Angel Devil
30 Finais de tarde na praia para sempre II
Notas iniciais
É só um aviso que eu queria dar antes de vocês começarem ler. Agora sem mais taaaaanta enrolação (apesar que não existem palavras para minha demora haha), boa leitura ♥
Para um escândalo se tornar apenas uma história do passado depende diretamente da proporção e das conseqüências que ele causou. Um escândalo que sou envolvida provavelmente demore mais tempo do que o normal. Talvez não chega ser um escândalo afastar da Igreja e reaperecer na frente de todas aquelas pessoas como se eu tivesse sido abduzida por E.Ts e agora estou de volta, simplesmente apareci...Não, é, talvez seja realmente um escândalo. A verdade é que são coisas demais para uma garota de 17 anos entender, então adentrei naquele lugar fingindo ser a Melinda Perfeita Valentin que eles tanto querem, sem escolhas.
Mas desde quando John estacionou em frente a Igreja foi complicado erguer a cabeça e encarar toda aquela gente sem meu estômago embrulhar. Escondi atras do meu pai, porem Francisca acabou com a minha tentativa de fugir ao me puxar para um abraço invasivo, dizendo coisas ridículas de como esta orgulhosa e etcs impossiveis de dar ouvidos sem fazer um som de vômito imaginario. Ela, com todo seu sorriso que faltava rasgar a cara, perguntou se eu estava com saudades daqui. Acho que não reparou bem na minha cara o bastante para perguntar tal coisa ou se sentia feliz em me fazer mal. Diante da minha falta de resposta ela completou nosso teatro com um beijo no alto da minha cabeça pra disfarçar, mostrando todo o seu amor por mim.
Procurei Diego por toda parte. Sua família estava na outra filheira de bancos, um pouco a frente de nós conversando com dois casais. O menino de costas ao lado do Sr. Amonrim pareceu ser David, mas fiquei com medo de ir até lá e dar de cara com a Irmã Merlene, de quem estou fugindo desesperadamente. Contudo, nem foi preciso dar muitos passos para as pessoas vim até nós fofocar, e uma dessas fofocas assustadoras chamou minha atenção quando perguntaram se Francisca já tinha encontrado o apartamento no campus de uma das Universidades na ''minha'' ambiçiosa lista do futuro.
Não é cedo para isso ainda? Para eles não eram.
A desculpa do meu sumiço foi essa; alem de eu esta ocupada com o colégio, estou procurando acomodações antes mesmo de saber se vou ser aceita em, hm...Harvard? Como se fosse fácil...Oh espere, já ia me esquecendo: uma boa quantia em dinheiro para o Heidor não será problema, eu estarei lá de qualquer jeito, como uma incapaz de fazer isso sozinha, ajudada pelo bolso do papai.
As pessoas engoliram esta história facilmente, eu quase explodi num riso histérico enquanto a Sra Valentin contava mentiras bem diante da imagem de Deus. Afinal, nós nunca tocamos no assunto sobre apartamentos em sei lá aonde, na minha cabeça eu seria uma estudante como qualquer outra, morando em uma republica ou coisa do tipo, não como a filha do presidente do país correndo perigo só de pôr os pés fora de casa! E quem ligaria para Harvard sabendo como sua vida terminara depois? Nunca me imaginei sendo advogada ou...Nada que vá ajudar na empresa do meu pai ou na família milhonaria. Então pra quê? Meu plano sempre será faculdade ou algum curso em New York — uma cidade com espirito de liberdade. Tudo que uma prisoneira feito eu precisa! Mas se for possivel até para Marte estou topando ir. A ideia de E.Ts me sequestrando até que é uma boa diante de toda essa babaquice.
Eles nunca me deixaram livre.
John já esta negociando minha estadia na faculdade com um dos seus amigos politicos para que todos os meus anos lá sejam conforme planejaram...Como aconteceu quando matriculei naquela maldita escola, achando que por ser publica eu ia conseguir ser normal, só que meus pais concordaram apenas depois de ter aquela certa conversinha com a diretora.
Abaixei os olhos, sentindo novamente o bolo do café da manhã mal-tomado preste a voltar por onde entrou, ainda sendo obrigada ouvir toda aquela gente velha encher a boca para dar conselhos, como se o que aconteceu com eles irá acontecer comigo também. É mais desanimador do que triste. Eu assentia, tentando demonstrar que os entendia, agradecendo cada elogio como uma boa menina, mas só conseguindo pensar na proxima fase da minha vida sendo programada tão lindamente.
Como pode esquecer?
Depois da noticia de casamento arranjado eu deveria esta esperando mais alguma coisa assim dos meus pais, se é que podem ser chamados de pais...Loucos talvez, problematicos, cegos e egoítas também! Então após todas as exibições de família perfeita, o Padre caminhou para o altar junto com os outros membros da Igreja, acabando com as conversas fiadas e quem estava sentado ficou de pé em respeito ao homem de vestes branca. Ele começou a Missa em latim, e conforme as frases decoradas terminavam os de mais cantarolavam Amém em resposta, iniciando os hinos em seguida — a minha unica parte favorita que se foi na 6° canção.
Os minutos começaram se arrastar como passos de formiga, eu já estava cansada de ficar sentada aqui esperando uma hora de puro tédio acabar com minhas pálpebras pesadas pela privação do sono. É domingo poxa, todo adolescente normal tem regra de não acordar cedo! Só que dentro de mim existia algo bom em meio a toda esse teatro macabro, que agarrei inultimente como se fosse me salvar: Finais de tarde na praia para sempre. — acho que essas palavras resumem bastante o que estou tentando dizer para mim mesma se sentir melhor. Nem tudo esta perdido, eu já sabia disso, pelo menos ninguém seria capaz de tirar isso de mim. Ou melhor, Francisca não aprendeu fazer lavagem cerebral ainda.
Mas como noticia ruim nunca vem sozinha...
