Angel Devil
1 Adolescência Estragada.
Notas iniciais
Espero que gostem. E boa leitura ♥
Tudo parecia mover em câmera lenta: Sorrisos, cumprimentos, olhares curiosos, cochichos...Todos eram direcionados na minha direção assim que pisamos na velha Igreja do condominio, erguida em 1930. Alguns eram ruins e outros eu não classifico como ''bons'' ou ''menos desagradáveis'' gestos, tanto faz o tipo de saudação por causa da minha maravilhosa presença.
A Santa em pessoa.
Porem, seria mais facil se eles passassem direto, fingindo que ninguém me viu, que ninguém sabe ao menos o meu nome. Ser invisível, é isso que eu sempre desejo ser quando piso neste solo sagrado. Mas fazem questão de me lembrar, como se soubessem o quanto é insuportável.
O grande relógio no alto da igreja soou 7:00 Horas em ponto.
A Missa de Domingo finalmente começou.
Mas não estou interessada em explicar sobre o que acontecera em diante, é tedioso e estressante, para não dizer o pior. Nem o que esta Igreja representa para a maioria dos cidadãos do sofisticado condomínio em Huntington Beach — uma das cidades mais visitadas da Califórnia, por causa das belas praias de quilômetros de distância e eventos famosos.
Tanto faz, é como eu sempre falo.
Melinda Valentin nunca gostou deste lugar, que neste caso sou eu — a pequena falsa-magra de cabelos loiros e lisos até o meio das costas, com as pontas cortadas perfeitamente alinhadas, sem nenhum frizz ou quebradiços, e muito, muito brilhante. Olhos grandes de um verde transparente, pele pálida com machinhas que todas loiras naturais possuem geneticamente, que seria lindo se eu não tivesse passado traumas na infância por causa dos apelidos maldosos.
– A paz do senhor — disse minha mãe cordialmente para um casal de empresarios que disseram o mesmo para nós em seguida.
É moda ser Católico. Essas pessoas só estão aqui para adiquir uma imagem falsa, achando por ser religiosos são melhores do que os outros. Gente volúvel, que julgam das unhas dos pés até o último fio da cabeça, e ainda tem coragem de dizer que são Salvos de Deus porque fingem rezar somente nos Domingos.
Apesar de viver toda a minha breve vida neste lugar, nunca soube o porque da tamanha estupidez. E prefiro nem saber. Apenas sei que se um drogado qualquer gritar: ''Sou Jesus encarnado''', em um piscar de olhos todos passariam idolatrá-lo como O Santo Esta De Volta.
Tragico.
Enfim...
Deixe os comentários cretinos para outra hora, pois nesse momento meu humor tem que aparentar de uma garota agradável, simpatica, espelhando um rosto angelical que só eu tenho entre as garotas da minha idade — lábios de grossura delicada, tingidos naturalmente por um rosa forte. Além de verdes, meus olhos são bastante expressivos e cheios de ''inocencia'', donos de longos cílios que chegam formar sombras na pequena região abaixo dos meus cílios inferiores, que não pedi para ter. As pessoas só se aproximam por causa disso. Ah que linda eu sou! Beleza abre portas sem esforço algum.
Seria melhor se eu podesse continuar com a cara amassada de manhã, os olhos inchados o dia interio, meu cabelo se rebelar na epoca de chuva, pele com algumas espinhas que todas jovens normais adquirem...Mas não. Tenho que ser a bendita boneca movel, suportando como se tudo isso me agradasse.
Por dentro eu estava gritando...
Nada contra Igreja que fui batizada e passei meus 17 anos frequentando, o que vejo e ouço são o que tiram o meu ar, pensando a cada segundo sair correndo e nunca mais voltar a pisar aqui. Os podres de ricos tornam este ambiente irrespirável. Mas neste exato momento o que mais me irritava era as duas moças atrás de mim, comentando sobre minhas roupas, soltando risadinhas e me atormentando desde o começo.
