Angel Devil

29 Finais de tarde na praia para sempre.


Notas iniciais
Boa leitura ♥

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Entrei em casa calada, tentando passar despecebida pelos empregados-silenciosamente-espiões enquanto procurava meu quarto no andar de cima. Deixei minhas coisas na cama e camanhei para o banheiro perfeitamente arrumado, diferente do que eu deixei mais cedo. Francisca ou qualquer um esteve aqui hoje, eu pode notar, mas é impossivel preocupar com outra coisa a não ser na nossa tarde na praia juntos.

Algo no modo que Brian me olhava tinha mudado. Em um jeito muito, muito bom. Na verdade, não foi só com ele. Eu sou uma pessoa que pode se dizer...Radiante agora. Nada esta estragado por incrivel que pareça. Eu não voltei para casa com mais mil sentimentos dificeis para me pertubar, só uma inquieta felicidade de garota-estupida-apaixonada que se destacava num sorriso bobo no canto dos meus lábios, insistindo ficar ali como prova da nossa tarde. Deu certo! Se alguma vez eu disse que me sentia feliz pode apostar que era mentira, quer dizer, talvez uma meia mentira. Nada se compara quando as coisas entre nós começa realmente dar certo, feito agora, depois da praia eu vi que pela primeira vez as coisas poderão se acertar de verdade. Estarmos junto sem toda aquela carga de consciência pesada e sufocante por ter feito ou não alguma coisa, por não saber se sou mais uma ou não para ele, sentimentos defeituosos e pessoas intrometidas querendo nos separar.

Sei que não deveria apostar todas as minhas fichas já no primeiro dia, mas eu não consigo evitar, meu lado vulneravel á ilusões é estupido demais para eu não ficar feliz. A conversa que tive com a Vic antes de irmos para casa do Smith agora faz toda a diferença para mim, isso não saia da minha cabeça desde que cheguei: ''...A intesidade que ele confessou gostar de mim é o sufiente para acreditar, Vic — dentro de mim havia uma absoluta certeza que até o momento eu nunca percebi e sentir antes. Isso é bom. Eu acho que é.

– Foda-se as consequencias, eu sei que posso esta fazendo o maior erro da minha vida envolvendo mais do que já estou, igual aquela Michelle e as milhões que já existiram por aí, mas...Quem se importa?''. Eu também disse naquela noite que era ''Tarde demais para mim afastar'' de um modo desesperador e confuso, acreditando que tomei a decisão mais estupida de todas em sempre voltar atras dele e continuar nesse jogo chamado Brian até ver onde vai dar, sabendo que eu não tinha muito no que ganhar já que ele é o maior problema. Mas aqui estamos, melhor do que antes, melhor do que pensamos, imagina se eu não tivesse insistido? Nunca conheceria a felicidade que é ter atirado no escuro e mesmo assim acertado o alvo. Não chegamos finalmente no final feliz, claro, afinal hoje foi só o primeiro dia, mas eu farei de tudo para continuarmos do mesmo jeito que começamos. Finais de tarde na praia para sempre.

Por que não?

É um bom lugar. Não brigamos, não tinha palavras dificeis, eu sabia com quem estava ficando ali, e que Brian não iria ser um imbecil comigo. É por isso que eu estou feliz, dessa vez tenho certeza que nós estamos recomeçando pelo caminho certo. E depois da mcdonalds, quando ele me deixou um pouco longe da entrada do condominio, o novo clima se fixou ainda melhor:

– Vou te esperar amanhã no mesmo lugar.

Lembro de ter sorrido, até demais. Isso não pareceu o assustar, apenas sorriu de volta e se inclinou, procurando a minha boca como das ultimas vezes, sem a merda da insegurança entre nós.

