Angel Devil

18 Hesitante.


Notas iniciais
Acho que estão esperando por isso.

– Por que você não me disse Vic? – praticamente gritei batendo minhas costas contra a parede ao mesmo tempo que olhava para o banheiro onde ela se maquiava.

Faz menos de uma hora que eu tinha fugido de casa, depois dela ter me ligado e chamado para mais uma noite destruidora.

– Por que eram só dois dias. Ele não fugiu ou coisa assim. Ele faz isso sempre! Por que você surtou desse jeito?

– Eu não sei...

Ouvi sua risada.

– Além de apaixonada, ficou paranoica, essa é a explicação – disse, achando que tem certeza sobre meus sentimentos. — Se te deixa melhor: Ele perguntou por você na festa, na casa da Grazi. Bem, na verdade se enrolou todo e disse nada com nada. Eu acabei rindo do seu jeito desengonçado, mas então ele perdeu a paciência comigo e me deixou falando sozinha. É um completo idiota.

– Grazi deu uma festa?

– Sim — disse a palavra monossilaba não dando mais detalhes e eu também não pediria por mais.

Sai da porta do banheiro com os dentes cerrados, falhando ao tentar esconder a inquietação que borbulhava dentro de mim. Sentei no sofá de dois lugares junto com o gatinho que Vic achou na rua, alisei sua cabeçinha perdida em meus pensamentos sobre o desaparecimento dele e um pouco chateada por ter ido na festa atras das suas ficantes.

Vic não tem nada haver com isso, ela fez o que tinha que fazer, mas de alguma forma arrumei um jeito de colocar a culpa nela. Óbvio.

– Você não sabe de nada disso porque fica enfiada no seu mundinho, Melinda! Você não precisa de mim para fazer tudo — se defendeu.

Eu só dei de ombros, mostrando que entendi o sermão.

- Agora... — percebi que sua voz mudou daquele seu jeitinho cheio de personalidades multiplas e ergui meus olhos para ver um sorriso sacana formar nos seus lábios. — Dá para me contar que droga é essa? Você esta sentindo falta dele? Eu não estou entendendo porra nenhuma...

Assim como Diego, também contei para Vic meu drama caotico, procurando soluções. Sem jeito, mordi meu lábio, voltando olhar para minha mão alisando o gatinho, me preparando para falar.

- Eu já te disse tudo. Mas só quero saber porque ele some desse jeito e porque isso me afeta tanto. Foi Brian que começou, Vic! Sempre aparece fazendo surpresas para mim, me dando esperanças, mas de repente some!

Editei meus sentimentos, porque muitos deles ainda não sou capaz de explicar direito e quero guarda alguns só para mim. Também eu tinha prometido apagá-los de alguma forma, só ainda falta descobrir como.

– Tá Melinda, corta essa... Você só esta sentindo falta porque ele não esta correndo atras de você de novo. É isso.

– Por que esta sendo tão má comigo?

– Só quero que você acorde! Aprenda! Antes que seja tarde demais.

– Bem, acho que já é tarde demais...Por que esta fazendo essa cara agora, Vic?

Ela parou de fazer careta de nojenta e desviou os olhos para seu gatinho, o puxou para seu colo enquanto começava dizer: — Na festa da Grazi, Leticia estava lá...- suas palavras foram como tijoladas na minha cabeça. Mordi meu lábio com mais força, como uma derrotada. Eu perdi ele para mais uma. — É isso ai mesmo que você esta pensando! Eu tinha prometido não contar, mas você me surpreendeu com toda essa coisa de ‘’sentimentos por Brian’’.

Com um suspiro pesado encostei minha cabeça na parede atras do sofá, me sentindo ainda mais inferior.

– Brian é tão errado... – ela continuou — Grazi deixou soltar que seu quarto estava ocupado e Leticia lhe devia uma. Depois Johnny disse ''Vai dar merda'' quando viu Michelle. Eu liguei os pontos.

– Ok – mumurrei desejando não escutar mais nada, e tive que olhar para ela, sentindo o peso dos seus olhos carrancudos contra mim. — O que você quer que eu diga afinal? Eu fantasiei tudo isso sim, admito. Quem esta ferrada é somente eu. O que posso fazer agora? Nada, absolutamente nada, somente esquecer ele.

