Angel Devil
21 Eu gosto dela.
Notas iniciais
Boa leitura ♥
É complicado, fodido. Mal sei o que vai ser de mim daqui pra frente. Eu nunca fiz isso antes e sei que ela também não. Mas teimoasamente estou dispostos arriscar, esta do seu lado o maior tempo possivel, mesmo não entendendo o que essa vontade de me crucificar significa.
Melinda tinha um brilho diferente nos olhos, sorria para tudo, tagarelava a maior parte do tempo. Só o que eu podia fazer era ficar olhando, na maioria das vezes tentando achar motivos do porquê ela coroava tanto, o jeito como me olhava atraves dos cilios timidamente, sorrisos doces, a bolinha do seu piercing passando entre os lábios rosas constantemente, sua pele branquinha viva contra a luz forte do sol...Cacete!
Ela é bonita pra cacete!
E lá estava eu, oferecendo a única coisa que tinha, esperando que estivesse tão curiosa sobre mim quanto eu estava sobre ela.
Nosso dia foi divertido, nunca pensei que falaria isso e poderia esta do seu lado perfeitamente calmo. Foi dessa forma que comecei desistir de fazê-la enxergar o filho da puta que sou. Quando mandei a mensagem, a ideia era contar tudo de uma vez pelo o celular, mas hesitei feito um covarde. Na segunda vez tentei lhe dizer no intervalo de um brinquedo e outro, mas também não fiz, porque Melinda conseguia me distrair facilmente e a vontade de estar do seu lado só aumentou para tirá-la da minha vida assim com palavras brutais.
E quando ela me lambeu? Entrei em um delírio quase gay e quse duro. Aqueles olhos se abriam e fechando vagarosamente perto de mim, mãos pequenas tocando tocando o que quiser, fazendo outras partes de mim reagi contra vontade. Mas tive que controlar o impulso de pegá-la pela nuca e tacar um beijo forçado naquela boca. Era tortutante esta tão perto e não poder fazer o que quiser-se, e eu merecia, merecia sentir coisas bem piores do que sua simples e gostosa tortura.
Com a ajuda do gosto amargo do arrependimento consegui ficar no meu lugar como um cachorro com o rabos entre as pernas recebendo ordens do sua dona, eu sou um idiota mesmo e estava apenas preocupado em não fazer mais alguma coisa errada. Lhe dei escolhas. Dessa vez eu tinha que fazer do modo certo. Então tentei impedí-la de ir adiante com aquela conversa, não era só por causa de mim, eu poderia muito bem esquecer aquela bosta e parti para o começo por ela, sem magoas e choro. Merda. Eu avisei que não seria algo bom.
E agora? Não faço a minima ideia. Só estava tentando protegê-la do mal que fiz e terminar a noite com lembraças melhores. Porém, no ultimo minuto como um filha da puta sortudo que sou, Mel — por alguma razão — perdoou as minhas idiotices. Um erro estupido que me deixou aliviado como nunca estive antes. Nem a nicotina, droga, ou álcool, foram capazes de me tranquilizar alguma vez na vida como ela foi capaz.
– Foda — um suspiro frustrado escapou de mim e passei as mãos nos meus cabelos como se conseguisse arrancá-los dali, sentindo-me mais ansioso do que estou acostumado. Apenas esperava o dia finalmente começar para encontrar com ela novamente e ter certeza que estamos bem.
Meti a mão no bolso e peguei outro cigarro, meu único refúgio por enquanto. Observando a fumaça, tomei decisões em meio aos meus pensamentos, reprisando todo o dia anterior como um ensaio para ''prova'' que terei mais tarde. Abduzido do silêncio só fui puxado para a consciência quando bateram na porta. Dei mais uma profunda tragada, fazendo a ponta do cigarro ficar laranja-vivo na penumbra do meu quarto e me livrei dele, jogando pela janela e distranquei a porta para dar de cara com o baixinho do meu irmão.
– Estou indo jogar, esta afim? — perguntou o viciado em video game.