Ele acariciava minha cintura exposta pela blusa de lã um pouco levantada, lentamente eu trouxe minha mão para seu cabelo, fazendo carinho ritmados como ele em mim, no instante que nos beijavamos. Eu podia sentir a eletricidade que tanto dava importância entre nós desde o começo reagir em borboletas voando desgovernadas dentro de mim, algo que nunca senti quando sou tocada ou até olhada do seu jeito, é até esquisito dizer mas sempre parece ser a primeira vez e nunca o bastante.

– Se você mudar de ideia — comecei quando nos afastamos apenas o suficiente para respirar. — Me diga, não importo ir para outro lugar...- afinal, ele não esta acostumado com esse tipo de programa, deve ser tão...Chato a falta de diverção naquela praia comigo, já que ele podia esta envolvido em alguma confusão excitante lá fora com os seus amigos. Uma festa suja em pleno dia num surbubio qualquer e etcs divertidos.

Eu não quero obrigá-lo ficar comigo todos os dias, mesmo meu lado egoísta cuspindo 'Mentirosa!' na minha cara. — Se você quiser, podemos ir para o Johnny's bar amanhã. Os meninos devem ir para lá, a gente...

– Nem fodedo — ele me cortou se ajeitando no banco. — Mesmo se eu quisesse não vamos lá já faz algumas semanas, a policia baixou lá porque rolou umas brigas violentas e o proprio dono do lugar os chamou para amenizar o nivel de escrotice de alguns caras achando ser donos de tudo. Por enquanto estamos roubando bebida no mercado perto da casa do Zacky. O cara é um velho, ele não consegue correr atras da gente.

Brian confessou de um jeito ''foda-se o velho'' tão natural, soltando um risinho safado, que me deixou sem reação e sentindo pena ao imaginar um homem velhinho vítima de adolescentes delinquentes.

– Ele nunca denunciou vocês?

– Ele pode, se é que já não fez. Mas eu pensaria duas vezes se meu proprio filho tivesse envolvido nisso...Acho que você viu o Justin na casa do Smith...

– Talvez. Mas se você quiser... — tentei voltar ao assunto. Alguma coisa os meninos devem esta fazendo alem de roubar bebidas.

– Eu direi a você — prometeu sem me dar chances de terminar a frase novamente. Brian puxou o passante da minha calça, fazendo eu ficar no limite do banco enquanto soltava um murmurrio reclamão porque não podemos ficar aqui, alguém pode nos ver. — Você é estraga-prazer pra caralho — ele disse humorado, manifestando contra minha tentativa de avisar e ir embora. Ao inves de insisti, eu apoiei minha perna dobrada no freio-de-mão e minha mão na sua coxa esquerda a procura de equilibrio, era uma posição ruim mas não liguei, de forma alguma, só sentia seu sorriso vitorioso contra minha pele, e tive que rir junto com aquele convencido...

Bêtania veio até meu quarto avisar que John havia chegado e o jantar esta servido. De banho tomado e roupas novas desci na direção da sala de jantar, onde minha família se reuni na mesa farta de oito lugares todas as noites. Murmurrei um ''Boa noite'' distraído, ocupando o lado esquedo do meu pai e de frente para Francisca.

– Andei pensando nas férias que você tirara no final desse mês, querido. Pediamos visitar a casa dos meus pais, estou sem noticias a meses...- assim que acabamos de rezar agradecimentos e a comida estava servida em nossos pratos, minha mãe iniciou o assunto da noite em família.

– Você sabe porque eles não aceitam suas ligações, Francisca. Se irmos não vão nos receber bem — como seu papel de homem da casa John alertou o risco com uma voz sabia e grave, tomando um gole do seu vinho em seguida.

Francisca odeia seus vicios — charutos e vinhos antigos das melhores marcas -, ainda mais quando bebe na frente das suas filhas. Só eu entendia o porque daquela tarça esta sempre o acapanhando quando chega em casa, minha mão chega coçar para roubá-la e virar tudo de uma vez. Só assim para manter a calma ao lado da minha mãe e suas ideias absurdas. Paris não é ali na esquina.