Hoje o dia amanheceu pior do que ontem. Nuvens carregadas e cinzentas. Da janela decorada com imagens religiosas eu assistia as árvores recebendo sopros fortes, seus galhos bambiando drasticamente, abrindo buracos para mostrar um céu feio, sem cor, sem o brilho forte do sol em HB. Eu sentia como se toda magia do verão fosse embora. Eu estava tão acostumada, tudo estava sendo tão fácil e radiante, que a ficha ainda não caiu. Só não quero pensar que isso significa o fim dos meus dias com Brian no unico lugar que achamos ser perfeito para ficarmos sozinhos.
Infelizmente o tempo nunca foi meu amigo e a nossa semana passou como...Na velocidade da luz? Esquece, não existe nada para comparar o que fez passar tão rápido, sem eu ao menos esta preparada para deixar Brian se tornar apenas boas lembraças decorando minha mente como porta-retrados em Harry Potter.
''Amanhã não pode chuver, amanhã o tempo não pode esta assim!'' — eu rezava em silêncio, enxergando-me atraves do reflexo na janela semi-aberta, encarando meus proprios olhos, presa à minha mente implorando para o tempo mudar. Mas faz tanto tempo que não chove...É inevitavel não pensar no pior.
Eu não tinha outro plano em mente, não queria voltar encontrá-lo onde todas aquelas garotas me olham torto. Bebidas que me tornam outra pessoa. E Vic sendo cumplice da minha ''diverção'', que de uma hora para outra não faz mais sentindo já que sempre fui atras daquilo porque Brian estava lá, agora que posso ter ele só aqui...Nada daquilo faz mais sentindo!
Contudo, alguém estava acabando com a minha esperança novemente, como se eu não podesse por um ponto final finalmente nesta história. E sem saber controlar, eu refletia sobre a nossa semana perfeita como num filme particular, obrigando-me dar adeus sem poder fazer nada para impedir que o sol não fosse substituido por temporais nebulosos e arruinasse tudo:
Brian me ajudou com as toalhas, sem que eu posse mover enrolou uma em mim enquanto com a outra começou secar meus cabelos, me fazendo sorri do modo que esfregava meu couro cabeludo, ignorando que aquela era a sua toalha.
– Só quero ver o estado que vai ficar...- meu cometário o fez se afastar e me encarou calado para então seu rosto ganhar uma expressão engraçada, confirmando o que eu já podia imaginar; fios embaraçados e grudentos apontando para todos os lados numa imitação barata do cabelo da Medusa. — Briaaan — resmunguei seu nome, tentando pentiar aquele bololo com os dedos.
Ele jogou a cabeça para trás e soltou uma gargalhada gostosa de repente. Da ultima vez que escutei algo espontâneo assim estavamos dentro de brinquedos assassinos, naquele parque antigo de boas e ruins lembranças. Assim que se recompôs, se virou para mim com diversão em suas feições e disse sorrindo: — Isso é hilário pra caralho, Senhorita Perfeição.
– Senhorita Perfeição?! — coloquei as mãos na cintura, desistindo do meu cabelo revoltado por culpa dele. — Quantos apelidos tenho agora?
– Hm. Comigo são só dois, princesa– e piscou. Sim, Brian piscou. Meu Deus, ele piscou! De um jeito muito fofo falando meu apelido cafona!
Levei um minuto para recompor a menininha boba dentro de mim e fechei a cara, queimando de timidez pelo tom sedutor que usou, servindo só para fazê-lo sorrir mais de minhas bochechas vermelhas entregando todo o prazer de ouví-lo me chamar carinhosamente. Sentei na areia, ignorando suas graçinhas com aquele sorriso descarado, e lembrei que hoje tinha trago mais uma coisa dentro da mochila.
– Eu não zombaria da pessoa que trouxe cookies deliciosamente bons...- esta era a minha armar mortal, o provoquei enquanto tirava a tampa da vasilha, sentindo o cheiro adocicado subir e se misturar com a brisa da praia.
Dei uma mordida no biscoito cheiroso com a melhor cara de prazer que sabia fazer, pousando minha outra mão na areia e tentando parecer relaxada. Em dois segundos Brian estava sentado do meu lado, me permiti fazer uma dança mental pelo fato dele ter vindo sentar curioso, sem achar ruim que eu tinha trago mais uma coisa, achando que estou querendo forçar a barra tornando tudo isso exagerado. Porque não somos um fofo encontro de pequiniqui ou algo assim, a gente só esta aqui para...Para...Eu não quero forçar nada! Apenas estou tentando nos deixar confortaveis.
– Cookie? — perguntei numa voz leve, passando a vasilha redonda para ele, que olhou com as sobrancelhas franzidas. Então lembrei que ainda é imune aos viciantes cookies da Betânia, por isso agia dessa maneira indiferente. Insisti mais.
Brian esticou o braço e pegou apenas um, olhando para mim e depois para o biscoito como se eu estivesse oferecendo pedaços de criançinhas. Com um rolar de olhos puxei a vasilha de volta e tirei outro para comer junto com ele. Sua mordida foi lenta e dramatica, talvez testando se não ia cair duro na areia ou sei lá o que, mas aos poucos o movimento da sua boca foi ficando rápido e seus olhos se abriram surpresos, eu voltei com a minha dança mental. Sabia que ia gostar!
– Esses cookies são muito bons! — falou de boca cheia. — De quê são?
– Este que você esta comendo é com gostas de chocolate — respondi do mesmo modo.
O que minha mãe faria se me visse falando de boca cheia?
– Hmmm...Porra, nunca gostei tanto de chocolate — murmurrou de volta enquanto dava outra mordida e engolia. — Você que fez?
Dessa vez eu ri e balançei a cabeça negativamente, sentindo o peso daquela pergunta ao confessar: — Eu, cozinhando? Nunca toquei num fogão para fazer alguma coisa.
– Normal...Minha madrasta faz tudo lá em casa também.
– Não, não é desse jeito. Sempre tive empregados para fazer tudo por mim. Desde colocar gasolina no carro até limpar meus tênis. A dona dos cookies é uma das cozinheiras lá em casa, se não fosse a paciência dela acho que passariamos fome ou teriamos que recorrer a restaurantes todos os dias. — expliquei, olhando para a vasilha no meu colo.