– Você gostou dele, não é? — ela questionou seriamente.

Minha consciência pesou nessa hora, me arrependi de não ter omitidos os fatos, porque agora a ruiva ira me encher de perguntas dificeis como esta fazendo.

– Eu estava conversando sobre isso com aquele menino que você viu na porta do colegio. Ele acabou me ajudando a chegar na conclusão de não nadar contra a corrente, só porque tem pouco tempo que conheço Brian não posso gostar dele? Bem, isso aconteceu. Porque essas coisas acontecem...Gostar de alguém assim. Acontece? Não acontece? – minha voz era para sair firme, mas eu deixei claramente minha confusão transparecer perguntando como se ela tivesse a solução do problema. Sobre seu silêncio resolvi continuar: – Então resolvi falar com você também. Só que depois dessa nossa conversar, desejo que nada disso tivesse acontecido comigo...Jesus...Algo para beber que desça rasgando? Eu não quero sentir nada que não seja meu corpo bêbado...

– Na verdade ...- Vic abriu seu sorriso sacana outra vez, meus olhos se arregalaram advinhando.

– Serio! — comecei animada — Maconha?!

Ela levantou do sofá deixando seu gatinho no chão e saiu da sala num salto. Eu sorri de orelha à orelha feito criança preste a ganhar seu doce favorito, e quando voltou arranquei da sua mão euforica e botei o ‘’cigarro’’ na boca para acender com o isqueiro rosa.

Fui com muita cede ao pote, acabei engasgando com a propria fumaça no meus pulmões, mas nem isso me parou, a dor física era até boa de sentir. Na minha frente ainda torcindo, percebi Vic tentando segurar uma risada e o som acabou saindo pelo nariz, formando aquele barulho horrível de "risada de porco".

– Não ri de mim — mandei voltando ocupar minha boca com o ‘’cigarro’’ e quando soltei a fumaça foi impossivel continuar seria.

Eu não consigo ficar brava com ela. Dando aquelas risadas de porco então, eu só sabia rir junto feito uma hiena.

– Não tô rindo de você, tô rindo do barulho que consigo fazer com o nariz — se explicou pegando o cigarro da minha mão e também puxou profundamente, soltando a fumaça entre nós. – Então recapitulando o assunto...Me diz uma coisa: você acha que está sentindo ‘’coisas’’ pelo Synyster, certo? E essas coisas é como? É tipo tesão, tipo paixão, tipo amor, tipo o quê?

Dei um suspiro, soltando pela quinta vez a fumaça confusa, porque não sabia qual das opções que ela citou, talvez sejam todas. — Hm, tesão tenho certeza que sim...Mas, paixão? Amor? Como é que eu vou saber? — terminei esperando a tensão me tomar como de costume, mas não aconteceu, para meu aliviou. A maconha. É disso que eu estava precisando o tempo todo, relaxar.

– Foda — concluiu. — A única coisa que consigo te dizer é para ficar calma, é assim mesmo, meio confuso no começo, mas os sentimentos acertam dentro de você depois de um tempo...Só ter calma.

– Meio confuso? — enfatizei dando a entender que era muito mais que meio, era inteiramente confuso.

Ficamos alguns segundos somente fumando, pondo meus pensamentos ordem e aproveitando a viajem boa que meu corpo começou a sentir, como uma pena sendo soprada.

– E o Nathan?

– Nathan? O que que tem o Nathan?

– Você não sentiu nadinha por ele? Ele pode ser uma boa saída...

– Não sei. Foi somente algo físico. Achei ele bonitinho, fiquei curiosa, e ponto. Mas você esta certa por um lado, poderia funcionar...

– É o que eu acho — concordou. — E o Príncipe?

– Ele não — sorri lembro do tal ''Príncipe'' que ela se referia. — Diego é mais meu melhor amigo do que qualquer outra coisa. Não consigo nem imaginar beijando ele. Sei lá, é como pensar em beijar seu irmão — balançei a cabeça negando freneticamente só de pensar nesta ideia absurda. — Por que, hein? Por que não posso gostar de alguém como Diego? Ele é perfeito; gentil, de boas maneiras, fofo, saudavel. Minha mãe ia soltar fogos.

