Angel Or Devil?
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Eu abri a carta, e um sorriso largo se formou em meu rosto ao ver a caligrafia da minha mãe. Um aperto de felicidade surgiu em meu coração, e eu fiquei completamente ansiosa para saber como ela estava se sentindo sobre isso tudo.
Querida Lise, eu lhe peço perdão por não ter contado-lhe sobre o meu dom da cura. Peço para que me perdoe de todo o mal que eu te fiz, guardando o segredo de quem você realmente era. ― a carta dizia, e eu continuei a lê-la, as lágrimas estavam ficando acumuladas em meus olhos, mas eu não as deixaria cair novamente. ― Oh minha filha, eu estou assustada, e estou realmente doente por dentro por não poder te ver, por não poder te aninhar em meus braços. Mas eu apenas peço de todo o meu coração, que você supere essa fase nova na sua vida, que você se reerga para nunca mais voltar a cair novamente. Eu te amo muito minha filha, um amor tão imenso que estou completamente arrependida de não ter mostrado pelo menos uma parte dele para você. Saiba que você é o único sol que ilumina minha vida, e é o ar que eu respiro. Agora Miguel tem que ir, pois não podemos demorar muito tempo. Agradeça a ele, minha filha. Ele nunca nem de longe foi tão bondoso como ele está sendo com você. E lembre-se: Ninguém em hipótese alguma pode ficar sabendo dessa carta. Espero que você consiga sair dessa, por mim e especialmente por você. Nunca se esqueça que eu confio em você, e sempre estarei presente em seu coração.
Quando eu terminei de ler a carta, eu entrei em erupção por uma explosão de sentimentos. Esperança preencheu-me como se estivesse enchendo um copo vazio de água cristalina. Eu sorri. Um sorriso verdadeiro, por pelo menos saber o quanto ela me amava. O quanto ela confiava em mim.
Eu não sei quantos minutos eu fiquei sentada naquele banquinho, sorrindo que nem uma boba ao pensar em quando seria o dia em que eu poderia vê-la novamente.
― Anne. ― eu olhei para cima, e escondi a carta no bolso da minha calça. – Tudo bem? – Adelle perguntou, se sentando ao meu lado.
― Tudo ótimo! ― eu respondi, levantando-me logo em seguida. – Hm. Sabe se Miguel ainda está no refeitório?
― Acho que ele está indo para o quarto dele. ― ela apontou. Quando eu olhei para onde ela estava apontando, eu tive uma intensa decepção ao vê-lo do lado de Luna. Ela ria enquanto os dois andavam, e pareciam que se conheciam há anos. ― Acompanhado. ― completou.
Por que ele agia assim com ela, e não comigo? Por que ao lado dela ele ria, e quando ele estava do meu parecia-me que ele queria se fechar totalmente?
Eu suspirei ao cair no banquinho novamente. Era difícil assumir, mas eu estava me roendo de ciúmes.
― Eles se conhecem há muito tempo, Annelise. ― ela interrompeu meus devaneios, tendo toda a minha atenção sobre ela. ― Miguel já foi um dos treinadores daqui, o melhor que todo esse Internato já viu. Eles tiveram um caso, e pelo que percebo, voltaram com ele agora. ― ela pausou para respirar, e prosseguiu, falando como se estivesse contando-me um segredo. ― Quando Miguel foi embora, demorou um longo tempo para Luna se recuperar. ― Não havia como competir com ela. Não mesmo. ― Miguel nunca gostou de ninguém. Devo dizer que ele virou uma lenda no mundo sobrenatural, pela quantidade de vampiros que ele matou? ― ela falou com uma voz assombrosa.
Um arrepio percorreu-me por todo o corpo. Um arrepio frio, tão frio que me gelou por inteira. ― Por que ele faria isso?
― Você não o conhece verdadeiramente, Annelise. Todos nós temos uma maldade, isso já é uma sina para todas as espécies sobrenaturais. ― ela soltou uma risada, sem um pingo de graça nela. ― Mas Miguel... Ele não perdoa. ― finalizou.