O barulho do mar foi o unico som que ficou entre nós. Com o tempo me deixou apreensiva e produzindo milhares de bobagens como a garota insegura que sei ser perto dele. Eu e meu bocão! — Você...Você provavelmente carrega muitas fofocas de mim...Acho que-que eu não precisava jogar mais lenha na fogueira, não é? — adicionei desconcertada, tentando-o fazer comentar nem que seja sobre meu lado vergonhoso de ser dondoca.
– Ricos são exagerados. Mas se não fosse isso com o quê eles iam gastar? — por fim questionou.
Virei para ele confusa, esperando que ao menos no seu rosto tivesse acusações — olhos de pena. Sei lá. -, mas não era nenhum pouco parecido com a que eu tinha medo. Brian ainda mastigava com vontade, distraído com o biscoito que minutos atras era pedaço de criançinha. Simplesmente o soboreava.
Não consegui segurar o sorriso pateta que abriu em meu rosto, acabando por chamar sua atenção que olhou para mim só para roubar outro cookie. Seu simples ato mudou meu jeito temeroso em questão de segundo e fiquei feliz por não precisarmos de gordos sanduiches hoje, feliz que eu posso cuidar de nós dois assim: Toalhas, biscoitos, protetores...E de como aprendemos rápido conviver com o que conquistamos aqui sozinhos. Uma grande porção de tranquilidade, amizade e alivio. Sem nenhum intrometido para nos atrapalhar primeiramente.
Porém...
É um pena que não paravamos por aí. Ainda existia tantas coisas...Perguntas para se fazer, atitudes que são dificeis de lidar por sermos tão diferentes. Eu estava ansiosa e animada ao mesmo tempo com o depois, é um saco, mas eu não conseguia parar de pensar que eu preciso aprender decifrar Brian melhor, entender algumas palavras que solta espontâneo ou pensativo, olhos me olhando de uma maneira diferente, até seus beijos e a forma de me tocar mudaram. A maioria das vezes não eramos agressivos e tão urgentes.
Ele me estuda muito, eu consigo notar pela movimento dos seus dedos em partes do meu corpo, me dedilhando lentamente, não feito adolescentes desenfreados prontos para uma transa de 15 minutos como ele falou uma vez. Minha cabeça roda pelo fato de me sentir confortável ao lado desse garoto ainda confuso por um lado e bonito por outro.
Estamos ''evoluindo'', eu penso que talvez este seja o plano que ele pediu para confiar, e também possa ser o mesmo plano que eu tenho em mente. Ou melhor: meu plano é aproveitar, porque esta aqui com ele não é uma das coisas ruins que já aconteceu entre nós. Brian não se comporta feito um cafajeste e eu não cometo burrices! Gosto dos sentimentos que sinto por ele aqui, gosto do ambiente leve consequentimente manipulando nós dois para melhor. Gosto de pensar que ele esta aqui por mim e não existe nenhuma outra garota...Michelle, Léticia, até a tal irmã do Smith que esqueci o nome. Qualquer uma não existi mais! Nenhum obstaculo!
Ele ainda tem seus defeitos, é claro. Não sou completamente cega. Ás vezes sinto que não fala totalmente a verdade, cuidadosamente editando suas respostas para não mentir ou falar coisas demais para mim, se escondendo. O que aconteceu com o Nathan por exemplo...É este tipo de conversa que precisamos ter ainda. Eu sinto que há mais naquela história, mas nunca irei me intrometer se ele não falar disso comigo. Se o proprio não quer tocar no assunto eu não vou ser a intrometida de forçar. Então a gente fica assim, jogando a sujeira para debaixo do tapete.
Deitei na areia, deixando minha cabeça tombada para admirá-lo comer meus cookies de infância, porque somente eu posso olhá-lo desse jeito.Vagamente me recordo dele falando do amendoin e chocolate virar seus preferidos, pois tudo que eu conseguia prestar atenção era na forma que sua língua lambia os lábios tirando farelos dos biscoitos, completamente concentrada na sua boca trabalhando junto com as linhas do seu queixo, não temendo que eu me tornasse mais patética do que já sou por ele. As vezes meus olhos desviavam para aquele turfo de fios negros dançando para todos os lados com o vento fresco, cobrindo sua testa e quase entrando em conflito com seus cilios escuros...Eu viajava em Brian.
Alguma hora começamos uma conversa confortável sobre música, depois de eu ter perguntado como estão os meninos. Ele continua sendo fã dos rock clássicos, obvio, mas cedia para algumas bandas novas como Slipknot. Eu não fazia ideia de que banda era essa, ele tentava falar comigo sobre os novos cds que anda escutando mas acabou exclamando diante da minha expressão perdida: — Puta que pariu Valentin! Como você não conhece?
Seus olhos se arregalaram e ele fez uma careta de horror fingido. Não soou certo o uso do meu sobrenome na sua voz, gosto de ouvi-lo dizer meus apelidos, Mel e princesa, até meu proprio nome seria melhor. Eu queria dizer a ele para não me chamar assim mais, mas já seria entrar na zona patética novamente então deixei quieto, obrigada confessar em minha defesa: — Eu ando escutando Metallica, pode ser? Se meu Ipod tivesse aqui eu mostraria. Quer dizer, ta booom...Só escuto One e outra música lá que esqueci o nome.
Brian suspirou impaciênte, mas com um olhar brincalhão. — Tenho tanto a te ensinar — e sorriu malicioso, numa mistura de brilho quase familiar naquelas iris castanhas que lembrou nós dois compartilhando a garrafa de tequila naquele Luau estranho.
– Estou disposta aprender. — não achei que soaria tão em duplo sentindo quando correspondi, agravando ainda mais seu sorriso conquistador e me deixando completamente abobalhada. Mas graças aos céus ficou por isso mesmo!
Música definitivamente é o que Brian mais adora falar, então passamos o resto da tarde com ele me 'ensinando' mais sobre o que gosta. A maioria das bandas tinham uns nomes bem estranhos e dificeis de gravar, alguns até me fizeram rir, o que fazia ele revirar os olhos resmungando como pode existe alguém feito eu. Levei no elogio, porque ao mesmo tempo que resmungava ele se aproximou, deitando do meu lado, e puxou meu queixo para outro beijo — daqueles incriveis e curtos demais pro meu gosto — depois de um longo tempo me trocando por cookies e zombando da minha falta de conhecimento sobre música boa.
