquei irritada ao perceber que Miguel só viera dar bronca em mim e em Nathanael.

Miguel o segurou pela gola da camisa, o levantando. ― Você está com muita sorte. ― ele falou baixo, olhando no fundo nos olhos de Nathanael, o confrontando. ― Por eu não quebrar isso o que você chama de cara. ― e o soltou bruscamente. Oh céus, não precisava chegar a esse extremo. ― Vamos. ― ele me chamou, e eu pude perceber a decepção em sua voz.

Eu dei um aceno para Nathanael, pedindo desculpas silenciosamente enquanto eu saía do quarto. Ainda estávamos em silêncio quando chegamos ao pátio.

― Olha, não precisava agir daquele jeito! ― eu exclamei, e Miguel parou de andar a minha frente, se virando para mim.

― Ele tem sorte de eu não contar nada para o diretor desse Internato. ― ele falou, aparentando estar calmo. Indiferente.

Eu me aproximei dele, o suficiente para dar um forte empurrão em seu ombro, o distanciando novamente. ― Por que você é assim? Acha que pode ficar com raiva por apenas essa festinha, e depois voltar manter a postura de indiferença? ― eu perguntei. Eu estava nervosa ao prosseguir. ― O que foi? Tem medo de demonstrar o que sente? Tem medo de dizer que o que fez você ficar com tanta raiva, foi por puros ciúmes de mim?! ― eu ri, tentando parecer debochada.

Mas o que eu não estava esperando, era que ele iria fechar a distância entre nós, pegando em meus pulsos e me prendendo na árvore logo atrás de mim. Ele me olhou nos olhos, dando um irônico sorriso ao aumentar o aperto.

― Você espera que eu faça o que, Annelise? ― ele perguntou-me, e eu pude perceber claramente as más intenções em sua rouca voz. Eu estava totalmente vulnerável agora, vulnerável pelo desejo que estava ardendo dentro de mim. ― Você quer que eu faça isso? ― sua língua fora no meu pescoço, tão quente que me fez ficar arrepiada dos pés a cabeça. ― Ou isso? ― sua língua subiu lentamente o meu pescoço, indo em direção a minha orelha. ― Ou você prefere que a minha língua esteja explorando a sua boca? ― ele sussurrou no meu ouvido, tão sensualmente que por um momento eu havia ficado tonta.

― E-eu... ― eu tentei falar algo, mas acabei por gaguejar. Estava tudo muito quente agora, principalmente por ele estar tão perto de mim, me tocando com tanto atrevimento.

― Eu...? ― ele repetiu o que eu disse, dizendo-me silenciosamente para continuar. Suas mãos estavam descendo pelos meus braços agora, fazendo o contorno dos meus seios, até chegar por fim à minha cintura, apertando-a.

― Miguel?! ― eu escutei uma voz feminina exclamando, e percebi que era Luna. Eu pestanejei quando ele me soltou, se distanciando de mim. ― Hm. Interrompi algo? ― ela perguntou, inocentemente. Era muito claro para mim que ela havia feito isso de propósito.

― Não. ― ele respondeu, seu tom havia voltado a ficar sério, e sua voz estava grave ao falar. ― Espero que você vá para o seu quarto agora, Annelise. ― finalizou, indo embora para o lado oposto ao meu e de Luna.

Quando ele estava longe o suficiente para vermos apenas a sua sombra, ela se virou para mim, dando um leve riso. ― É melhor se distanciar dele quando não estiverem no treino, novata.

Espere aí. Ela estava me ameaçando?

Raiva apossou-me de mim, e eu cheguei o mais perto o possível dela.

― Se não você irá fazer o que, vadia? ― eu sabia que toda aquela gentileza que ela demonstrou ter no início, na verdade era pura falsidade. ― Vai soltar seu veneno de cobra em cima de mim? ― eu perguntei, e dei um sorriso ao continuar. ― Pois saiba querida, que eu sou imune.

Ela pegou uma mecha do meu longo cabelo, o enrolando em seus dedos. – Eu posso tornar sua vida um inferno, menininha inocente. – ela o puxou lentamente agora, e a minha vontade fora de dar um soco bem forte no meio daquela cara deslavada.

― Tire agora suas mãos sujas do meu cabelo. ― sibilei, rugindo ao fazer isso. Ela tirou, sorrindo ao perceber que havia me atingido.

― Estou te avisando, gatinha. Se eu perceber que entre você e Miguel há algo mais... Considere-se definitivamente no inferno. ― ela deu as costas para mim, mas continuou parada ao falar: ― Agora acho que irei satisfazer o desejo insaciável dele. Algo que uma mestiça como você nunca poderá fazer. ― e andou pelo caminho que Miguel havia ido embora.

