Angel Devil
7 Beijei seu Inimigo.
Notas iniciais
Não considerei os olhos virando na minha direção como se dissessem ‘’Carne nova no pedaço’’ um problema. Eram desagradáveis claro, mas nada que um braço protetor em volta do meu corpo funcionando como refugiou...Tá, não era nada grandioso ao meu dispor, mas o garoto do sorriso juvenil servia e muito bem para mim manter segura neste lugar mal-encarado.
Consertei a aba do boné e de quebra observei através das luzes de neon tudo; mulheres estranhas, musica alta com letras pesadas, diálogos também estranhos, homens mais velhos, cantos escuros, bebidas de todos os tipos e varias meses de sinucas. Realmente parecia bar de filme de terror antigo em forma daqueles fliperamas velhos, com jogos ilegais também, para entreter os clientes.
Eu só percebi a dona do cabelo vermelho até o meio das costas balançando conforme falava quando virou o rosto e a luz saindo do chão a iluminou. Fiquei olhando, esperando Vic me ver aqui, mas minha atenção foi desviada por olhos diferentes me observando do outro lado de uma mesa de sinuca.
Ele lançou um sorriso torto que fez meu coração bambear estupidamente. Eu queria fazer alguma coisa a respeito, talvez correspondê-lo, ou desgrudar do braço envolta dos meus ombros e ir até lá, mas esse efeito não durou tempo suficiente para eu tomar alguma atitude, pois a cena que veio a seguir fez meus olhos desviarem de desgosto dele.
Uma garota puxou o rosto de Brian para si, escondendo-se no vão do seu pescoço enquanto a mão dela fazia volume por debaixo da blusa masculina. ‘’Ele tem namora’’ — conclui me sentido uma completa iludida. E burra.
Não, não arrependo de nada que fiz até aqui, mas admito que o grande motivo para isso tudo era ele. E do que adiantava agora? Brian tem namorada, é de se esperar...
– Esta tudo bem? — o outro sussurrou no meu ouvido, eu olhei para seu rosto impendido-me de ver coisas desagradáveis novamente. Sorri, tentando expulsar as imagens que ficaram cravadas na minha cabeça.
– Claro que estou. Então...Qual é o seu nome? — eu tinha que começar de algum jeito, preferi ser direta.
Ele pareceu não se importar, me surpreendendo com um sorriso malicioso.
– Não é assim que funciona — reiniciou seu jogo de sedução enquanto eu ainda disfarçava minha atenção dividida. Brian x Mertiço. — Só digo se você aceitar uma bebida e darmos uma volta mais tarde — propôs, eu ergui as sobrancelhas na segunda proposta desconfiada, nada simples como a primeira.
Mas sabe aquele surto de raiva e sobe uma vontade de jogar tudo pro alto? Pois é.
– Com todo o prazer do mundo! — girei a aba do boné para trás revelando minha expressão animada.
Não é por causa da voltinha mais tarde, toda minha felicidade estava voltada para a bebida. Eu preciso demais daquilo, a sensação que o álcool me proporcionou foi maravilhosa e eu queria mais.
– O que é que você bebe?
Tinha uma cardápio aberto sobre o balcão e eu o puxei. Entre a lista organizada em colunas li um tal de Smirnoff Ice e falei este, não fazendo a minima idéia do que seja. O mestiço fez o pedido para nós, escolhendo outra bebida para si.
– Agora, vai lá, seu nome — comecei de novo, dessa vez impaciente, e me inclinei na sua direção interessada.
– Eu prefiro esperar que você seja boa o suficiente para adivinhar — voltei ao meu lugar, revirando os olhos por causa da sua cartada final. Era até inteligente, aguçar minha curiosidade.
Apoiei meus cotuvelos no balcão, aceitando as condições, a espera da nossa bebeida. No começo pareceu fraquinha, mas depois de umas repetições de dose minha sanidade foi dar uns roles facil, facil.
O sem-nome continuou pagando — ou melhor, deixei-o me embebedar. Mas ninguem se importa mesmo!
E no meio, sei lá...Perdi as contas...Das viradas de copo alguém cutucou meu ombro. Eu supirei alíviada quando encontrei Vic atras de mim.
– Por que não se juntam com a gente? — sua pergunta soou robótica. Eu sorri mas não foi o suficiente para ela desfazer a cara seria e o olhar cheio de mensagens ocultas.
– Ótima idéia — respondi animada, esperando que o sem-nome topasse também. Ele não disse nada, colocou sua mão na minha cintura e me puxou para perto do seu quadril enquanto andávamos até as mesas de sinuca, no fundo do bar, onde o pessoal estava.