[...]
O sol nasceu para outro dia, basicamente quinta feira.
Limitada em fazer hora no quarto ou descer para encarar minha mãe, escolhi a opção número um. Esperei um pouco, meu banho foi um tanto demorado, e quando não tinha mais jeito desci, arrumando minha blusa para cobrir a alça do biquini azul.
Na escola fiquei só, fingindo ler meu caderno de anotações com os fones ouvindo músicas repetidas para abafar os restos das vozes e a mais nova fococa sobre o triângulo amoroso entre eu, Diego, e Bia...Fingi que nada acontecia. As ultimas provas foram um lixo a parte, pois eu já esperava que fossem mesmo. No refeitório desculpei com meu melhor amigo por não poder ficar mais uma vez, ele nem se preocupou perguntar onde vou já que estou devendo uma e irei pagar no final de semana, indo naquele Igreja para tirar o seu da reta.
A gente se despediu na fila da lanchenete mesmo, em nenhum momento tocando no nome Bia. Mentalmente eu bufava pra isso. Se ele garantiu que vai resolver, que resvolta! A ultima coisa que quero é ficar de frente àquela garota com o resto da escola nos assistindo.
E assim peguei o ônibus para o litoral.
Não posso garantir que eu estava mais preparada depois de dois dias, mas me sentia menos patética, medrosa e estupidamente ansiosa, como se a praia fosse evaporar. A praia não, talvez Brian sim. Paralizei no meio da calçada quando não o encontrei na fileira de carros, ou em pé na calçada, ou sentado no capo do seu carro. Em lugar nenhum! Minha cabeça girou para todos as direções primeiramente confusa se desci no lugar certo, só que não sou tão desligada assim, consigo vir aqui de olhos fechados se precisar, sem duvidas.
Então foi na segunda olhada que vi o Opala entrar na vaga, quer dizer, a unica vaga que resta perto daqui era na verdade uma meia vaga por causa da moto desconhecida oucupando o lugar errado. Eu vi Brian descer do carro, sem mais e sem menos arrastou a moto até onde achou que seu carro caberia e voltou, estacionando como se nada tivesse feito. Então lá estava ele, dando um pequeno sorriso ao parar na calçada e me ver, no qual eu retornei de uma maneira mais engraçada.
– Que delinqüente juvenil você é!
O garoto vestido uma blusa escrito Iron Maiden levou uns segundos até entender do que eu estava se referindo. Olhou para moto, depois para mim, e suas sobrancelhas se levantaram. — Oh — disse fingindo ser pego em flagrante. — Então você viu?
Assenti pronta para lhe dizer que aquilo poderia ter gerado problemas, imagina se o dono da moto tivesse por perto! Mas Brian só revirou os olhos para ela esprimida entre o meio-fio e seu carro, e pegou na minha mão sem dar a minima, iniciando mais uma tarde juntos que se resumiu nadar no mar. As ondas grandes atraíram inumeros sufistas e quem gosta de praticar outros esportes. O meu era pendurar nas suas costas, aprender nadar no fundo, e boiar com as suas mãos debaixo de mim como apoio.
– Você tem certeza que é Californiana? — zombou com o intrigante e lindo sorriso torto sem mostrar os dentes, assistindo minha falta de experiência com o oceano. Eu fingi não ouvir, concetrada nos meus pés trabalhando duro dentro d'agua, mas eu cansava e acabava sendo puxada para baixo até que suas mãos me amparavam.
Isso nos fez esquecer do tempo. Eu fiquei anestesia pelo seu humor facil de lidar hoje, Brian estava mais diferente, tinha piadinhas para tudo e sorria tão lindamente que me deixava em modo lento às vezes. Eu me sentia perfeitamente bem também, como se não existisse mundo fora daquela água, até ria das coisas pateticas que eu dizia ou fazia e que de alguma maneira inexplicavel é 'Hilario pra caralho' para o meu engraçadinho. Meu, é.
Quando saímos da água ele pegou as toalhas na mochila e fez a mesma coisa de ontem. Acho que meu cabelo de Medusa o seduz, quando sua resposta foi descaradamente sim bati a toalha — que antes estava enrolada no meu corpo — nele com toda a força, tentando prender o riso para soar seria. Sua reação foi segurá-la e puxá-la de uma vez, fazendo-me ir de encontro ao seu corpo num baque mudo que doeu.
– Ai seu...- mas antes que eu pode-se completar a frase resmungona seus lábios me calaram de uma maneira muito injusta.
Na verdade acabei beijando seus dentes porque o idiota ainda ria de nós. Porem, o que era engraçado se tornou lento e molhado, no primeiro contado das nossas línguas ele me enlaçou com a toalha para depois me empurrar gentilmente com o corpo até nossas coisas jogadas na areia, terminando o beijo com um selinho demorado. Dois na verdade, três, quadro, cinco, seis, sete...
Deixei minhas mãos que antes estavam paradas nos seus ombros escorregarem até seu abdomem cheio de gotinhas de água, aproveitando que ninguem podia nos ver dentro da toalha, onde raspei as pontas dos meus dedos firmente em sua pele. Brian afrouxou o pano feupudo em volta de mim, conseguindo se afastar das minhas mãos num aviso silêncioso pra parar.
Quem disse que liguei?
Sei o que podia ter desecandiado, mas sorri descaradamente quando encontrei seu olhar feio para mim, nem um pouco culpada. Ele acabou revirando os olhos e balançou a cabeça não precisando comentar como sou extraordinariamente teimosa. Colocou seu braço ao meu redor quando sentamos na areia fofa, o ouvi respirar mais fundo, parecendo se preparar para alguma coisa até que: — Eu tenho algo que quero perguntar desde ontem.
Normalmente essas palavras me deixariam apreensiva, só que o jeito dele me segurar enquanto me olhava acalmou meu medo. Tinha apenas curiosidade em seus olhos.