– Já estou descendo — avisei fechando a porta em seguida.
Era 7 e pouca da manhã quando desci até a sala. O resto da família não tinha acordado ainda porque hoje é domingo.
– Eu fico com a 1! — cheguei já garantindo a melhor manete.
– Vai ficar é um soco na sua cara se você não devolver a minha manete! — Johnny veio para cima de mim com as mãos fechadas.
Desde que ganhamos o video game houve brigas; disputavamos a manete e o melhor lugar no sofá. Johnny tinha mania de dizer que o video game era só dele, McKenna enchia o saco querendo jogar seus joguinhos de menina, e eu já grande para ficar brigando com eles por essa porcaria, mas sempre levei a melhor. Sorri, conseguindo empurrar o fracote para longe com apenas um pé. Ele me mandou um olhar assassino e resolveu sentar no chão longe de mim, desistindo depois de dar varios socos no ar.
– Eu vou falar pra mamãe — resmungou o chorão.
Apertei restart e sorri mais torto quando vi qual era o jogo.
– Fala bebezão, ai eu conto para ela que vocês estão jogando GTA.
Quando minha madrasta descobriu que GTA tinha cenas de violência e prostituição proibiu video game durante um mês e sumiu com o jogo. Meus irmãos provavelmente conseguiram outro com algum colega da escola e voltaram a jogar escondidos, principalmente da McKenna. Qualquer coisinha a garota abre o bico.
– Fala, fala, fala — deu de ombros emburrado — Que eu conto que você esta fumando no quarto.
Voltei olhar para televisão nem um pouco atingido pela sua ameaçinha. Mas como sou um irmão bonzinho, acabei sentindo dó e o deixei jogar primeiro em paz, porque eu nunca morro neste jogo.
Encostei minha cabeça no braço do sofa e mal passou alguns minutos meus olhos já começaram ficar pesados, lutei contra o sono mas foi dificil continuar assistindo Johnny jogar sem piscar alguma vezes cansado. Foi mais forte do que eu, nem percebi quando meus olhos se fecharam e acabei dormindo de mal vontade e com...Medo.
[...]
Alguém me sacudia irritantemente. Resmunguei pedindo para me deixar em paz, mas a mão nas minhas costas não pararam. Abri os olhos, encontrando McKenna sorrindo do seu jeitinho chato.
– Você adormeceu no sofá — cantarolou.
Revirei meus olhos para sua brincadeira e os mantive meus abertos, me sentindo um lixo. Eu não estava dormindo já fazia alguns minutos, ainda lutando contra o sono cheio de pesadelos a minha espera. Foi muito pouco para o que meu corpo ainda precisa descansar.
– Seu folgado, mamãe esta te chamando na cozinha.
– Pra quê?
– Eu tenho cara de correio?
– Tem — respondi sorrindo um pouco e ela fechou a cara, levando na ofença. Meus irmãos me amam!
Contra a vontade endireitei no sofá, esfreguei a cara com as mãos tentando me livrar da sonolência. McKenna me seguiu até a cozinha, para saber se vou perder o pescoço e festejar, fingindo que ia fazer alguma coisa.
– O que foi? — encostei no balcão de marmore ao lado da mulher.
Minha madrasta ficou olhando para meu rosto meio desconfiada por tempo, então disse:- Bom dia para você também. Amanhã tenho que ir à Los Angels e seu pai decidiu me acompanhar. Precisamos que fique com os meninos.
Eu assenti.
– Amanhã. Tá.
Não tenho chances de dizer ''nem morto'' durante o tempo que a Tour ainda não chega. Mesmo com quase 19 anos, Larry não ia ser responsavel por nós se caso nossos pais não tivessem de acordo. Favores em troca de favores.
– Há quanto tempo você não dorme direito? — decidiu matar sua curiosidade, e senti os olhos da minha irmã pularem para minha direção também sendo intrometida.
– Há nove dias? Não sei — dei de ombos indeciso.
