Angel Devil
12 Brian é o Melhor.
Empurrei Breik, interrompendo nosso beijo desengonçado, porque aquelas mãos idiotas foram parar dentro do meu short.
– Qual é loira, esta se fazendo de difícil porque? Olha, sua amiga esta se divertindo — insistiu, tentando voltar a me beijar. Eu desviei para olhar Vic e Gow ocupando apenas o banco do motorista, praticamente se engolindo ou transando ao ar livre. Tipo de cena que não faz bem assisti no momento.
– Eu quero ir no banheiro...- murmurrei gruge.
O efeito da droga me obrigava ficar aqui, deitada no banco de atras enquanto o garoto por cima de mim tentava transar comigo. Ele era o problema, ou talvez eu...Não senti nada, nem um pouco vontade de aproveitar feito a minha amiga ali. Eu queria mesmo era fumar, me fazia esquecer todas as merdas, sentindo meu corpo ir para o lixo em meio ao prazer de fluar e derreter ao mesmo tempo. Só sei que é uma sensação ÓTIMA e eu quero mais, muito muito muito mais. Mas torramos todo o estoque do Gow, o que me irritou profundamente.
– Eu tenho a porra do dinheiro, posso comprar quantos baseados quiser! Agora vamos, cadê? Quero mais! — lembro ter dito isso, mas o moreno não deu idéia. Rindo da minha cara, puxou Vic para seu colo e completou me chamando de viciada.
Feito criança, odiando ouvir ‘’não’’, aproveitei que Ivan e Steve saiu para deitar no banco com raiva deles. Então Breik aproveitou também e veio com o seu corpo para cima de mim calar minha vontade de outra forma, que não deu certo, claro. Os gemidos da minha amiga vadia aumentaram, eu bufei afim de sair o mais rápido daqui. Mas não tão rápido, pois desajeitada acabei caindo de bunda no chão do lado de fora do carro, e em vez de soltar mil palavrões que adquiri ao meu vocabulário, comecei a engatinhar na direção da luz e quando percebi já estava do lado de fora da casa, com ar fresco batendo no meu rosto cheio de fios grudados por causa do suor. Eu fui em direção ao carro dela estacionado debaixo da unica árvore no quintal, cambaleando sobre meus dois pés esquerdos.
Abri a porta de trás, entrei tirando sacolas e mais sacolas do meu caminho, e me joguei de qualquer jeito no banco de couro, deixando meus pés do lá de fora. Fechei os olhos, anestesiada da cabeça aos pés, e fiquei assim por alguns minutos sem mover um dedo, enquanto viajava...
– Oh make over, I’m all i wanna be, a walking study, in Demonology — do nada uma voz feminina surgiu acompanhado pelo som da guitarra, eu abri os olhos de uma só vez sem entender o que acontecia – Heeeeey, so glad you could make it, Yeeeah, now you've really made it, heeey, so glad you can make it nooooow – demorei um pouco mais para entender que era o celular da Vic tocando no banco da frente. Voltei fechar os olhos, torcendo para aquela merda calar mas não aconteceu. Rosnei irritada, movendo um pouquinho para direita e levei meu braço até o banco da frente. Tateei o assento, então encontrei a merdinha vibrando sem parar.
– Alô?
– Vic? — foi a sua voz na linha. Até parei por instante, achando que estou viajando demais, mas Brian falou novamente:- Vic?
– Não, sou eu...
– Melinda? Não esperava ser você...Está tudo bem? — quis saber, parecendo surpreso.
Respirei fundo me ajeitando no banco e franzi a testa, tentando concentrar nele em vez de deixar meu cérebro sofrer um apagão total.
– Não. Minha cabeça parece esta fazendo ’’UÁ, UÁ, UÁ’’, e tenho uma vaga impressão que vou derreter a qualquer momento... — minha voz ainda era mole, eu fiquei com medo dele não ter me ouvido, mas a risada do outro lado da linha confirmou que entendeu muito bem o que eu quis dizer.
– Seus neurônios estão queimando...
– Não é não, eu disse a Vic que meu cérebro deslocou. Pena que você não esta aqui para ouvir o barulho...
– O que fizeram com você? — brincou, fingindo esta indignado. — E cadê a Vic?
– Brian, me forçaram a fumar um treco que é muito boooooom! A gente pode comprar mais depois? — sorri com a idéia. A risada dele ficou mais alta, eu fechei a cara — Fala que sim...
– Claro, a gente compra mais, então venha pra cá, eu posso encontrar com vocês pelo caminho...
– Eu não posso — o cortei, imaginando que ela vai demorar com o colega lá um bom tempo ainda.
– Por quê?
– Porque...- suspirei indecisa se entrego minha amiga ou não. Foda-se, ela está lá no bem e bom enquanto eu estou...Bem, não tão mal assim, porque estou falando com ele, mas que isso seja um segredo, Brian não precisa saber como me sinto bem por está falando com ele. — Ela ainda vai querer ficar um bom tempo gemendo no colo do Gow.
Ainda era possível meu rosto ficar vermelho. E Brian demorou uns segundos para falar, parecendo pensar nas minhas palavras.
– Ah tá, você disse Gow? — agradeci mentalmente porque não insistiu na parte de ’’gemer no colo’’.
– Sim. Estamos com Gow, Braik, er, Ivan e Steve.