– Nossa, ele é assim? — ela cresceu os olhos e eu fechei a cara na mesma hora, por causa do seu interesse. Eu não vou dividir Diego com ninguem. Ele não. — Estou brincando sua possessiva. Sou como você, gosto mesmo é de uma increnca.

Eu revirei os olhos. Como se isso fosse uma qualidade...Gostar do cara errado.

– Então, o que Synyster tem de tão especial?

– Ah...- demorei para responder. -...O seu jeito. Acredita nisso? Não tem nada de tãaao incrível que o diferencie de outros garotos. Ele pode ser único em alguns apectos...Aliais, acho que não existe alguem tão cafajeste como ele. Que raiva! Isso chega a ser engraçando. Só que...- parei de falar, lembrando do nosso último momento juntos. De como ele foi diferente naquela lanchonete em LA ao deixar Vic para trás com Grow. Infelizmente esse lado de Brian não dura muito tempo.

– Mesmo ele sendo um cafajeste, continua...

– Mesmo ele sendo um cafajeste...Quando olho para ele bate uma euforia no meu peito, sabe aquela coisa bobinha que você dá uma importância imensa? Até nosso beijo, eu nem sei o que eu sinto de tão...Bom que é. E às vezes Vic, ele fala de um jeito tão homem, tão confiante, que me amolece toda por dentro. E aquele humor de menino pequeno e birrento? Dá vontade de agarrar-lo e encher de beijos, mordidas, apertos...

– E você ainda acha que não esta gostando do Sysnyster? Só Deus mesmo...

Não pode discutir com aquele argumento. Vic passou algo parecido com o Jason, ela tem uma previa do que estou sentindo com toda essa confusão, suas palavras são mais do que uteis e certas para mim. ‘’E se ela estiver certa mesmo? Não importa o que eu faça, se é só Deus mesmo...‘’ — pensei em pânico.

– Como assim? E agora? Eu não vou ficar sofrendo à toa. É ruim. Não quero ficar idolatrando Brian se não vale a pena — minha boca funciou na mesma velocidade que meu cérebro disparado, despejando metadade da minha frustração.

– Não tenho certeza. Foi assim comigo e com o Jason, até chegarmos num acordo. Vamos estar sempre um do lado do outro, mas sem rotulos ou regras...Deve ser assim com todo mundo que não sabe o que quer, sei lá...Esta vendo? Até eu sou enrolada.

Sua voz parecia um zumbido distante, forçei manter o controle por cima do efeito da maconha para não fugir da conversa a essa altura.

– Mas se essa coisa de ‘’deixar a vida me levar’’ não der certo? Eu preciso de respostas Vic.

– Se não der certo paciência...- deu de ombros, levantando as mãos conformada. — Eu não entendo o cabeça de Brian, mas sei de um único conselho. É meio louco mas é o que tenho: Não transa com ele logo de cara.

– HÃ? — gritei.

– Não transa com ele logo de cara! Pensa bem Mel...Quantas, mais quantas meninas, você acha que o Sysnyter já pegou? Chove mulher! — ela fez quantidade com a mão, falando alto como se eu fosse surda.

Esse definitivamente não é um assunto agradável. Traguei mais forte o ‘’cigarro’’, procurando relaxar mais, e só sugeri que prosseguisse com medo de monstrar que me importei demais com o ''chove mulher''.

– Nós sabemos que ele pode conseguir isso na primeira oportunidade. Se você transar com ele logo de cara vai ser só mais uma na lista negra, entende? Faz ele merecer sua virgindade, faz ele correr atras, faz ele penar pra te pegar garota! Não percebeu que assim que ele conseguiu seu beijo parou de correr atras como antes? Brian é muito facil de controlar quando esta pensando com a cabeça debaixo – e revirou os olhos.

Fiquei besta com a sua teoria, levando algumas tragadas para concorda que esta loucura daria certo. — Fazer o que, não é?

Ela balançou a cabeça toda sabia.

Então terminei de fumar em paz, entregando finalmente aos efeitos da maconha e deixando Brian para depois.


[...]