– Brian Elwin Haner Jr! A gente já conversou sobre isso, não é porque você já tem 18 anos que pode sair por ai fazendo o que quer. Vamos ter uma conversinha quando eu e seu pai...- lá vem seus sermões inuteis. Nunca dei ouvidos, por inumeros motivos que tenho até preguiça de pensar. -...Estamos compreendidos?
– Sim. Eu já dormi — concordei sem ter nação do que disse. Ouvi minha irmã abafar uma risada, tentando não cuspir o suco enchendo suas bochechas pálidas. Minha madrasta soltou um suspiro impaciente.
– Er...Vou tomar banho.
– Faz bem — a criança fez careta, insinuando que eu estava fedendo. Mostrei o dedo do meio para ela se senti melhor. — OLHA ISSO MÃE! — e disparei escada acima antes de ouvir meu nome todo novamente.
Suzy Haner é a mãe que eu nunca tive desde que nasci. A outra há 11 anos me abandonou num quarto de hospital, aproveitando a oportunidade certa (ou errada) para ir embora, sem que eu veja e tenha a chance de agarrar na sua perna implorando para não me deixar.
Naquele dia eu estava quase morrendo numa cama com o surto de alergia que sofri quando fui picado por abelhas no quintal do vizinho. Sempre fui um encosto para ela, atrasei sua vida desde que descobriu esta gravida, e foi assim que decidiu acabar com o seu sofrimento abandonando seu unico filho sem pelo menos dizer a porra do adeus. Eu queria poder culpá-la, mas tirei dela todo o futuro que é prometido a uma jovem como sempre disse. Ela deve que amava isso, mais do que tudo, mais do que meu pai que conseguiu cair fora antes, mais do que eu obviamente.
Com o tempo aprendi lidar com sua perda, não deixando afetar minha vida social, junto com apoio do meu pai, principalmente ele. Na infancia foi meio dificil, mas depois desses anos até consigo esquecer o assunto, ocupando minha vida com outras coisas, mas não chega ser o suficiente, minha inconsciencia deixou tudo intacto para assombrar minhas noites quando fecho os olhos, a sensação de abandono, dores dos ferrões, ataques como pedras sendo lançadas contra meu corpo com um ponta de agulha grudada...Meu cerebro é bem criativo para esse assunto. Ela vai e volta, como um relogio programado para mim assombrar; os sons do seus choros infelizes, deixando claro que o motivo sempre foi eu.
Eu poderia dizer '' Foda-se minha mãe biologica, não preciso dela mesmo'', mas não são palavras que vai curar o baque que minha mente ganhou na infância. Se tudo isso tivesse acontecido hoje, quando estou mais forte, até agradeceria por ela ter ido. Mas eu só tinha a porra de 6 anos de idade e acreditava nela, perdoando todos seus defeitos chamando-a de ''mamãe''.
Agora não sei onde vive, o que faz, se pensa no erro que cometeu. Eu não a quero de volta, mas confessou que sinto curiosidade de vê-la novamente, mesmo que de longe e ter noticias. Mas acho que isso nunca vai chegar acontecer.
[...]
– Ai, como sofro — escutei a voz do Jimmy invadir meu quarto, e olhei para a porta. Ele estava entre a fresta aberta sorrindo e zombando da minha cara.
– Entra — mandei colocando o violão de lado.
Era bom que tinha aparecido, porque preciso conversar com ele.
– E ai, como é que foi o encontro? — começou sua palhaçada.
Eu bufei.
– Já estão fofocando por ai?
Ele fez mais ou menos com a mão, respondendo minha pergunta.
Matt que tinha sugerido mandar as mensagens de texto e depois chamá-la para ir no parque, com toda sua experienca em conquistar garotas com atitudes classificadas ''fofas'' por elas mesma. Agora estou devendo uma para aquele bastardo, talvez só me atirando na frente de uma bala para pagar. Não, eu não sou dramatico.
– Foi..Foi estranho — comecei enquanto coçava a cabeça e Jimmy sentava no sofá de dois lugares na minha frente.