Tudo que eu podia fazer era fingir não está escutando as indiretas, comportando como uma perfeita e educada garota, sem falar um 'a'. Ah se eu dissesse tudo que esta entalado na minha garganta à anos...Seria punida, simplesmente assim. Porque só tenho direito de ficar calada, manter minha imagem de bonzinha e susperior á elas. Uma bosta. Quando não é isso, elas me rodeiam para obter miseraveis minutinhos de fama, fingindo ser minhas amigas. Eu nunca tive uma, com quem contar, uma amiga de verdade. Elas fazem só porque lhes convem, mas eu nunca fui burra de dar muita ''corda'', converso o necessario e fingo ouví-las enquanto contam fofocas do dia, cheio de compras no shopping e o novo ator de um filme para adolescentes retardados, além também de falar mal de outras garotas, quando estou no groupinho o alvo é a gorda da Vêronica. Sempre será assim.
Segurei o catálogo grosso com mais força, até as pontas dos meus dedos perderem a cor enquanto desejava que o tempo passa-se rápido. Mas não. Por pensar em varias formas de torturar as engraçadinhas atras de mim dentro da casa de Deus, este é o meu castigo. O tempo aqui sempre me torturava, enquanto sou obriagada me esforçar para cantar o Hino da igreja e agradar minha mãe, Francisca Valentin — egoísta, interesseira, perfeccionista. Trancada num casamento falho, filha de Franceses e mãe de três garotas; Talita, Daiane, e eu. Respectivamente 10, 13 e 17 anos — em pé do meu lado, soltando a voz.
Quanto ao meu pai, John Valentin — esse sabe fingir muito bem que gosta de tudo que vem da sua esposa; casamento, vida abençoada, filhas ótimas e obedientes, mas é um verdadeiro ator. Sei que seus pensamentos nada tem haver com o lugar, ele ao menos sabe rezar o pai-nosso todo, sempre escuto murmurar qualquer coisa e fica por isso mesmo.
E falando nos seus pensamentos, sei que também não é algo que bate com a postura elegante e o bigode de quarentão. A amante loira da calcinha vermelha realmente não é o que um homem de respeito pensaria uma hora dessas...Sei disso porque um noite o ouvi confessar nas escodidas do seu escritorio com a tal amante maravilhosa. Estava cheio de carinho, sussurrando, diferente de como é com a minha mãe.
Impedir uma risada atravessar minha garganta e obriguei meus olhos ler o Hino com mais atenção. Pelo menos eu amo música. É a unica coisa que tenho absoluta certeza sobre mim. Então admitio um pouquinho que esta é a melhor parte da Missa, de resto obriguei meus olhos ficarem bem abertos, qualquer deslize tiraria um cochilo aqui mesmo. Em pleno Domingo levantar as 5 da manhã? Não importo confessar meus pecados depois da 1 da tarde.
Ok, tudo pode soar feito uma rica garota mimada e ingrata, como se nada fosse bom o suficiente...Não é bem assim, mas prefiro só não sair por ai dizendo as pessoas o que devem ou não fazer, servindo de espelho e fofoca para a maioria das jovens que freqüentam O Clube da Igreja, aulas de música, e estudos que lidero durante a semana. Quem não ficaria cansada disso?
Eu nunca gostei da minha vida, mesmo não sabendo como deve ser outra pessoa. Sinto falta e sonha com coisas que nunca tive, na maioria das vezes deitada na escuridão do meu quarto, esperando um milagre acontecer. E quando você tem uma mãe como a minha guiando sua vida realmente nada vai pra frente do jeito que você quer. Sou controlada desde a maneira de viver até como se vesti — vestidos em tons claros, panos soltos e simples, abaixo do joelho, sempre. Suéteres maiores que meu número. Sandálias tão cafonas que mal consigo olhar para meu proprios pés sem fazer uma careta.
''São roupas que sua tia mandou da frança, acho tão...Comportadas.'' — lembro minha mãe dizer tempos atrás, orgulhosa do presente que acabou de dar à sua filha: Um baú cheio de roupas velhas.
