Angel Devil

19 Fora da realidade.


Notas iniciais
Boa leitura! ♥

''Por alguma razão eu precisava te pedir desculpa mais uma vez. Não fique brava comigo, sei que não é por uma mensagem que devo pedir algo assim. Eu só não sei fazer isso direito.''

Apesar da tensão que a mensagem transmitia eu pode deixar de rir. Brian demorou dois dias para me mandar isso?Eu ri mais um pouco. Se fosse diferente até desconfiaria que foi ele quem mandou.

''Esta tentando se desculpar por algo que eu já esqueci Brian. Não se preocupe.''

Enviei de volta.

Era verdade. Eu não me esqueci do seu beijo na real, nada daquelas sensações, era do que ele estava se referindo.

''Não foi assustador para você?''

Um minuto depois essa chegou. Eu rolei na cama, ficando de barriga para cima enquanto sentia a leve brisa da manhã chegar pela janela aberta do meu quarto. É Sábado. Não tem nada de especial pra fazer na amanhã de um Sábado ensolarado, a não ser dormi. Seria isso se eu não fosse surpreendida pelo seu pedido de desculpa mais uma vez.

''...''

Cliquei fazendo três pontinhos aparecer na tela do meu celular sem saber o que dizer. Claro que eu fiquei um pouco irritada com sua falta de paciência, tentando tirar minha roupa custe o que custar, mas...Assustador? O que ele quis dizer com assustador? Pensei sobre isso e não achei nada assustador.

Apaguei os três pontinhos.

'' O que você esta pensando? ''

É uma boa pergunta. Eu quero entender Brian melhor, por inumeros movitos, e aproveitei sua tregua para começar pois não é sobre mim que estou interessada falar agora. Sabemos que eu teria deixado ele seguir adiante, fazer o que quisesse comigo feito a presa facil nenhum pouco assustada com o seu predador, se fosse em outras circunstâncias.

''Eu queria confessar uma coisa. Mas sei que você vai ficar com muita raiva se eu disser. É nisso que estou pensando por horas, talvez por dois dias...Até poderia deixar pra lá, ou esquecer, mas eu não consigo, o que acaba se tornando assustador como te falei. ''

Eu desviei meus olhos da tela do meu celular e deixei minha mão cair na cama. Meu celular escorregou para frente, caindo num baque mudo contra a colcha, e fiquei assim, encarando o teto de gesso pensando na nova mensagem.

Confessar? O que ele fez que estava com tanto receio de confessar?

Minha consciencia sabe que Brian é tão errado e cheio de estragos, não é novidade para ninguem. Mesmo assim eu não pensei em nada preocupante que ele possa ter feito contra mim, contra nós, contra ele. O que aconteceu no carro estava resolvido, ele não insistiria nisso, insistiria? Peguei meu celular de volta.

''Vai dizer se eu perguntar o que é?''

''Não sei. ''

Sua resposta vazia fez o assunto morrer. Me dei por vencida com medo de insistir e ouvir o que não quero. Provavelmente ele esta arrependido, não porque foi grosso e sim pelo beijo, por tudo. Ele quer ''terminar'', percebendo o erro de termos começado algo assim. Eu não fico, nem um pouco, surpresa apesar de doer estranhamente uma ideia feito esta, é natural da parte dele não querer saber mais de mim, descobriu a verdadeira Melinda Desinteressante como todos malditos sabem fazer. É natural. Brian pode ter a garota que quiser, por que ia me querer?

Sentei na cama me obrigando começar o dia. Um dia de merda. Vic a essa hora esta trabalhando para me levar á lugares onde os problemas não existem, Diego esta ocupado treinando, e minha familia...Na sua rotina chata de sempre. Nada me incluindo, a não ser o castigo de merda que até tinha esquecido — nada de escapulidas -, acho que essa vai ser a primeira vez que não vou quebrá-lo.

Meu celular vibrou em cima da colcha rosa, me pegando desprevinida. Voltei para cama achando que ele tinha desistido também. Estiquei a mão implorando para ser seus pedidos de desculpa e nada do que estou pensando seja verdade.

''Quer dar uma volta?''

