Angel Devil

22 Melinda Perfeita Valentin.


Notas iniciais
Caramba, antes quero dizer...EU GANHEI DUAS INCRIVEIS RECOMENDAÇÕES!!!E começo a sorrir sempre que lembro disso!
Miwa_Mazur que já é minha leitora fiel aqui e me deu susto quando vi 1 recomendação hahahaha E Little Poison, me fez sentir especial chamando atenção de alguém que não gostava tanto da banda. Espero que sua curiosidade aumente ainda mais por eles, é viciante! *---*
Mas eu quero agredecer mesmo pelo apoio, serio gente ♥ ♥ E pedir desculpa pela demora. Dessa vez eu fiquei enrolando demais, não tenho nenhuma desculpa para falar hahaha u.u'
Bom, boa leitura ♥

Liberdade.

Foi o que pensei ter conquistado dançando loucamente naquela noite sem Brian. Eu lembro bem, a sensação de liberdade, sentindo-me livre, como tivesse ganhado uma segunda chance de vir ao mundo como outra pessoa — outra pessoa que eu desejei ser em todos meus 17 anos. Isso não é novidade. Mas neste exato momento, olhando fixamente meu reflexo no espelho oval, nada parecia com a minha liberdade.

É como se Francisca tivesse jogado um balde de água fria em mim, acabando com todas as esperanças que cheguei acreditar e criar. Tudo foi tão novo, tão...Que me deixei levar facilmente pela ilusão, acreditando que finalmente estou livre da vida robotica, da boneca viva, das mãos de Francisca. Porém a largata continua trancada no seu proprio casulo sufocante, sustentando pela mamãe do mal. Eu sei, isso não faz sentido, mas a garota ali — usando um longo vestido tomara-que-caia, com rendas em salmão cobrindo seu busto até a cintura, não sou eu.

A antiga Melinda Valentin está de volta. Olhos brilhando, mas não de emoção. Lábios fechados numa linha suave, mas tentavam não se curvar num rosnado alto. Rosto sereno, mas escondendo a profunda sensação de agonia. Postura correta, mas ao mesmo tempo exalando todo ar puritado e delicadeza que só a garota perfeita em Melinda consegui ter.

Ela está de volta!

Por dentro queria rasgar este estupido vestido virginal, bagunçar meus cabelos presos naquele penteado ridiculo que mais parecia uma concha, sem nenhum fio fora do lugar á não ser minha longa franja jogada de lado e caindo na lateral do meu rosto, fixada por grampo discreto atras da minha orelha, apertando meu couro cabeludo. Imaginava a cena dessa perfeita idiota arrancando os saltos, jogando-os pela janela, e tirando a patetica jóia brilhando no dedo direito da mão direita, para dar a primeira emprega que encontrar. É um delicado anel de ouro, com uma pequena pedra que deve valer mais do que um apartamento em frente a Torre Eiffel.

Isso não é a droga da minha liberdade!

Será que existe sensação mais assustadora do que essa? Eu assitia meu passado vir à tona sem ao menos fazer esforço. Eu não quero isso. Nunca mais! Merda. Nunda mais!

– OH MEU BONDOSO DEUS! — seu grito me fez desviar dos olhos verdes no espelho para mirá-la entrando no quarto com um enorme sorriso de vitória. Sim, Francisca tinha vencido essa. — Você esta tão linda.

''Linda?''- perguntei mentalmente com deboche — '' Sim, estou linda. A estupida Freira da aparência impecavel realmente é linda! '' — e voltei encarar meu reflexo no espelho, obrigando meu rosto continuar com a mesma mascara neutra.

Este era o terceiro vestido que eu havia provado, o penultimo foi no domingo antes de Brian mandar sua mensagem. Por irônia do destino Francisca decidiu que o segundo vestido não tinha ficado bom no meu corpo também, então eu fui obrigada ficar em casa para decidi qual seria o proximo e disperdiçar minha chance de esta com ele outra vez.

Eu escolho Brian, mil vezes Brian. Não me importo com essas bostas de vestidos, eu poderia ir com qualquer coisa. Mas tudo para Francisca tem que ser assim, na medida da perfeição, e desde então estou pagando tudo que causei à ela, sendo seu fantoche novamente, e cobrada com juros.