– Este é um dos motivos para nós irmos. Não podemos adiar mais. Sinto medo até de pensar neles vendendo a casa dos meus...Dos nossos pais sem me comunicar.

– Eles não podem. Precisam da sua assinatura, Francisca...Vamos jantar, Santo Deus! Conversaremos sobre isso depois, com mais calma. — até eu fiquei surpresa com o pedido claro e em bom som. Ergui meus olhos cautelosamente, encontrando John fitando sua comida com os braços sobre a mesa, segurando garfo e a outra mão o corpo fino da tarça com uma força exagerada. Arrisquei dar uma rápida olhada para Francisca também, encontrando sua postura correta de sempre e lábios numa linha dura enquanto seus olhos faiscavam na direção do seu marido.

Sempre fomos obrigados ouvir o que ela tem a dizer e dar nossa opinião se for necessario. Muitas vezes John só murmurra um ''Faça o que desejar'' e lá vamos nós fazer o que ela deseja. Porem, dessa vez meu pai tomou atitudes melhores e também perigosas.

– Mesmo que precisem da minha assinatura eles já podem entrar com um adiantamento, eu não estou lá para dizer sim ou não, seus advogados podem alegar minha falta de interesse. Dinheiro esta em jogo John, eles não esperaram por mim, os conheço muito bem. E você, precisa arranjar o melhor profissinal urgente! Não gosto daquele Doutor Rodrick, li que ele falhou no seu último caso serissímo por faltar na audiência, não é coisa que um profissinal faça! Quero ver se um médico abandona seu paciente no meio de uma cirurgia para dar atenção á problemas pessoais!

– A mulher dele estava com câncer, Francisca.

– Foi o que eu li. — disse com desdem, como se isso não fosse motivo suficiente para o homem agir do jeito que agiu. — Agora ele deve esta mergulhado numa profunda melancolia para ser nosso advogado, então nem pense em chamá-lo para jantar conosco no domingo.

Meu pai assentiu, concordando calado, e encheu mais uma vez sua tarça. O resto do jantar seguiu apenas com os sons dos talheres entre nós e as músicas favoristas da minha mãe fluindo do vinil na sala de visitas ao lado. Eu mal toquei na comida, ainda estava cheia do sanduiche que comir, mas com medo de dar muito na cara a minha vontade de sair da mesa fui obrigada comer um pouco, mastigando lentamente com os olhos sempre escapolindo para algum objeto sem interesse.

Minhas irmãs foram as primeiras acabar, depois Francisca lembrou que tinha que ligar para alguém antes que fique tarde, sobrando somente eu e meu pai e um grande disperdicio de comida.

– Vamos para Paris no final desse mês — ele quebrou o silêncio, falando comigo sem tanto esforço como longos minutos atras.

– Eu-eu tenho escola, não posso faltar, é o ultimo ano — insegura, soltei a primeira desculpa que soava boa para escapar dessa. Sei que ele pensará duas vezes antes de colocar minhas notas escolares em risco. — Vocês vão tratar de negocios, porque eu, Talita e Daiane devemos ir?

– Verei o que posso fazer.

– Tudo bem — assenti, soltando o garfo e arredando a cadeira para me dar espaço. — Boa noite pai.

– Boa noite minha filha.

Sair da sala de jantar não pensando em ir dormi agora apesar de ser uma ideia tentadora. Tive um manhã puxada e sei que amanhã será do mesmo jeito naquele colégio. O Zumbi no auge dos seus 1500 anos...

– Hmmm! Parece que o dia de uma loirinha foi bom hoje, esta sorrindo para o nada desde que chegou — só percebi que estava parada perto da porta da cozinha porque suas palavras foram direto na minha consciência.

Bêtania, com seus olhos cinza-azulados, me anlisava com plena certeza que algo aconteceu sem aos menos eu falar um 'a'. Meu sorriso só cresceu, pega no flagra.