Lembro que eu fiquei olhando para aquilo pensando na ''vizinha da frente'' com suas roupas descoladas. Quando pequena eu assistia programas de TV escondida, foi da onde tirei a maior parte dos meus desejos reprimidos. Até hoje comparo minha vizinha com aquelas garotas de seriados teen. Mas agora, com 17 anos, isso não passa de futilidade para mim, não ligo mais para o que não posso ter, aceitando as ordens de Francisca e minha adolescência estragada sem espença.
''Por que você mesma não veste essas coisas ridiculas, então?'' — mas naquele dia sem querer eu pensei em voz alta, arrancando o sorriso entusiasmado da mulher que olhou para mim duramente, eu quase disse para ela não gastar suas salivas com a ‘’maldosa filha’’, pois eu já tinha decorado o castigo desde que recebi pela primeira vez, mas ela fez questão de mandar:
- Ajoelhe-se — obedeci ficando de frente para a cama e de costa para ela. Encarei a parede branca e fiz careta, imitando-a falar sem emiti som: — Você vai passar a tarde em jejum, pedindo perdão ao Nosso Pai por ter desrespeitado sua mãe, sua ingrata — era sempre assim.
Ingrata? Ela tinha dito realmente ingrata para alguém que vive em prol dos seus mandamentos? Eu não discuto, não falo palavrão, estou no meu melhor comportamento sempre, tenho as melhores notas no colégio, participo de vários programas na Igreja e na escola, sou taxada de Santa por causa do meu ar puritano, estudo a bíblia, sou humilde e bondosa com todos apesar de me apunhalarem...Dá para ver quem é a ingrata nesta história.
Mas eu tenho o meu jeito de protestar, na minhas palavras enquanto rezo não existem arrependimentos, nenhum pedido de perdão, nada relacionado com bondade, apenas aproveito pra pedir uma oportunidade de conhecer o mundo lá fora e viver, sem Francisca na minha vida. E ah, sempre escondo um pacote de biscoito novinho dentro da fronha do meu travesseiro, e transformo aquele monte de tralha em roupas no mínimo apresentáveis, mas não importa, eu continuo parecendo uma Freira...
Todos se sentaram praticamente ao mesmo tempo quando o quinto Hino acabou. Meu rosto esquentou ao perceber que sou a única em pé com a boca aberta esperando a próxima canção. Minhas irmãs deram risadinhas entre si, eu pigarreei sentando de mal jeito no banco de madeira, fingindo que nada aconteceu. Claro que dei motivos para fofocarem mais, um só errinho vira motivo pra jogarem pedras na Melinda Perfeita Valentin! Bom, na minha certidão de nascimento não existe o sobrenome ''Perfeita'', foram eles quem fizeram questão de dar o titulo à mim, mesmo eu não chegando os pés da perfeição.Se eu fosse perfeita meu coração e alma não estariam implorando para abandonar tudo isso.
[...]
Meus olhos voltaram a piscar, de repente todo mundo se levantou para ir embora. As horas passaram finalmente, sem lembranças de como foi a missa de hoje se alguém perguntar. Bocejei, saindo da minha bolha, outro deslize que para minha sorte ninguém percebeu.
– Vamos aperta o passo. Hoje a família Amonrim pretende anunciar um almoço. Quero ser convidada — Francisca sussurrou para sua família, parados no canto da Igreja e esperando a passagem na entrada da Igreja esvaziar.
Em seguida me puxou pela mão, como se o caminho para o convite fosse eu. E é, sempre fui uso de oferta para conseguir algo.
– Pra quê mulher? Podemos ter nossa refeição em casa...- Meu pai tentou argumentar também tendo seus delizes, não foi ouvido como sempre. Desde o inicio do casamento nunca teve coragem de admitir o quanto sua esposa é repugnante, por medo, ou sei lá o que ele pensa. Nunca tive coragem de perguntar qual o motivo.
– Você vai me agradecer muito marido, quando estivermos dentro daquele jardim brindando com eles — continuou entusiasmada com o breve acontecimento. É só nisso que Francisca pensa. Ela sorriu olhando diretamente para mim depois de responder. Eu devolvi o olhar confusa. O que tem tão de maravilhoso nisso?
