Angel Devil
6 Eu não sei.
Notas iniciais
Eu não sei. Essa é a oração mais adequada para definir o que estou sentindo se alguém perguntasse.
Tudo rodava enquanto ocupavamos um sofá de três lugares, deitada com a minha cabeça no colo Jimmy encarando o teto do camarim, bêbada. Sim, bêdada.
Parecia um antigo sonho se realizando — não um sonho de infância, não era tão antigo assim, porque meu sonho de infância era ser aquelas meninas de seriados teen. Pelo menos até meus trezes anos de idade. Mas veja só: Isso esta sendo mais do que cheguei a sonhar alguma vez, aqui eu posso acordar e tudo continuar na mesma, as pessoas não iriam me dizer o que devo usar ou falar. Aqui descobrir o que me senti feliz, sem toda aquela merda de teatro que minha mãe controla; responsabilidades e pessoas falsas. Esta aqui é prazeroso, incrivel, excitante e louco. Eu podia fazer o que quizer, sem preocupar com as conseqüências, com a minha aparência, ou o que meus pais vão pensar de mim...Um lugar perfeito que achei que nunca existiria para alguém feito eu.
Mas existe!
Soltei uma risada, chamando atenção do garoto insano por baixo de mim. Mesmo não entendo nada Jimmy sorriu de volta, pegando uma mecha grossa do meu cabelo, me fazendo bufar ao advinhar o que vem a seguir.
Como pode alguém tocar bateria e não ter coordenação motora para fazer uma simples trança? Só Jimmy mesmo...
– Lá vamos nós!
Tudo começou quando eu passava mal por causa das 6 cervejas que entornei sem moderação. Com o mundo girando ao contrario, encontrei este sofá e me atirei nele esperando o efeito passar. Jimmy veio atrás preocupado comigo, então começou brincar com o meu cabelo, mas se frustrou porque não conseguia enrolar três mechas uma na outra. Deus! Mas como o próprio diz: A culpa é do álcool.
– Calma, eu vou conseguir! Como é que é? Eu tenho que separar três mechas...- lembrava as instruções que dei, mas ele foi interrompido no meio da frase por causa de uma ruiva estilosa pra caramba e simpática, que conheci por aqui mesmo. Ela é amiga dos meninos e virou a minha também.
Vic (seu nome) me puxou brutalmente do sofá, em seguida disse:- Vamos conhecer uns carinhas — mascando seu chiclete.
Jimmy xingou, porque sua bebida foi parar no chão, entornada, e ainda molhou meu vestido. Ela mostrou o dedo do meio para ele, piscando também pra provocá-lo, mas antes de Jimmy fazer qualquer coisa fui puxada outra vez sem gentileza, saindo do camarim e só ouvimos ele resmungando o quanto Vic é uma vadia intrometida.
– Você esta bem? — ela perguntou, reparando que alem de bêbada sou uma pessoa manca.
– Fui pular a escadinha ali do palco e cair feio de joelhos — expliquei para a décima quinta pessoa esta noite, mostrando meus joelhos ralados e doloridos.
– Brian não te deu gelo?
– Ele foi buscar e até agora nada.
Somando o tempo que fiquei no sofá com a bebedeira que arrumei antes de passar mal e cair, vai fazer mais de uma hora que ele sumiu.
– Onde esta me levando? — fiquei curiosa por causa do novo ambiente. A brisa vindo do mar nos envolveu, porque estavams no alto, e daqui pode ouvir o show com mais nitidez rolando lá no palco junto com a gritaria da galera.
– Qual deles? — ela ignorou minha pergunta se apoiando na bancada de ferro que havia abandonada atras do palco, parecia outro com um momente de caixas entulhadas.
– O que? — franzi o cenho, encostando meu cotovelo no ferro, imitando seu movimento.
– Qual deles você ficou afim. Só não pode dizer o Jason Berry — acrescentou a ultima frase elevando a voz.