– O que aconteceu com o seu piercing?
– Ah...Isso...- desviei os olhos para meus pés enterrandos na areia.
Claro que ele ia perceber, eu tinha que esta preparada para mentir. — Só enjoei — mas achei melhor embromar mais:- Era um pacto entre amigas, mas Vic não vai deixar de ser minha melhor amiga porque tirei.
– Vic é sua melhor amiga? — notei um sinal estranho na sua voz, isso me vez voltar olhar nos seus olhos sem entender o que tinha de mal.
– Sim. Ela é uma boa ami...
Brian riu. Debochado?
– Vic pode ser tudo Mel, menos uma boa amiga.
– Por que diz isso? — perguntei sem pensar duas vezes, já que realmente não tenho nada para pensar no que está insinuando. — As vezes vocês me deixam muito perdida com tantos enigmas e histórinhas sem pé e nem cabeça para advinhar. Eu sei que não conheço nem um décimo do que aconteceu entre todos vocês, mas, agradeceria se me deixassem saber, Brian. — despejei diante da ''mascara silênciosa'' que ele usou para me encarar de volta, demonstrando que não falaria mais nada alem disso, me fazendo sentir outra vez a 'idiota fora do aquario'. — É sobre aquela história no Johhny's bar, não é? — e insisti na mesma hora arrependendo de tocar no assunto logo sobre Nathan, o cara que entreguei meu primeiro beijo...
Merda de lembranças.
Passei a mão pelo meu cabelo semi-molhado, como se fosse conseguir me esconder atravez dos fios formando uma cortina entre nós. — Me desculpe — pedi num sussurru temeroso, esperando que ele não fique com raiva apesar de eu propria senti vontade de socar mim mesma.
Mas para minha surpresa nenhuma palavra carregada de tensão veio primeiramente. Senti sua mão colocando meu cabelo atras do meu ombro com uma gentileza que não estava nos seus olhos injetados de sangue. Mas só fui entender que aquela raiva não tinha nada a haver com o Nathan quando suas palavras finalmente vieram: — O que foi que eu disse sobre essa porra de ficar pedindo desculpas? Você sempre me faz parecer um imbecil assustador! — zangou-se, soando extremamente forçado para mim.
Eu não consegui conter os cantos da minha boca se retorcendo à forma engraçada dele tentando ser durão comigo. Brian apertou seu braço ao redor do meu pescoço, tentando manter a conversa, mas acabou cedendo quando soltei uma risadinha, bufando meu apelido: — Mel...- e remoçou sem dar voltas: — Desde que você fique longe daquela bosta eu não ligo mais para esta história! Sei que já pedi uma vez, eu sei mas..Só de pensar nele tão proximo de você eu...É errado pra caralho! — exclamou com uma expressão inlegivel e voz tensa, frazindo as sobrancelhas em seguida. Não sei se quis dizer que Nathan perto de mim ou a forma que ele pensa nisso é erro. E Brian não me deu tempo de entender: — Pode parecer que não mas me senti um completo fodido por ter deixado você sozinha aquela noite. Eu só não sabia como mudar aquilo. Tudo era novo...Tipo, para mim você ainda era a garota que dei aquela carona estranha e me fez invadir a escola só pra conseguir um número. — sorriu um pouco ao citar a ultima parte, fazendo meu peito inflar e se aperta ao mesmo tempo. — Só quero que tome cuidado com a Vic. Ela pode até ser legal com você e tudo mais, só que tome cuidado, entende?
– Tá — assenti depois daquelas palavras, sem precisar pedir uma quarta vez. E soltei um longo gemido interno, que estava tão proximo da minha boca, quando ganhei mais um dos seus sorrisos raros — adoravel! — como se ele soubesse exatamente o que causa em mim.
Brian me trouxe para perto o suficente pra tocar seus lábios nos meus, e nada de ruim na conversa que acabamos de ter sobreviveu enquanto ele me tocava desse jeito. Em seguida seus olhos se iluminaram para os novos cookies que retirei da mochila, eu sorri abertamente ao vê-lo pegar dois sem hesitar.
– Creme de morango...- advinhou um deles.
– Mas não é qualquer creme de morango...É um delicioso creme de morango! — completei, o fazendo erguer a sobrancelhas para minha declaração teatral. — É um dos meus preferidos.
– É bom...- concordou lentamente, relutante. — Mas chocolate com amendoin é o melhor.
– Ah não. O segundo é o de Chantilly. — não era mas eu só fiz pra implicar, escondendo o riso atras de uma expressão determinadora e infantil.
– Chocolate branco ganha do Chantilly. — e deu certo.
– Não mesmo. Depois é o de trufa.
– É chocolate do mesmo jeito! — replicou como se eu não soubesse.Bufei, negando com a cabeça.- Mas é um tipo de chocolate feito...
– Admita, Melinda. Você tem péssimo gosto pra comida! — interrompeu o dono da verdade. Ah, isso se chama convencido! — É pressionante você gostar desses cookies quando tem estes daqui! — apontou para os favoritos, incredulo — E cara, você gosta de comida de lesma, definitivamente é péssimo pra caralho...
– Olha quem fala!
– O que te dão para comer em casa hein, aquelas lagostas à molho Home-não-sei-o-que-gosmento?
– À molho Homemade mustard! — reclamei ofendida pelo molho francês ser bom apesar dos ingredientes diferentes e ele por ser um chato.
Mas depois de um segundo de silêncio e uma encarada tensa e fingida entre nós, começamos gargalhar da lagosta e seu molho de mostarda-gosmento iguais sem noções no meio da praia lotada.
– Como você sabe disso? — consegui perguntar depois de recuperar a postura.
– Minha madrasta inventou uma coisa dessa para nunca mais. Sei lá da onde ela tirou a ideia de pratos refinados, talvez dos programas de tv que assisti toda manhã na ridicula tv da cozinha...- soltou outra risadinha parecendo lembrar da cena. — Este assunto sempre causa risadas lá em casa. A cozinha ficou fedendo por uns dois dias e a cara do meu pai tentando agradá-la quando comeu aquilo é inapagevel de tão comedia que foi. Acho que vocês duas iam se dar bem.