– Estranho bom ou ruim?
– Bom e ruim...Não é algo que faço todos os dias, não é Jimmy? A gente conversou muito, passamos o dia fingindo que tudo estava bem. Por incrivel que pareça não arrependo nem um pouco de ter corrido atras e tentado concerta as coisas. A gente é bem diferente um do outro, talvez até demais que cheguei imaginar.
– E...?
– O fim da noite foi a pior parte, ela chorou depois que contei o meu plano absurdo de tentar resolver as coisas da pior maneira, com certeza decepcionada comigo. Me senti um completo imprestavel — continuei sem perceber que estava com a sobrancelha franzida, olhando um ponto do meu quarto, irritado comigo mesmo. – Depois pediu para ir embora. Eu fiquei sem reação porque estava esperando ela brigar comigo, já até tinha preparado o discurso de humilhação, mas ela só quis ir embora e me ignorou o caminho interio. Quando cheguei em casa meu irmão entregou o meu celular com varias chamadas dela não atendidas. Conversamos mais um pouco, ela explicou o porquê da sua reação e...
– E?
– Ela disse que gosta de mim — eu devia estar com a cara mais imbecil do mundo naquele momento, porque apesar das garotas que conheço nenhuma já disse aquilo para mim, daquele jeito bom de ouvir de alguém. Mas Jimmy não disse nada sobre isso para o bem dos seus dentes, só deu uma risada baixa, balançando a cabeça.
– E você está gostando dela, hein Gates? Porque...É serio, se você não gosta dela do mesmo jeito é melhor parar por ai, eu nunca fui de entrar nos seus rolos, mas a-garota-dos-meus-sonhos é diferente.
Eu tive que sorri do apelido que ele arrumou para Melinda, como eu também tinha arrumado. Mel e Princesa. Sei que ela odeia o princesa, mas confesso que acho bonitinho seu jeito quando a chamo assim. Acho que é por isso que gosto tanto de dizer.
– Eu acho...Eu gosto dela — admiti. — Tenho certeza porque nunca fiquei tão afim de uma garota assim, Só que por um outro lado eu não sei explicar. Isso que dizer alguma coisa, não é? Fico me perguntando por que ainda lembro que nós dois fomos da sala no fundamental, ela sentada na minha frente e as pontinhas loiras do seu cabelo tocando o inicio do meu cardeno? Por que depois de malditos anos fomos parar bem na rua que ela estava sozinha? Eu não estudo mais no colegio dela, não tinha como vê-la mais. Parece que somos que nem imas. Onde estou ela também esta, nem que demore anos, ela vai esta lá! — minha voz aumentou revoltada, como se Jimmy não tivesse na minha frente entendendo toda essa merda, tlavez nem esteja entendendo mesmo. — E o tempo que tentei me afastar tornou tudo ainda pior. Só foi encontrá-la no Luau para me perguntar como é que eu consegui fazer isso...
Ainda para piorar mais aquele piercing do inferno...Mas Jimmy não precisa saber disso.
– É, você esta fudido...
– Deve ser castigo por ter esnobado tanto essa porra de gostar de alguém. Ela fica me puxando, me puxando, me puxando...- calei a boca. Jimmy me deixou pensar ao invés de continuar perguntando coisas que provavelmente não tinha como responder. Após um tempo, mais palavras escorreram pela minha língua: — Gosto dela, sim. Mas não sei se devia. Não por a gente ser tão diferente, nós dois concordamos que só deixa as coisas mais interessantes. Mas por outro motivo. Eu não presto para alguém feito ela. Mesmo que eu queira tentar ser perfeito, isso não vai dar certo!
– Sem contar que você vai ficar dois meses fora.
É nessas horas que eu amava Jimmy. Muito realista pro meu gosto. Ri sem humor.
– Sem contar os dois meses. Ninguem sabe se realmente vai ser dois meses, pode acontecer imprevistos, adiamentos, oportunidades novas para nós. Jimmy, a gente pode entrar num processo longo de divulgação depois desta primeira parte e isso dura...
