Angel Devil

11 Vamos Divertir.


Notas iniciais
Boa leitura!

Meus olhos se fecharam, fugindo da luz forte que os atingiu, chegando a doer. Rolei na cama até bater em algo comprido e quente. Abri os olhos e vi um tufo de mechas vermelhas, espalhadas sobre as costas que reconheci ser da Vic. Rolei para o lado contrario novamente, sentindo minha cabeça latejar na mesma hora. Deitei de barriga para cima, e uma unca fincada aguda foi o sufiente para mim fechar os olhos com mais violência e gemer de dor.

– Você está bem? — Vic perguntou com a voz embargada de sono, e senti se mover do meu lado.

– Acho que meu cérebro deslocou — respondi com uma voz de traveco, ainda de olhos fechados.

– Ah claro, quer que eu desloque para você? — debochou dando um tapa na minha testa. Apertei os olhos por reflexo, irada com a sua coragem. Eu estava muito perto de mandá-la ir pro inferno se não fosse minha lerdeza matinal misturado com a ressaca.

– É sério Vic! — teimei e mexi meu pescoço com cuidado, sentindo que a dor e o peso da minha cabeça o dobraria, só bastava um movimento brusco. Mas eu precisava mostrar á ela como meu cérebro estava. — Consegue ouvir? — perguntei cessando os movimentos, e gemi em seguida. Uma má ideia.

– Ouvir o quê?

A merda da menina não tinha prestado atenção!

– Meu cérebro descolado merda! Ele está batendo nas paredes da minha cabeça! Faz barulho! Um inferno! Eu vou ficar assim para sempre!

– Claro que não...Pára de ser esquisita — pediu sem alterar a voz sonolenta, despreocupada com a minha situação. Bufei.

– Eu não sou esquisita, esquisita é aquela Michelle! Meu deus, se você não tivesse me tirado de lá teria quebrado alguma coisa na cabeça daquele grude — lembrei perfeitamente da garota no pé do Brian, mal deixava a gente conversar com ele, e muitas das vezes mandava olhares na minha direção como se eu ligasse. Vic riu da minha desgraça, provavelmente lembrando de como sair rosnando daquele lugar imudo.

Fomos parar numa festa no subúrbio, a casa era praticamente um deposito de festas mal organizadas e cheirava mal, em toda parte. O resto eu não lembro direito...Graças a garrafa de absintro que ganhei do Synyster. Só ela foi o suficiente para mim deixar assim, como nunca fiquei antes.

– Ela é assim mesmo. Você vai acabar se acostumando. Brian e Matt estão adorando esta história de pegar as gêmeas — suas palavras não fizeram sentindo para mim, como eu irei acostumar depois do que rolou entre eu e ele? Mas Vic não sabe de tudo, ainda, então preferi ficar calada, vegetando sobre a cama de casal no seu quarto.

Acho que só saiu daqui com um reboque, caso contrario pretendo passar o resto do meu dia sem mover um músculo. Mas, além da minha cabeça, meu estomago também protestava, vazio e maltratado de fome. Eu preciso comer.

Vic foi a primeira levantar, depois de sumir por alguns minutos ela voltou para quarto determinada á me tirar daqui custe o que custa. Depois de ameaçá-la de todas as formas que consegui, acabei cedendo e fomos procurar alguma coisa pra matar a fome.

Cambaleei pela casa vestida apenas meu sutiã e calça jeans. E me joguei na cadeira, deitando minha cabeça na mesa gelada.

– Tem pão, queijo, iogurte, biscoitos, suco que fiz ontem...- ela foi colocando tudo em cima da mesa, enquanto eu viajava na decoração do cômodo pequeno. Branco com vermelho, combina com a dona.

Para mim estava ótimo, comecei a devorar praticamente tudo enquanto engatamos numa conversa amigável. Vic mora neste flat sozinha, tem 22 anos, seus pais e a irmã mais nova moram no Canadá onde ela nasceu, mas veio pra cá depois de concluir seu curso de fotografia. Descobri que trabalha com eventos e faz de tudo: desde tirar fotos à cuidar dos bastidores, e foi em um desses trabalhos que conheceu o Jason. Na época ela era apenas uma estagiaria e tinha acabado de chegar na cidade. Fascinada com a nova vida acabou se iludindo pelas juras do moço malvado e um tempo depois conheceu o resto dos meninos.

– O que rola entre você e Brian? — foi minha vez de contar alguma coisa, quando o assunto chegou em homens.