Vic puxava-me pela mão enquanto corriamos na areia, para a multidão envolta da maior fogueira que já vi. Suas faíscas tinham cores diferentes, como em tons de azul, por causa do sal nos troncos, formando uma longa chama apontada para o céu. Farois dos carros estacionandos no passeio a poucos metros também ajudavam iluminar, era dali que a música no volume máximo saia.

– Vem ver isso! — ela gritou perto do meu ouvido, sem soltar minha mão fomos até o pessoal berrando ‘’Vira, vira, vira, vira!’’

Dois garotos competiam quem conseguia virar mais copos no tempo conometrado. O perdedor tinha que tirar toda roupa, correr até o mar e se jogar pelado naquela água congelante e escura.

As pessoas riam, se divertindo com a cena chocante.

– Não acredito que ele vai faz isso! — eu gargalhei olhando a segunda bunda branca correndo em direção as ondas. Todo mundo aplaudiu.


Já dava para perceber que a festinha Universitaria havia começado um bom tempo pelo ‘zunzunzun’ que ressoava nesta parte da praia. E com sua gloriosa popularidade Vic lançava sorrisos e cumprimentos, parando pra brincar e me apresentar gente nova. Alguns lembraram de mim, outros se juntavam a nós curiosos com a minha presença, e eu fiquei surpreenida quando um carinha perguntou ‘’ Não é você dançando toda sensual no BandaXBanda?’’, sobre meu showzinho gratis na pista daquela casa de shows. — ‘’ Não acredito que você lembra disso...’’ eu estendi a conversa incredula com a sua memoria.

Sim, inesperadamente consegui me inturmar numa rodinha de garotos bebendo um tal de Bacardi Lemoncom uma rodela de limão, indicada pelo Jack — um dos garotos.

Estavamos em uma acalorada conversa sobre álcool, pra variar, quando senti um cutucão na costela me sobressaltando. – Por favor não surte — Vic sussurrou no meu ouvido.

Os meninos continuaram conversando sem perceber minha mudança de humor. Virei totalmente para ela que as vezes olhava de solaio para sua esquerda.

– Vire lentamente e olhe discretamente...

Hesitante, fiz o que pediu e sobre meu ombro arrisquei uma olhada desajeitada. Entre um grupo de pessoas, como eu estava, Brian conversava com três pessoas. Ele soltou uma risada por causa de alguma coisa que o rapaz do seu lado disse, totalmente alheio ao meu olhar. Virei meu rosto assustada para frente, encontrando o rosto de Vic.

– Acho que hoje não é seu dia de sorte...- ela sussurrou mais uma vez, rindo literalmente da minha cara. — Matt esta vindo aí — então acenou para ele, fazendo meu coração congelar ao mesmo tempo.

– Não...Não vai. Fica aqui comigo — pedi em pânico e dei um passo na sua direção, fechando o espaço que ela tinha aberto fugindo.

– É o seguinte: Matt esta vindo para te arrasta até Brian. Eles fazem isso, é um ajudando o outro – ela viu pânico tomar conta de mim com mais força, e agarrou meu braço, me obrigando ficar aqui e não correr. — Já era Melinda. Procurou agora vai ter que arca com as consequencias. Vai ter que aprender ficar esperta com esses caras e não ser controlada por eles. Vai ter que aprender a se virar sozinha e tê-los comendo na sua mão. So-zi-nha. Sem a ajuda de ninguém, sem a minha ajuda, entendeu? Honra o significado que tem esse piercing atravessado na sua lingua tem e jogue o jogo! — despejou tudo em cima de mim seria e rápida, sem importa com a minha opinião. E se eu não quero ''jogar o jogo''? Eu não sei fazer isso.

Olhei para ela horrozida mas não tive tempo de gritar ou encolher feito uma garotinha indefesa, assistindo Vic desaparecer entre as pessoas.

– Melinda! Sabia que era você! — Matt apareceu segundos depois que minha grande amiga se mandou.

Me verei para ele forçando um sorriso que creio eu foi mais uma careta. Ele me abraçou, quando nos separamos seus olhos analisaram meu rosto talvez esperando eu dizer alguma coisa.

– É-é-é-bom...É bom te ver Matt – eu disse num fio de voz, gaguejando ainda mais patetica. Mas para minha sorte ou azar ele fingiu não perceber, envolveu seu braço nos meus ombros e me obrigou caminhar na direção esquerda.