Soltei a respiração. Não era seus enigmas mas também não era um pedido simples. Pondeirei sobre o pedido, olhando para o celular dividida entre a razão e a vontade de dizer ''sim''.

Brian é o unico que conseguiria salvar meu dia hoje, mas também o único que conseguiria estragá-lo. Este era o medo de encontrar com ele, não saber o que vai acontecer entre nós, mas o medo de '' fuder com tudo'' prevalecia e piorar mais do que minha inteligencia é capaz de compreender. Alem do mais, tinha a opção de apagar os sentimentos, mesmo meu coração dizendo ser tarde demais.

''Eu sei que não mereço. Vou considerar sua falta de resposta como um não e parar de encher o saco. Sem problemas. ''

– O que? — sussurrei ao ler a nova mensagem.

''Não, espera. Eu quero dar uma volta com você.''

''Serio? Então me espere no começo daquela rua que chega no seu Condominio, pode ser?Em 20 minutos estarei lá.''

'' Pode. Vou me arrumar e desço.''

Eu queria gritar, abraçar meu travesseiro e rodopiar pelo quarto como uma boba feliz, esquecendo minhas inseguranças por um momento. Mas o tempo era curto, com um sorriso enorme no rosto corri até o banheiro e fiz minha higiene matinal as pressas, só pensando que estarei com Brian novamente.

Fui a procura de algo bonito para vestir, só que meu closet estava drasticamente pobre. As coisas que eu e Vic compramos ficaram na casa dela, porque Francisca não mede esforços de intrometer a onde não é chamada, ela já jogou algumas roupas fora, diminuindo ainda mais minhas opções e em passe de magica fazendo a quantidade de vestidos de Freira e cardigãs aumentarem.

Acabei escolhendo uma antiga jardineira jeans, cortei as partes das pernas e dobrei a barra até o meio das minhas coxas. Vesti uma blusa preta de alças finas por baixo e calcei sándalias de dedo, com varios cupcakes fofinhos estampados também da antiga Melinda.

No espelho notei meu cabelo ganhar uns bons centimentros á mais, batendo abaixo dos meus cotuvelos, e escorridos como sempre foi. Resolvi mudar, o prendendo num rabo de cavalo apertado e deixando alguns fios soltos atras da minha orelha. E só. Estava bom? Na verdade não. Não fiquei muita animada com minha aparência, mas preferi deixar como está porque não tem como mudar minha cara.


A casa estava silênciosa desde que acordei, o jardinheiro e o porteiro foram os unicos que me viram sair, porque quando desci uns 5 quarterões não esbarrei com alguém.

Parei na esqueina combinada e segundos foram apenas o suficiente para uma caminhonete 4x4 prata se aproximar. Foi estranho quando vi Brian na cabine, não tem como imaginá-lo sem seu Opala, ou até mesmo sem sua guitarra, foi engraçado de tão estranho vê-lo ali.

– O que você esta fazendo ai? — brinquei chegando perto da janela para ver o garoto vestido blusa branca e bermuda preta com bolsos dirigindo.

Fiquei aliviada com a minha aparência depois que o vi, pelo visto iremos á um lugar simples.

– Suba. Antes que você mude de ideia — pediu e eu rolei os olhos, ignorando o frio na barriga só de olhar para ele, sentar do seu lado, ouvir sua voz.

Entrei num dilema se deveria ou não me inclinar e lhe dar um beijo rapido pelo menos. Sei lá. Temos amostras convincentes que não somos apenas amigos. Mas tive medo, medo de começar tudo de novo, estragar o dia e voltar para casa com minhas inseguranças de brinde.

– É de quem a caminhonete? — ressusitei um assunto, achando melhor ficar por aqui mesmo, um espaço confortavel entre nós.

– Meu pai. Ele usa para carregar suas coisas quando participa de alguns eventos.

– Guitarrista?

– Sim, também.

– Eu tinha lido isso em algum lugar na internet — comentei. Brian desviou o olhar da estrada para mim, desconfiado — Você nunca si procurou na internet?

– Nunca preocupei com isso. Você si procura?