Franzi a testa, os lábios, tudo dessa vez, intimidada com a sua pergunta. Pessoas se beijando constantemente na minha frente deu para sacar claramente o que ela queria dizer. Senti um frio na barriga só de pensar nisso. Estou bêbada mas ainda consciente que não é algo que já pratiquei.
– Eu não pensei nisso ainda...E se fosse o Jason, hein? — insinuei, mudando o foco para ela.
– Ah eu te mato, simples assim — deu certo, Vic esqueceu de mim e fomos falar de Jason Berry, outro que conheci a poucas horas.
– Vocês são o que...Namorados?
Ela bufou, seus lábios tingidos em cor cereja se curvaram num sorriso debochado, mas o que chamou minha atenção foi a sua pele super pálida ganhar cor.
– Acho que namorados é a única coisa que nunca fomos. Estamos enrolados a mais ou menos 5 anos — arregalei os olhos. — Eu sei, eu sei! E o problema não sou eu...Ai cacete, lá vou eu lamentar esta porra! Não me faça ter essa conversa agora Melinda! Vamos logo atrás de garotos gostosos que tenham aparecia de sexo selvagem e cigarros, antes que eu comece afogar minhas magoas no seu ombro...- e me puxou novamente.
A garota é assim, muda de personalidade em minutos, eu fico tonta com tanta energia que ela tem pra gastar. Pelo menos estou soltinha pra acompanhá-la nisso, quase da mesma forma doida.
Saímos do final dos bastidores, como imaginei havia ainda milhares de pessoas firme e forte no festival. Já era madrugada e nem assim o local esvaziou. Eu e Vic conseguimos passar para o outro lado, e distante da muvuca fui apresentada á um grupo de amigos dela também. Eles formaram uma rodinha em volta de uma mesa improvisada com mochilas e roupas, dividindo um balde transbordando gelo e álcool.
A ruiva é daquelas que conhece pessoas novas sempre, boa de papo, tem um pouco de astúcia, e sabia conversar seduzindo principalmente os meninos. Resumindo: É daquelas que nós garotas normais frustramos perguntando como pode ter tanta sorte de ser assim? Parece que é só estralar os dedos e...Voilà, tem o que quer nas mãos em segundos.
Mas eu não fiquei de lado, fiz amizades também...Quero dizer, a maioria foi com homens porque as garotas se preocuparam mais em mandar olhares tortos para mim e cochicharem, provavelmente reconhecendo Melinda Valentin filha dos ricasos e blablablabla. Eu não sei, de nada!
Vic ergueu suas sobrancelhas ruivas — tudo nela era ruivo até onde sei — questionando meu momento distraído e calado, eu dei de ombros sorrindo e confessei: — Eu não estou bem — segurando meu vestido que insistia voar.
– Eu percebi! E os joelhos?
– Esta tudo bem.
– Ora Melinda. Decida se você esta bem ou não! — pediu rindo do meu comportamento anormal.
– Ai Vic, conta mais...- mas fomos interrompidas. As loiras insistiam pela atenção dela e me ignoravam. Graças aos céus ela não saiu do meu lado, em nenhum momento. E mesmo fofocando sem parar com as garotas segurava minha mão desoucupada enquanto com a outra sua garrafa de cerveja.
A banda no palco já tinha tocado umas seis musicas pelas minhas contas. Eu ainda esperava Vic acabar de contar como conseguiu as fotos de uma tal garota traindo o seu namorado que no caso é amiga dela e das meninas interessadas na historia. Não prestei muita atenção no resto, e nem deu tempo dela termina porque fomos pegas de surpresar por uma mão surgindo do nada.
Vic fechou a cara na hora que ela passeou pela sua cintura, ousadamente, e eu previ sua ação como se fosse desmembrar aquele braço, ou pronta pra mandar o cara tomar naquele lugar. Ela se virou agilmente, desgrudando seus corpos para xingá-lo e :- Tire essa merda... Oi, quando voltou? – sua expressão assassina fora substituída por um sorriso dócil. Então eu também percebi que era seu Jason Berry.
