Angel
2 2. Anjo
Notas iniciais
Por Nathaniel
Dois anos se passaram desde que conheci Liz, dois anos observando a em coma, fois anos que passei ao seu lado...
Como alguém consegue se apaixonar por uma pessoa com a qual conversou meia hora? E pior ainda, como alguém se apaixona por uma garota que achou na rua, jogada? Essa era minha situação. Perdido de amor pelo anjo que encontrei caído na neve.
Eu olhava a neve cair serenamente, como lágrimas de compaixão, através da janela daquele quarto de hospital.
Desde então, mesmo com o acidente que ela sofreu, mesmo que há tempo ela esteja vivendo presa a aparelhos, não deixei de estar ao seu lado, por um segundo sequer.
No momento que escureceu, fechei as cortinas e me aproximei daquela de Liz. Quando eu veria novamente seus brilhantes nos seus olhos, ou então, um delicado sorriso em seus lábios rosados? Liz aparentava apenas estar dormindo.
– Feliz natal... – Então depositei um delicado beijo sobre a pálida e macia testa. – Vou cantar para você...
“Existe uma música dentro da minha alma
É aquela que eu tentei escrever uma e outra vez
Estou acordado nesse frio infinito
Mas você canta para mim uma vez, e outra vez e ...”
Fui interrompido por um som desagradável, era um incessante beep, anunciando que o coração de minha amada havia parado. Rapidamente, soltei a jovem de todos os equipamentos. Aninhei o corpo desfalecido em meus braços e fugi do hospital, pois não queria que o corpo da jovem, tivesse como destino final, o necrotério.
Corri por muito tempo, até meu fôlego extinguir-se. Assim que chegamos a uma praça deitei o corpo sem vida sobre a neve, colhi uma rosa vermelha que havia sobrevivido à estação fria, a coloquei nas mãos da moça, e segurei as mesmas. De imediato senti o toque gélido da morte. Em meu peito, senti uma forte dor, enquanto meus olhos inundavam-se de lágrimas.
Por Liz
Minha existência tornou-se um vazio, u vazio preenchido por melodias cantadas por um anjo... Dias, meses, anos... Por quanto tempo ele esteve ao meu lado? Por quanto tempo cuidou de mim? Por quanto tempo esteve cantando para mim? Eu queria agradecer Nathaniel por tudo que ele havia abdicado por mim, uma estranha achada na rua que se apaixou por um desconhecido que poderia ser um estuprador.
Tudo estava escuro... Tudo que ouvi foi um beep e logo em seguida nada...
Nada que ocorreu ao meu redor passou despercebido. Todas as canções que Nathaniel cantou para mim foram ouvidas com carinho, e por mais que eu tentasse demonstrar minha gratidão, estava impossibilitada. E neste tempo, acabei por começar a gostar dele.
No entanto, agora estava lutando contra a morte, tentando com todas as esperanças, o pouco de vida que me restava. Nunca gostei da escuridão, e mais ainda, temi a morte. Com todas as minhas forças e vontade de viver, me concentrei em continuar no mundo terreno. Pouco a pouco, comecei a sentir meu coração batendo e um toque quente e macio em minhas mãos. Aumentei minha vontade, e iniciei uma batalha contra meu corpo, que insistia em ficar parado. Um pouco de esforço e movimentei meu mindinho... E assim foi, até que segurei as mãos do rapaz, e abri meus olhos. Já era noite e certo homem de cabelos brancos me fitava surpreso.
– Liz?
–Ainda não é minha hora. – Pronunciei com certa dificuldade, após tanto tempo sem falar. – Tenho tanto a fazer....
Ele abraçou-me agradavelmente.
– Então, quero lhe dizer uma coisa. Peço para que não estranhe. – disse em tom baixo.
– Ok...
– Nestes dois anos. Estive tão preocupado com você. Cada dia era uma esperança de vê-la normal. Descobri que isto significa que eu te amo.
– Sério? – Perguntei, e como resposta, ele assentiu com a cabeça. – E eu, neste tempo todo, senti sua presença. E acabei me apaixonando por você.
Ele sorriu de forma terna e encantadora.
– Já que é recíproco... – Nathaniel segurou meu queixo, e aproximou seu rosto. Nossos lábios roçaram um no outro, fazendo meu corpo estremecer, e nos beijamos de forma tímida, senti que estava corada. –Vamos para casa, afinal, é natal. – Sugeriu.
– Hum, porque não? – Respondi feliz, ao lembrar que apesar de tudo que havia ocorrido, eu teria para onde voltar.
Por Nathaniel
Felicidade... Essa palavra não era suficiente para descrever o que eu sentia. Bonita, delicada, gentil e viva, um perfeito anjo de neve, que com tão poucos gestos, transmite os mais belos sentimentos ao coração das pessoas.
Em direção à nossa casa, caminhávamos animados. Ela segurava meu braço delicadamente. Duas pessoas solitárias, que as forças do destino uniram... E que o tempo não irá separar. Mas não foi uma garota qualquer que o destino reservou a mim... Foi um anjo...
O meu anjo de neve...
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