– Vamos esperar a Vic ali na frente, o que acha? — sugeriu com um sorriso crescente no rosto. O braço guiava meu corpo, desviando-me das pessoas, e me colocando em linha reta como se eu tivesse o peso de uma pena, sem me dar escolhas como Vic fez.

– Isso nunca ficou tão cheio.

– É minha primeira vez aqui – tentei soar normal.

Ele fingiu surpresa. — Você vivia a onde? Numa caverna?

– Acho que tem um motivo chamarem o condominio de cidade isolada.

– Ah, claro – balançou a cabeça parecendo lembrar com quem estava falando afinal. — Como Brian e Jimmy conseguiu te achar?

– Hm ah, er.... Bem, a gente se conheceu meio que por acaso, e eles estavam bêbados...Eu peguei carona com Brian porque estava chuvendo muito...

– Não acredito que você pegou corona com esse alcoólotra! — Matt quase gritou. Franzi a testa perguntando-me porque se estou bem do seu lado. Mas não precisei de muito tempo para entender o que ele estava fazendo. Esperto. Elevou a voz só para incluir o amigo na conversa. O amigo que eu estava nervosa em rever.

Tentei dar meia volta mas aquele braço ainda sobre meus ombros me impediu novamente de sair de perto dele.

– Ah conte esta historia direito Melinda. Diz para ele que te deixei direitinho em casa...

Deus...Há quanto tempo eu não ouvia essa voz? Hesitante, levei meus olhos para a origem daquele som somente para confirmar o que eu já sabia. Sua voz é inconfundível. Quando o encontrei fui pega completamente desprevenida, Brian estava mais próximo do que poderia esperar ou imaginar, mas ele não olhava para mim primeiramente, eu tinha pegado os dois trocando um olhar muito estranho e assisti Brian assentindo rapidamente, aparecendo absover alguma informação dos olhos de Matt.

Felizmente (ou não) o braço me deixou e Brian se voltou para mim, agindo como se nada tivesse acontecido. Isso me irritou, me senti excluida, enganada, e usada facilmente. A presa facíl.

– Sim, ele me levou direitinho para casa — respondi lutando com a insegurança. — Agora se me derem licença, vou pegar uma bebida — e dei as costas para eles mais aliviada nestes segundos que fiquei sem olhar para aquele idiota. Mas um toque no meu braço fez o ar dos meus pulmões sumir da mesma velocidade que veio, não precisei olhar para saber o dono daquela mão.

Estabanada acabei enrolando nos meus proprios pés, o que quase ocasionou um tombo ridiculo se Brian não tivesse evitado segurando-me.

– Brian — soltei o ar envergonhada.

– Opa, calma — disse humorado, segurando meu braço mais forte. — Acho que você já bebeu demais.

Ele tinha razão, álcool + meus pés não são uma combinação perfeita de coordenação, porem eu neguei com a cabeça dando um riso seco. Só vai ser ''demais'' quando eu senti nenhum formigamento e meu corpo não corresponder ao seu toque. É tão...ridiculo que chego sentir dó de mim mesma.

Recuperei minha postura, obrigando meus olhos encarar com corangem seu rosto que senti tanta falta. O cabelo para o alto estava lá, seus lábios finos formando uma linha reta enquanto suas iris castanhas dançavam, olhando cada parte do meu rosto, da mesma forma que eu fazia, como se tivesse memorizando cada traço novamente.

Minha imaginação não faz NUNCA jus a realidade bem na minha frente, por incrível que pareça eu tinha esquecido de como ele é bonito, e a sensação de esta realmente gostando de Brian só aumentou.

– Hum...Como você está? – arrisquei uma pergunta banal, me desvinculando da sua mão forte para recuperar minha sanidade.

– Melhor agora — disse lançando aquele maldito sorriso estupido! Irritante! Idiota! Egoista! Cheio de ego para cima de mim. O pior de disso é que eu gosto, muito. — O que é isso? — questionou olhando para o meu copo com curiosidade.

Foi ai que eu percebi a furada que dei.

‘’Pegar uma bebida? Pegar uma bebida...Que bebida idiota? Se você tem um copo bem na sua mão!’’ — minha consciencia acusou enquanto eu sentia minhas bochechas queimar de vergonha mais do que no quase-tombo.