– Um passarinho dourado tem algo haver com isso? — continuou como se tivesse falando com uma criança, secando suas mãos no proprio unfirme azul-marinho. Ela falava de Diego, referindo ao seu cabelo.

– Não...

– Claro que não. O porteiro veio umas tres vezes perguntar sobre um misterioso Opala que passou por aqui algumas vezes. Agora posso entender — concluiu olhando-me mais desconfiada. Fiqui em silêncio, brincando em arrumar a filheira de guardanapos em cima do balcão que ela tinha que guardar, fugindo. — Tome cuidado menina, você conhece muito bem sua mãe...

– Então só você sabe? — ignorei sua tentativa de me aconcelhar, erguendo o rosto e encarando-a com mais coragem.

Francisca fingiu que nada aconteceu na festa de Santo Antônio depois da briga que tivemos, com certeza ela sabe que estive em outro lugar fora do seu alcance aquela noite, mas por sorte nada mais chegou em seus ouvidos, e Bêtania não é um problema, estou até aliviada porque o porteiro a procurado primeiro ao em vez da minha mãe. Todo mundo é esperto o sufienciente para pensar duas vezes (ou mais) antes de ir até ela pessoalmente e fofocar algo tão ''grave'' sobre sua perfeita filha.

– Euuuu? Não sei de nada! — brincou de desentendida, piscando suas palperas enrugadas lentamente enquanto gesticulava com as mãos atrapalhada. — E vou continuar não sabendo se a senhorita comer um dos cookies que acabei de fazer — se virou para o forno do fogão aberto, tirando de lá uma forma quadrada cheia dos seus cookies — Faz tempo que não me procura mais, vou pensar que já enjoou dos meus biscoitos!

– Nem tem jeito! — eu sorri, aproximando para vê-los todos enfeitados. Quando criança seus cookies eram famosos, milagrosos e saravam qualquer tristeza. Bêtania sempre me dava quando eu chorava ou estava quieta demais, por exemplo odeiando minhas festas de aniversario que tinha mais adultos do que crianças.

Meus favoritos são com pasta de amendoin ou os de gostas de chocolate, e ali eu vi uns três deles que fez minha boca salivar mesmo estando cheia. Roubei um recheado com chantilly e morango porque é a sua nova receita, sentindo de primeira o gosto doce preencher minha boca junto com a massa do biscoito redondo e grosso. As receitas são originais e por mais que o recheio seja uma mistura estranha o gosto vicia, dá vontade de sempre pega outro e mais outros e mais outro...

– Pode guardar alguns para mim? Quero levar para escola amanhã como nos velhos tempos — tive a ideia com outra em mente. Eu e Brian não precisamos comer mcdonalds todos os dias.

– Oh querida, claro. Mas está tarde, vá dormi, amanhã eles estarão aqui no balcão te esperando.

– Obrigada Betânia.

A Senhora que trabalha nessa casa desde que nasci sorriu ao receber meu abraço de boa noite, em seguida me dirigir a escada, obedecendo.

Assim que adentrei o comôdo silêncioso e a porta fechou-se trás de mim, empurrei as sandalias cafonas com os proprios pés e desabei na cama, fazendo o colchão subir e descer com meu corpo. Eu nem sabia explicar o tipo de sensação que vivencio no momento olhando para o teto com o abaju ligado ainda sem sono.

Sim, estou feliz pelo fato das coisas esta dando certo como falei antes, mas amanhã querendo ou não será um novo dia, e era para eu esta preocupada com as torturantes provas no colégio...Mas não. Por mais estranho que pode soar, nunca me visualizei tendo uma terceira opção com ele e quando isso aconteceu aqui estou eu: rindo para as paredes feliz.

