Ancient

1 Introdução


Notas iniciais
Todos os endereços de emails nessa história são fictícios.

Sítio Arqueológico na América do Sul

Sebastian Taylor era um prodígio da arqueologia. Com 32 anos já era respeitado por outros arqueólogos mais velhos e, logicamente, mais experientes, por causa de sua incrível habilidade de sempre encontrar algo inusitado. E mesmo sempre tendo trabalhado, até mesmo para pagar a faculdade, conseguia achar tempo para os esportes. Tinha uma aparência de um jovem de 20 anos, era musculoso e bronzeado pelo trabalho no sol. Sua pele contrastava com seus cabelos dourados e seus olhos azul-esverdeados que lembravam duas piscinas de água.

Ele estava voltando de uma escavação e correu para a tenda. Entrou bruscamente. Sua mão direita segurava uma enorme espada de pedra com uma lâmina de cerca de um metro que, diferente do que aparentava, pesava pouco. Ela estava repleta de símbolos estranhos gravados. Seu assistente estava de costas para a porta e se virou assustado, xingando um palavrão automaticamente. O garoto, Trevor Murray, tinha os olhos castanhos e o cabelo ruivo, herdado de sua descendência escocesa materna. Sua pele era um pouco pálida e ele tinha algumas sardas

–O que é isso, Taylor? — disse o assistente se recuperando do susto.

–Uma espada, oras. — e riu.

–Não me diga! — retrucou, sarcástico – Pensei que estávamos sendo atacados por um leão.

–Se você conseguir achar algum animal aqui além de mosquitos, você pega seguir carreira como biólogo.

–Que seja. — e suspirou – Achamos o que viemos procurar?

–Achamos. — e levantou a espada, vitorioso.

–Não acredito que aquele cara pagou tanto por... Por... Isso! — disse, fazendo um gesto para a arma.

–Isso daqui parece ser bem antigo. Não sei se devo entregar ela.

–Você está louco? O sol fritou o seu cérebro? O dinheiro que aquele cara ofereceu é mais do que você ganha ajudando na faculdade.

–Isso deveria estar na faculdade ou em um museu. Não com um colecionador. Aquele cara é suspeito. Eu só vou entregar quando eu tiver certeza de que ele...

–Você tem sérios problemas com moral e justiça. Nada está certo pra você. Vamos logo. Se sairmos rápido, podemos ir para um hotel essa noite e tomarmos um banho em algo que não seja um rio. Amanhã vamos pegar o primeiro avião de volta para Londres. — resmungou, jogando alguns livros dentro de uma mochila.

–Certo, certo. Vamos lá. — disse enquanto olhava sorridente para a nova descoberta – Quando chegarmos no hotel, me lembre de ligar pro Donald.

–Donald Curtis? Aquele lunático que acha que somos bebês em tubos de ensaio alienígenas?

–Ele é meu amigo. Não tenho nada contra as crenças dele.

–Vamos terminar de arrumar isso? Essa conversa já me cansou.

–Como quiser. — Sebastian pegou um grande pano e enrolou a espada nele.

Donald Curtis estava deitado. Seus cabelos negros estavam bagunçados e caíam sobre seu rosto. Seus olhos eram escuros e sua pele morena. Sua barba estava por fazer. Ele saltou repentinamente da cama. Sentou-se em uma cadeira diante de seu notebook, que estava ligado sobre uma mesa de madeira. A tela estava com um documento aberto. Ele estava bloqueado fazia dias. Quase no fim de seu novo livro. Ele minimizou o arquivo e abriu o navegador. Checou seus e-mails, coisa que ele não fazia a quase três dias. A maior parte era de publicidade, mas um deles era de um amigo professor de história.

DE: noah_hayes@hist.en

PARA: dcurtis@tda.en

ASSUNTO: Demitido

Olá, Curtis.

Aqui é o Noah. Você não vai acreditar no que aconteceu. O meu chefe no departamento de História da Universidade me demitiu porque levei meus alunos para uma aula ao ar livre. Um deles me ligou hoje dizendo que eles odiaram o novo professor e se recusaram a ter outra aula, mesmo sob a ameaça de suspensão. Inacreditável, eu não esperava que eles fossem se arriscar por mim.

Obrigado pela atenção e aguardo notícias.

–Impressionante... — ele murmurou para si próprio. Ele já ia fechar quando chegou outro e-mail. Ele olhou o remetente e se surpreendeu ao ler: Anônimo. A curiosidade praticamente gritava para que ele abrisse, mas o medo de ser algum vírus berrava.

Após alguns segundos de dilema, ele não aguentou. A curiosidade falou mais alto e ele clicou no e-mail. Pressionou por alguns segundos, ainda em dúvida. Então abriu.

DE: Anônimo

PARA: dcurtis@tda.en

ASSUNTO:

É complicado estar com esse bloqueio de escritor, não? Eu posso te ajudar. Ligue para mim. Meu número é ***-*******. Sua curiosidade fala mais alto. Aguardo sua ligação.

–Mas que... — ele disse ao terminar de ler. Ele pegou o telefone e discou o número. Então apagou. Talvez fosse só alguém de brincadeira com ele.

Ele, aguardando alguma inspiração, foi até o rádio e ligou. Foi passando até chegar em sua estação favorita. O locutor dizia algo sobre a última música que tocara, alguma de uma banda americana. E anunciou a próxima: Sacrifice, do Elton John. Ele não aguentou e riu da coincidência. Essa era a música favorita de sua ex-noiva. Ele deu um sorriso triste, mesmo depois do término, dois anos atrás, ele continuava insistentemente apaixonado por ela. E começou a se lembrar dos momentos com ela.

It's a human sign

When things go wrong

When the scent of her lingers

And temptation's strong

Seu telefone vibrou sobre a mesa e ele ignorou. Se levantou para cantar o refrão:

And it's no sacrifice

Just a simple word

It's two hearts living

In two separates worlds

But it's no sacrifice

O telefone vibrava incessantemente.

–Quem será? — disse, irritado por ter que parar com a música. E atendeu — Quem é?

–Olá, senhor Curtis. — disse a voz do outro lado — Por que não respondeu meu e-mail?

–Quem é?

–Alguém que pode te ajudar. Pode me encontrar hoje?

–Onde? — perguntou, sem pensar muito.

–Tem um bar, perto do seu apartamento. Na esquina da sua rua. Creio que lá vai ser um bom lugar já que você não confia em mim. Um lugar público. Por minha conta. Te espero lá em uma hora. — e desligou.

Ele olhou confuso. Checou o histórico de ligações. Era o mesmo número do e-mail.