Foi estranho, voltamos ficar sozinhos e ninguem veio falar conosco. Eu encostei minhas costas na parede, perto de uma pilastra que fazia sombra onde eu estava, e o mestiço aproveitou para se aproximar mais do que devia. Suas mãos trançaram caminho diferentes pelo meu corpo devagar, esperando que eu acostumasse com as suas investidas para ir adiante, bem adiante.
Seus lábios começaram a tocar meu rosto, eu continuei deixando...Tombei minha cabeça de lado para fugir de um beijo, e sobre seu ombro encontrei um par de olhos fuzilantes. Alem do mertiço, eu também sou vitima. Franzi a testa não entendo o que esta acontece, me desliguei dos carinhos que recebia seguindo Brian com o olhar até sumir entre as pessoas junto com a sua namorada.
O que foi isso?
– Parece que o Gates tem um certo interesse em você, Melinda. — o mertiço sussurrou nem um pouco incomodado com o que acabou de dizer, como eu fiquei.
– Ele tem namorada, com certeza não existe interesse algum — retruquei, ganhando um risinho baixo e rouco em resposta.
O que isso quer dizer?
As horas passaram, eu continuei aguentando as tentativas dele ainda reparando que ninguém se aproximou de nós alem da Vic. Ninguem alem dela! Fiquei muito intrigada, pois ali estava Jimmy, Matt, Zacky, Johnny que fiquei muito proxima nos bastidores do festival. Eles fingiram que nem me viu! Apenas Jimmy, não parecendo feliz, olhava na nossa direção em intervalos curtos, mas desviava sem dizer nada ou ao menos acenar para mim.
Eu, por sua vez, continuei a onde estou, esquivando dos lábios do garoto que tentavam tocar minha boca de qualquer maneira. Então sem mais e sem menos uma garota loira, com maquiagem carregada e em um vestido meio roxo, parou na nossa frente com as mãos na cintura. Fiquei olhando para ela até o sem-nome perceber que não estavamos mais sozinhos. Aleluia!
– Keller, como você está sumido? — ela perguntou com a voz fina e o tal Keller soltou um pouco de mim.
– Ótimo, Lauren — disse amigavel. O olhar dela recaiu sobre mim então. — Essa é a minha mais nova amiga, Melinda. E essa é Lauren.
Nos apresentamos, quando ela me abraçou foi estranho. Senti um certo arrepio, sei lá– um sentimento ruim. Talvez o problema seja comigo, não estou no lugar ''normal'' para mim senti bem mesmo.
– Melinda...Valentin, eu sei quem você é, não é a filha dos ricasos? — me mediu de cima a baixo.
Foi a primeira pessoa que disse o que todos estão pensando. Na verdade, eu nem fazia questão de ouvir. Os olhares curiosos já são o suficiente.
– É — murmurei sem vontade, queria deixá-la no vácuo mas fui educada mesmo minha voz saindo baixa e sem vida.
– Prazer em conhecê-la — seus lábios brilhante por causa do gloss sorriram e obriguei os meus fazerem o mesmo.
Ficamos os três conversando, rindo, mas aquela primeira impressão ruim a respeito da Lauren custava a passar. Só pode ser coisa minha como disse antes, eu já não estava boa antes dela chegar...Mas o seu surto de interesse sobre nós era de desconfiar, ninguem queria saber de nós até agora e de repente esta garota aparece.
Depois de me encher de perguntas Lauren finalmente nos deixou e o tal do Keller sugeriu irmos para outra parte do bar. Acabei concordando, cansada de ser olhada como se tivesse torturando criançinhas, se não querem falar comigo então beleza, eu vir de um lugar que já estou acostumada com isso mesmo.
Entramos num corredor semi-escuro e estreito de mãos dadas. Parecia aqueles becos sem saída, depois de darmos nossos primeiros passos para dentro vozes preenchou o lugar ao mesmo tempo, e da escuridão surgiu nada mais nada menos que...Brian.
Tentei puxar minha mão do aperto, mas em resposta fui puxada pra mais perto do seu corpo.
– Synyster, qual é a nova? — Keller perguntou, mudando totalmente o seu jeito simpatico, virando um estranho para mim. Era frio e olhava para Brian com deboche.
– Melinda, a onde você vai? — o guitarrista evitou a pergunta e fez outra olhando só para mim.
– Vou conhecer a outra parte do bar — respondi como se devesse satisfações.
A mesma garota apareceu, abraçando Brian por trás. Deu um beijo no rosto dele e se virou para mim primeiro, ficando num breve silencio antes de olhar para o Keller. – Vejo que você não demorou agarrar ‘’a novidade’’ — suas sobrancelhas sumiram pela a franja cheia de mechas loiras com castanho, e de novo ganhei sorrisos falsos.