– Só falta fechar mais um botão e...Pronto. Lindo! Maravilhoso! Eu não lhe disse, senhora Valentin?Não me lembrava deste vestido na loja, ainda bem que o encontramos. Parece que foi feito para sua filha — a costureira terminou, apertando mais do que necessario os ultimos botões. Já posso imaginar meus pais me levando ao hostipal no final da festa com hemorragia, porque eu preciso ter uns quilinhos a menos para caber em uma coisa feito esta. Nunca fui uma garota magra, tudo no meu corpo é mais redondo, mesmo cabendo no padrão ''normal'' da estetica. Também nunca me importei com isso, até vesti este esmagador de tripas.

– Melinda vai ser de longe a mais linda da festa...- a mulher continuou.

Eu nem tive o trabalho de retribuir o elogio, ainda me ''admirando'' no espelho enquanto Francisca falava no meu lugar:- Oh, claro que será — e tocou a saia do meu vestido satisfeita.

Ela agia como se soubesse o quão é torturante até o som da sua voz. Minha mãe não cabia dentro de si. Sua noite de gloria havia chegado como muito tempo não acontecia. Sua família reunia na frente dos holofotes, bajulados e rodeados de gente importande. Quanta babaquice!

Eu desci do pequenho banquinho branco, tentando equilibrar sobre as agulhas nos meus pés enquanto saia do quarto deixando-as para trás ainda tagarelando o quão estou linda. Caminhei na direção da escada de cabeça baixa e ao chegar no primeiro degrau da escada, o vi parado no final da mesma usando o tradicional smoking preto para a festa de gala.

Seus olhos passaram pelo meu vestido enquanto um sorriso crescente abria em seus lábios, e por fim nossos olhos se encontram. Eu não pode deixar de sorri também para seu visual elegante; cabelo penteado para tras e os sapatos sociais brilhavam por causa do lustre em cima das nossas cabeças. Diego estava bonito.

– DIEGO! — exclamei numa unica batida forte do meu coração, tentando descer o mais rápido que o saltos deixavam. Fui apanhada antes mesmo de chegar no chão e envolvi seu pescoço num abraço muito, muito preciso. — O que esta fazendo aqui?!?!

– Não te contaram? Serei seu par esta noite.

– Não...Isso é tão legal!

Fode-se quem teve a ideia, ele estaria comigo como esta na escola, ajudando-me aguentar tudo isso, juntos!

– Eu não ia te deixar sozinha, achou que eu iria? — perguntou proximo ao meu ouvido, para ninguem da casa escutar.

– Acho, eu acho que não...Não tinhamos conversado sobre isso alguma vez. E eu nem sabia que tenho que ter um par para esta noite...

– Nem eu, mas minha mãe fingindo como quem não quer nada, você sabe como é...Ela sugeriu. Querendo ou não é uma desculpa brilhante.

– Verdade.

– Á proposito, você está linda.

Fiz uma careta e eu tive que dizer o mesmo quando nós afastamos: — Você também está lindo neste smoking. Uaaaau. — cutuquei sua barriga com tom de brincadeira na voz.

– Eu fico lindo até fantasiado de pinguin — gesticulou para si mesmo se achando a ultima bolacha do pacote. Eu revirei os olhos e assoviei o clássico ''fiu, fiu'' pra ele se sentir ainda mais o gostosão.

Era estranho vê-lo dentro daquilo, sem suas camisetas e bermudas de surf. Se Vic o visse agora provavelmente me perguntaria se Diego não é um príncipe de verdade, mesmo. Contudo seu jeito fofo de me tratar, o tom brincalhão, e expressão tranquila, continuam ali, funcionando como meu remedio particular. Só ele mesmo para torna de repente tudo isso um pouco mais suportavel...

Sorrimos um pro outro, dando mais uma conferida no nosso visual diferente, e ele perguntou: — Pronta? — ofereçendo sua mão. Eu acabei aceitando junto com um longo suspiro atravessando meu peito.

Eu podia muito bem pegar sua mão e arrastá-lo para bem loooonge daqui, mas meu pai não ficaria feliz comigo e eu não quero magoá-lo á essa altura.