– Nos eramos da mesma escola. Mas a gente se conheceu mesmo foi no outro final de semana de uma maneira que chega ser engraçada de tão estranha. E desde então...Eu não sei explicar Vic. Tudo é tão diferente em relação á ele. Brian me surpreende muito, eu não sei o que esperar a maioria das vezes, e foi em uma dessas surpresas que acabamos nos beijando...- de fato eu preciso colocar as idéias no lugar, poderia muito bem dar um resumo melhor se ao menos eu tivesse parado pra pensar na onde me metir. Só que se eu pára pra pensar sei muito bem que não ia conseguir 1/10 do que aprontei desde que comecei sair com eles.

Então é melhor deixar minha consciencia de lado e focar no que é mais gostoso: — Vic, eu não sei se existe outros caras que conseguem beijar daquela maneira, tem aquela pegada, tirar meu ar, mas chegou uma hora que eu faria o que ele quisesse, só bastava insistir...

– Mas ele não tentou?

– Sim, mas eu fiquei apavorada e acabei distanciando — ela revirou os olhos, acusando minha ação idiota. Acrescentei rápido: — Não sou acostumada perde o controle desse jeito, foi louco demais. Aqueles turbilhões de sentimentos...Não sabia que isto existia de verdade. Mas há uma outra coisa... Se fosse qualquer outro garoto, talvez eu...

– Mas era Synyster Gates. Sei como se senti.

– Pois é. Agora eu não sei como vai ser...Acho que estavamos sendo muito precipitado — confessei frustrada. E terminei de tomar o suco de laranja. — Olha o que aconteceu ontem! Aquele Milchelle. Ele nem mediu esforço para afastá-la. Acho que, acho que Brian não sentiu as mesma coisas que eu.

– Quer um conselho? — balancei a cabeça, dizendo sim sem pensar duas vezes — Pode soar vadia da minha parte mas...Não fique esperando por ele, aproveita tudo que vier pela frente desde agora, pois se não você vai acabar como eu. Eles são diferentes, te põem no pedestal mas ao mesmo tempo tem outras coisas em mente que não te envolve. Digo isso porque me senti assim quando conheci Jason, vejo nos seus olhos o que tinha nos meus anos atrás. Inocência. Isso não é bom — ela estava certa. Se envolver com caras feito Brian não é para uma garota inteligente. — E acho que o Synyster ainda não te perdoou por ter ficado com o Nathan. Por isso esta tão assim com Michelle, é o que eu acho.

Arregalei os olhos.

– SERÁ? — e Vic revirou os seus, ridicularizando minha pergunta — Mas ele não disse nada para mim, se ficou com raiva ou algo assim. Achei que tinha esquecido...Eu mal lembro também. Quero dizer, não que o beijo e o garoto sejam ruim, só que não encaixou, entende?

Ela concordou murmurrando um ''Uhum'' e mudou de assunto para meu alivio:- O que temos para hoje?

– Bem, eu deveria está em casa dando alguma explicação para minha mãe. Mais tarde estaria na Igreja ajudando organizar o segundo dia da festa, e ficaria por lá mesmo eu acho.

Vic fez uma careta enquanto amarrava seu cabelo vermelho num coque folgado, revelando seus pequenos arlagadores. Quando estávamos no quarto também notei uma tattoo na costela, não consegui ver direto mas parecia ser grande e colorida. Agora estava coberta por um blusão cinza escrito ''Hole'' de rosa.

– Cara, eu não sei realmente o que acontece com você e aquela gente, mas por hoje você é minha e só devolvo a noite! — brincou dando uma picadela e levantou da cadeira para levar nossas louças sujas.

– O que vamos fazer então? — interessei seguindo-a até o quarto.

– Vamos divertir!

Eu ergui uma sobrancelha desconfiada. Que tipo de diversão seria essa?

Vic tirou algumas roupas do seu guarda-roupa e colocou em cima da cama, formando uma pequena montanha bagunçada. Observei seus movimentos indo e vindo em silêncio, tentando adivinhar o que sua roupas tem haver com diversão.

– Escolhe uma pra você — quebrou o silencio, apontando para as peças.

Continuei alternar meu olhar para ela e para as roupas por um tempo, em duvida se entendi certo.

Mesmo sendo mais liberal, bebendo, indo em lugares fora da minha realidade, eu ainda não sei se seria uma boa ideia, porque as roupas Vic conseguiam ser ainda mais....Diferentes?

– Sem ofensas, são muito bonitas, mas...Elas são muito curtas.

Vic bufou e foi até a montanha de roupa. Puxou um short jeans todo desfiado na barra que provavelmente mostra demais as coxas, um blusão preto com uma cruz estampada cheio de letras, sem mangas ou rasgada nas laterais, e atirou as duas peças em cima de mim.