– Uns dois anos?
– Malditos dois anos — concordei. — Como digo isso pra ela? ''Eu também gosto de você, mas eu tenho que ir...''. Não acho que vou ter uma segunda chance. E não quero machucá-la outra vez. Isso não vai dar certo. Eu precisava dela gritando, dizendo que não quer me ver nunca mais, que sou um imbecil, mas Melinda tornou a coisas muito mais dificeis para mim — soltei um suspiro que nem sabia estar parado na minha garganta.
– Já parou de surta ou tem mais?
– Não.
– Agora me deixa falar — pediu. — Sabe qual é seu problema, Gates? Você pensa demais. Esta sofrendo antes da hora...
Soltei uma risada cheia de mal humor e finalmente olhei para ele. — Isso é tudo que você diz? Sofrer antes da hora? Eu não deveria ter falando nada com você. Grande conselho, obrigado — rangir meus dentes como se Jimmy tivesse culpa.
– Olha, antes de você tacar pedras em mim, escute. Você está pensando num assunto que poderia esta resolvido e depois ficar só curtindo, entendeu?
– Não. Se eu contar pra ela não vai ter nada dessa curtição que você esta se referindo porra.
– É, contar pra ela talvez não seja a solução que você quer. Então...Pensa comigo: Um relacionamento é que nem baseado, você precisa fumar, se entregar e viajar! Não pode entrar na paranóia que alguém vai te pegar com o bagulho ou robá-lo de você, saca? Se não não tem viagem — eu não consegui parar de rir depois daquilo. Rimos juntos por uns bons minutos até nossas barrigas doerem.
– Só você mesmo pra comparar tudo isso com maconha — falei ainda achando graça.
– Não, fala que estou certo? Ficar com medo vai só te levar para trás, não para frente, e você não vai curti o ''baseado''. Então pare de surta e só curte! — insistiu na sua teoria maluca. — Aproveita todo o tempo antes de irmos viajar, pense nas consequencias na hora certa quando você for contar para ela, pelo menos antes de partimos. Vocês já não passaram por uma serie de coisas ruins? Então porra...Você precisa de mais o que pra estragar isso? Não complique mais que já é Brian. Melinda não é Michelle, Allana, Leticia, o diabo a quatro que tem buceta e seios, para você ficar levando como latinha de rua; chutando até que um momento cansar e deixa a latinha ali mesmo para pegar outra logo a frente e começar tudo de novo. Vai que essa é a ‘'viagem'’ da sua vida?
– A ''viagem'' da minha vida? Desde quando você ficou tão inspirado? — comecei a ri tentando fazer piada, mas dessa vez Jimmy não me acompanhou. Eu parei de ri. — Ok, logico que vou tentar. Não tenho outra escolha mesmo. Agora...Vamos esquecer este assunto, não agüento mais pensar nisso.
– Beleza. Vai na casa do Smith?
– Ahh vou. Este foi o unico jeito que encontrei para começar com ela sem muita pressão...Acho melhor assim, a gente esta ainda num clima complicado...
– Não era pra esquecer a merda do assunto? — ele me lembrou, agora rindo.
– Aê — coçei a cabeça concordando, confuso.
– Cristo! Nunca te vi assim — levantou do sofá olhando para mim como se eu tivesse todo pintando de verde. — Saí deste corpo que ele não te pertencer. E deus traga meu amigo de volta — Jimmy colocou a mão na minha cabeça, fingindo me exorcizar. — É melhor eu cair fora, isso pode ser contagioso, Matt...Agora você...Deus-me livre...
– Vai se fuder! — tentei acertá-lo com a minha palheta que estava no chão, mas a porta já tinha se fechado. Só ouvi a risada macabra do The Rev, zombando de mim enquanto vazava.
Depois da sua visita continuei meio atordoado e em silêncio no quarto, minha cabeça rodava com pensamentos sobre Mel e as palavras dele. Estou agradecido pelo a visão que ele me deu, mas a história definitivamente, sem dúvida, é completamente fodida. E foi bom saber que eu não sou o único fodido entre nós. Melinda lida com isso também, talvez melhor do que eu...Mas lida.