Fomos os últimos a passar pela porta medieval da Igreja, com passos largos andamos pelo pátio seguindo a líder eufórica em direção ao grupo de pessoas ‘’exibindo suas vidas abençoadas por Deus.’’ Eram puros fanáticos, isso sim.
– Com licença — se intrometeu a Sra. Valentin, se direcionando a mulher de mesma faixa etária. Seu pulso, dedos, pescoço e orelhas, estavam carregados de jóias, mas nada externo na mulher dizia alguma coisa que seja diferente o bastante para prender minha atenção. É uma delicada Senhora, culta, rica, mãe de dois filhos e casada pela segunda vez,..Foi o que ouvi falar.
– Sou Francisca, esse é meu marido John Valentin, e essas são as minhas filhas Daiane, Talita e...
– Sim, Melinda. Fiquei sabendo que você é uma excelente cantora e toca piano como ninguém — sua boca se arreganhou tanto, num sorriso cheio de dentes, quando colocou os olhos sobre a ''preciosa garota''. Eu. Franzi o cenho desconfiada por um segundo, não correspondendo mediatamente aquele estranho afeto, mas recuperei minha postura, tentando sorri para ela. — É uma pena você não ter participado do coral hoje. Me mudei a pouco tempo e não tive o prazer de conhecer a apresentação dos jovens que você lidera. Meu nome é Laura Amorim — e se apresentou dando dois beijos no rosto de cada um.
''O que devem ter dito a ela? Que sou Maria, Mãe de Deus?'' — de modo automático meus lábios se curvaram num sorriso melhor que pude dar, acolhedor, e obriguei palavras atravessarem o nó da minha garganta: — Fico lisonjeada pelo elogio Senhora Amorim, eu estava ansiando para conhecê-la. Todos, quero dizer. Inclusive conhecer sua família — as palavras e a minha voz trouxe os olhos de dois garotos logo atras da mulher para mim. Um espinhento e outro arrumadinho.
O não-espinhento era até bonitinho; pele clara, olhos e cabelos castanho-mel, lábios finos, testa pequena, nariz reto, postura elegante para um garoto da minha idade...Talvez ele seja mais do que bonitinho, entretanto não fiquei impressionada, nada disso tirava meu tédio. Como todos ali para mim é um ''Tanto faz.''
Desviei meu olhar do dele e voltei sorrir para a mulher elegante, conquistando facilmente O Convite cobiçado pela maioria presente. Francisca faltava dar pulinhos e apertar meu ombro como um troféu exclusivo. ’’Você não pode fugir, é minha arma secreta.’’
Ela que não sabe, tenho tudinho programado na minha cabeça: agradar Francisca é a mesma coisa de ter um pouco de folga. Ela me deixaria em paz nem que seja por algumas horas, é tudo que eu preciso por enquanto. Paz.
– Você tem uma bela filha Francisca, assim como eu tenho um belo filho...
Laura deu um passo para lado e tocou as costas do seu filho, o não-espinhento, o conduzindo disfarçadamente para frente. Meus olhos encontraram com os dele novamente e dei um passo na sua direção.
– Melinda.
– Diego.
Nos apresentamos. Ele ofereceu sua mão, e eu a apertei enquanto em minha volta as pessoas nos assistia. Com desdém puxei minha mão e fui ficar do lado do meu pai, procurando refugiu.
Aparti daqui Laura e Francisca entraram numa profunda conversa que eu não consegui acompanhar, calada o tempo todo pensando que nunca achei que conseguiria odiar tanto tudo isso como agora odeio. E a pior parte é saber que não tenho para onde fugir. Ou tenho?
Notas finais
Devo avisar que a estoria é longa. Não esperem que tudo vai ser contado rapidamente como acontece em algumas fics, porque eu não consigo fazer isso, sinto falta de algo mais detalhado.
A vida contada sera sobre Melinda, cheio de altos e baixos que pode acontecer na vida de uma garotoa com quase 18 anos, e depende da minha criatividade também hahaha
Espero que agrade vocês mesmo a minha escrita não sendo das melhores, garanto que vou melhorar durante o tempo, é só me ajeitar aqui.
Então...Até o proximo capitulo ♥
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