Mas pensando melhor chega a ser assustador. Uma nova chance, uma nova fase cheia de coisas para ver e experimentar junto com Brian...Não é pra ser assustador? Eu estava com medo ainda, não posso mentir, pois o quão louco pode ser gostar de alguém ao ponto de não parar de pensar nela? Ao ponto de bolar um plano maluco para vê-la todos os dias? Além de esconder da sua família (mesmo que ela seja defeituosa do jeito que é), mudar seu jeito de pensar e agir na sua vida, fazendo tudo isso por puro prazer.

Sempre fui das que criticava as moçinhas dos filmes e livros, aquelas que não deixa o cara nem respirar, que cita o nome dele a cada frase quase vomitando flores, que faz coisas idiotas para vê-lo e fazê-lo feliz, virando uma completa personagem — retarda, tola, lunatica! — romântica. Sou daquelas que sempre teve o dicurso ''Nunca serei assim! Quem precisa de alguém?'', mas no fundo sabe que é só o discurso de uma covarde com pavor de tropeçar em seus próprios pés e falar de sentimentos...

Dessa vez eu não estou sendo covarde e estou falando de sentimentos.

O vento da noite entrou pela janela aberta, tirando-me dos meus desvaneios. Sentei na cama e puxei a alça do meu vestido virginal para baixo até passar o pano por todo meu corpo e o arranquei pelos pés. Enfiei debaixo da colcha azul-claro de sutiã e calcinha, esticando o braço para apagar a luz amarela do abaju pronta para dormir. No completo escuro, ainda de olhos abertos, molhei meus lábios secos com a língua e foi então que senti o bolinha do piercing.

Meu cerébro sofreu um instalo, eu estaquei na cama, fitando por um tempo o nada com as sombrancelhas franzidas. Então, num pulo sentei novamente, tentando tirar a colcha sobre mim e desci da cama desengonçada, tropençando até chegar no banheiro tateando o ar na minha frente. Quando achei o interrupitor, liguei somente as luzes do espelho e coloquei minha língua para a fora, observando o reflexo daquele objeto atravessado nela.

''Vic não vai deixar de ser minha amiga se eu fizer isso'' — expliquei à mim mesma como se precisasse, enquanto desenroscava a bolinha do piercing, conseguindo tirá-lo de uma vez. Foi estranho e ao mesmo tempo certo. Minha língua pareceu mais leve, notei o buraco que ficou, sendo obrigada acostumar com ele.

Não tem um porque claro, este piercing só nunca teve o mesmo significado que os delas, era tudo por Brian — ser aceita, parecer descolada como as meninas. E lembrar que principalmente Leticia faz parte do pacto de amizade...Pode ser infantilidade mas me fez jogar fora o metal pela descarga do banheiro com vontade.

Não faço parte daquilo, sou só amiga da Vic. Mas não quer dizer que me arrependi de ter feito ou mudei de opinião, foi bom naquela hora fazer algo diferente, todas as coisas que passei fora da minha realidade foram as melhoras da minha vida até então. Eu só...Enjoei. É uma desculpa que não vai gerar perguntas dificeis.


[...]


O ruído do despertador me fez erguer a cabeça a tempo de não completar seu toque irritante e repetitivo. O dia seguinte finalmente começou, é incrível como bastou pensar nisso para que eu sinta uma onda de ansiedade me recobrindo por inteiro.

Mas meio que já esperava por isso então levantei Fiz meu ritual de sempre, incluindo o biquini por debaixo da roupa, antes de descer para o café-da-amanhã. O par de olhos do cão farejador já me aguardavam na mesa da cozinha, assim que encontraram os meus ela perguntou: — Vai de short para aula?

– Educação fisica no primeiro horario. — menti, pensando em algo melhor para descuti: — Papai disse que nos levara junto na viagem, mas eu não posso faltar no colégio, muito menos deixar o coral da Igreja...

– Já conversamos sobre isso, vocês vão ficar. Betânia cuidara de tudo enquanto eu estiver fora.

