Angel Devil
9 Isso é um Karma Desgraçado.
Notas iniciais
Tirei meu cabelo do rosto pela milésima vez, teimando olhar meus joelhos machucados, quase se cicatrizando. Eles sumiram, eu deveria imaginar que as coisas funcionam assim. Então meus joelhos ajudavam-me de uma maneira estranha lembrar de tudo à dois dias e meio atrás, e explicar para mim mesma que aquelas pessoas existem, que os flashs não são frutos da minha imaginação. Meus joelhos são a prova disso.
A culpa é do álcool, como diz Jimmy, porque não eu conseguia lembrar, nem a sensação que posso ter sentido no meu primeiro beijo. Será que teve alguma? Eu não lembro.
Um suspiro entediado escapou dos meus lábios, eu sentei direito no banco do pátio sem nada pra fazer e sozinha, esperando a próxima aula começar. Alice e Bia provavelmente estão me procurando pela escola, e este é um dos motivos para mim esta aqui. Elas nunca passariam nesta parte do colégio, são as regras dos populares. Ou estão distraídas demais com a novidade: Diego agora estuda aqui, para alegria da nação feminina do Ocean Hich School que não larga do seu pé.
Revirei os olhos lembrando das inúmeras caras-de-pau se apresentando e puxando saco, convidando-o para fazer parte do seu grupinho super cool. Mas Diego me surpreendeu, recusou a maioria das bajulações com breve palavras e as vezes ficando sozinho como um novato normal. Bom, essa segunda parte não durava muito tempo, se não estava com os puxas-saco ele ficava atras de mim tentando ganhar minha amizade, é o que dizia.
Toda vez tentei deixar claro que não sou de conversa quando estou longe dos olhos da minha mãe, porem ele foi o único que não entendeu, ou fingiu não entender...O que é mais provável. Me irritando sempre que tem chances.
Mas infelizmente a noticia do dia não pára por ai: Fui chamada na diretoria no meio da aula de química para ouvi a informação que me condenou passar o resto o mês pagando pelos pecados que cometi à um dia e meio atrás. Serei a ajuante de Diego. A Diretora nem ao menos perguntou se concordava com isso, mas não tive coragem de impedir depois que ela comentou sobre somar pontos no meu currículo escolar. Então, sou eu que vai lhe mostrar tudo de bom que tem no Ocean, ajudá-lo nos deveres de casa, trabalhos em grupo e ainda ajudá-lo ficar em dia com as matérias...Eu sei, isso é um karma desgraçado. Eu sei!
E tenho certeza que não foi pura coincidência. O sorriso descarado no rosto dele foi o suficiente para mim entender quem teve a brilhante idéia. Mas tudo em prol da minha formação com chave de ouro e dar orgulho a Francisca quando Harvard, Yale, Stanford, ou qualquer Universidade grande, me aceitar como caloura.
Ela só não vai sorrir com gosto quando eu contar qual será o curso: Música. É a única certeza que tenho em relação a talento e paixão. Minha participação nos eventos da Igreja e no grupo da escola serviu pelo menos para mostrar o que posso ser um dia. Não que eu possa ser uma artista, tocar numa banda, algo assim, mas é o único jeito de ficar mais perto da música e aprender mais. E quando me formar, sei lá, me perde neste mundo, ou montar uma gravadora, ou uma loja de música instalada bem na avenida mais movimentada de New York. Ok, isso são detalhes quase impossíveis que eu vou conquistar com muito suor, sem tirar nenhum aproveito do nome Valentin.
Esses são meus planos para o futuro, nada comparado com o que minha mãe tem em mente. Mas agora, a única coisa que preciso preocupar é com a prova de Inglês que esta por vir. O sinal acabou de bater.
Sexta-Feira á noite.
– Oh não! Vão me enforca! — exclamei afoita, tentando desenrolar minhas pernas do cobertor e num pulo eu já estava debaixo do chuveiro tomando o banho mais rápido da minha vida. Já faz mais de 1hr que a festa de Santo Antonio começou e eu estava...Tirando meu sono atrasado.
Esqueci completamente da comemoração.
– Droga! Droga! Droga! Droga! — repiti correndo até meu closet, quase escorregando sobre meus pés umidos.