– Nem um pouco — respondi por fim. Então fomos na direção da sala principal onde o dever já me chamava.


[...]


Mil clicks, quer dizer, mil flashes.

Eles pipocavam de toda parte, enquanto nossos nomes eram gritados, pedidos de gestos para as fotos, perguntas sobre rumores...Queriam de qualquer jeito se aproximar agressivamente com suas câmeras como se fossem armas contra nós. Eu agarrei o smoking de Diego, tentando procurar algum apoio ao erguer meu rosto e encarar toda aquela gente euforica.

Por que tanto medo? Sei muito bem o que me aguardava do lado de fora deste lugar. Mas, não consegui evitar a sensação de pânico quando dei de cara com eles já dentro do carro, porque dessa vez tudo parece tão diferente. Eu não consegui esbolçar um sorriso se quer, demonstrar minha alegria pelo meu pai, encarar as pessoas como se eu fizesse parte disso. É como volta andar de bicicleta depois de anos sem tocar em uma, a gente não esquece mas perde toda a prática.

Arrisquei uma segunda olhada e eu senti, a merda da falta de pratica e a antiga Melinda bastante presente, porque ninguem pareceu aborrecido com a minha falta de interesse. Ao contrario, minha aparência os agradavam. Mas só a aparencia podia ter mudado para agradá-los, porque por dentro eu continuo a mesma que aprendeu gostar das festas no surbubio, do meu piercing na língua, das drogas, do álcool aquecendo meu corpo, dos sentimentos confusos por Brian, das consequencias e das amanhas com ressaca...

Isso era o que soava perfeito para mim.

– Por favor se afastem. A família Valentin ira falar com impressa mais tarde...Com licença, com licença — o agente do meu pai agiu rápido, juntando os seguranças para nos levar para dentro da casa de teatro, a principal da cidade, que foi escolhida para celebrar o aniversario de 52 anos da empresa onde meu pai é o coração, o cérebro e os pulmões.

O chão parecia que já não era tão firme para sustentar meus pés, eu temia cair assim que dêsse o primeiro passo na frente de todo mundo. Quando mais um flash veio contra mim foi impossivel mover então. Diego percebendo minha relutância tirou seu braço em volta do meu para abraçar minha cintura, me dando mais sustancia. Eu aproveitei para fazer o mesmo com ele, sem pensar duas vezes.

– Sorria — surrurrou suavemnte. Eu ergui meu rosto na direção do seu, procurando seus olhos para lhe mostrar que não sou tão vulnéravel assim. E fiz o que pediu: Eu sorri.

Mais flashes pipocaram contra nós dois, registrando o momento.

– Por aqui...- o agente nos interrompeu, acabando por quebrar nosso contato visual para prestar atenção no caminho.

Sobre um imenso tapete entre a impresa e os curiosos, passamos até a porta medieval do teatro se abrir, dando toda a visão de como o salão lindo com a decoração classica e a música instrumental tocada por uma banda ao vivo, preenchendo o ambiente junto com as vozes.

Eu quase bati numa pilastra se Diego não tivesse me puxado antes. Levei um tamanho susto e meus olhos se arregalaram para ele imediatamente, aproximando meu corpo do seu e fugindo da quase-vergonha. Então outro flash surgiu, registrando este momento também.

Olhei para o fotografo permitido na festa, e ainda com a câmera no rosto ele aproveitou para tirar mais uma foto. Serio, eu já enxergava estrelinhas piscando na minha frente...Fechei os olhos e virei minha cabeça na direção do ombro do meu amigo, escondendo meu rosto perto do vão no seu pescoço na esperança da reação passar. Nada aconteceu. A sensação de ansiedade, suor frio, sufocamento, estão muito presentes dentro de mim como as estrelinhas na minha visão. Nada vai passar. E eu preciso me acostumar com ideia de ser a Melinda Perfeita Valentin pelo menos esta noite ou o vexame vai ser pior do que eu esperava.

Me obriguei respirar bem fundo, sentindo meu corpo não completar todo o movimento por causa do vestido esmagador de tripas. E obriguei meu cerébro raciocinar numa boa ideia para me tirar desta situação. Fugir, era só o que ele me dizia.