– Já fiz, nada demais...Até porque não tem nada de interessante sobre mim. Não faço parte de uma banda famosa na California, por exemplo. O maximo que consigo são fofocas no blog da escola — rimos do meu ''sucesso'' — Sempre é o que você usa, com quem sai, quem são seus amigos, se tirou F- em Trigonometria...

– Informações essenciais – ele zombou.

– É. Quem se importa? — trocamos olhares questionando a mesma coisa. Pessoas conseguem se superar cada vez mais na estupidez.

Brian voltou olhar para estrada. Eu desci todo o vidro da janela, recebendo o vento forte no rosto, prestando atenção na paisagem ainda nervosa por está na presença dele. Não falamos durante o caminho, embora palavras precisam ser ditas. Mas não agora.

Eu ainda não sabia onde estamos indo, o passeio seguiu em segredo até que minha curiosidade se tornou insuportavel, quando Brian pegou uma pequena estrada de terra em meio ao matagal baixo, perto do famoso penhasco em HB.

– Não me diga que você nunca veio aqui? — ele quebrou o silêncio notando minha curiosidade ainda permanecer. Já era para ter sacado? Eu só vi grama, terra, mar, carros estacionados e pessoas caminhando na direção que seguiamos.

– Não — confessei. — Mesmo morando aqui minha vida toda conheço apenas os pontos mais traidicionais.

Chagamos ao que parece ser um estacionamento ao ar livre, estava lotado. Foi então que o segredo se revelou, quando eu estiquei meu pescoço para ver logo á frente a entrada do Parque de Diversão.

Ao descer do carro encarei aquilo desacreditada por um instante. Eu não venho a um lugar assim desde que eu tinha o que... uns 5 anos? É daqueles parques que ficam na cidade por algum tempo, depois vão embora, mas voltam, como se não tivessem achado outra cidade mais interessante para ficar.

Montanha-russa, roda gigante e Kamikaze quase tocavam o céu. Tinha pernas de pau recebendo os visitantes. Barracas de doces, jogos manuais, música e brinquedos para comprar. Grandes brinquedos eletronicos. Crianças, jovens e adultos em toda parte.

Parecia ser aqueles parques dos anos 60 e congelado no tempo. Eu fiquei parada na entrada, olhando tudo que conseguia com as mãos nos bolsos da minha jardineira completamente pasma.

– Algum problema? — ouvi Brian perguntar do meu lado, soando preocupado. — Achei que era um bom lugar...Bem, me falaram que era um bom lugar — acrescentou, resmungando baixinho — A gente pode ir para...

– Não. É incrivel, diferente. Nunca imaginaria. Eu gostos das suas surpresas — confessei querendo tirar a expressão preocupada do seu rosto. Deu certo, ele sorriu. O meu sorriso preferido.

– A fila é logo ali.

– Espera, não temos que comprar...?- mas calei a boca quando vi ele tirar do bolso dois cupons -...A onde você conseguiu?! — puxei da sua mão. Valia para todos os brinquedos de graça! Soltei uma risadinha feito criança no lugar certo, já planejando ir em todos os brinquedos que poder.

– Um amigo esta trabalhando aqui. Ganhar uma grana, sabe como é. Ele me deu esses.

– Seu amigo te deu dois? Uau! Você poderia chamar qualquer um, o Jimmy...- Brian riu, interrompendo-me.

– Nunca que eu ia trazer Jimmy num lugar deste. Ele ia sacaniar até com as criançinhas. Imagina só The Rev naqueles carrinhos de bate-bate competindo com gente do tamanho da sua perna — exclareceu ainda rindo, eu acabei fazendo o mesmo imaginando a cena quase desumana.

– Então vamos! — o puxei pela mão esquecendo tudo que me impedia estar com Brian em paz. Ele começou a tregua e eu só estou tentando fazê-la durar por um longo tempo. Também podemos ser amigos apesar de qualquer coisa.

Eu corria dando pulinhos animados, puxando-o pela mão, enquanto exclamações do tipo '' Uau! Olha isso! Vamos de novo?! Eu quero ir naquele! Pega um pra mim! Vamos jogar este! Agora vamos naquele!'' eu soltava. Brian pareceu não se importar com a minha vontade de está em dois lugares ao mesmo tempo, indo pra lá e pra cá desgovernados, e quando vi tinhamos passado por umas 536409349922017 tendas.