Ao menos tinha escolhido o que vesti antes. Respirei fundo e me arrumei devagar para não esquecer nada, afinal, atrasada já estou, o importante agora é estar lá. A Igreja não vai pegar fogo sem mim, nem que seja por algumas horinhas.
Calça skiny, blusa branca por baixo da minha mini-jaqueta jeans, e salto preto fechado, foram o que eu escolhi. Dane-se o que Francisca vai pensar quando me ver sem seus vestidos, cardigã, sandálias apertadas e cafonas. Faz dias que estou inspirada a cometer uma revolução mesmo.
Me maquiei, ao mesmo tempo catando meus pertences pelo quarto. Então notei que a tela do meu celular piscava sem parar, no visor tinha mais de 25 chamadas não atendidas. É, talvez a Igreja esteja pegando fogo...
Não arrisquei retornar para avisar que estou indo, eles me querem lá e só vão me deixar em paz quando eu estiver lá.
Por sorte a Igreja é dentro do Condomínio, eu não precisei pegar trânsito. Consegui encontrar uma vaga entre centenas de carros já estacionados, e o resto do caminhei fui a pé, já ouvindo daqui o barulho da festa rolando. Nada de fogo.
– Graças a Santa Maria! Onde você esteve Melinda? — A Irmã Marlene me abordou no jardim todo enfeitado, de frente a Igreja.
– Algum problema? — ignorei sua pergunta já erguendo minhas mangas para por mãos na massa.
– Alguns estão resvolvidos, mas sua mãe não para de pergunta por você. Vá ver o que ela quer, depois venha me encontrar.
– Obrigada Irmã.
Acredito que todos já estão aqui. Eu fui até as mesas, e em uma delas encontrei minha família junto com a família Amorim. Ótimo. Sorri cumprimentando todos, e ignorei o olhar de detetive da minha mãe, sentando o mais longe que pode do projetinho de bom moço, mas por um outro lado fiquei entre minha mãe e minhas irmãs detonando os doces da mesa.
– Esta tudo muito bonito — comentei com a minha mascara suave, observando as cores alegres espalhadas em todo parte; fogueira imensa estalava, crianças se divertiam com as barraquinhas, e música Católica saia das caixas de som que eu tive muito trabalho em intalá-las junto com o Jake.
Estava perfeito...Para eles.
– Tudo de bom gosto. Me contaram que foi você a decoradora — ouvi a voz da Laura mas não prestei atenção se era para mim. Ouvi Diego falar alguma coisa, e o outro assunto que falavam antes voltou a mesa, disfarçando meu deslize. Acho que eu deveria agradeçê-lo, mas não fiz.
– Você já foi falar com todos? — Francisca me lembrou, se referindo espalhar sorrisos falsos e cumprimentos por aí.
– É...Eu tenho...
– Melinda — Diego nos interrompeu, e entramos em contado visual de novo. O que é dessa vez? — Me acompanha até uma das barracas?
Olhei primeiro para Francisca e o sorriso que ela abriu — esquecendo completamente o que acabou de me mandar fazer — foi minha resposta.
Levantamos da mesa pedindo educadamente licença, e ele estendeu sua mão para mim, perdendo a noção do perigo, só pode! Fitei aquele mão tensa de raiva do seu jeito abusao. Diego estava se aproveitando que eu não vou dizer ‘’não’’ na frente dos meus pais. E eu aceitei, sem escolha.
– Você esta linda — sussurrou próximo do meu rosto.
– Não abuse Diego...Posso acabar com esse joguinho. Bastar torra minha paciência. E acredite, falta pouco.
– Sabe, quanto mais você me trata mal desse jeito, mais eu vou gostar. Se continuar assim vou acabar achando que é isso o que você quer.
– Pense o que quiser — tentei puxar minha mão mas seus dedos travam os meus. Fuzilei-o com olhar, continuando a falar entre os dentes: — Olha. Não precisa ser assim. Como ver, eu posso ser amiga de todo mundo, mas eu preciso de espaço.
– Mas sempre que aproximo você age como se eu fosse te enjaular. Quero sua amizade Melinda. Não entende?
– Por que hein? — parei de caminhar, ele fez o mesmo. — As pessoas costumam se afastar depois de um tempo, quando percebem que eu não sou tudo que falam. Não gaste seu tempo comigo.