– Que isso gata, não me reconhece mais? — ele brincou. — Voltei faz pouco tempo... Só precisei de ouvir a voz do cara direcionada à ela para entender o lado dele nessa historia. Realmente rola muito mais do que umas simples faíscas, havia sentimentos pegando fogo. Eu podia sentir a tensão desse cabeça duras daqui facilmente, até as meninas trocaram olhares insinuando em silêncio o que eu também percebi. Não é como se ele fosse a pedir em casamento, mas agora dá para entender porque 5 anos.
Deram um beijo rápido e sorrindo Jason ergueu os olhos na minha direção, percebendo enfim minha presença. — O que fazem aqui fora?
Antes que eu ao menos pensar-se o que responder Vic mandou um olhar para mim, como ‘’Cala a boca e deixa comigo’’ um pedido silencioso. Eu olhei para o chão, mordendo minhas bochechas para esconder o riso. Garotos...Era por isso que estamos aqui fora, mas ele não precisa saber.
– Só viemos ficar aqui com o pessoal. Lá dentro estava chato. Os meninos sumiram — falou pousadamente, como se lesse seus próprios pensando, catando as palavras certas. Espremi meus lábios um no outro e assenti, reforçando sua mentira.
O sorriso calmo dela não passava de atuação para mim, porque por dentro Vic parecia não caber em si própria, e tudo por causa daquela mão masculina pousada na sua cintura. Seus olhos azuis brilhavam mais do que as estrelas em cima das nossas cabeças, se entrgando. E ele não veio atrás da Vic sozinho, os novos garotos pararam de conversa entre si e vieram até nós. Tive que cumprimentar um por um, acho que conheci umas 500 pessoas somente hoje...Só pode.
– Você não é aquela garota da escola...- o quinto garoto que cumprimentei estendeu conversa. Parece que estuda no Ocean também, mas eu não dou a minima. Que papo é esse? Eu não sei de nada, já falei.
– Esquece cara — um outro garoto entrou na frente do desagradável, tapando toda minha visão dos demais — Deixa eu te perguntar,...Estamos indo para um outro lugar. Não quer vim com conosco?
Ele era alto, usava boné e através da penumbra da aba pode ver o sorriso mais branco que já vi em alguém. Eu fiz o favor de quebrar nosso contado visual, inclinando pro lado para saber se Vic iria também, antes de dar alguma resposta.
– Matt, Brian e Johnny já estão lá. Viemos buscar o Zacky, Jimmy e ver se vocês duas estão afim de ir — Jason explicou.
– Tá mas, eu vir de carro e tenho que ir com ele. Me passa o endereço então... — eu ia pedir para Vic ir comigo, mas o garoto de boné foi mais rápido.
– Eu conheço o caminho. Posso ir com você...A gente se encontra lá — e se virou para o casal pra se despedir.
Finquei meus olhos nos da Vic tensa. Um sorriso misterioso brotou no seu rosto, cheios de segundas intenções relacionado eu e o garoto de boné. É, ela estava pensando a mesma coisa que eu.
Todos concordaram com ideia, de menos eu, pois meu lado virgem e bv começou dar sinal de vida. Aquele típico nervosismo no meio do estomago, gelando tudo por dentro como se meu cerébro tivesse enviando informações para tudo entrar em pânico dentro de mim.
E antes de tomar o caminho contrario vi uma ultima piscadela da minha amiga, dizendo mais alguma coisa discretamente que eu não consegui entender e nem tiver tempo de retrucar; pedi para ela parar com isso porque não vai acontecer nada! Como se tivesse lido meus pensamentos o garoto passou seu braço envolta dos meus ombros, negando minha decisão.
Eu prefiri ficar apenas calada e cruzei os braços, conforme andavamos para longe da praia. Mas minha curiosdade sobre ele só cresceu, nem ao menos sei seu nome. Ele tinha dito, só não lembro, e não vou perguntar novamente! Seria idiotice?