Eu tive um repentino desejo de gritar. Gritar sem parar para ver se pelo menos aliviaria um pouco a minha vontade de acabar com a raça daquela imunda. Eu respirei fundo. Miguel não faria nada com ela, certo? Entre eles dois não havia nada, absolutamente nada. Eu tentei me convencer, me encaminhando para o dormitório feminino.

Eu acordei no dia seguinte por batidas insistentes na minha porta.

― Já vai! ― resmunguei, me levantando.

Quando eu abri, vi uma menina com olhos verde escuro me olhando com um sorriso em seu rosto. ― Annelise?

― Sim, sou eu. Quem é você? ― por favor, não quero outra vadia em minha vida.

― Desculpe, eu te irritei? Está cedo demais? ― ela perguntou se embolando toda. Eu ri com o desajeito dela, e escancarei a minha porta para ela entrar em meu quarto.

Quando ela entrou, fechou a porta e se sentou em minha cama, onde eu havia me deitado novamente. ― Mas e aí, vai me arrastar para alguma festa? Ou me ameaçar?

― Oh, relaxe. Eu estava ontem na festa... Precisamente tirando a blusa. ― ela falou, seu sorriso havia se tornado malicioso. Eu me lembrei dela imediatamente. ― Mas enfim, ontem quando Miguel arrombou a porta do quarto, eu corri, indo para o quarto de outro garoto... Quando eu estava indo pro dormitório, vi você e a Luna.

Oh, não.

― Hm. Viu precisamente o que?

― Ela te ameaçando. ― ela falou direta. ― Eu gostei de você quando eu te vi ontem. E presumi que você fosse um pouco... Inocente demais para cair na armação de Nathanael.

― Ainda não entendo aonde você quer chegar.

― Eu apenas quero ficar do seu lado. Irei te ensinar algumas coisas do nosso mundo. E, eu odeio a Luna. Então, nós uniremos o útil ao agradável. ― ela parecia que estava falando o lógico.

― Desculpe, mas eu sei me defender sozinha.

― Não, você não sabe. Mas não precisa me responder agora, tenho aula e não posso me atrasar. A gente se vê no refeitório de noite. ― ela saiu batendo a porta.

Todo mundo aqui era louco, realmente... Eu iria voltar dormir, se não fosse pelas novas batidas em minha porta. Será que ela havia esquecido algo? Quando eu abri, eu fiquei sem saber o que falar quando vi Nathanael.

― Me desculpe. ― ele pediu se aproximando de mim. ― Não era para nada sair errado ontem.

― Tudo bem. É só isso ou eu posso voltar a dormir?

― Não. Você não pode. ― ele estava perto demais agora.

― Se você está tentando ter algo comigo, esqueça. Todos vocês sabem que os malditos Híbridos me proibiram de ter qualquer relação sexual, amorosa ou qualquer outra coisa com qualquer um.

― Hm. Adoro desafios, sabia?

― Que bom. Mas eu não gosto. ― fechei a porta na cara dele.

Seria melhor assim, para todos nós.

Eu deitei na minha cama novamente, e fechei os meus olhos tentando dormir. Só que a imagem que veio em minha mente era a de minha mãe. Uma dor, a dor que eu sempre sentia, havia voltado ainda mais forte agora. Eu estava com saudades dela. Saudade do jeito bondoso no qual ela me tratava. Ela nunca esteve presente vinte e quatro horas por dia na minha vida, mas no pequeno tempo que nós ficamos juntas, eu não havia percebido que eu estivera completa.

Outra imagem invadiu minha mente. Só que era a de Miguel, tão imponente e tão poderoso, uma caixa lacrada de segredos cujo eu não tinha a chave para abri-la. Tudo dele me fascinava. O jeito como ele havia me abraçado naquele dia na chuva... O jeito de como ele havia me tocado ontem...

Oh céus, nunca daria certo entre ele e eu. Nunca.

Eu suspirei profundamente.

A verdade poderia destruir seus sonhos, um por um, e acabar em um piscar de olhos a felicidade que tanto você demorou a construir. Ela poderia arrancar qualquer mínima esperança que você ainda guarda lá no fundo de sua alma, e minuciosamente te arrastar para um mundo do qual você nunca imaginou existir. Eu sabia disso bem o suficiente, pois a verdade nua e crua havia me deixado em pedaços.

Havia arrancado as minhas esperanças, destruindo assim todos meus sonhos. E mais uma vez, ela me magoava. Miguel não me queria, e essa era a mais pura verdade.

Eu balancei a minha cabeça levemente, me remexendo na cama.

Outras batidas na porta ecoaram pelo meu quarto.