– Por que algo me diz que você resolveu somente ser sincera comigo e com as outros sorri, trata bem, como se tivesse no seu melhor dia? Por que hein? — ele repitiu minha pergunta, imitando também meu tom de voz.
Céus...
– Com você é diferente — se ser sincera o faça ficar distante de mim, é isso que eu estou fazendo.
– Com você é diferente. — também foi sincero, respondendo a minha pergunta.
Não consegui conter um riso nervoso. Olhei para baixo passando a minha mão desoucupada no cabelo, me sentindo contrariada.
Para minha infelizcidade Diego é esperto ao contrario de toda essa gente que sou obrigada a lidar, olha que surpresa! Estou acostumada a manipuladar meus sentimentos com simples palavras, deixar tudo conforme Francisca deseja sem nenhum erro, mas infelizmente este efeito não pega nele, complicando minha vida.
– Está bem. O que você quer mais, hein?Acabou de passar no meu glorioso teste! Sei que não vai se afastar de mim tão cedo — ergui as mãos e batir elas na lateral do meu corpo, me rendendo.
Por ele eu estava disposta a saber até onde vai chegar, algo me dizia que isso vai durar pouco.
– Agora dá para parar com isso?
Diego passou a língua nos seus proprios lábios, parecendo desconfiar das minhas palavras. E eu estreitei os olhos quano ouvi uma risada baixa escapar dele.
– Hm, pensei que ia ser obrigado ajoelhar nos seus pés — brincou, incrivelmente deixando o ar mais leve entre nós.
– Nossa. Você é um chato, sabia? — confessei, aproveitando o ''clima divertido''.
Diego sorriu mais, talvez dando toda razão as minhas palavras. Mas eu parei de importa com esse papo maluco ao sentir sua mão aproximar. Ele tocou meu rosto, eu fitei seus lábios separarem para dizer alguma coisa que foi impedido por duas saltitantes garotas gritando meu nome. Salva pelo gongo, literalmente.
– É sua vez de ir na barraca do beijo! — Alice explicou porque tanta euforia e me puxou junto com Bia. Olhei para trás, querendo saber do Diego.
– Vou comprar um ticket para a barraca do beijo — ele deu de ombros, sorrindo de um jeito descarado. Fechei a cara, mas não tive tempo de retrucar um ’’ Não mesmo! ’’, ele já havia se virado na direção contraria.
A barraca estava conforme eu pensei; Era uma tenda toda fechada e laranja, com uma placa — em formato de boca — vermelha informando do que se tratava. No lado de fora dava para ver a silhueta das duas pessoas, causando um certo mistério e aguçando a imaginação do pessoal na fila. Essa era a idéia. E valia somente um selinho de 30 segundos.
– Verônica, agora é a vez da Melinda — Alice disse para a garota dentro da barraca, eu arregalei os olhos.
– Não, não, não. Pode ficar Verônica.
– Ah não Melinda, eu já fiz caridade demais. Agora é sua vez.
– Uhuuul vai faturar muito! — Alice piscou para mim animada, eu só não revirei os olhos porque fui empurrada para dentro.
– Já tem fila. Olha, aquele não é...- não deu para o ouvir o que Bia disse, a tenta foi fechada abafando sua voz.
Do outro lado ficava a portinha onde a pessoa vem buscar o que comprou, eu preferi continuar de costa para ela rezando pra ninguém vir, e esse ninguém seria Diego, principalmente. Mas de repente senti a tenda se mecher e mordi o lábio, esperando a pessoa falar alguma coisa. Se for a voz daquele projeto de bom moço eu sairia daqui, já basta me render, agora beijá-lo? Vai sonhando! Mas a pessoa nada disse e nem reclamou da minha demora. Eu estreitei os olhos para o nada, então curiosa demais para fugir comecei a virar meu torso para trás, depois meus pés, e pisquei freneticamente, não acreditando com quem dei de cara do outro lado da tenda parado olhando para mim.
– Bri-Bria-Brian?
Notas finais
E não quero ficar dando voltas e voltas, preferi matar algumas coisas em uma tacada só, como a aproximação de Diego, finalmente ele conseguiu o que queria!
Gente que agradecer mais vez por esta acompanhando!!!!! ♥ Na verdade acho que vou fazer isso milhões de vezes, mas tá bom haha Serio, estou amando escrever esta historia e estou cheia de ideias, então até a proxima com mais Brian e Melinda! ♥
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