Eu havia visto no dia em que ele matou aquele elfo. Parecia como um belo demônio descontrolado. Mas ainda assim, eu não conseguia o ver com esses olhos, ver o quanto ele poderia ser maldoso. No final da carta, minha mãe havia falado que Miguel estava sendo bondoso demais comigo.
Isso criou uma nova dúvida em minha cabeça agora, uma na qual eu não pude perceber por estar maravilhada ao receber notícias dela. Como minha mãe já conhecia Miguel? Pois do jeito que ela havia descrito, parecia-me claramente que eles dois se conheciam a longa data.
Eu balancei minha cabeça levemente, e inesperadamente Adelle continuou a falar: — Além do mais, ele tem o poder que nenhum outro anjo tem. Um poder que o torna extremamente poderoso, imbatível por qualquer outra espécie. Apenas os Híbridos têm poder sobre Miguel.
― Que poder?
― O poder de controlar a tempestade.
― Mas eu pensei que todo anjo poderia controlar algum dos elementos... – surpresa inundou-me. Não havia passado pela minha cabeça em nenhum momento que o poder de Miguel era... Especial diante aos dos outros anjos.
― Não. Anjos caídos definitivamente são mais poderosos. Mas pela força física, e pela estratégia inigualável de combate. Mas Miguel, além de ter esses atributos, ele incrivelmente ainda tem esse poder extra.
― Nossa. ― eu estava realmente boquiaberta. ― Hm. Sabe por que ele foi embora do orfanato?
― Ninguém faz a mínima idéia sobre isso Anne. Ou de como ele foi expulso do paraíso. O passado dele é misterioso para todos nós. Ele é sozinho porque ele gosta, porque ele quer.
Claramente Miguel escondia segredos.
E estranhamente eu senti uma baixa voz sussurrando no meu ouvido, insinuando que alguns poderiam ser sobre a minha mãe.
― Aqui estão elas! ― Demétrio falou eufórico. Se sentando ao lado de Adelle.
― O que você quer? ― claramente ela estava desagradada com a presença dele.
― Eu quero falar com você.
― Bom, vou pro meu dormitório agora. ― eu saí, deixando os dois sozinhos.
― Annelise! ― Nate me chamou, e quando eu olhei para trás, o vi correndo em minha direção.
― Oi. ― eu estava sem graça pelo que havia acontecido entre ele e eu.
E então, ele me abraçou, me pegando totalmente fora de guarda.
Eu realmente não esperava esse ato dele. Eu o correspondi. Aconchegando-me em seus braços. Nós ficamos sem falar nada durante um longo minuto. Quando eu me separei do seu abraço, suas mãos ainda assim ficaram acomodadas na minha cintura. – Não quero te apressar, Anne.
― Eu te entendo. ― eu assenti.
― Entende? ― ironizou. ― Então entenda isto.
E então, audaciosamente, ele me roubou um beijo. Desta vez, eu tentei o empurrar, mas ele era mais forte do que eu, prendendo minha cintura. Sua língua estava tentando pedir passagem em minha boca, mas eu não estava dando o braço a torcer. E não iria.
― Cara, solta ela! ― pensei ter escutado a voz de Pedro, e quando abri os meus olhos, o vi parado, olhando para Nate com repugnância. ― Ela não quer! ― e então puxou o ombro dele, o distanciando de mim.
Nate virou para ele, com um sorriso nos lábios. ― Relaxa.
Relaxa? Eu me aproximei de Nate, tentando manter um sorriso amigável em meu rosto. ― Obrigada, Pedro. ― e antes de virar-me para sair, dei um forte soco no maxilar de Nate. ― Isso, é para você aprender a não me desrespeitar mais. ― dei um leve aceno de cabeça para os dois, e saí enquanto deixava um Nate muito surpreso para trás.
Fale com o autor