– Tire uma foto da familia reunida por favor — a voz da minha mãe me fez voltar o rosto para o salão. De repente estavam todos aqui. Juntos, família Amorim e família Valentin, foram fotografados diversas vezes.

Então os minutos seguiu e chegou a hora dos cumprimentos e sorrisos falsos.

– Você esta linda, minha querida — Laura disse. Beijou o rosto do seu filho e me deu um forte abraço, sempre sorrindo feito Francisca, com todos os dentes amostra. — Vocês dois são um belo casal, estão lindos. E espero que você vá jantar um dia desse em nossa casa, Melinda. Temos muito o que conversar.

Tudo que eu e Diego podiamos fazer era sorri de volta, para cada palavra, elogio, fotos e olhares, durante os arrastados minutos rodando aquele salão. Eu não entendia como aquelas pessoas nos tratavam, era diferente da escola, lá são meros adolescentes curiosos com a vida dos outros, eu mando se foder e ficar por isso mesmo. Simples. Mas aqui...Com toda essa gente da alta sociedade, o buraco é muito mais em baixo.

O pior que não são somente olhares e cochichos contra mim, há maquinas registrando todos os meus passos como a filha do presitende-geral e a ''primeira dama'' da festa. Eu preferi não descobri o pensamento de cada um, o que tanto insinuavam, o que tando queriam, o que tanto olhavam...

'' Ah, quem dera ter o poder de ceifar um por um'' — pensei irônica, e não, não me sinto nenhum pouco mal por isso.

– Esta é minha futura nora — foi assim que Laura me apresentou a uma roda de amigos. Ela disse num tom de brincadeira, mas me senti muito incomodada com aquilo.

Abri a boca para corrigir mas Diego me interrompeu, apertando minha cintura mais forte do que o normal, num pedido silêncioso para eu ficar calada. Olhei para ele incredula, só que o mesmo apareceu não ser atingido sobre as palavras da sua mãe, continuando ser um perfeito ator.

– Ora, você é bem mais linda do que pensei e ouvir falar...Quantos anos já tem, querida? — um homem elegante de cabelos grisalhos, acompanhado por uma mulher bem mais jovem, virou-se para mim. Na verdade todos no grupo viraram-se para mim, esperando uma resposta.

– 17...Senhor.

Eles sorriram, parecendo não perceber minha hesitação.

– Espero que este rapaz esteja te tratando como uma linda moça que você é.

Nada saia da minha boca depois dessa! Fiquei o encarando e tentando não gritar ''Você esta brincando comigo?''.

Amor, diga a ele...

É, parece que todos estão brincando comigo!

Meu coração deu uma batida diferente, surpreso talvez, quando Diego me chamou daquele nome. Eu estranhei totalmente seu tom de voz também. O que deu nele? Não precisa exagerar tanto! As palavras de Laura já são o suficiente para o nosso teatro. — Vou ficar decepcinado ser for verdade.

– Oh, sim, desculpe. Diego é o melhor amigo que eu tenho — enfantizei o ''melhor amigo'', tentando deixar claro o que somos na verdade, mas eles não perceberam ou não quiseram perceber, apenas continuaram ser o que são de frente as câmeras.

Quando terminamos de rodar o salão, depois de falar com a maioria presente e esbanjar simpatia, fomos para nossa mesa reservada. As família Amorim e Valentin juntas como tem que ser. Realmente Francisca e Laura viraram grandes amigas. Já meu pai esta ocupado demais para se preocupar com esse tipo de fultilidade. Ele tem sorte, é o unico aqui que tem uma real motivação para estar onde estar. John ama o que faz, e deve ser legal ser tão reconhecido pelo seu trabalho como ele é.

– Foi tão assustador para você quanto foi para mim? — Diego voltou a sussurrar perto do meu ouvido, sentando ao meu lado.

Ele tinha me deixado alguns minutos sozinha para ir falar com algumas pessoas que seus pais pediram. Eu fingir esta totalmente entretida com o meu pudim, enquanto o olhar do cão farejador não me deixava, esperando me impedir de qualquer tentativa de sair daqui aos gritos.