Fiz de tudo para esconder o sorriso que queria se abrir junto com um grito de vitória, ocupando minha boca com o suco de laranja enquanto procurava no balcão da cozinha os cookies. Hesitei antes de pegar, minha mão envolveu a vasilha de plástico e coloquei o mais rápido que consegui entre os cardenos na minha mochila para evitar perguntas.

– Não vai sentar? — não adiantou, ouvi sua voz atras de mim.

– Estou atrasada, vou passar a matéria das provas com Diego antes do sinal tocar. Posso demorar chegar em casa, tem ensaio mais tarde — menti mais um pouco, mas segundos depois me amaldiçoei mentalmente por não ter preparado uma hitória melhor. Talvez eu nem precisa-se voltar tão cedo, porque o ensaio termina às 7 da noite.

Lementando fechei o zipe da mochila e passei a alça no meu ombro ao mesmo tempo que despedi com um breve 'Bom dia', ela fez o mesmo.

Dentro do grande ônibus amarelo meus pedidos silênciosos para ser invisivel começaram. O resto que passei na escola se resumiu em uma palavra: incômodo. Tirando as provas que se chama: desastre. Eu mordia minha unha conforme franzia minhas sobrancelhas concentrando naquele papel mas nada adiantava.

Em que ano o Japão lançou a Segunda Campanha Indochina Francesa e expulsou os franceses de Vicky e formalmente instalou o imperador Bảo Đại no de curto período Império do Vietnã?

Hã?

Essa era o prova de Geografia (que mais parecia de História).

Minha cabeça se inclinou pro lado enquanto eu lia a pergunta pela sétima vez. Eu tinha quase certeza na resposta, lembro do professor passando um video sobre isso, se eu não tivesse dormido...Merda. Bufei, chamando atenção da professora Glory, ela levantou as sobrancelhas ralas para mim, questionando, mudei a direção do meu olhar ignorando-a.

Era tarde e faltava mais algumas questões nesse maldito teste zombando de mim com seus erros gramaticais pela a grafica. ''Tomara que eles anulem!'' — esse foi o meu último desejo enquanto entregava a prova à professora.

Então aqui estava centenas de pares de olhos me observando a cada corredor que eu cruzava. Não é ótimo ser popular? Já que a resposta é não e ninguém liga, bastava um suspiro meu para que ouvisse uma sinfonia de cochichos se formando em minhas costas. Medonho. Enfim...Já houve uma época que eu sabia lidar com esse tipo de popularidade, mas como agora sou naturalmente rejeitada por não ter mais aparência de perfeita não preciso me preocupar tanto em manter a pose e sorri para todos. ''Que dia Melinda já usou um short?'' — foi o que li nos olhos da garota sentada na mesa onde Diego estava. Como ontem, ele despediu dos seus colegas e saiu comigo de mãos dadas, segurando minha mochila junto a dele.

– Acho que se um dia alguém vir no colégio fazer um documentário baseado em filmes que retratam a vida no ensino médio vou me candidatar — eu disse a Diego, que somente riu pouco balançando a cabeça. — Como é fazer parte do time famoso que por onde passa deixa um rastro de meninas desmaiadas pelos quatro cantos da escola?

– Se fosse só isso seria bom...

– Aconteceu alguma coisa? — perguntei mudando meu humor ao notar pela primeira vez que ele não estava com uma cara boa, nem fazia piadinhas junto comigo. Então eis que surge minha resposta: Bia parou atras da gente na fila do lanchonete com suas amigas, um fato que fez Diego pegar na minha mão com mais vontade.

O que pode ter mudado de um dia pro outro?

– Diego — ela disse o nome dele e olhou para mim, insinuando que só quer falar com ele. Tentei afastar mas ele não deixou, se virando para as garotas em silêncio. Bia estava com um novo visual, alem da pele cor de cenoura de tanto pegar sol, seu cabelo preto agora tinha uma franjinha cobrindo toda a testa e o resto estava esticado em volta do seu rosto, batendo um pouco abaixo dos ombros cobertos pela baby-look rosa. Não duvido nada que a amanhã varias vão aparecer com o mesmo visual, já que ela é a nova estrela da escola.