Quem poderia ser agora? Levantei-me e quando abri a porta deparei-me com um homem aparentando ter uns quarenta anos de idade. Ele entrou sem dizer uma palavra, e me deu uma intensa vontade de dizer umas poucas e boas para ele. Eu fechei a minha porta, o olhando com expectativa para ele começar a falar o que ele veio fazer aqui.

― Senhorita Annelise Martín? ― ele perguntou-me.

― Sim.

― Eu sou Thomas Gridor, diretor do Internado Nephilim, prazer. ― ele estendeu a mão para mim.

Eu a apertei, dando um sorriso afável. ― Prazer é todo meu, senhor.

― Então Annelise, você não terá aula como os outros estudantes daqui, até mesmo porque você não é uma Nephilim. Terás apenas a aula de História do Mundo Místico. Onde nessa aula ficará sabendo de algumas coisas que já aconteceu no nosso mundo, e sobre todas as outras espécies. E por fim aula de tiro ao alvo.

― Hm, em que dia terei aula?

― Todos os dias, querida. Você não irá hoje porque tive um imprevisto, e não pude vir mais cedo para lhe avisar. Se quiser, no seu tempo livre, pode dar uma volta pelo Internato. Tem turmas que ficam em um vago tempo de aula e assim poderá fazer amizade.

Eu assenti, e ele saiu do quarto.

Eu havia perdido o meu sono, e apenas fiquei deitada na minha cama esperando o tempo passar. Eu ri. Como se eu quisesse fazer alguma amizade... Eu apenas queria ter a minha mãe de volta. Só isso.

Quando a lua tomou o lugar do sol, e a escuridão da noite apareceu, eu fora me arrumar para ir para o refeitório. Certamente eu não sabia aonde era, mas eu o encontraria pelo caminho.

Quando terminei de tomar um banho demorado e quente, coloquei outra roupa que Miguel havia colocado no meu armário. Meus olhos estavam vidrados no espelho, olhando-me por inteira. Cada dia eu estava mudando mais. Meu corpo havia se tornado o de uma mulher esbelta, e não o corpo apropriado para uma menina de apenas dezesseis anos.

Sai do dormitório, e vi que a menina que fora no meu quarto mais cedo, estava encostada em uma árvore, rodeada de mais duas garotas. O pátio estava cheio de Nephilim, e eu tentei passar despercebida por ela e suas amigas. O que devo acrescentar que o que eu tentei fora totalmente em vão.

― Annelise! ― eu suspirei ao escutar o grito dela. Pelo menos ela me chamava pelo nome. Eu fora em sua direção.

― Oi? ― perguntei, esperando ouvir o que ela queria comigo.

― Eu sou Aurora. ― uma menina com o cabelo loiro claro, combinando perfeitamente com a pele alva que ela tinha, veio cumprimentar-me.

Dei um leve aceno de cabeça para ela, sorrindo amigavelmente.

― Laurie. ― a outra garota se apresentou. Essa tinha uma pele negra, com um longo e lindo cabelo castanho-escuro.

― Desculpe eu perguntar, mas vocês duas eram as que estavam dançando ontem com a... ― eu olhei para a menina que havia falado comigo de manhã, não sabendo o seu nome.

― Adelle. ― ela completou.

― Sim, nós somos. ― Aurora me respondeu, rindo. ― Enfim, vamos logo pro refeitório? Os meninos devem estar esperando.

Quando chegamos ao refeitório, era extremamente grande e lotado por pessoas que eu nunca imaginaria que estudassem aqui. As mesas ocupavam o maior espaço, mas ainda assim era tudo muito bonito. Eu sentia um leve toque de magia vibrando por todo o meu corpo. A sensação era boa, e estranhamente me pareceu que eu fazia parte disso há anos.

Elas avistaram uma mesa com os outros garotos de ontem, juntamente com Nathanael. Cada uma fora ficar perto de um garoto, e apenas sobrou a cadeira ao lado de Nathanael. Ele me olhou, sorrindo ironicamente enquanto eu me sentava ao seu lado.

― Hm. Devo admitir que o que você fez de manhã, não foi muito educado. ― ele falou, o deboche estava transbordando em sua voz.

― Então você é mesmo a Mestiça? ― um garoto de pele morena pelo sol, e com o cabelo bagunçado veio me perguntar.

― Hm, meu nome é Annelise. ― eu respondi afiadamente.

Ele riu, levantando as mãos como se fosse inocente. ― Meu nome é Pedro. ― ele piscou para mim, e Aurora deu um leve tapa nele, rindo em seguida.

― Bobo. ― ela sussurrou, e eu fiquei envergonhada em perceber que todos estavam em casal.