Bacardi lemon.

Sei que minha escolha não o agradaria. É fraquinha apesar de ter álcool o suficiente para meus pés quererem me derrubar.

– Ah — murmurrou soando da maneira que eu supus, — Será que você não me acompanharia numa tequila? – perguntou olhando nos meus olhos só para mim não consegui dizer não. Não é justo.

– Claro, adoro tequila.

– Legal. Tenho uma garrafa só para nós dois.... Só que ela esta no carro — completou enquanto observava a minha reação que foi de surpresa à decepção com um forte desanimo.

Levar um garota para beber no seu carro e depois ganhar sexo no bando de tras? É tipico dele. Vic tinha razão...Ou eu jogo, ou viro a presa facíl novamente.

Enfretei seus olhos, tendo a esperança que dele concertasse isso antes que eu dêsse as costas para ele definitivamente. — Er, melhor...Me espere aqui. Eu vou buscar.

E se foi, me deixando de braços cruzados esperando um pouco feliz porque ele tinha se tocado. Depois de uns 5 minutos veio com a garrafa e os pedaços de limão, o ajudei pegando dois copos limpos na mesa mais proxima de nós.

Fomos um pouco para longe da multidão e sentamos na areia. Ele serviu as doses, depois de brindar viramos a bebida em um só gole quase ao mesmo tempo. A tequila desceu queimando do jeito que eu gostava, invadindo meu organismo com uma sensação maravilhosa, bem melhor que aquele troço de Lemon. Ele me ofereceu outra dose e aceitei, procurando por mais sensação maravilhosa que ajudava espantar a minha timidez.

Na quarta virada que Brian insistiu dessa vez, a tequila se espalhou pelo meu organismo mais forte do que nas outras deses e a parti daqui eu não sei da onde começamos a falar besteiras, mas estavamos falando, inclusive das minhas cicatrizes no joelho. Tem coisa mais idiota do que se falar do que isso:

– Fala serio Melinda. Não acredito que você disistiu só por causa desses tombinhos – ele reclamou alto, depois do meu comentário sobre nunca mais colocar patins nos pés.

– Você diz porque não foi com você os ‘’tombinhos’’. Olha isso — apontei para meu joelho com alguns cortes cicatrizados – E isso – e o meu tornozelo que já quebrei, tinha um grande risco na horizontal.

– Como você fez isso?

– Eu tentei deslizar com um só patins, quando meu corpo tombou pro lado eu virei meu pé de uma vez por causa do peso do meu corpo, foi...Doloroso. Lembro como se fosse ontem – expliquei fazendo uma cara de coitado, ele riu. – Quero ver você então! Nunca quebrou nada?

– Claro que já — respondeu bebendo uma nova dose e eu fiz o mesmo porque ele encheu meu corpo sem ao menos perguntar. Não pode disperdiçar tequila!

– Duvido nada que seja um arranhãozinho — provoquei curiosa para conhecê-lo melhor. Não me pergunte porque, mas era bom conhecer essas minimas característica nele. Suas cicatrizes valiam e muito para mim.

– Em uma briga, — eu revirei os olhos. Claaaaaaro que tinha que ser uma briga. — Deixa eu terminar? Depois você faz essas caretas — fingiu irritação — Quebraram o meu braço, meu nariz, e costela.

Arregalei os olhos e minha boca se abriu num ''O'' perfeito. — E o outro cara?!

– Não era só um. Mas com certeza ficaram melhores do que eu.

Aproveitei para ri alto dele, como fez comigo. – Bem feito! Deve que foi você quem procurou.

– Valeeeu, sua insensível — ele fez um sinal de postivo com a mão com as bochechas cheias de tequila, fazendo drama: — Pensei que eu iria morrer.

Gargalhei mais alto, não sei explicar porque tanta graça, mas eu acho Brian engraçado...É, culpa do álcool. Ele me contou mais um pouco das situações que já se meteu, como: ser pego no segundo ano do colegial transando com sua colega de classe debaixo da arquibancada, por exemplo. Eu tive que perguntar, ouvi isso varias vezes na escola e não sabia se era verdade. E também sobre o que foi fazer fora de HB, essa parte eu não insistir, ele que tocou no assunto sem mais e sem menos.