Olhei de soslaio para os lados e vi alguns já se aproximando enquanto encarava a cena que não mais pertencia a fila. Em uma reação instintiva cheguei mais perto de Diego, não passando despercebido pela nova rainha dos babacas. Então deduzi que realmente algo aconteceu com aqueles dois e todo mundo já esta sabendo, menos eu.

Talvez os olhares de hoje nem seja sobre minha aparência, o que esteja acontecendo me envolve também.

– A gente conversa depois Bia — sua voz era estranhamente clara, Diego deu as costas para elas, me puxando novamente para a fila da lanchonete.

Como eu não estava com a mínima vontade de comer deixei ele pedir o que quer sem tirar o que acabou de acontecer da minha cabeça. Eu queria bombardiar Diego com perguntas, ir atras daquela garota e saber qual é o problema dessa vez. E assim que saimos do refeitorio o empedi de dar outro passo, ficando na sua frente de braços cruzados o encarando a espara de alguma atitude.

– Já ouviu os comentários sobre suas pernas bonitas? Como frequentador do vestiario masculino posso afirma isso — ele tentou me distrair, eu até levei para o lado da minha auto-estima, esperando que Brian pense o mesmo, mas balancei a cabeça, deixando claro que sua tentativa não vai funcionar.

Ele deu um riso nervoso, desviando seus olhos para baixo. Por ser mais alto que eu ainda continuava ver seu rosto e não cedi, esperando calada.

– Bia acha que a gente esta namorando ou coisa do tipo, então não pega bem eu esta com ela e andar de mãos dadas com você...Satisfeita?

– Ela-ela...- gaguejei não acreditando. — Você pediu para namorar com ela?

– Eu disse que ela ACHA, Melinda — enfantizou a palavra, gritando um pouco.

Diego realmente estava nervoso com este assunto, e essa parte eu não entendi o porque. Não é ele que sempre gosta dessas situações no colégio?

– Mas você esta com ela, Diego.

– Não mais. Ontem depois que a gente conversou, eu procurei ela para terminar. Então ela veio com esse papinho para cima de mim, que conversou com os pais dela...Eu não entendi direito. Meu treino já tinha começado e depois eu fui direto para casa, só estou vendo ela agora...

Ótimo, a minha terioa sobre pessoas intrometidas ferrar com tudo esta ficando cada vez mais forte.

– A gente tem que parar com isso então! Eu sou sua amiga e ela...Sei lá o que ela é, mas esses idiotas já estão falando demais — asperei séria. — Quando eu disse para tomar cuidado não foi á toa Diego! Eu sei muito bem quem são essas pessoas!

– Parar com o quê?! Como você disse nós somos amigos, não temos nada com o que ''parar''! Eu vou conversar com ela, desminti tudo que estão dizendo...

– Rá! — eu forcei uma risada — É mais fácil eu voltar ser freira e eles me receberem de braços abertos com o posto de raiva do Ocean novamente caramba! Você é muito burro! — minha frustração mudou para alarme conforme as palavras sairam da minha boca e eu o vi ficar visivelmente chateado.

Nos encarando por um curto tempo. Eu não sabia mais o que dizer, muito menos queria escutar mais alguma coisa sobre Bia. Odiava o modo como eles se envolveram.

''Como ele pode esta naquele ninho de cobra? Eu não vou pedir desculpas...''- levou um tempo para recuperar meus pensamentos racionais e aceitar que realmente eu fui dura. ''Diego pode conseguir resolver isso sozinho como tentou dizer para mim!'' — voltei á minha posição de antes, ainda de braços cruzados, e olhei para chão relutando. O modo como ele respirou fundo trouxe meus olhos para seu rosto novamente, torcendo para ter me desculpado mesmo sem um pedido em voz alta.