Mel, você não esta fazendo isso direito. Segure a base firme, assim — sua respiração aqueceu minha bochecha quando ele veio por trás de mim e suas mãos repousaram sobre as minhas, com cuidado. Uma má ideia, que foi logo ignorada pela minha consciência mas não pelo meu corpo. Ele pressionou seu dedo junto com o meu contra o gatilho e a espingarda desparou, acertando a cara do boneco. Eu acabei sorrindo, gostando da adrenalina de atirar com aquela coisa. Foram três bonecos que acertamos juntos, as outras chances eu tinha perdido não conseguindo contralar o impulso da arma contra meu braço. Não ganhamos brinde e eu fiz bico. Meus bolsos estavam lotados de doces, meu braço tinha umas 15 pulseirinhas de plastico coloridas, também ganhei colares e aneis, e Brian carregava um urso de golfinho para mim.

– A gente consegui em outro lugar — prometeu puxando-me pelo braço, dessa vez tomando a frente.

– Montanha-russa! — advinhei quando atravessavamos o patio na direção da fila que era imena. Brian assentiu olhando para mim. Todo tempo ele ficava assim, observando atentamente meus movimentos como se eu fosse digna de reverência. Mas eu fingir não perceber, desviando os olhos e distraindo com outras coisas. Às vezes ele tentava pegar na minha mão, e eu também dava um jeito de desviar, fingindo arrumar meu cabelo, ou pegar em alguma coisa, ou ocupá-las abraçando meu ursinho...Fingia que tudo aqui é mais interressante do que ele.

Logico que estou ansiando por uma aproximidade maior, abraçá-lo e dizer que estou muito feliz de esta aqui, e mais do que nunca beijá-lo. Mas me segurei, o tratando como se fosse Diego do meu lado. Um erro idiota para evitar um erro maior. Eu não quero começar ainda aquilo tudo, não quero que ele pense terminar comigo, mesmo que ''terminar'' não seja a palavra certa entre nós.

Brian me colocou na sua frente conforme a fila andava. Deixei minhas coisas no guarda volume enquanto ele foi escolher um dos carrinhos. Há esta altura eu estava morrendo de medo já. Era alto, rápido e tarde demais para voltar a trás. Levantei os braços para pegar a proteção só que ela estava dura demais, só para me deixar mais dessesperada.

– O que esta faltando fazer? — perguntei tentando entender como puxar esta coisa imperrada para baixo. Brian então se inclinou para mim e esticou sua mão esquerda até a proteção. Num puxão ele conseguiu a soltar sem toda essa merda de força. Ele mesmo prendeu a proteção pressionando contra meu peito, e para minha surpresa, checando se estava tudo certo ele aproveitou meu momento de distração e roubou um beijo rápido dos meus lábios. Nem deu tempo de fechar os olhos e sentir seus lábios um pouco mais contra os meus, foi só uma previa frustrante.

– Era só isso que estava faltando — ouvi aquilo muito bem em duplo sentido, referindo tanto ao beijo quanto a proteção.

O que poderia ser nervosismo se transformou numa familiar timidez, tentei olhar para todos os lugares de menos para ele, procurando um buraquinho no chão do brinquedo com os olhos para enfiar minha cabeça. Mas não deu outra, arrisquei uma olhada em sua direção, encontrando um sorriso brincar nos seus lábios do jeitinho que eu adoro. É a segunda vez hoje que o vejo, posso considerar um momento historico.

– Engraçadinho — consegui murmurrar apenas isso pois o carrinho começou se mover, eu engoli um grito nervoso. – Você esta com medo?

– Não. Você esta?

– Estou — assumir e fui burra de olhar para baixo. As pessoas eram apenas pontinhos lá embaixo, depois de subir o carrinho parou.

– Calma. Vai piorar.

– Não fala assim seu, seu idiotaaaa — minha voz ficou no ar porque fomos puxada para baixo brutalmente. Imaginei que o carrinho tivesse soltado ou alguma merda assim, seria a pior queda livre da minha vida para a morte. Mas fui puxada para esquerda, fazendo minha cabeça ir para o lado, para tras, para outro lado, enquanto gritos saiam da minha boca. O inferno tinha só começado e tudo na minha frente se tornou um borrão assustador.

