Angel Or Devil?
7 Capítulo 7
Uma vez, quando eu tinha doze anos de idade, eu fiquei triste ao ser o motivo de risos na minha sala. Quando minha mãe ficou sabendo disso, ela fora até ao colégio, e conversou com cada uma das mães daquelas meninas. Só que em vez de as garotas pararem de me perturbar, elas pioraram ainda mais. Duas garotas daquele grupinho haviam me segurado, para que a outra amiga delas cortasse todo o meu cabelo. Elas riam descontroladamente ao ver o quanto eu gritava e se divertiam ao ver minhas lágrimas. Ninguém me ouviria, já que elas haviam me encurralado em um beco sem saída e estava começando a ficar escuro. Só que diferentemente do que eu pensava, um homem pálido com seus trinta anos de idade, encontrou-nos e me salvou. Aquele homem pareceu-me me olhar com um pouco de afeto e havia gritado o meu nome, dizendo para eu correr. Eu nunca contei isso para ninguém e nunca fiquei sabendo de como aquele homem sabia o meu nome. O que aconteceu fora que no dia seguinte, as meninas foram encontradas mortas, com os seus cabelos raspados. Ninguém nunca achou o assassino, mas eu sabia quem era, e sabia cada detalhe de seu rosto.
Agora, estando aqui, com esse elfo olhando-me com pura maldade, eu tinha certeza que ele não iria querer apenas cortar o meu cabelo. Ele iria fazer bem pior. Juntamente com o outro elfo que estava se aproximando por trás de mim.
― Tão linda... ― o elfo moreno com a clara pele a minha frente, falou admirado.
― Concordo. ― o outro que estava atrás de mim, sussurrou em meu ouvido.
― O que vocês querem? ― eu sabia o que eles queriam. Eu sabia tão bem como eu sabia respirar. Mas Deus, por que eu tenho tanta má sorte? Por que eu sempre atraio confusão pro meu lado?
― Dave, nós teremos que mostrar para ela o que queremos, não é? ― o elfo moreno se aproximou de mim, enquanto o outro que devia ser chamar Dave alisava minha barriga.
― Assim fica uma explicação mais clara. ― Dave falou, e eu senti um tremor ao ele subir a mão para os meus seios.
Quando o elfo moreno chegou bem perto de mim, com o seu nariz quase se encostando ao meu, ele lambeu o meu rosto e por fim os meus lábios.
― O seu sabor é de virgem. ― ele riu maravilhado. Eu quase havia perdido minha lucidez agora. Pois eu sabia pelas lendas que minha mãe havia me contado, que os elfos gostavam de seduzir suas vítimas e as induziam a fazê-las crer que elas queriam algo, que na verdade não queriam. Eu não pensava que isso fosse verdade, até esse momento. Pois eu sentia um desejo insaciável crescer em meu corpo, um que eu não poderia estar sentindo agora.
― Vamos dançar um pouco com ela, Hélio? ― Dave perguntou, apertando os meus seios, enquanto as mãos de Hélio subiam pelas minhas coxas.
Pânico me tomou e eu tentei em vão me soltar deles dois.
― Depois. Agora ela irá ceder e irá parar de tentar se soltar. ― ele sorriu. Dave apertou ainda mais forte os meus seios, e eu estava começando a ficar entorpecida.
Um desejo mais forte que eu estava tomando-me por inteira. Parecia que tudo ao meu redor estava girando. E eu percebi que não fazia sentido nenhum eu ficar me debatendo contra eles dois. Eu relaxei. Mas ainda assim tinha uma voz bem baixa, dizendo que era para eu sair daqui. Para eu correr para bem longe, para fugir deles dois. Mas por que eu faria isso? Eu sorri. Eu me senti tão bem como eu nunca havia me sentido antes.
Eu coloquei minhas mãos sobre as mãos de Dave, me deliciando ao sentir a sensação da língua dele em minha nuca.
Hélio me beijou, colocando sua mão entre as minhas coxas, pressionando os seus dedos em minha intimidade. Oh céus, como isso era bom. Eu estava explodindo de prazer.
― Annelise! ― era Miguel... Mas o que ele estava fazendo aqui? Ele se juntaria a nós também?
Eu ri, mas eu parei ao não sentir mais Dave atrás de mim. Eu abri os meus olhos, que até então estavam fechados, e vi Hélio se distanciando de mim, parecendo assustado com o que estava vendo. Quando eu olhei para trás, eu levei um enorme susto ao ver Miguel socando o rosto de Dave, socos tão fortes que pareciam ser inumanos. E realmente eram.
Pareceu-me que um balde de água fria havia caído sobre mim agora. Parecia que eu havia recobrado minha consciência, a razão, e eu fiquei com nojo de mim mesma. O que eu havia feito? Como eu pude deixar eles me tocarem daquele jeito?
- Miguel, pare! – eu gritei, mas pareceu que ele não escutou. Ele iria matar aquele elfo, iria matar Dave por mim. Mas eu não poderia deixar aquilo acontecer...
Eu gritei mais uma vez, mas ele continuava batendo. Eu vi que Dave estava desacordado, mas Miguel não parava.
Por que Hélio não corria?
Eu estava desesperada. Eu não queria mais mortes em minha consciência. Eu tampei os meus ouvidos, pois os barulhos dos relâmpagos que enfeitavam aquele céu eram ensurdecedores.
― Por favor, Miguel, pare...
Ele parou. E quando ele olhou para mim, eu pude ver claramente o quanto ele estava com raiva.
― Um anjo caído, aqui na Terra dos elfos? ― Hélio perguntou completamente surpreso.
Miguel o olhou, e então um pequeno sorriso se abriu em seu rosto. Um sorriso que parecia ser tão demoníaco, que havia me deixado com muito mais medo.
― Se divertiu bastante? ― a voz de Miguel estava baixa, ameaçadora. Ele parecia estar descontrolado. Tão perigoso, que Hélio tentou correr, mas de nada adiantou. Pois um raio que me cegou por um instante, o atingiu, fazendo-o virar pó, um pó tão brilhoso que se destacou em meio daquela chuva.
Eu estava surpresa com o que aconteceu, mas eu fiquei ainda mais quando eu olhei para Miguel. E vi, que o causador daquele raio, fora ele.
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