– Me desculpa — Diego cedeu primeiro. — Sei que não conheço mesmo essas pessoas, mas eu vou conversa com ela, esta bem? Não precisa brigar comigo. — aquilo me fez sorri de tão fofo que ele é. Aceitei o pedido de desculpa revirando os olhos, o belisquei em seguida, ouvido seu 'Ai' surpreso.

– Eu devia te castrar por esta se esfregando com vadia-falsas e depois arrancar um por um os fios daquela garota cor de cenoura! — apontei o dedo na sua cara, fingindo raiva dessa vez.

– Ah não, deixe minha dignidade masculina em paz. A segunda opção pode ficar em aberto. — nós dois rimos.

– Tá bom, vou pensar no assunto, agora tenho que ir.

Seu sorriso morreu.

– Não vai, eu tenho que só pegar um livro na biblioteca que David pediu e depois a gente pode fazer alguma coisa. Lembra? Temos uma lista para terminar...- ele sugeriu um pouco animado, mesmo vendo no meu rosto que não ia dar.

Tentei sorri para diminuir minha imagem de péssima amiga por deixá-lo neste lugar sozinho, mas vou ter que dizer não e isso não pareceu dificil para mim, por causa do que me motiva fazer.

– A gente...- obriguei meu cerébro funcionar. -...Pode fazer algo Domingo, porque...- mordi o lábio, não querendo dizer a unica ideia que tive. Cérebro inutil! Mas é isso ou meu título de péssima amiga. — Porque eu vou na Missa.

– Você vai? — ergueu as sobrancelhas visivelmente melhor e surpreso.

– É...Você vai esta lá, não vai? Então...Durante esses dias vamos ter que inventar uma história bem convincente para contar a Irmã Marlente e ser compativel com as coisas que minha mãe diz. Você me ajuda?

– Claro — ele disse suavemente com uma expressão sincera.

– Legal! Agora tenho que ir...

Meus músculos pareciam gelatina quando me despedi, soou até meio diferente, fazendo Diego olhar meu rosto de um jeito confuso. Eu balançei a cabeça querendo dizer ''Não é nada'', então ele partiu para biblioteca enquanto eu fui na direção do portão.

Demorei três vezes mais tempo do que eu levaria normalmente para chegar na praia. Eu decidi pegar outro ônibus e descer um pouco longe para ensaiar falas que nunca dão certo. Caminhei pela a calçada limpa com os pés desastradamente tremulos. Brian estava lá, dessa vez só encostado no carro usando uma das suas usuais camisetas e bermuda jeans escura. Seu cabelo estava em todos os lugares por causa da brisa, eu tomei um momento para apreciar a paisagem, mas foi somente uma vez porque menos de dois segundos depois eu olhava para ele cara a cara.

Nada como um segundo dia na praia para me senti ainda como as personagens que tanto critiquei, diante da pessoa que você descobre que quer segurar na sua vida por um longo tempo...

Como isso soa tão...Perfeito.

Notas finais
Ufa, até que enfim! hahaha
Antes de começar a falar tenho que distribuir muitos agradecimentos a kikishadows, umaameixaseca, e delrey por deixar comentários em todos os capitulos, fez uma grande diferença, obrigada mesmo pelo apoio gente! e para quem continua comentando também e tendo ''paciência'' com a minha demora, obrigada.
A figura que eu deixei ali em cima não tem nada tão relevante para falar não, eu estava no meu tumblr então li o que esta escrito no pedaço de papel e foi isso que me ajudou ter inspiração para o capitulo. Como vocês leram tem umas citações da Melinda que bate com as palavras da figura, que é parte de criticar outras casais até você cair na mesma armadilha.
Então...Diego e Bia, alguém quer apostar alguma coisa? Finais de tarde na praia para sempre?
beijos, até a proximo cap :*