― Vocês estão deixando a menina sem graça. ― outro garoto se intrometeu, sorrindo alargadamente com seus olhos castanhos brilhando para mim. Eu sorri sem graça de volta. ― Você é linda.

― Cale a boca Demétrio. ― Nathanael falou, colocando o braço ao meu redor. ― Ela já é minha.

― Você é muito engraçado, Nathanael. ― falei, revirando os meus olhos.

Adelle se levantou da mesa, parecendo estar irritada. ― Irei lá fora um pouco. ― e saiu. Demétrio nem ao menos se importou. Eu sabia que ele percebeu o ciúme de Adelle.

Fiquei surpresa ao ver Laurie se agarrando com o outro garoto cujo eu não sabia o nome, enquanto Aurora e Pedro pareciam estar presos a um mundo que só pertencia a eles dois.

Estava tudo muito bem, até que eu vi Miguel sentado em outra mesa, sorrindo ao conversar com Luna. Fiquei com tanta raiva, que eu não havia percebido que estava apertando o canto da cadeira. Miguel deu-me uma rápida olhada, e continuou a conversar tranquilamente.

― Ciúmes? ― Nathanael perguntou ao meu lado. Eu olhei para ele sem jeito e abaixei a cabeça.

― De quem eu sentiria ciúmes? ― eu perguntei, tentando afastar qualquer conclusão precipitada do pensamento de Nathanael.

Ele chegou perto o suficiente para eu sentir o seu hálito em meu ouvido. ― Se eu fosse você, não deixaria isso ficar assim.

― O que está querendo dizer?

Ele levantou o meu rosto, sorrindo ao selar os seus lábios no meu uma vez. ― Ele está olhando agora. ― ele sussurrou. E me beijou. Eu me senti estranha ao beijá-lo, como se ele não fosse a pessoa certa para estar fazendo isso. Mas na verdade, quem era certo? Miguel?

Ele não me queria.

E me entreguei ao beijo. A língua de Nathanael lentamente descobria cada parte da minha boca, e um rápido vislumbre da imagem de Miguel me tocando invadiu a minha mente. As mãos de Nate apertaram a minha coxa por debaixo da mesa, trazendo minha atenção inteiramente e somente para ele. Não sei por quanto tempo durou o beijo, mas quando eu abri os meus olhos, Nathanael me olhava maliciosamente.

― Quer dormir no meu quarto hoje? ― ele me perguntou. Sua voz sedutora sussurrando no meu ouvido.

― Não acha que está cedo demais para isso? ― eu perguntei, direcionando o meu olhar para Miguel, que estava olhando-nos. Eu não sabia o que se passava pelos pensamentos de Miguel agora, apenas sabia que ele havia prendido o meu olhar, impedindo-me de desviar até mesmo enquanto Nathanael fazia-me propostas indecentes.

De repente eu escutei palmas, e olhei para Demétrio. O sorriso dele havia sumido quando ele falou: — Ótimo beijo, Annelise. Quando eu vou ganhar o meu?

Eu me levantei. ― Vou lá fora por um minuto. ― e saí.

Quando senti o vento frio balançar o meu longo cabelo, eu senti-me bem, e por um breve momento segura. Fora um erro usar Nate daquela maneira.

― Annelise. ― a profunda voz de Miguel fez-me virar para ele.

― Luna não está te acolhendo mais? ― eu perguntei sarcasticamente.

― Eu não vim aqui para discutir sobre isso. Só quero lhe avisar que hoje não terá treino. ― ele falou, e chegou mais perto de mim, tirando uma carta que estava em seu bolso. ― É de sua mãe. ― e me entregou.

Eu fiquei boquiaberta ao vê-lo se distanciando de mim. Eu não estava acreditando que Miguel fizera aquilo por mim. De repente, eu estava me sentindo muito mal pelo que eu havia feito. Um nó na minha garganta se formou, e uma urgência surgiu em mim de ir lá e explicar tudo o que aconteceu para ele. Eu olhei para a carta na minha mão, me impedindo, e despertando a minha curiosidade.

Eu suspirei. E me encaminhei para um banco que havia perto de uma árvore para ler a carta.

Eu estava decepcionada comigo mesma. Por ser tão baixa ao ter feito aquilo, enquanto Miguel se preocupava comigo.

Notas finais
Anne é uma puta, sempre soube disso u.u UAHSUHAUHSUA' Mas concordo com ela, como resistir ao gostoso do Miguel? Mas então, o que vocês acham que a mãe dela escreveu pra ela? Só esperando o próximo capítulo, se eu ganhar mais leitores e de preferencia que comentem, eu posto ainda hoje.