Levantei da cama e só recoloquei minha camisa antes de pegar a chave do meu carro. Ainda é cedo, mas eu não aguentava mais ficar em casa. Mandei uma mensagem para ela avisando que já estava indo, ela retornou com um simples ''Ok.''
Já conhecia o caminho de cor, mesmo não vindo muitas vezes nesse lado da cidade. Era muito calmo e tinha fiscalização até nas árvores. Quando cheguei na rua combinada estancionei do lado do meio-fio, desci guardando a chave no bolso da minha calça e escontei no capo ao vê-la caminhando entre as árvores no passeio, sempre olhando para baixo, com a saia impendido suas pernas fazerem longos movimentos.
Assisti em silêncio, esperando ergue o rosto e quando fez encontrei um olhar distante, mas suas esmeraldas se animaram um pouquinho quando me viu. Desisti de um cumprimento mais afetivo, preocupado com seu rosto tenso. Será que ainda esta chateada comigo?
– Eu sinto muito — o quieto sussurro dela me deixou levemente puto. Ia reclamar por se desculpar mais uma vez por nada, mas quando vi o olhar triste em seu rosto preferi só perguntar:
– Desculpar o quê desta vez?
Ela mordeu o lábio e passou a mão nos cabelos lisos, mas voltaram ficar na frente do seu rosto, desobedecendo sua mão.
– Não posso ir...Minha mãe inventou um monte de coisas para eu fazer, passei o dia interio brigando com ela. Esta semana é aniversario da empresa do meu pai...Bom, não quero te incomodar com meus problemas. Só vir pedir desculpa, marquei com você e agora...
– Não seja boba Mel. Pedi desculpa por causa disso? Eu poderia muito bem me contentar com uma mensagem do tipo ''Não posso ir Brian, quem sabe outro dia?'' — sugeri.
Não podia deixá-la se sentir mal por uma bobeira dessa, mesmo que a noticia seja ruim.
– Você não vai ficar com raiva de mim? — perguntou com um tom inocente — Quero dizer, não é porque eu não posso ir hoje que você não pode me convidar outro dia...Você pode me convidar. Minha mãe que é uma doida. Ela pensa que sou seu fantoche, mas isso já acabou, eu nunca mais vou viver por ela. Não estou dando a minima para este aniversario mesmo, é tudo uma grande palhaçada e puxação de saco, só estou fazendo pelo meu pai...- encolheu os ombros, se calando por alguns segundos, mas suspirou: — Desculpa, as vezes falo demais quando estou nervosa.
Ignorei o seu irritante pedido de desculpa novamete, só para admirar o jeito como fica envergonhada,olhando para todos os lados, de menos para mim.
– Quer dizer que eu te deixo nervosa? — brinquei malicioso, sabendo que o nervosismo não é para mim, e assisti seu rosto ganhar um tom rosa como eu esperava. Fofa pra cacete. Sim, eu sou um babaca.
– Não...Quero dizer...É, ah pára de ficar me olhando desse jeito! — de repente se tornou um gatinho enfezado, apontando seu dedo ''ameaçador'' contra mim. Sorri torto e a ouviu suspirar contrariada, mas infelizmente ainda eu pode sentir sua tristeza, então a puxei pela mão, quebrando a barreira inutil entre nós para abraçar seu corpo macio.
– Tudo bem — eu disse de vagar, tomando coragem para passar por cima das merdas enquanto penteava seu cabelo para trás quando a soltei, revelendo seu rosto para mim. — Se isso te faz melhor eu nem estava afim de ir mesmo, só achei um bom lugar para levar você — adicionei tentando ser convincete.
Ela levantou o rosto com um olhar de pura compreenção e assentiu finalmente. Tirei um momento para aproveitar o cheiro dos fios loiros escorregadios e brilhantes em um outro abraço, também sua cintura e o calor do seu pescoço.
