Notas iniciais
demorou mas saiu :)

Desliguei o celular e a encarei, ela iria surtar e provavelmente acabar com a raça de Adam.

– fala logo o que foi? – ela pediu com a voz firme.

– a Lindsay saiu com o Adam e eles se perderam.

– onde eles estavam?

– em uma boate.

– vamos para lá agora. – ela disse com a voz tremula, ela estava com medo e raiva.

– me deixa resolver isso, fica em casa. – ela me olhou e eu me perguntei por que tinha feito essa pergunta, ela jamais iria ceder. Liguei o carro e segui para a boate.

Quando entramos eu fiquei surdo com tanto barulho, agarrei a Mao de Catherine e a puxei entre a multidão agitada. Rodamos a boate durante meia hora e nada de nenhum dos dois. Como seria impossível ligar para um dos dois em meio a tanto barulho, resolvemos continuar nossa procura. Depois de mais alguns minutos encontramos Adam, mas ele estava sozinho.

– onde você largou a minha filha? – ela perguntou gritando sobre a musica e colocando seu corpo em frente ao meu.

– eu não a larguei, ela sumiu.

– ah ta. – ela disse e eu me coloquei entre os dois.

– agora não é o momento. – eu disse pegando a mão dela de volta.

– calma nós vamos encontrar ela. – eu disse em seu ouvido, ela apertou minha mão e eu a puxei para longe de Adam ou ela o estrangularia. Caminhamos mais um pouco pelo clube quando avistei Suzi, uma das amigas drogadas de Lindsay. Caminhei até ela e a segurei pelo cotovelo. Ela se virou pronta para me dar um soco na cara, mas sorriu quando viu que era eu.

– Dam?! Você sumiu por tanto tempo que já me esqueci da sua pegada. – ela disse.

– viu a Lindsay por ai? – eu a cortei, já havia dormido com ela algumas vezes, mas agora não era o melhor momento, já que Catherine estava do meu lado.

– é, ela acabou de sair daqui com Teddy e um saquinho de pó mágico. – ela disse sorrindo.

– porra. – eu amaldiçoei baixo, mas Catherine me ouviu ou notou minha expressão já que era quase impossível ouvir alguma coisa.

– o que foi Dam? Quem é Teddy? – ela perguntou me puxando para encarar seus olhos preocupados.

– boa coisa ele não é!

– me fala a verdade, eu quero saber o que esta acontecendo. – ela me ordenou me encarando de perto, seu olhar era intimidante esperando por uma resposta minha. Eu não podia esconder as coisas dela, mas a vontade de protegê-la, de poupá-la do sofrimento era grande.

– ele vai dopá-la de cocaína e fazer o que quiser com ela.

– o que eu faço? – ela me perguntou como se seu mundo estivesse em minhas mãos, como se eu fosse a única saída de um labirinto assustador. Vi lagrimas de desespero tomarem seus olhos. Com esse olhar eu percebi que faria qualquer coisa por ela.

– você está com a sua identidade de CSI?

– está na minha bolsa. – ela disse pegando seu crachá. Agarrei a mão dela e a puxei para a área VIP.

– queremos saber em que quarto Teddy está. – eu perguntei ao segurança e ela mostrou a identidade para ele que sorriu ironicamente.

– a casa esta lotada, mil e quinhentas pessoas, quantos teddys acha que temos aqui. – eu sabia que a boate tinha quartos a disposição de clientes bem afortunados que queiram um pouco mais de privacidade, e Teddy usufruíam disso com muitas amigas minhas.

– olha aqui, se você não quiser que a gente feche essa porra de lugar por prostituição de menores e distribuição de drogas, é bom você me dizer onde esse infeliz está. – ela disse, o segurança a encarou por alguns segundos.

– suíte 158 – ele disse e corremos para o elevador. Subimos ate o segundo andar onde havia mais um segurança.

– preciso que abra o quarto 158, agora. – ela ordenou mostrando seu crachá a ele também. Ele acenou com a cabeça e caminhou ate o quarto. Ele abriu a porta e nós entramos.

Os dois já estavam apenas de roupa intima se pegando no sofá. Sobre a mesa de centro havia fileiras de pó branco, um cartão de credito e canudos.

– larga minha filha. – ela disse e Teddy saltou de cima de Lindsay. Ele era o dobro de idade mais velho do que ela e o tipo de cara que nenhuma mãe iria querer ver tocando em sua filha. Agradeci mentalmente nessa hora por ela não ter uma arma ao seu alcance caso contrario ela estaria a usando agora pela forma como encarava Teddy.

– some daqui antes que você se ferre. Eu não quero que você cruze o caminho dela nunca mais. – eu disse e ele saiu vestindo sua roupa pelo corredor.

– qual é o seu problema Lindsay? – ela perguntou. Lindsay não fazia ideia do que estava acontecendo.

– ela não vai te ouvir agora, vamos levá-la para casa. – eu disse, nós a vestimos e a levamos ate em casa.

Eu a carreguei sobre meus ombros pelo caminho de pedras no jardim. Catherine abriu a porta para entrarmos. Lindsay mal conseguia parar em pé.

– eu preciso de mais cocaína. – ela disse fungando, seu nariz estava sangrando. A levei até o banheiro e a sentei sobre a tampa do vaso. Catherine estava parada atrás de mim, ela apenas me observava com uma cara de espanto que me dizia ser a primeira vez que ela via a filha assim. Peguei um pedaço de papel higiênico e limpei o sangue de seu nariz.