De repente me vi conhecendo os pais de Brian. Meu sorriso morreu, voltei comer o cookie calada, porque não tinha razão imaginar isso. Ele comentou de um jeito surpeficial, não como se fosse me convidar realmente, só comentou por causa do gosto da sua Madastra ser parecido com o meu.
– Quando eu era pequena, eu dava nome aos cookies — comentei a primeira besteira que veio em mente com medo dos meus pensamentos tornarem visiveis demais. — Nomes de tudo que eu passava no momento, algum sentimento, o que viesse na minha cabeça de importante...Era divertido brincar com Bêtania na cozinha, e me ajudava de um jeito inexplicavel.
– E como esses poderiam se chamar? — sua voz me impediu de divagar para anos atras, eu olhei para o lado supresa por perguntar tão naturalmente, interessado nisso. São só bobagens.
Demorei responder, achando que Brian estava brincando primeiramente, mas não. Nunca falaria ''Finais de tarde na praia para sempre'' apesar de ser o nome perfeito para os biscoitos. É confidencial demais, e eu não conseguia nem imaginar a cara dele se soubesse que dei nome à tudo que esta acontecendo entre nós aqui, então...Pensei em outro que também seria dificil de confessar se não eu tivesse tido a ideia de dizer em francês.
– Guérir Presque Tout.
– Presque Tout...- disse lentamente, examinando o cookie na sua mão como se avaliasse o nome. Peraí, Brian sabe francês? — Cura de quase tudo...Por que ''quase''?
Mais uma pergunta dificil.
– Ah — eu olhei para um ponto qualquer na areia, encolhedo meus ombros antes de dar uma resposta que ele possa entender. Eu espero. — Mesmo não deixando de ter o sabor incrivel de sempre, olhando para eles agora são só simples cookies para mim.Isso resumia imperfeitamente a história sobre a criança que depois de um dia dificil conseguia dormir em paz só porque comeu os cookies da Bêtania e brincou com eles na cozinha. Infelizmente a gente cresce e o que era simples de resolver, de esquecer, de superar, se torna complicado demais para simples biscoitos.
Mas eu não quero perturbar Brian com esses fatos, então acabamos entrando numa nova ''discurção'' sobre sabores de comida, como dessoucupados que somos num fim de tarde ensolarado.
[...]
Sexta-feira amanheceu estranha.
Abri os olhos e dei de cara com tímidos raios cinza-azulados formando fracas sombras no chão de madeira até chegar na minha cama preguiçosamente. A luz não batia nos meus olhos, o que não é normal. Eu escovava os dentes enquanto o som da torneira ligada parecia sobrenaturalmente distante de mim. Foi então, olhando as olheiras da garota me encarando no espelho que a discursão com meus pais ontem a noite fez todo o sentido sobre meu estado vegetativo:
''D — até em Geografia, Melinda Willians?! Você andou estudando como me disse este tempo todo?! '' — a voz de Francisca ecoava na minha cabeça com todo o resto da cobrança que fui obrigada ouvir calada ontem. A imagem deles sentados no sofá de dois lugares, da mesma forma que fiquei na poutrona da frente fitando aqueles papeis com um olhar triturador, vinham em flashs programados a me deixar com cara de assassina frustrada porque não consegui rasgar aquelas bostas cheias de interrogações em vermelho.
Por que não entregaram diretamente para mim?!
Eu queria gritar coisas, tantas coisas, que nada saiu! Só ficou intalado na minha garganta, dando nós e nós a medida que eu lia o bilhete da Diretora que minha mãe fez questão de entregar para eu ler em voz alta. Nele informava como a mulher ficou surpresa pelo meu desempenho ter caído vergonhosamente nestes últimos meses, perguntou o que estava acontecendo e se havia alguma coisa que pode-se fazer para ajudar.
Além do mais, havia também discrições do que andou acontecendo comigo na escola, até a falta de comportamento na biblioteca com Diego estava escrito no papel idiota. Pra ser sincera fiquei foi feliz com D — ao em vez do bendito F! Mas meus pais não entendem que eu não ligava para guerras no Vietnã...Quantas pessoas existem no estado mais pobre da Índia...Ler as burrices de quem já morreu á tantos séculos atrás...Os problematicos matemáticos que não tinham mulheres para transar e preferiram fuder nossas vidas com aquelas formulas de estourarem cérebros...
Eu já nem sabia o que dizer. Há muito tempo virei uma máquina sem eletricidade suficiente para funcionar 100%, mal lembro do tempo que se passou à minutos atras! Talvez o tempo nem passou, eu posso estar dormindo ainda, ou sendo sonambola no meu proprio pesadelo. Só sei que peguei a vasilha de cookies e fui para aquele colégio maravilhoso.
Lá foi mais um pouco de tempo perdido, minhas pernas se moviam e meus olhos piscavam mas nada de interessante ficava registrado. Diego não estava no refeitório, eu liguei para ele e seu telefone só chamava. Felizmente, quando dei por mim, já estava dentro do ônibus público olhando atraves da janela as pessoas, as lojas, os prédios, os carros, apenas com a vontade de ver Brian.
Era a primeira vez que o vi de boné. Usava um moletom de zipe, sabendo melhor do que eu que a brisa estaria fria hoje por causa do tempo nublado. Eu usava apenas uma blusa branca, não muito larga e de alças regulaveis, entregando todo meu despreparamento com o ambiente aqui.
– Oi. — sussurrei diante do seu olhar detalhista. Meu cansaço era tão visivel assim?
– Tudo bem? — perguntou suavemente numa voz preocupada. Assenti tentando transparecer uma expressão melhor.
A necessidade de tocar seu rosto com aquele boné escuro confudia tudo, eu já estava bem, não ligava para mais nada que não seja Brian.Uma rajada de vento veio por trás e fez com que a minha franja loura caísse momentaneamente no meu rosto, quebrando nosso contato. Ele a colocou atras da minha orelha, então pode vê-lo apontar para o mar com a cabeça, indicando nosso terrotório neutro enquanto estendia sua mão para mim. Andamos em silêncio e de mãos dadas. Hoje não tinha tantos banhistas e gente surfando, a água escura estava com cara de congelar até os orgãos internos. A gente sentou na areia nem pensando em tirar a roupa. Brian me fez sorrir quando abriu seu moletom e me enfiou ali dentro antes mesmo que eu começasse encolher de frio, cabendo perfeitamente nós dois.