– Tenho que ir, antes que Francisca sinta minha falta. Consegui escapolir graças a Diego — explicou soltando se afastando um pouco. — Diego é meu amigo, estudamos juntos no Ocean. Você não o viu porque entrou este ano. É unico que consigo confiar naquela bosta — e acrescentou rápido sobre o tal Diego.
Não é porque o nome de um cara saiu da boca dela que eu devo ficar com meu peito martelando ou sei lá o que esta praga tem. Mas eu não gostei de nada, soou muito estranho para mim que o cara consegui distrair a mãe de Melinda, estuda no mesmo colego então quer dizer a mesma idade, que quer dizer que ele pode ser um filho da puta feito eu gostando dela, mas se passa por ''amigo'' e consegui sua confiança — confiança que eu nem chego perto de ter. Não sou idiota, sei como isso funciona, ou estou maluco.
– Hm — tentei ignorar meu lado psicopata por ela e voltei ao assunto:- Sei que não sou a melhor pessoa para dar um conselho, mas não brigue com ela. Ouça e pronto. Se ficar revidando isso vai ficar pior do que o inferno.
– Já tá, eu já cheguei ao meu limite. Tenho que ir mesmo agora — ela afroxou a mão que estava agarrada na minha blusa, antes que se afastasse completamente eu impedi. — O que...
Para tomar seus lábios sem dar chances dela fugir como eu estava louco pra fazer a um tempo. O contato da minha lingua com o seu piercing foi o sufiente para mim entrar num estado que amortecia a realidade em volta, eu esquecia completamente que estamos na rua e só focar o quão ela é...Boa.
Devagar comecei apalpá-la sua cintura atraves da da blusa fina branca, avisando à mim mesmo para ir calma antes que a deita-se no capo do meu carro. Mas o que era bom demais acabou cedo, Melinda me impurrou devegar, passando o recado silencioso que deveriamos parar. Eu odeio esta parte. Odeio quando ela faz isso. Odeio esse controle. Precisei juntar todas as minhas forças para terminar o beijo, e ignorando tudo que meu corpo pedia deixei seus lábios.
– Obrigada — ouvi ela sussurrar perto da minha boca, passando a ponta do seu nariz no meu para dar enfâse ao que disse carinhosa.
– Pelo o quê?
– Por isso...Eu estava realmente precisando. Muito.
– Você pode ter quantas vezes quiser — retruquei procurando seus lábios novamente, ela desviou, me fazendo dar de cara com a sua bochecha. Mesmo assim não parei, deixei um beijo demorado ali e fechei meus braços em volta dela novamente, num abraço mais apertado.
– Ok, ok, seu conquistador. Pára agora antes que eu fique por aqui mesmo...- disse fingindo um tom autoritário. Eu a soltei, abrindo os braços exageradamente obediente. — Tá, mas não precisa ser tãããão rápido assim!
Nós dois rimos.
– Quer que eu te deixe proximo a sua casa?
– Melhor não — deu uma passo para trás, infelizmente. — Então, tchau.
– Tchau — cruzei os braços assistindo-a se afastar para a calçada.
– Vai ficar ai? — perguntou depois de dar uns 5 passos, virando para mim com um sorriso.
– Estou esperando você mudar de ideia...
– Brian — disse meu nome como se implorasse para mim ir e ao mesmo tempo ficar. Lhe dei um sorriso sacanda, gostando da segunda opção. — VAI LOGO! — gritou comigo e eu acabei cedendo, antes que seja realmente expulso.
Entrei no carro rindo e dei partida, olhando uma ultima vez Mel desaparecer entre as árvores.
Notas finais
Todo mundo sabe que o ''verdadeiro'' teve problemas com abelhas, eu só quis dar uma dramatizada sobre a mãe dele. Ela vai ser importante bem bem mas beeeeeem pra frente :x
Reviews? Espero vocês lá.
obs:Jimmy pagando de conselheiro é ótimo kkkkkkkkk
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