Definitivamente, eu não gostei dela.
Brain lançou um olhar incomodado para sua namorada sem dizer nada, me frustrando mais um pouco. Eu quero é estar com ele, com os outros garotos também, feito antes. Tudo isso já esta ficando um saco e comecei querer minha cama.
– Michelle, vejo que você continua com o Gates.
– É Nathan, continuamos juntos – ela só não sorriu mais porque sua boca chegou ao limite. Mas descarregou toda sua felicidade apertando os braços envolta do seu namoradinho que virou uma pessoa muda.
Alguém podia me ajudar? Eles esqueceram que sou nova aqui, mal entendo o que estão dizendo. E me sentia como um ratinho tonto e indefeso, trancado dentro do um ninho de cobra sem saber qual vai ser meu destino...Olhei para Brian, torcendo para perceber o que esta acontecendo comigo.
– Gates, você quer dizer algo a Melinda? — Nathan quebrou o breve silêncio rudemente — Por que ela estava para me acompanhar.
– Não, tudo o que eu preciso falar com ela eu falo depois, — respondeu da mesma maneira mal educada. — Cuidado com ela, Nathan. Não é como antes — e se virou para mim: — Mel, qualquer coisa me ligue.
A sua frase soou tão dramática que nem prestei atenção do que me chamou. Assenti agradecida, mas ainda confusa. Se não percebeu eu não tenho celular aqui! E me deixou preocupa, afinal, por que eu precisaria de um?
– Divertam-se — a falsa desejou puxando Brian para a saída. Nathan fez o mesmo comigo na direção do escuro.
Do outro lado do corredor não tinha nada de surpreendedor, era uma sala com um sofá de quatro lugares cheio de buracos, encostado na parede, um freezer descascando, e chão empoeirado.
Nathan me conduziu até o segundo andar, depois o terceiro, e subimos mais uma escada de caracol escondida entre caixas de papelão. Quando chegamos lá em cima foi ai que entendi o porque da escolha. Era um terraço espaçoso, típico de prédio velho, com uma vista ampla do bairro.
Daqui dava para ver um pouco do mar no horizonte proximo, as luzes nas ruas e o céu estrelado de HB parecia mais baixo. E ventava, ao contrario do inferno que é lá embaixo. Relaxei imediatamente, atitude que não passou despercebida por Nathan...Finalmente seu nome.
– Gostou? — perguntou amavelmente, sem aquela postura rude de agora pouco.
– Muito, eu estava precisando de respirar um pouco.
Ela sentou em uma das marquises, meio que automaticamente fiz o mesmo, ficando ao seu lado.
– Então... — comecei, batendo meu ombro no dele — Acabei de ficar sabendo que alguém se chama Nathan — dei um pausa, esperando-o falar alguma coisa, mas sua boca sumiu entre os dentes enquanto os olhos negros fixaram nos meus. Então, ainda era a minha vez de falar. — Algum dia, num futuro não muito distante, acredito que essa pessoa vai se apresentar direito...E outra coisa, Nathan, a parti de agora vou te chamar de Keller porque tem muito mais a haver com você, ok? — conclui num tom de humor petulante.
– Não era um mistério. Só queria brincar um pouco, e deu certo, agora você esta aqui comigo...
– Não vir aqui para descobri seu nome.
– Veio para quê então?
Minhas palavras junto com o gesto inocente foi interpretado de maneira errada. Eu senti o clima de repente gelar, e nos seus olhos pode ver a resposta que queria ouvir de mim. Mas seu rosto estava tão próximo que mal consegui forma algum pensamento coerente, ou escapar.
Seus dedos sem permissão foram parar no meu rosto. Ainda embaraçada optei por somente encará-lo, esperando a próxima atitude com o coração a mil. Então aquelas mãos escorregaram do meu rosto para minha nuca, seus dedos embolaram nos meus fios ali enquanto a outra continuou seu caminho até parar na minha cintura.
– Eu posso responder por você — sussurrou perto da minha boca, e eu o deixei me beijar, mesmo meu interior gritando que eu nunca fiz isso antes.
A curiosidade falou mais alto, me empurrando a imitar seus movimentos como Alice e Bia uma dia disseram para mim. Era esquisito, eu demorei um tempo para fechar meus olhos e acostumar.
Tentei diminuir o ritmo ao senti sua mão escorregar para minha coxa, um pouco dentro do meu vestido, mas Nathan apenas puxou-me para mais perto, aprofundando o beijo.