– Fiquei sabendo dessa coisa em você.

– Dessa coisa? — ergui minhas sobrancelhas e passei a bolinha do meu piercing entre labios, tentando mostrar como é legal fazer a bolinha deslizar ali. – Eu aprendi fazer isso, é muito viciante! — expliquei debilmente animada.

– Hm. Então mais uma dose? — ele desviou os olhos da minha boca e ofereceu, mantendo seus olhos baixos. Voltei colocar a minha lingua para dentro, perguntando se eu fiz alguma besteira. — Bem, essa é a última — fingiu tristeza. — Devoramos a garrafa toda!

– Então partiu para a última dose! — agitei sorrindo.

Dessa vez não consegui colocar a culpa na tequila. Estou estupidamente feliz mas não é por causa dela principalemte, estava na cara o porque da tamanha felicidade transbordando em mim. Estava bem do meu lado.


Ele deu uma gargalhada gostosa, gostando da minha reação boba. Sem demorar mais viramos a última dose e o mundo deu uma volta completa.

Me pergunto como é que eu bebo todas se tenho que acordar cedo para ir à aula hoje mesmo. Foi então que olhei no relógio do meu celular e assustei, porque já passava das 3 da manhã.

– Brian, eu já estou com meu nome na lista do enforcamento, se eu der mais um motivo vão me matar. Tenho aula daqui a pouco — eu disse desanimada, mas não me movi.

Ele desviou os olhos para frante, perdido o foco em algum ponto ali. Eu pensei que não tinha me ouvido, mas preferi esperar até que ele voltou olhar para mim com um meio sorriso no rosto.

– Cair no mar seria uma boa ideia. Pode funcionar de novo — e seu sorriso cresceu como eu lembrando da nossa loucura.

– Dessa vez não...Tenho que ir mesmo para casa — menti. Uma horinha a mais ou uma horinha a menos não ia fazer diferença, mas é melhor assim. Ainda estou intimidada com a presença dele, preciso pensar muito e só vou consegui fazer isso no escuro do meu quarto, sem sua presença me afetando, sem Vic me dando conselhos impossiveis.

– Beleza — levantou do chão oferecendo ajuda para mim.

Peguei sua mão estendida e fui puxada para cima. Se Brian não tivesse continuado me segurando com certeza eu teria voltado com tudo para trás. Rimos da minha falta de equilibrio, acabei levando meu corpo para frente batendo contra o seu, um ato que não passou despercebido pela minha paixonite. Tudo começou se mover de um jeito estranho. Onde as coisas em volta somem e o rosto dele passar ser tudo que eu quero enxergar.

Brian apertou meus dedos, me puxou para mais perto, e isso acabou despertando minha consciência. Não, eu bebi demais. Obriguei meu pé dar um passo para trás, afastando do seu corpo. Felizmente ele não insistiu, pegou a garrafa vazia na areia e começamos andar lado á lado em profundo silêncio.

O Opala preto estava estacionando junto com outros da festa que ainda rolava na praia. Me senti de um certo modo mal. Não é uma boa ideia esta aqui com todas essas duvidas acabando comigo, mas eu adentrei no veiculo sem escolhas. O caminho até o condominio foi até tranqüilo, Brian continuou falando bobeiras para mim não cair no sono, eu as respondi num murmurio bêbado, deixando-o satisfeito com as respostas.

Ouvi Mike, o porteiro noturno, falar com Brian e quando paramos novamente foi em frente a minha casa. Obriguei meu corpo indireitar no banco, tirando meu cabelo do rosto para olhá-lo disposta lhe dar um beijo na bochecha agradecida por me trazer aqui, mas este desviou o rosto e fez nossos lábios se tocarem.

Com os olhos sonolentos não fui dificil fechá-los e me entregar. Seu beijo tinha uma certa urgência que eu não percebi de imediato por causa dos meus sentidos meio lentos, mas retribui sem querer, como um instinto natural, dando passagem para sua língua massagear a minha.

