Andrômeda - Livro 1
1 Prólogo.
Notas iniciais
Havia terminado sua segunda demanda de bebida quando viu o esplendor adentrar aquela boate. Como sempre, a beleza do deus atraia milhares de olhares não importa por onde passava. Dionísio era sim dono de uma beleza anormal, isto mesmo sendo deus do vinho e das festas. Com aparência de um jovem pouco mais que vinte anos, ele atravessou todo o salão analisando o local com seus olhos azuis penetrantes. Tharros sabia. Ele estava à sua procura.
Não demorou muito para a primeira garota entrar na sua cola. Ela fez questão de se esfregar no deus, parecendo não somente estar interessada na personificação humana que a divindade assumiu, mas coisas que somente seriam resolvidas em quatro paredes. O problema era que o mesmo não estava disposto em dar atenção a uma mera humana que pouco lhe favoreceria. Dionísio estava com a mente cheia, isto é, cheia é pouco para o pandemônio que agora era presente. Se fosse em outro momento… Talvez em outro século, onde o Olimpo ainda exalava a presença dos demais deuses, ele até disponibilizaria seu tão precioso tempo para festejar com a garota que emanava um intenso cheiro de hormônios. Assim, dispensou-a sem hesitação para em seguida continuar traçar caminho em direção a Tharros.
Tharros pousou sua taça no balcão quando percebeu os olhos do anfitrião fitando-o sem qualquer distração. Daria tempo de desaparecer? Daria, porém chamaria atenção e sacrificaria seu disfarce humano. Merda.
Os passos do deus se tornaram mais precisos a caminho do balcão e quando assim finalmente chegou, fez questão de sentar ao lado do irmão exibindo um sádico sorriso.
— Olá, Ares. – Cumprimentou o anfitrião.
Ares. Há quanto tempo Tharros não era chamado pelo verdadeiro nome? Tanto tempo que nem se lembrara. Desde que passara a viver no mundo dos humanos, o insaciável guerreiro assumira uma nova identidade. Novo nome, modificara um pouco a aparência, se diferenciando de sua real matéria divina, adaptou-se aos costumes terrestres, sacrificando parte da sua vitalidade para se assemelhar a eles, os homens.
— O que faz aqui, Baco? – Perguntou Tharros, numa tentativa de intimidar o deus.
— Por Zeus! – Queixou-se de forma incontestável. – Dispense este nome Romano ao direcionar a mim outra vez, Deus da guerra.
— Não me importa a forma correta que devo chamá-lo, deus do vinho. Veio aqui por algum motivo e deve desembuchá-lo logo. Aqui na terra o tempo corre e não quero desperdiçar minhas poucas horas com fúteis frescuras.
Dionísio retrocedeu o habitual sorriso ao se ver diante à arrogância de Ares. Não importava quanto tempo passava, a brutalidade do deus sempre continuaria a mesma.
— Me surpreende a persistência de seu ego em continuar tão rude, irmão. – Comentou, fitando atentamente os olhos dourados do guerreiro. – Presumo que depois de eras refugiado neste lixão chamado terra você não saiba nem um terço de toda desgraça que aconteceu lá em cima.
Ares balançou a cabeça, assentindo que nada sabia e também que pouco lhe interessava.
— Olimpo foi destruído. Desde que Caos retornou junto ao seu quarteto fantástico, os deuses tem sido assassinados brutalmente.
— Imagino que papai já deve ter se pronunciado, Dio.
— O tal rei dos deuses foi o primeiro a cair fora da arena de batalha. Zeus, por mais impressionante que pareça se refugiou em alguma dimensão longe do Criador depois que Hera foi destruída por Nix. Sério, cara. Está um banho de sangue lá e o estranho é ver que você nada sabia, uma vez que o Olimpo está em guerra há mais de treze anos.
— A dimensão terrestre tem tamanho poder para esconder a merda que acontece. – Respondeu Tharros, virando o primeiro copo cheio depois de três rodadas. – O quer que eu faça? Montar em um cavalo flamejante e cavalgue em direção ao Olimpo, erguendo uma espada em vingança àqueles que muito me odiavam? – Terminou a hipótese com um gargalhar sarcástico.
— Ter posse nem mesmo a mais poderosa das espadas deterá o quinteto destruição, mas… – Dio escancarou um sorriso ofuscante. – Atena em parceria com Aphrodite, criou uma sentinela. Um tipo de divindade com a essência dos homens e a mandou para cá em forma de meteoro. Logo quando tocou a terra, tomou a forma de uma garota. Seus retornos em reencarnações só a tornam mais poderosa e pura. Ares, ela é a nossa única esperança para a ruína do monarca. Quando descobri sobre o feito de Atena e Aphrodite e da extensão do poder desta garota, vim em sua procura.
— E qual é o meu papel nisto, Dionísio?
— Pense bem. Você é o deus da guerra, pode estar enferrujado, mas ainda tem sua essência de Olimpiano. Você pode encontrá-la e fazer dela uma guerreira. Pode soar loucamente, mas ela tem um poder que eu nunca presenciei antes, Marte.
— O que eu ganharei se transformar a garota em uma lutadora que destruirá Caos?
— Espero que o reconhecimento como o Deus que salvou o Olimpo quando Zeus cagava de medo além de ter novamente seu trono entre os doze gigantes seja recompensa suficiente para você, Ares.
Mesmo não tendo resposta alguma de Tharros, Dionísio pode ver e entender literalmente o que o brilho repentino nos olhos do deus da guerra representava.
Fale com o autor