– Vista. Vai combinar com o seu sutiã. E fique tranqüila não é nada satânico — tentou fazer piadinha por causa da estampa. Eu fiz careta. -...Calce este all star também.

– A onde vamos? — perguntei enquanto tirava minha calça e colocava as outras peças.

Como eu imaginei, o short ficou muito curto, dava impressão que minha bunda estava aparecendo. Já a blusa deixou praticamente todo meu sutiã de fora, á qualquer movimento. Calcei os tênis também.

– Vou te apresentar uns lugares. Qual você acha melhor? — pediu parando na minha frente com dois vestidos, sem muito detalhes e claro...Curtos.

– Vai com preto — dei de ombros.

Ajeitei meu cabelo como pude e pedi para ir no seu banheiro cuidar um pouco da minha aparência.

Algumas coisas ainda são novidades sim, mas tudo até fluía facil para meu espanto, como se eu já me sentisse ''em casa''. Apesar de estranhar no incio quando me olhei no espelho não me senti mais assim, quero dizer, as roupas ficaram legais, mas a propria Melinda que vi no espelho parece não ter dormido à mês. Maquiagem borrada, cabelo todo revoltado e tentei desembaraçar com meus proprios dedos mas desisti daquelo bolo de fios meio segundo depois. Desisti de ser a Melinda Perfeita Valentin, da aparência impecável.


[...]


Nunca imaginei que estaria em lugares ''anormais para minha realidade'' nas rendondezas de Los Angeles. Vic e eu fomos em alguns bairros cabulosos, distantes de tudo e mal-encarados. Lojas que mais pareciam Sex shops, ou talvez sejam. Prédios em ruínas, muros pichados, latas de lixos sem recolher...Eu nunca tinha ido num Suburbio de verdade. E para nos companhar nas compras uma garrafa de Vodka por conta da ruiva.

– Fala serio, você ficou muuuito gostosa. Olha isso! — disse apalpando minha bunda enquanto eu tentava olhá-la no espelho da loja enfeitado com adesivos do tipo; ‘’Eu amo pau‘’, ‘’ Me chupe‘’, ‘’Adolescentes sem vergonhas’’, e etcs obscenos.

– Não acredito que você não sabia o poder que tem nessa poupança — e brincou batendo me dando um tapa. A calça justa combinava com a minha nova blusa. Futil e descola.

– Deixa de ser lesbica! É só uma calça — desconvercei mas aceitando que fiquei muito...Gostosa, como ela disse.

Eu sorri, na verdade gargalhávamos de tudo, exaltadas por causa do álcool e as brincadeiras bobas. Perdi as contas de quantas roupas, sapatos, lingeries, foram experimentados. No carro da Vic havia mais de umas 10 sacolas só do que acabei de citar, e estamos comprando mais.

– Eu quero isso, isso, e isso! — ela colocou três pares de sapatos no balcão do caixa e mais uma calça jeans, para mim. Saímos da loja com as caixas nas mãos e enfiamos tudo no carro. E por causa de idiotice como essa eu declarei que este é um dos melhores dias da minha vida!

– A gente estourou o limite do meu cartão! — gritou, jogando seu celular no meu colo, nele li uma mensagem do banco informando sobre o estouro do limite e gargalhei junto com ela.

– Estamos pobres! Oh não, eu quero mais Vodka — tombei a boca da garrafa para baixo, conferindo que não tem mais nenhuma gota para derramar. Fiz bico.

– Tenho algo melhor...

Eu não sabia o que seria esse ''melhor'', apenas concordei. Ela arrancou o carro com tudo, quase levando junto o poste na nossa frente.

– SUA CEGA! — gritei ao perceber que ainda estamos vivas.


[...]


– Meu amor esta de volta. Sentiu saudades, baby?

Entramos na garagem da casa sem bater, onde havia 4 garotos dentro de uma Chery antiga fumando e escutando rap. Um deles - moreno, alto e usava roupas largas - veio cumprimentar Vic com um sorriso enorme no rosto.

O abraço de reencontro deles foi longo e caprichado, eu fiquei assistindo até ele notar minha presença.

– Quem é a loirinha? Gata, eu sou Gow e estes são...Steve, Breik e Ivan.

– Eu sou Mel...- não senti necessidade de dizer meu nome todo, Mel soou bom para ocasião.

Nenhum sorriso deles foi como quisessem sugar toda minha sorte de vida perfeita, falar comigo por interesse, ou me obrigar a agir da forma que não quero. Relaxei sem medo, como se eu tivesse na casa de uns velhos amigos.

