Angel

1 1. Acidente


Depois de tudo isso, eu estava sozinha, vendo minha casa sendo consumida por chamas. Pergunto-me o que aconteceria se eu não tivesse saído hoje, meu destino seria morrer carbonizada?

Alguns dias atrás perto da época do natal, começou a nevar, no entanto, eu não teria com quem compartilhar meus momentos de felicidade, mas ele esses momento nunca existiram mesmo.

– Por que? Justo comigo... – Jogada na neve, com lagrimas escorrendo, me perguntava o que vai ser de mim, agora que minha família se foi.

Sem rumo, fiquei deitada na neve onde parecia ser minha nova moradia, uma calçada qualquer em uma rua qualquer, apesar do frio, acabei adormecendo neste lugar.

Depois de um tempo adormecida, senti algo quente, o que era estranho, pois eu estava na rua em uma noite de inverno, tudo estava esquisito. Mantive meus olhos fechados e sentia um ambiente calmo e agradável, com uma melodia bem baixa acompanhada por uma voz masculina que cantava de uma forma suave.

Decidi finamente abrir meus olhos, a primeira coisa que vi foi um teto, pisquei novamente e o teto continuava lá, então não era um sonho? Assustada,levantei e percebi que estava em uma cama, analisei o ambiente ao meu redor, havia um armário, uma escrivaninha cheia de livros, e um criado mudo. Levantei e abri a porta do quarto e ali havia um corredor, que atravessei lenta e silenciosamente, no final avistei um belo de cabelos brancos. Estava tão distraído, escrevendo algo em um bloco de anotações, que não notou minha presença.

– É... Oi? – O interrompi.

– Ah, bom dia! – Seu tom de voz transpareceu certa preocupação. Ele fechou o caderno e veio a meu encontro. – Eu me chamo Nathaniel Airon... E você é?

– Liz Smoak.

– Suponho que seja estranho acordar em um local desconhecido...

– Que bom que o senhor percebeu, é estranho de fato. – Respondi erguendo o rosto, e pela primeira vez vi seus olhos, ele tinha uma heterocromia. O que parecia ser um charme.

– Eu não sou um louco, apesar da situação embaraços, mas quando eu estava voltando para casa, e a encontrei desacordada na neve. Fiquei preocupado e trouxe a senhorita até aqui.

– Eu agradeço...

– Bem, desculpe-me por pela indelicadeza, mas... Por que estava lá? Não sabia se chamava a policia na hora ou te socorria primeiro e esperava até você acordar...

Lembrei-me da noite anterior, e lágrimas encheram meus olhos. Lembranças dolorosas que marcariam minha alma para sempre.

– Minha casa estava em chamas, chamas alimentadas pelo corpo d-de meus familiares. – disse pausadamente.

Senti o rapaz confuso e triste ao mesmo tempo.

- Eu sinto muito... Eu gostaria de te ajudar da melhor forma possível – fez uma pausa. – Venha. – Ele colocou sua mão em minha cintura, e guiou-me até a cozinha. Pediu para que eu me sentasse.

Tomamos café da manhã juntos e apesar de Nathaniel não falar muito, era bastante simpático.

– Obrigada, por tudo, vou voltar para minha casa agora...

- Vou te acompanhar até certa parte.

Saímos do prédio e caminhamos lado a lado. Chegada a hora de nos separarmos, o rapaz me deu um abraço, nos despedimos. Assim continuei andando rumo a casa que não existia mais. Na esquina apareceu um carro em alta velocidade, o motorista tentou frear, porém, o veículo derrapou e veio em minha direção. Os três segundos mais longos de minha vida, em câmera lenta, aquela armadilha sobre rodas foi tornando-se mais próxima, acho que vou poder rever minha família mais uma vez, acho que logo estaremos juntos novamente...

Por fim o carro desgovernado chocou-se contra meu corpo, minha vista escureceu e minha existência tornou-se um vazio... Um vazio preenchido por melodias cantadas por um anjo.

Notas finais
Sim, ela dorme na rua e acorda na casa de um estranho e isso é completamente normal, o.k.? HAHA