Sorri mais.
Descansando minha cabeça no seu ombro, sentindo o quente do seu corpo no tecido macio como de uma coberta. Estar nos braços dele era tão bom...E certo, que soltei um suspiro contente. Sendo assim, foi facil distrair com o mar e suas cores escuras, mas em alguma hora eu já não conseguia controlar a sensação desesperadora de preservar tudo isso antes mesmo do fim:
''É sexta-feira. Último dia. Dois dias sem vir aqui. Dois dias sem ter certeza se Brian mantera as coisas entre nós na outra semana...Não é como se fossemos realmente fazer isso para sempre!'' — esses pensamentos foram o sufiente pra desencadear meu nervosismo de manhã. Obriguei as ondas segurarem minha atenção para não viajar de novo, apertando meu corpo contra o seu, mas o medo continuou completamente intacto. Brian se remecheu, respondendo com um outro aperto no meu ombro, como se soubesse o que eu estava pensando em meio ao silêncio que já perdia seu conforto entre nós. Arrisquei erguer o rosto e encontrei seu semblante sério atraves da penumbra do boné.
Não era somente eu que estava lamentando a semana ter chegado ao fim...
– Tenho algo para você — disse ele. Curiosa seguir sua mão até o bolso da bermuda e dei um meio sorriso animado ao ver um Ipod preto em sua mão. — Esta velho mas funciona...
– Posso ver — comentei brincalhona, tocando o durex gasto em volta do aparelho. A tela tinha um drastico rachado e faltava as indicações nas teclas de tanto usar.
Coloquei os fones diante do seu olhar expectativo, me mostrando mais um lado bem privado do seu mundo. Eu adorava cada parte disso. Eu adorava que ele gostasse de música mesmo que não fosse possível adivinhar todos os seus gostos. Mas ao dar play um som pesado invadiu minha cabeça, e num susto retirei os fones fazendo careta de quem engoliu um limão inteiro, voltando ouvir o som do mar e a sua risada.
– Comecei com as mais leves só para você não estranhar...
– Ah tá! Muito obrigada por se preocupar comigo, quase fiquei surda!
– Não tenho culpa se você tem ouvidos de patricinha delicada — o descarado se defendeu. Quando foi tomar o Ipod de mim desvei a mão pronta para mostrar que não tenho ouvidos de nenhuma patricinha delicada. — Só me deixe colocar em outra pasta...- pediu e eu acabei cedendo, mais curiosa com o que tinha em mente.
Brian ficou com um fone e eu com o outro. Retornamos nossas posições iniciais, eu fechei os olhos curtindo e sentindo a brisa gélida no meu rosto enquanto o som do violão começava fluir gostosamnte. Ainda estava cansada. Exausta, na verdade. Mas ter ele comigo facilitou para me manter acordada. Muito bem acordada...
Meu coração congelou e meus olhos se abriam no momento que senti sua mão na minha cintura. Não é como se ele nunca tivesse feito isso antes, pórem, não pode conter meu lado ''Hormônios burbulhando por Brian'' com aquela mão dentro da minha blusa acariciando-me levemente. Eu adorava esta parte também, e muito, o jeito cuidadoso e ao mesmo tempo me segurando como um namor...Merda.
''Namorado'' não é uma boa palavra agora! Apesar que soava tão perfeito para mim. Mas já havia um tempo que eu cortava ela dos meus pensamentos...Quer dizer, eu quero, claro que quero, mas quem disse que Brian estaria interessado em mim à este ponto? Até onde se preocupa com um relacionamento? Estou certa que ele é mais aberto e honesto comigo do que com aquelas garotas. Me sinto esperançosa só de saber que ele repara em mim a ponto de perceber minha exaustão quando cheguei aqui. Provavelmente não tanto quanto eu reparo nele, só que...
Preciso contentar com o que tenho! É melhor assim, para não estragar tudo. Embora eu não estava entendendo a onde ele queria chegar passeando por minha pele dividida entre a calça jeans e a blusa daquele jeito. O arrepio que correu minha espinha me fez bufar interamente, pois eu não podia deixá-lo ver o quanto estou afetada só com um simples gesto quente. Voltei ficar na minha, ignorando o maximo seu toque e ao mesmo tempo torcendo para ele ir adiante.
Meus olhos queriam se desviar novamente na direção do seu rosto, sentindo sua mão deslizar para o começo da minha costela...Voltando...Descendo...Testando minha sanidade. Ele não parou, apesar de estarmos mais sexualmente curiosos e inquietos do que já estivemos antes, Brain parecia não querer honrar o seu discurso sobre irmos devagar e não fazer merda. Sua mão tirava o meu foco das músicas enquanto partia para as minhas costas, afastando minha blusa cada vez mais por dentro do seu moletom, e eu aqui com cara de paisagem, fingindo a todo custo que a letra da música é interessante. Uma ova! E como se não bastasse, ela também estava contra mim: ''Eu quero fazer coisas com você e declarar que podemos mudar tudo que já dizemos antes.''
Perfeito como dar um tiro no proprio pé!
– Ei...- o ouvi me chamar suavemente, apertando seus dedos na minha pele para dar ênfase ao que queria sem precisar de mais palavras. Eu obedeci. E como se a mera vista dele não fosse o bastante para despedaçar minha determinação de ficar quieta, sua outra mão foi parar no meu rosto, onde seus dedos afagaram meu cabelo para trás, liberando meu rosto para ele.
Fechei os olhos, deixando Brian me guiar com seus lábios movendo sobre os meus com tanta destreza que não precisei fazer muito, apenas expulsar o que havia de impecilho na minha mente e aproveitar uma das melhores coisas que já aconteceu entre nós dois desde a barraca-do-beijo.