O carrinho desacelerou segundos depois que pareciam mais eternidade, agora seguindo em linha reta. Meu cabelo estava todo para frente, como uma Samara loira, ouvi sua risada propositalmente contra minha pessoa. Não deu tempo de xingá-lo, ou prender meu cabelo novamente, fomos puxados para mais uma rodada de quase morte.

Depois da segunda parada eu consegui me manter mais equilibrada, o medo passou a ser uma adrenalina até boa. Pensei que não é tão ruim quando você tem certeza que não vai morrer, mas isso foi só quando a proteção afroxou e entendi que não estavamos mais movendo na velocidade da luz.

Brian continuou rindo da minha cara como uma pessoa coração e pulou para fora do carrinho oferecendo sua mão. — Vamos, fracote.

Ignorei sua ajuda.

– Não sou fracote, só fui pega desprevinida, tinha me esquecido de como era, mas até que é legal...

– A parte que ficamos parados de cabeça pra baixo é a melhor!

– Ah claro, como se girando em forma de caracol fosse muito tranquilo — ironizei. — Me sentir nas nuvens.

– Relaxa, tem o Kamikaze ainda — falou Ô corajoso.

– Se você quiser ver a nojenta cena de mim vomitando as tripas, então vamos.

Meu humor petulante não foi o suficiente para fazer ele esquecer a ideia. Brian estava destando meu estomago, só pode. E como não quero ser chamada de fracote e por ele ter ido em todos o lugares que eu escolhi acabei o acompanhando no outro brinquedo assassino.

Viramos de cabeça para baixo, rodarmos no mesmo lugar, desafiamos a gravidade, fomos balançados em angulo de 180°, quase vimos a morte, e quando eu vi estávamos sentados em um banquinho, esperando tudo em volta parar de girar.

– Já quer vomitar as tripas? Avise que vou pegar meu celular para filmar. Agora você vai poder ter um motivo para si procurar no google — fez a piada.

– Você é tão engraçado que é perigoso sair da aqui com o emprego de palhaço!

– Ai, essa doeu.

Zombou mais um pouco de mim. Rolei os olhos preferindo ficar quieta. Então fez-se silêncio, meio tenso e desconfortavel, mas não forçamos a barra dessa vez, encostado um no outro para descansar do dia que tivemos.

O crepúsculo finalmente caiu e o parque ganhou mais cores, acendendo-se as luzes. Era bem mais bonito a noite.

– A gente não almoçou. Quer comer alguma coisa? — ele perguntou no alto da minha cabeça, eu só assenti sentindo a minha carga de energia fraca, precisava de comida. Então fomos na lanchonete mais proxima.


A garçonete apareceu e serviu nossos sanduiches depois de ficarmos esperando em silêncio. Dei uma mordida e um gole na minha coca, concentrada despejar Ketchup no pão gordo a cada moridada. Brian acabou rapido com o seu sanduiche e retirou um cigarro do bolso. Eu assistia a fumaça espalhar achando uma boa ideia usar a nicotina uma hora dessa, eu precisava relaxar de algum modo também, e não é um sanduiche que vai me ajudar nisso. Peguei o cigarro no meio dos seus dedos, dando uma longa tragada diante do seu olhar.

Senti uma coisa estranha, altamente sexual em colocar a boca onde a boca dele encostou. Disfarcei, devolvendo o cigarro, com um meio sorriso, mas Brian não pegou procurando outro.

– Não, o seu é mais gostoso.

Ele balançou a cabeça e riu junto comigo, guardando o maço.

O que poderia acontecer agora? A noite havia chegado enfim, com isso nosso curto tempo em ficar juntos. Eu posso não vê-lo novamente em breve para despediçar mais do que já fiz. Juro que a nicotina era uma grande causadora deste efeito de coragem que agora sentia em conversa com ele.

Brian relaxou na cadeira, mesmo com a expressão séria, e aproveitou minhas chances entrelaçando sua mão esquerda com a minha. Meu coração saiu levemente do ritmo enquanto eu pensava: ''Era a hora?''