– Me espera. Eu vou aí — o maluco nem esperou eu digerir a idéia de encontrá-lo novamente, simplesmente desligou o telefone. Eu fiquei um tempo com o aparelho no ouvido escutando o Tum Tum Tum Tum até lembrar que estou um desastre, e ele não pode me ver assim!
Deixei o telefone no lugar de antes e me virei de barriga para cima. Agora toda a energia que a droga me deu se foi, deixando um estrago principalmente no meu estomago. Mas não preocupei com a fome, comecei passar a mão no meu cabelo, juntando-o no alto e tentando deixá-lo liso novamente. Esfreguei meus olhos, manchando meus dedos com o resto da maquiagem preta, mas nada adiantou. Eu estou uma merda!
Voltei fechar os olhos, desistindo de mim mesma antes mesmo de tentar outras ideias, tipo ir até a casa do Gow e lavar o rosto. Nem na base da manivela eu vou funcionar hoje. Então aos poucos fui me entregando ao cansaço e mal percebi quando peguei num leve cochilo...
– Levanta! — levei um tapão na bunda.
Mesmo querendo dormi por mais mil horas não tive escolha. Me sentindo um bagaço ajeitei minhas roupas e fui encontrar Brian do lado de fora do carro. Ele olhava para o portão da garagem aberto, parecendo tentar ver alguma coisa, mas daqui não tinha jeito. Voltei olhar para ele, flagrando-o não mais interessado no portão.
– Oi — não sei se isso servia, mas nem liguei. Estou me sentindo melhor do que segundos atras.
Brian usava as mesmas roupas de ontem, mangas erguidas até seus cotuvelos, e tirando seu o cabelo que agora apontava para todos os lados bagunçado sem ajuda do gel.
– Oi zumbi — ele brincou reparando meu estado trágico. Mas dentro da minha cabeçinha paranóica não levei tão na brincadeira assim, fui prisioneira da minha aparência por quase toda a minha vida, nunca conseguiria mudar da noite para o dia todos os anos que vivi daquilo.
– Eu sei que pareço uma pessoa atropelada por um trator, mas antes minhas noites nunca foram passadas fora da minha cama, e... — tentei explicar enquanto arrumava meu cabelo pela milésima vez debilmente por causa dele.
– Ei, eu estava brincando. Mel, para com isso — disse, impedindo-me de completar os movimentos atrapalhados, segurando minhas mãos. Meu coração começou a bombardear fortemente em respostas ao seu toque, ou porque ele me chamou de ''Mel''. É normal gostar tanto de alguém dizendo seu nome assim? Eu acredito que não.
– Esta com fome? — perguntou alheio o que acontecia comigo em relação a sua proximação. Ceus, só eu podia sentir? — Conheço um lugar aqui em Los Angeles muito bom — sugeriu, ao em vez dos meus sentimentos sabia milagrosamente da minha fome.
– Sim, estou com muita fome. Mas você promete me deixar em casa depois? Não posso mais brincar com a sorte desse jeito, tenho que esta lá o mais rapido possivel.
– Claro — prometeu abrindo um sorriso diferente, que acabou me fazendo lembrar de nós dois dentro daquela barraca abafada...Enfim. Se era um plano para me fazer gostar mais dele, acabou de conseguir.
[...]
A lanchonete fica perto da casa de Gow mesmo. Ele pagou nossos lanches e mandou eu calar a boca quando tentava dizer que devolveria a grana depois. Serio. É estranho alguem cuidando de mim assim, sem se importa em receber algo em trocar. Muito estranho.
Mais tarde como prometido, Brian me levou para casa. O caminho era mais longo do que a primeria vez vindo casa do Jimmy, foi quando chegou a hora de nos dispidir que o passeio deixou de ser um momento entre ''amigos'' para algo mais serio, que começou noite passada.
Dentro do Opala, Brian me beijou hesitante no começo, porque eu sou muito lerda para admitir que a gente deveria fazer isso mais vezes, mas ah, mereço um desconto! É surpreendente saber que ele também esta afim de ficar comigo de novo. Definitivamente eu nunca vou acostumar com esta ideia, porque olha para mim e olha para ele,...Não temos nada haver! E como se tivesse sentindo minha insegurança, sua boca se moveu muito mais a sério contra a minha, calando meus pensamentos medrosos e me puxando para mais fundo. Eu então me deixei levar, esquecendo a merda de tudo que me deixava mal enquanto seu cheiro penetrava minhas narinas, distraindo meus sentindos como uma presa facil e misturando com o seu gosto de chiclete de menta que nós dois dividimos.
A mistura de tabaco e perfume masculino ficava mais forte aqui no carro, dificultando minha vontade de ir embora principalmente, e eu sei que levarei comigo o seu cheiro bom. Com cuidado para não quebrar nosso beijo, Brian me puxou aos poucos até a beira do banco, perto da macha, e percebendo que não tem mais jeito de ficamos mais proximo um do outro suas mãos entraram em ação, deixando minha cintura para deslizar pelas laterais do meu corpo. Era bom, eu nunca fui tocada assim, e ao mesmo tempo confortável sentí-lo deslizando sobre minha pele com calma.
Pensando bem, eu posso ficar assim por horas sem cansar, compreendedo por fim porque as pessoas necessitam tanto disso. O carinho, a atenção, a temperatura de nós se misturando...Para mim Brian é o melhor, com certeza é.
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