Entrei em puro colapso com seu jeito tão bem-vindo; gentil no começo, depois mais forte, e então Brian estava na minha boca da melhor maneira física possivel. O abraçei pelo pescoço, causando nossa queda na areia, sem nunca quebrar o beijo. A sensação do seu corpo me pressionado fez minha boca reagir mais profudamente, inclinei a cabeça para que pudesse ir de encontro a sua lingua com toda liberdade, estúpidamente feliz por ele não se afastar. Quero dizer, quando fez foi para beijar e lamber o caminho até o meu queixo, minha mandíbula, minha garganta, nos dando tempo para recuperar a respiração.
Eu trouxe minha mão para cima e a emaranhei em seus cabelos, sentindo seus beijos subindo pelo meu rosto até ele tomar meus lábios novamente. Um tímido gemido vindo de mim soprou entre nossas bocas, Brian mudou sua posição sensivelmente sobre meus quadris em resposta, e agora eu podia confirma que podia sentir tudo dele sobre mim! Eu estava muito longe de preocupar com ser decente, puxava e puxava seu cabelo, empurrando seu rosto ainda mais para minha boca, onde ele estava beijando e lambendo sem parar, causando formigamentos em partes do meu corpo que só de rosçar na calça jeans causava um aperto de prazer viciante na minha pelvis, passando como um friozinho tenso no meu estômago, e chegando na minha garganta em forma de gemidinhos abafados.
Comecei a respirar pesadamente, parecia que cada célula do meu corpo acordaram para algo que esperavam tanto...Eu não conseguia parar de desejar isso. Sugando seus lábios enquanto ele chupava os meus de volta, movia sobre mim a medida que nossas bocas se buscavam, me apertava mais à ele, e empurrava sua língua em minha boca mais e mais, massageando-me como sabia ser perfeito nisso. Suspirei em seus lábios, pressionando meu corpo nele de volta, e pra piorar simplesmente não podiamos fazer mais do que isso por causa da praia.
E como se tivesse lido meus pensamentos, Brian se afastou dos meus lábios novamente, inclinei minha cabeça para dar-lhe um melhor acesso, suspirando com a sensação de sua língua no meu pescoço, se arrastando para a minha orelha, enquanto eu abria os olhos para dar de cara com a praia ao em vez de uma cama ou algum lugar isolado do tipo.
– Merda. Preciso parar...- o ouvi sussurrar em minha pele, acho que essas palavras não eram para mim, mas tudo que consegui fazer foi balançar a cabeça afirmando, enquanto um estranho pensamento tomou minha mente: Apesar da minha virtude devesse significar alguma coisa, eu não conseguia lembrar o motivo do porque a gente não podia ir até o seu carro e procurar algum lugar para terminarmos com isso. Provalvemente Brian conhece algum lugar, mas desta vez ele se afastou completamente, rolando ao meu lado sobre suas costas, o peito arfante subindo e descendo, e seus olhos ainda fechados.
Eu fiquei olhando para ele, lambendo os lábios inchados com seu gosto, querendo tocar Brian em lugares muito inadequados. Nós ficamos assim por alguns minutos, até que a nossa respiração se acalmou, e ele ainda continuava com os olhos fechados sem esbolsar nenhuma reação positiva mais. — Brian...- eu respirei seu nome sem querer, esperando realmente que não tivesse estragado tudo. Merda.
Finalmente seus os olhos abriram e lentamente virou a cabeça para encontrar o meu olhar. Ele não parecia irritado ou chateado. Seus olhos estavam escuros, e ele tinha um olhar do que eu pensei, e esperava que, fosse luxúria. Mas então soltou a respiração pesadamente e balançou a cabeça em repreenção.
– Isso foi realmente estúpido. — murmurou, acrescentado brincalhão em seguida: — E a culpa é toda sua.
– Ah por que a culpa é toda minha? — fiz cara de chocada — Foi você que veio para cima de mim!
– Não é dessa culpa que estou falando...
Ele revirou os olhoa de uma forma muito Brian quando viu minha expressão perdida. No que eu tive culpa então? Mas foda-se, dei de ombros enquanto um sorriso grande e pateta abria no meu rosto, pois eu ainda estava anesteziada pelo prazer que ele me fazia sentir. Parecia que alguém tinha acabado de contar para mim que Papai Noel era real ou sei lá!
Eu queria abaixar minhas mãos e acariciar suas bochechas, seu maxilar, seus lábios...Quando me pressionei para mais perto dele pudi sentir que ainda estava bastante animado. Mas isso não me incomodou. Me empurrei para mais perto, deitando minha cabeça no seu peito e minha perna no seu quadril, fazendo Brian na mesma hora assobiar baixinho, indicando que este é o meu limite.
Bom, senti vontade de lhe dizer que sentia muito por fazer com que se sentir-se assim. Estar numa corda bamba sem saber para que lado cair. Mas realmente, eu não estava arrependida no meio de todas essas sensações. E eu acho que ele também não. Brian enterrou a cabeça no meu cabelo e começou a respirar meu aroma com vontade, deixando isso me relaxar junto com seu carinho e abraço. Ele alternava entre acariciar meu cabelo e esfregar minhas costas em movimentos circulares, mostrando que nada deixou as coisas estranhas entre nós, só nos uniu mais.
Notas finais
Aceito xingamentos do tipo também: COMO ASSIM VOCÊ DEMORA MEEEEEEESES PARA ATUALIZAR??????
eu sei, eu sei. Podem ficar a vontade para me xingar o quanto quiserem hahahaha E aproveitando, espero que me digam se gostou do capitulo e se estão entendendo a historia, porque teve duas pessoas que não conseguiram entender o capitulo anterior. A culpa é minha por demorar tanto e vocês acabam esquecendo, então recomendo ler uns capitulos atrás aí, porque este daqui tem até influencias de um capitulo beeeem antigo que é a festinha na casa do Smith.
obs: os gifs no começo é pra mostrar um Brian que estou sempre imaginando quando escrevo. De cabelo grande, novinho e sem tantas tatuagens ainda.
Então até o próximo que sera na visão de Brian Haner! Estou com saudades de escrever sobre ele ♥
Fale com o autor