– cadê? Eu preciso de mais. Só mais um pouquinho? – ela disse começando a me empurrar e empurrar minhas mãos fora dela, mas se eu a soltasse ela iria cair.

– você tem que me dar. – ela disse apertando suas unhas em meus braços, seus olhos não tinham foco.

– Teddy? – ela gritou. Catherine me ajudou a segurá-la no banheiro, já que ela queria sair a todo custo. Liguei o chuveiro na água fria e a enfiei a força em baixo d’água. Ela soltou vários palavrões e começou a se debater, me puxando para debaixo da água totalmente gelada de roupa e tudo.

– Lindsay. – eu a chamei dando uma sacudida nela, mas ela parecia não ouvir.

– eu tenho que achar o Teddy.

– cala a boca Lindsay, pelo amor de Deus. – Catherine interviu pela primeira vez, ela estava em choque, vi lagrimas escorrerem no canto dos seus olhos.

– Catherine é melhor sair daqui, está tudo sobre controle, eu vou cuidar dela. – ela me olhou antes de sair a passos pesados do banheiro. Deixei a água gelada cair sobre Lindsay por mais alguns minutos. Ela havia se acalmado então quando ela pareceu melhor e começou a me responder coerentemente eu a tirei do banheiro. A levei para o quarto, Catherine estava sentada no sofá quando passamos pela sala. Achei que ela viria atrás de mim, mas ela não veio. Ela estava perdida.

Troquei de roupa em Lindsay e sequei seus cabelos. A deitei na cama e a cobri, ela se acalmou e adormeceu rapidamente. Voltei a sala, Catherine ainda estava sentada no sofá, seus cotovelos apoiados sobre os joelhos numa posição de cansaço.

Caminhei ate ela e me sentei ao seu lado. Ela não me olhou, mas pude ver que ela estava chorando. Envolvi meu braço sobre seus ombros e a puxei contra meu peito. Ela soluçou e me apertou contra ela.

– eu não sei o que fazer. – ela disse com voz de choro.

– ninguém nunca sabe, você não pode se culpar. – eu disse, ficamos em silencio por um longo tempo, até que ela se levantou.

– você está todo molhado. – ela disse limpando suas ultimas lagrimas. Me levantei também. – vem, vamos dormir, estou exausta. – ela me puxou pela mão até meu quarto.

– eu tenho dormido mais aqui do que na minha própria cama. — Ela se aproximou de mim começando a desabotoar os botões da minha camisa.

– eu gosto disso. – eu disse terminando de tirar minha camisa. Ela passou a mão pelo meu peito, minha respiração se dificultou, apenas um simples toque dela fazia meu sangue correr mais rápido pelas veias. Eu queria essa mulher em qualquer lugar, em qualquer momento, mas agora não era uma boa hora para pensar em sexo depois do que tinha acontecido. Ela certamente estaria cansada. Ela abriu meu cinto.

– Catherine eu não...

– tudo bem, eu preciso disso. – ela me cortou e eu a beijei delicadamente, lambendo seus lábios finos.

Ela se remexeu ao meu lado na cama, seu corpo quente se encostou ao meu. Abri os olhos e ela ainda dormia, suas costas nuas estavam viradas para mim. Toquei sua pele branca, correndo meus dedos por sua espinha, vendo sua pele se arrepiar. Ela gemeu. Eu não sei como eu vim parar aqui, mas não posso mais imaginar minha vida sem ela.

Sei que ela tem duvidas e receios, e com razão, já que eu nunca me envolvi realmente com alguém. Mas o que acontece é que eu nunca estive tão apaixonado como estou agora. Ela se virou para mim, a culpada por tudo que eu estava sentindo.

– bom dia. – ela disse, continuei alisando meus dedos por sua pele agora de seu braço.

– bom dia, dormiu bem? – perguntei. Minha mão chegou a sua, entrelacei nossos dedos e ela se aconchegou ao meu peito.

– tentei, mas... – ela parou e me encarou. Meu dedo estava rodeando seu anel de noivado. Seu olhar investigava o motivo do meu gesto. Eu subestimei o dono do anel, ele realmente era dono dela também, por mais que eu quisesse que não. Faz tempo que estávamos nos vendo e ela nunca mencionou nada sobre isso. A maioria das mulheres se deita com outro homem quando o seu não lhe dá a devida atenção, mas ela nunca reclamou dele, então penso que é tudo culpa da minha insistência.

– minha casa está pronta. – eu disse e ela se afastou de mim.

– você vai embora?

– não vou embora, só vou estar a algumas quadras daqui. – ela se sentou na cama ficando de costas para mim.

– não posso ficar aqui para sempre Catherine.

– eu não estou te pedindo isso. – ela disse sem me olhar.

– olha, eu estou protegendo você, estou protegendo o seu direito de escolher.

– escolher? – ela me olhou confusa;

– não podemos continuar nessa situação, é suicídio; uma hora ou outra seu noivo vai descobrir. – eu disse mesmo que fosse isso que eu queria que acontecesse, ela não teria que se decidir. Ela teria a minha vontade imposta sobre ela mais uma vez, como quando eu a seduzi até ela se deitar comigo. Queria que fosse diferente agora, queria que partisse dela. Ela começou a se vestir.

– você chama o que a gente tem de situação e ainda quer me cobrar uma escolha? Não posso largar um noivado por nada. – ela disse já vestindo a blusa.

– mãe?! – Lindsay a gritou e ela saiu do meu quarto correndo.