Pelo penumbra da aba do seu boné consegui ver um rosto muito juvenil, contradizendo seu tamanho. Parece ter uns 19 anos ou mais, quem sabe. Mas minha visão a essa altura da noite não é das melhores, eu acabei tropeçando em alguma coisa no chão para meu constragimento ficar ainda maior. Ainda bem que ele estava perto o suficiente para não me deixar cair de cara na areia. Ia ser lindo!
– Ai! Daqui a pouco estou toda roxa. Vão achar que apanhei na rua — resmunguei.
– É, seus joelhos já estão muito ralados...- o som da sua voz soou abafada. Ergui minha cabeça para saber o que estava acontecendo e o encontrei prendendo o riso numa expressão hilária.
– Pode ri — então ele gargalhou. — Tá, não abuse assim...Agora estou morrendo de vergonha — fingi irritação e levei minha mão para tampar sua boca atrevidamente. Ele desviou, seu boné acabou caindo, revelando finalmente seu rosto para mim.
– Vou procurar deixar você longe do álcool daqui pra frente — prometeu, insinuando o meu estado ‘’mais pra lá do que pra cá’’ enquanto pegava o boné de volta.
Fingir uma risadinha debochando da sua promessa, e prestei mais atenção nele. Seu cabelo era liso, escorrido mesmo feito meu, e daqueles que arrepiam naturalmente. Olhos castanhos escuros bastante puxados, não como um japonês, ele parece ser mestiço. E quando abria aquele grande sorriso branco, seus olhos se fechavam completamente, escondendo atrás dos fartos cílios negros. O sem-nome era bonito, para o meu azar.
Em vez de recolocar o boné, ele colocou foi na minha cabeça. Eu sorri, escondendo minhas mechas atrás das orelhas e ergui o rosto, pedindo um comentário sobre meu novo visual.
– Ficou melhor em você — disse tocando a aba pra me ver melhor — Você é linda.
– Vamos! Se não vão ficar preocupados com a gente — mudei de assunto extremante sem graça pelo elogio.
Terminamos nosso caminho em silêncio, ele voltou a elogiar mas dessa vez foi minha banheira-movel. Agradeci com um sorrisinho forçado, ainda sobre o efeito da timidez. Na verdade, eu estava sendo patetica, mas não sou acostumada com isso, não tem como agir de outro jeito.
– Você...Acho melhor eu dirigi — ele impediu minha passagem quando abri a porta do motorista, se enfiando entre eu e o carro.
– Somos dois bêbados aqui — argumentei — Não faz a menor diferença.
– Mas consigo andar sem tropeçar nos meus próprios pés. Tenho vantagens — mostrou seus dentes num sorriso descarado, se achando o espertinho. Ah claro! O que tem haver meus tombos com dirigir? — Ninguém vai esperar por nós, Melinda. É melhor andarmos rápido — continuou ocupando o banco do motorista.
– Como se você fosse A garantia que vamos chegar lá vivos — sentei no banco do passageiro derrotada, e ganhei apenas seu sorriso juvenil em resposta desta vez. Francamente, ele devia usar aquele requisito para pegar garotas, e comigo não esta funcionado, talvez um pouquinho mas não tem como, não é?
Os movimentos quase moles do meu corpo desapareceram conforme eu inspirava o ar puro contra meu rosto, enquanto minha cabeça estava deitada no acostamento do banco. Eu não tinha ideia onde iriamos, só fiquei observando furtivamente o ser dirigindo meu carro e ainda mudar o radio para outra emisora sem permissão.
Conforme a música fluía não consegui me desligar, já terceira parte comecei cantar junto com o mertiço, nos interagimos mais.
– Você também tem uma banda?
– Não. Nem tocar algum instrumento eu sei. Meu negocio é outro.
– Ah — murmurrei apenas isso pois paramos em frente a uma casa noturna, com uma placa de metal escrito no alto: Johnny’s bar.
Mesmo na entrada eu percebi que o lugar é muito diferente da praia, e eu já não sabia se estou tão afim de conhecer lá dentro, não precisa ter frequentado muito este lugar para enteder como as coisas funcionam aqui.
Notas finais
Conto com os seus reviews galera, até mais :*
Fale com o autor