– Aprendir uma coisa sobre você hoje — deixei de olhar nossas mãos quando ele começou a falar — Você tem medo de mim.

Abri a boca para negar sua conclusão, esperando meu cerebro ter alguma coisa improvisada e intelingente para aquilo, mas nada veio, travou completamente.

– Não pense que acho ruim. Eu aposto que não vou me arrepender de tentar passar o máximo de tempo possível tentando te provar que não sou um monstro todo tempo.

– Você não é um monstro.

– Há muitas formas de ser um monstro... — no fim dessa frase seus olhos vieram para mim e ele se aproximou.

''Não era o momento para um beijo, era?'' — estranhei por causa do curto espaço que ficou entre nós e como ele apertou minha mão.

Ainda não é um bom momento. E ele não tentou roubar outro de mim, apenas ficou perto dando escolhas. Eu escolhi afastar, mas não ao ponto de Brian achar que não queria beijá-lo, continuei perto o sufiente para sentir sua respiração bater em meu rosto.

– Acho que você não me conhece muito bem. Este monstro que você esta insinuando não me assusta, nem um pouco.

– Hm. Bom saber...- murmurrou misterioso — E já que tocou no assunto, não me importo conhecer você melhor. Eu quero isso...

– Cada pedaçinho? — ergui uma sobrancelha querendo saber o quão esta disposto a mim conhecer. Ele assentiu. — Parece divertido.

Então ele fechou o espaço que eu tinha aberto entre nós, mais uma vez, agora encostando os lábios nos meus em fração de segundos. Ele só pode estar me provocando, ainda não dava chances para mim raciocinar direito ou afastar completamente com medo para onde isso pode nos levar. Eu sei, só não cedi ao medo dessa vez.

– Parece divertido — repetiu — Tenho certeza que vai ser bem mais do divertido. Mas acho que alguém entre nós esta mentindo. Eu não acredito em você, ainda tem medo de mim — senti uma adrenalina diferente percorrer meu corpo enquanto Brian sussurrava proximo da minha boca, ousadamente sua língua molhou meu lábio inferior com uma leve passada, e eu suprimi um suspiro e fechei os olhos sem querer.

– Acredite. Como prova você já pode começar se ''diverti'', Haner, conhecer qualquer pedaçinho de mim se quiser. Só para te mostrar que não tenho medo.

Eu tinha medo dele se afastar, de não gostar de mim, mas não era isso que estava acontecendo, então eu não tenho medo de nada, ou uma parte deste medo acabou quando seus lábios tocaram os meus e confessaram que quer me conhecer melhor.


Ainda na mesma posição, ainda com os olhos fechados, sentindo sua presença, eu passei a ponta da língua no contorno dos seus lábios, arriscando como ele fez. Abri os olhos para ver sua reação. Brian emitiu um grunhido baixinho, só para mim escutar, fechando seus olhos e deixando os lábios entreabertos como se esperasse um beijo. Eu não dei.

– Vai ser mais do que diverção — concordei, corrigindo minhas palavras também num tom baixo. Ele fechou a boca e abriu os olhos para mim encarar. — Mas eu sei melhor do que você que isso vai acabar em consequências ruins — e concluí, sorrindo com o canto da boca para amenizar o impacto da situação.

Brian não retrucou. Encostamos as costas na cadeira ao mesmo tempo, separando-nos. O vi franzir sobrancelhas e voltou levar o cigarro aos lábios, uma cena complementa sexual. Porque tudo nele para mim tem conotação sexual, o menor gesto que fosse, não consigo controlar meus hormonios fervendo por ele. E antes que eu pudesse viajar na batatinha, mudei de assunto rapidamente:- Vou terminar de comer. Podemos ir para outro lugar e conversa, tudo bem?

Ele assentiu, soltando a fumaça pelo nariz, quando eu já não esperava mais sua resposta.


Notas finais
Momento tenso no final mas é util para o proximo capitulo. Espero que tenham gostado da ideia do parque, eu queria levar eles em um lugar diferente da praia, festas em surbubios, banda, escola, condominio e etc...
até mais :* ♥