Levei meus braços para seus ombros, apoei meus cotuvelos ali, enquanto comecei deslizar meus dedos pelo seu cabelo grosso, massageando os fios e trazendo-o para mais próximo do que já estava. Isso acabou nos interrompendo e Brian riu do meu desespero, deixando de mim beijar por um momento. Eu não queria saber de nada, interrompi também seu sorriso, ou seja lá o que estava tentando fazer, e voltei encaixar nossas bocas numa intensidade tão estranha...Como se o mundo fosse acabar daqui 5 cincos minutos e só o que preciso fazer é beijá-lo.

Nossas línguas se encontraram, como resposta Brian gemeu contra minha boca, fazendo um arrepio violento passar pela minha espinha. Foi gostoso, eu quis ouvir mais, então procurei a causa do seu rosnado prazeroso, movendo minha lingua com mais pressão contra a sua. A bolinha do meu piercing tocou sua carne e foi dito e feito, ele respondeu mais alto, inudando minhca calçinha literalmente. Ofeguei, separando nossos labios para respirar, e puxei seus fios com mais força, provavelmente machucando seu couro cabeludo.

Contudo meu sexto sentido alertou o perigo de fazer aquilo novamente para atiçá-lo, eu queria e muito, mas nos levaria a um outro nivel de amasso que ainda não estou preparada. E agindo em plena pressão afastei por completo.

Em protesto Brian grunhiu baixo: — Por que você sempre se afasta? — e rudemente me puxou para si, avançando para um novo beijo.

Eu tentei lutar contra, desviando da sua boca, então ele passou a traçar caminhos com seus lábios pelo meu rosto, pescoço, e acabou dando certo. Aproveitando que comecei a deixar, subiu suas mãos pelas laterais do meu corpo em direção aos meus seios coberto pela blusa fina. Brian quebrou todo o ar carinhoso que existia naquele beijo com uma luxuria ardente e sem controle que fez meu coração martelar mais forte contra meu peito. Puxei o ar com mais dificuldade, arrepiando toda com sua respiração e labios contra minha pele, me fazendo perde o sentido da realidade facilmente. Queimava demais para mim suportar...Tentei lutar mais uma vez, tirando suas mãos de mim. Ao perceber que eu não ia ceder tão rapido assim Brm me deu um tempo (um curto tempo claro), voltando depositar beijos com tanta veemência em minha pele, indo e voltando por varios lugares queimando, até suas mãos entrarem em ação novamente.

Dessa vez ele tentou desabotoar o botão da minha saia, pois é o que consegui com todas que leva para dar uma voltinha no seu Opala. Muito facil, mas dessa vez ele sera desapontado, essa atitude foi a gota d'agua para mim.

Eu parei imediatamente. – Brian, não. – pedindo com decisão, impurrei seu peito para longe de mim.

– Por que não? – replicou, voltando puxar meu corpo quase para cima do seu neste curto espaço do banco para o outro.

– Eu não quero! – menti tirando suas mãos de mim de novo.

Por mais que quisesse fazer tudo com ele, não seria hoje, nem aqui, tão pouco no banco do seu carro. Não só porque estou completamente confusa dos sentimentos que carrego dentro de mim, mas também estamos em frente minha casa, e bêbados.

Brian recuoou por fim, batendo as costas contra seu banco e olhou para todos os lados, de menos para mim. Assisti seu peito subi e descer, os musculos no seu maxilar se contrairem, e respirar fundo umas três vezes ao fechar os olhos. Eu também tentei controlar meu fogo, puxando o ar como se tivesse afogando, e estou, mas não em água.

– Desculpa...É dificil raciocinar quando estou com bebiba na cabeça.

Primeiro não acreditei que aquilo saiu dele, um pedido de desculpa, mas não deixei transparecer, obrigando minha voz sair entre minha respiração pesada:

– Esta tudo bem, eu também não estou sobria. É melhor ir...Obrigada mais uma vez, por me trazer direitinho em casa – e tentei brincar para deixar o clima mais leve antes de sair. Não quero que as coisas entre nós termine assim, sei que vai ser mais uma noite revirando na minha cama sem dormi, pelo menos ter um sorriso seu ajuda um pouquinho.

– Conte para Matt depois – brincou de volta, finalmente fazendo o que eu desejava. Um sorriso, mesmo que seja minimo, apareceu nos seus lábios. Então, olhando para ele, concluir que estou completamente na merda.

Notas finais
Partes inéditas a caminho...