– Ainda esta sendo — eu confessei baixinho sem emoção, olhando para todos aqueles talheres que nunca foram usados antes, em cima da mesa forada por um pano de ceda que mais parecia lençol de cama, mastigando meu pudim. Pelo menos o gosto do leito-condensado me acalmou um pouco.

– Esta brava, huh? — se inclinou mais perto, tentando ver meu rosto virado pra frente. — Desculpe pelo ''amor''. Eu só tentei ser mais realista...

Mordi meu lábio e acabei cedendo, ficando assim por um tempo apenas encarando aqueles olhos castanhos mais claros do que normalmente são. Mas deixei seus olhos quando o 1110 flash veio do nada. Fechei os meus por um segundo, cansada dessa merda de flash.

– Eu vou matar o proximo que disparar esta coisa! — eu falei entre os dentes, mechendo minimamente meus lábios com raiva.

Minha perna começou a tremer de baixo da mesa, numa tipica reação de nervosismo. Diego riu, jogando a cabeça um pouco pro lado como se zombasse das minhas palavras.

– Não acha que isso não torna tudo mais divertido? Comemorações feito essas acostumam ser chatas, mas olha...Esta surpreendente.

Não deu outra, eu acabei acompanhando-o numa risa baixa, revirando os olhos por causa do seu comentário brincalhão. Sim, esta gente sabe deixar uma festa ''surpreendente''. E parece que meu sorriso fez bem a ele, pois tocou meu queixo, demonstrando gostar da minha boba reação.

Eu fiquei quieta, estranhando sua atitude. Diego estava diferente, sempre foi carinhoso comigo, mas...Diferente.

– Que noite estranha — eu virei para frente, principalmente fugindo da sua mão, de um tão intimo.

Meus pensamentos aproveitou o silêncio para voar, para longe daqui. Brian. O que ele deve esta fazendo agora? Será que esta em mais um lugar ficando bêbado e terminando sua noite com alguma vadia nos braços? Céus, eu sou uma masoquista.

– Aceita? É a melhor coisa neste lugar — ofereci o pudim, também fugindo da minha mente insana. Diego assentiu e eu peguei um pedaço com a colher e coloquei na sua boca, rindo do gesto bobo, mas nosso momento divertido foi interrompido pelo flash 1111.

– Não mate ninguém, por favor. Depois vou ter que esconder o corpo, isso não vai ser legal — Diego trouxe seu rosto para perto do meu dessa vez suplicante, fingindo evitar uma tragedia. Eu demorei dois segundos para entender que ele estava iniciando uma brincadeira nova.

– Não venha me dizer o que fazer! — fingir rosnar — Mesmo que a gente tenha passado algumas noites juntos isso não significa nada. Na-da. Se eu decidi arrancar a cabeça deste homem aqui e agora você levará os restos sem reclamar...Entendeu? — e eu entrei na brincadeira idiota, chegando mais perto de Diego com autoridade. Pode sentir sua respiração quente contra meu rosto enquanto passava minha mão no colarinho do seu smoking, completamento a infantil ceninha com este gesto sexual. Ao mesmo tempo olhamos para o fotografo, esperando o mala se tocar. Felizmente ele entendeu e saiu murmurrando algo como '' Que gentinha louca.'', arrancando risos de nós dois.

– Depois dessa acho que ele nunca mais vai voltar.

– Eu espero que não.


[...]


Meu pai foi apladido pelas cetenas de pessoas presente depois de termina seu discurso. Eu também aplaudi, orgulhasa dele e suas palavras. Mas minhas mãos cairam flaxidas em cada lado do meu corpo quando...

– E agora vou convocar minha família vir ao palco, pois irei anunciar os mais novos planos para o futuro que vocês, bem...Estão ansiando por uma noticia.

Minhas irmãs foram as primeiras subirem, abraçaram nosso pai e o povo aplaudiu a carinhosa cena. Já eu queria dar passos para trás até sumir, desejando que ele esqueça de mim e continue fazendo o quadro da família feliz. Então Francisca pareceu prever minhas reações, antes que eu dêsse um único passo para trás agarrou meu braço, fingindo delicadeza, e me guiou entre as pessoas até aquele palco. Subimos a pequena escada e antes mesmo de pisar lá já eramos apludidas.