Vic sumiu com Gow para dentro da casa e eu fiquei com os outros três. A garagem parecia ser uma oficina mecanica, questionei que quem morasse aqui deve mecher com este tipo de coisa.

– As pessoas de HB não são bronzeadas? — o branquelo que se chama Ivan perguntou fingindo está na duvida por causa da minha ‘’transparencia‘’. Ele também fugia dos padrões do gueto; branco, cabelo loiro e liso até o queixo, e dono de uns olhos azuis bem claros.

– Acho que é por isso que ninguém gosta de mim lá — brinquei aproximando do carro.

– Aqueles branquelos ainda acham ser os donos de HB?! — Steve soltou o comentário em forma de pergunta, entendendo minhas palavras de uma maneira errada.

Breik se afastou da porta e bateu a mão no espaço que ficou no banco, chamando-me para sentar do seu lado. Os dois morenos tinham as mesma características que Gow, a unica diferença é que usavam boné aba reta da mesma marca.

– Vocês conhecem...Matt, Zacky...

– Synyster, pequeno Johnny e Rev? — Breik continuou minha frase. Quando disse ''pequeno Johnny'' percebi que quem entendeu errado foi eu. Pensei que eles também fossem mais ''inimigos'' que eu não deveria me envolver. — Conhecemos aqueles viados.

– Viados?

– Aqueles 5 não são normais, bro — Ivan entrou na conversa, arrancando riso dos outros dois, e me deixando fora da piada interna.


Vic e Gow voltaram derrubando alguma coisa pelo caminho. Assim que passaram pela porta os olhos da ruiva encontraram os meus e ela parou de sorri automaticamente. — Será que ela vai topar? — ouvi murmurrar para Gow.

– Creio que sim baby, mas vamos perguntar — então ele me encarou com uma expressão serena ao contrario dela: — Mel, você por acaso já experimentou maconha? — apenas neguei com a cabeça sem saber o que dizer. Observei todos trocarem olhares tensos.

– Mas estou disposta a experimentar! — acrescentei rapidamente, com medo de ser julgada.

Os dois vieram para dentro do carro, ficando na parte da frente, enquanto eu fiquei com os outros três atras. Então Gow pegou um "cigarro" e ascendeu sem cerimonia, puxando uma vez e depois de alguns segundos soltou a fumaça. Repetiu isso uma segunda vez e passou para Vic que fez o mesmo. Breik, Ivan e Steve imitou os dois, e então a próxima seria eu, mas não dava para receber o baseado pela a distancia que fiquei, então Breik pediu para mim sentar no seu colo e Steve pode ficar do nosso lado confortavelmente.

– Baby é fácil, eu vou colocar na sua boca e você "tenta" encher o pulmão com a fumaça, espera uns três segundos e solta — afirmei com a cabeça dizendo que entendi.

A sensação de puxar aquela fumaça era divertida e depois que a soltei, esvaziando meus pulmões, senti algo gostoso me acalmar. Breik me incentivou a repetir mais uma vez, depois fez o mesmo e devolveu o ''cigarro'' para a rodinha mal feita.

Por varias vezes ele rodou entre nós, até Ivan jogar longe a pontinha que sobrou. Eu fiquei olhando a brasa ainda acesa no chão, me sentindo...Não consegui parar de olhar aquilo, a brasa tinha uma cor muito bonita, laranja intenso, o brilho...Era lindo.

Meu nariz esta derretendo — acho que isso saiu de mim. Ouvi milhões de vozes gargalhando de todos os lados ao mesmo tempo, desviei os olhos da brasa colorida de vermelho com laranja para ri junto com eles não sei do que.

Eu flutuava sobre o colo do Briek, tão leve como uma simples pena solta ao ar livre. Serio, nunca pensei que eu conseguia voar e derreter ao mesmo tempo, incrivel!

– Tenho poderes magicos — acrescentei descrevendo minhas sensações mais um vez. Mas não consegui curti meus poderes tão bem quanto queria pois algo quente cobriu minha boca, eu abri os olhos — que nem sabia estarem fechados — e encontrei o rosto do Breik colado no meu, olhos fechados, enquanto tentava me beijar.


Notas finais
Como prometido capitulo postado!
Dá pra percebe que Melinda entrou numa nova fase, e antes de qualquer coisa prefiro deixar claro que minha personagem esta sobre influencias de novos amigos e espero que entendam. Eu sou contra, mas estou interessada escrever sobre drogas, e espero não assustar ninguem! haha Então me digam se esta tudo bem. Certo? Certo!