– Melinda?! Melindaaaaa?! — a voz da Vic surgiu do nada junto com seus saltos batendo no concreto. Eu dei um pulo para longe de Nathan, puxando o ar que faltava, afoita. — Finalmente encontrei vocês! — disse ela enquanto eu tentava arrumar meu vestido e cabelo, deixando claro o que aconteceu aqui.
No seu rosto um sorriso tentando transparecer, mas para minha sorte ela o segurou, apenas nos olhando tipo " Seus danadinhos.''
– Err...- tentei concerta a situação constrangedora.
– O que você quer Victoria? — mas Nathan foi mais rapido, levantando da marquise.
Eu não consegui olhar para ele, encarava a ruiva com os olhos bem abertos, pedindo por socorro.
– Eu preciso da minha amiga para jogar sinuca. — respondeu suavemente, ignorando o tom de voz que recebeu.
– Tem que ser agora? Não percebeu que ela esta ocupada...?
– Não! Vamos jogar sinuca — os interrompir indo até ela.
Vic o provocou dizendo um ‘’Sorry‘’ falso e Nathan bufou atrás de nós, tão ''simpatico'' feito ela.
– Antes, preciso ir no banheiro. Vem comigo — a ruiva puxou meu braço daquele jeito eletrico seu. Num impulso olhei para trás procurando por Nathan, conformado ele apenas acenou com a cabeça e eu dei um meio sorriso sem saber o que dizer, antes de ser enfiada para dentro do banheiro.
– Calma Vic — pedi, sendo encostada na pia de mármore.
Ouvi a porta ser trancada e depois uma gargalhada alta explodir. Olhei para a louca, me sentindo ainda mais culpada.
– Você...acaba de virar minha heroína — conseguiu dizer.
– Do que você esta falando?
– Cara, você não tem noção da tensão que criou nos rapazes. É como se todo o drama voltasse outra vez. É muito engraçado! — e se encostou na porta fechada do segundo box do banheiro, de frente para mim, ainda rindo descaradamente.
– Eu não estou entendo Vic, meu deus! Eu e ele acabamos de nos beijar, sabia? Se você não tivesse chegado...
– O problema tá ai! Nathan e Brian se odeiam.
Assim que ouvi aquilo senti tudo em minha voltar girar 360° e meu coração tentar passar pela minha garganta. — COMO ASSIM? POR QUE NÃO ME CONTOU?
– É uma rixa antiga, eu nem lembrava até ver a cara dos meninos. Da ultima vez era a Michelle o motivo. Agora você...- ela riu mais um pouco, mas parou quando viu minha expressão; uma pessoa que esta preste a ter um ataque histérico, dos graves.
– O quê que tem eu? Como assim?Por que eles se odeiam? Quem é Michelle? O que eu tenho haver com isso? Por que estão desse jeito? Estou ferrada assim? E-eu-eu-e-u beijei e-ele. Droga!
– Calma garota. Brain e Nathan nunca foi com a cara um do outro mesmo. Foi uma briga feia antes de tudo, há outros motivos também, mas de qualquer forma já é passado, ok? Os meninos não gostam do Nathan, mas se é sua escolha eles vão respeitar. Só não pode cometer o mesmo erro que Michelle, ficar entre os dois, ah...Michelle é a ficante fixa de Brian. É confuso. Eu nem sou amiga dela direito para saber dos detalhes direito. Eu só sei disso. — tentou explicar, porem bêbada percebi que Vic não consegue falar serio.
O que eu posso tirar de uma pessoa que está achando tudo engraçado?
– Como foi?
– Como foi o que?
– O beijo oras! Ou vocês estavam fazendo algo a mais...?
Odeio como aquelas sobrancelhas ruivas se erguem quando ela insinua alguma coisa malvada, me deixa tensa.
– Não sei, é o primeiro garoto que beijo...Eu não sei!
Vic colocou a mão na testa com a boca aberta, parecendo espantada. – Você está zoando? Primeiro beijo?!
– É...
– Caralho! Eu na sua idade nem era virgem do buraco de trás, graças ao Jason, e você ai...Tento seu primeiro beijo — depois desse comentário tive que ri alto daquela louca, e ainda fui acompanhada pela mesma. Só Vic mesmo!
– Ah, esqueci que estou falando com a Freira da cidade isolada.
– OKEY, não precisa humilhar. Agora vamos que efeito da bebida esta passando, eu não vou consegui encarar todo mundo sabendo disso.
A emburrei para fora do banheiro com medo de sermos pegas aqui falando sobre a vida dos outros.
– E olha, me deixa longe do Nathan, por favor? — implorei.
– Pode deixar!
Eu tinha que concerta a situação, pelo menos com Brian. Mas o que ele faria se soubesse que eu tinha beijado seu inimigo? Essa é a pior parte.
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