– Como todos sabem é tradição o filho homem continuar com os negocios. E o que vocês vêem aqui são minhas lindas garotinhas...- até eu fiquei curiosa para saber o que tanto ele queria dizer com aquilo. Era verdade, rola um certo ''preconceito'' em uma mulher liderar, como meu pai só teve filhas todos já especulavam qual será a decisão quando ele se aposentar. E que eu sabia Francisca e John não pretendem ter mais filhos. — Eu e minha esposa, assim como os lideres dos outros departamentos, chegamos na conclusão que o substituto será nosso futuro genro...- todos soltaram exclamções como '' OH!'', dando grande importancia á ideia e começaram comentar entre si. Meu pai falou mais alto do que eles: — Ele fará parte da família mesmo não sendo meu filho de sangue. Melinda, como a minha filha mais velha, se ingressara numa faculdade no proximo ano, e quando voltar para casa já será adulta e então vai poder me dar este tão esperado genro.

'' Você não esta fazendo isso comigo...'' — eu tentei comunicar com John pelos olhos, quando ele olhou para mim talvez esperando algum gesto ou palavras que não veio. Eu só fiquei encarando-o horrorizada, esquecendo toda aquela gente embaixo de nós ainda falando entre si. ''Eu estou fodidamente perdida!'' — então concluir quando meu pai voltou olhar para eles, desistindo de esperar alguma coisa de mim ou dizer que é uma brincadeira. — ''Mas, mas, mas, e meus sonhos longe de tudo isso?E...''

– Bem, — riu perto do microfone — Vamos tratar da ideia melhor com a nossa familia e quando esse dia chegar eu garanto que todos ficaram cientes. Agora há um festa para terminar. Todos seram bem vindos em nossa casa. Tenham uma boa noite.


Eu seguir John ás pressas quando tomou o caminho contrario do palco. Desci a pequena escada feito um furacão sem ligar para as pessoas, para minha mãe, para aquelas câmeras, para nada.

– Pai, pai, pai. Me diga que isso era só uma mentira para tranquilizá-los — toquei seu braço, impedindo-o de fugir de mim.

– Minha filha...

– Claro que não é uma mentira, Melinda. Da onde você tirou isso? — Francisca intrometeu na conversa, surgindo atras dele.

– Eu que pergunto, da onde vocês tiraram isso?

– Francisca, não aqui, por favor — John a interrompeu antes mesmo de pronunciar alguma coisa — Conversaremos em casa. Melinda se você já quer ir, tudo bem.

– Ah claro, a onde esses urubus banhados de joias estaram também. Minha casa é uma otima escolha — eu resmunguei, mas eles não me deram ouvidos saindo pela direita, em direção a mais papos chatos, se preparando para a ultima parte da comemoração que será em nossa casa.

Eu fiquei assistindo sumirem de vista, plantada em meio os curiosos, quando fui abordada por uma mão pegando no meu braço. Para meu alivio era Diego.

– Eu não posso voltar para aquele lugar — murmurrei mais para mim mesma. — Vá junto com eles Diego. Dê algum desculpa, eu não vou, eu não...

– O que você predente fazer então? Ir atras desses seus ''amigos'' e piorar ainda mais as coisas. É isso mesmo, Melinda? Porque se for, você esta sendo muito burra — jogou as palavras na minha cara, baixo e serio. Também estava bastante nervoso, e me pergunto o porquê. Nada disso afeta Diego como me afeta, ele não tem motivos para ficar com raiva, não é ele que tem pais egoístas, não ele que esta destinada a morrer infeliz.

Eu abri a boca para retrucar, mas como um grande intrometido me cortou mais uma vez:- Não vamos falar disso agora, não aqui, há muita gente olhando. A gente vai para sua casa e ponto final — e ordenou, puxando-me pelo braço da mesma forma que minha mãe fez.

– Não, eu não quero ir para lá...

– Para com isso, Melinda — continou com a sua postura imperfuravel, me deixando ainda mais surtada. Eu já estava a fio de mandá-lo ir se fuder, aliais, todo mundo que pensa que pode mandar em mim assim. — Aguente até sua casa, depois daremos um jeito. Não faça uma besteria.

Mas nem perdi tempo brigando com ele, puxei meu braço brutalmente da sua mão e fui na direção da saída mais proxima, por conta propria. Senti Diego vir logo atras, provavelmente com medo de eu cometer mais alguma idiotice. Será que ele não entende o tamanho da gravida daquela noticia? Eu nunca vou ter uma vida!


Do lado de fora passamos pela gritaria e mais flashes, desta vez eu não dei a minima importancia se vão perceber minha vontade de explodir este lugar ou chorar.

Os seguranças me impediram de andar mais rápido, escoltando meus passos até a BMW estacionada no passeio. Eu entrei no carro e depois Diego fez o mesmo, acabando com os restos dos flashes ao fechar a porta.

A primeira coisa que fiz foi tirar os saltos, deixando de qualquer jeito no chão do carro e encostei minha cabeça no banco, sentindo tudo ao meu redor girar por causa da raiva, mesmo não estando mais naquele lugar bafado.

O ar faltava, cabeça começou a doer, e parecia que o teto do teatro tinha acabado de desabar sobre minha cabeça, enquanto as palavras do meu pai ainda pulsavam feito fortes batidas de martelo na minha mente.

A preocupação, o medo, a vontade de tacar alguma coisa em alguém e não poder...Tudo isso me fazia sentir vontade de vomitar. Estou vendo meu futuro ser entregue completamente nas mãos de terceiros e nada, nada do que eu fale e faça vale de alguma coisa. Meu pai não brincaria com aquelas pessoas, mas valia brincar comigo...Um excelente pai!

Diego se mecheu no banco, mostrando que ainda esta aqui, mas sua presença já não servia pra nada, porque por mais que ele consiga mover montanhas para me ajudar e esta comigo sempre, nada vai ficar tudo bem dessa vez. Melinda Perfeita Valentin não esta com seus dias contados como eu sonhei.

Nunca teria liberdade.

– Você não sabia disso? — então ele puxou papo para o assunto que passei até ter medo de falar em voz alta. Apenas neguei com a cabeça olhando as luzes da cidade passar pela janela.

– Isso é tão injusto — eu desabafei um bom tempo depois da sua pergunta. Em resposta senti um calor sobre minha mão. Diego entrelaçou nossos dedos, tentando de algum jeito me confortar.

O clima parecia que a alguem tinha morrido. Talvez até olhando por um outro ângulo eu esteja sendo dramatica demais, há muitos anos ainda pela frente, como meu pai disse eu serei adulta, então ninguem vai poder mandar em mim como agora. Eu posso fugir, eu posso fazer qualquer outra coisa que não seja ir para faculdade, eu posso negar o pedido de casamento. Eu não ligo para os bens da família, posso trabalhar...Bem, é até ridiculo quando você nunca lavou um prato na sua casa. E preferi parar por aqui pois é facil fazer planos, eu não estou em condições de ficar acreditando nos meus.

O carro parou, eu reparei pela primeira vez que já estamos na entrada do condominio. O motorista não teve a relutancia de passar como Brian tinha. Foi pensando no seu nome que tudo ficou ainda pior. Escola, faculdade, ser adulta, casamento...Nada incluia minha paixonite aguda. Nada incluia Brian.

O carro parou novamente, agora em frente a casa branca. Daqui eu pode ouvir a festa rolando no jardim logo atras da casa. Havia uma fileira de carros de luxo estacionado na rua que ladrões poderiam fazer festa, mas só um suicida mesmo para entrar aqui e roubar algo.

Eu toquei a marçaneta da porta ainda sentindo o doente estresse me corroendo. Ainda eu queria chorar, sentindo traidora de mim mesma por voltar para esta casa. Mas antes que eu abri-se a porta Diego tocou meu braço.

– Passe alguns minutinho na frente de todo mundo, depois vamos para outro lugar. O que acha?

– Tá bom — nem pensei duas vez. Eu não tenho mais nada a perder mesmo.

Notas finais
Não acabou não, parei aqui porque o capitulo ia ficar maior do que já é :S
Então, entenderam? Porque tanta cerimonia para cima de Diego e Melinda. E ele não me parece tão incomodado com a ideia :x
até o próximo ♥