Ancient

2 Capítulo 1 - Ambush


Notas iniciais
Desculpe o atraso na postagem do capítulo. A semana foi realmente corrida.

Donald andou até o banheiro para se arrumar. Ele olhou as horas no telefone. Saiu assobiando Sacrifice. Ele tinha quase certeza que aquilo era o que ele precisava: um bom banho. Desde que seu bloqueio começou, ele não comia nada além de pizza e bebia café. Seus banhos, uma vez ao dia, eram de no máximo 5 minutos. Ele suspirou e entrou de cabeça na água morna tirando o cabelo molhado do rosto. Deixou-a escorrer o suficiente para se sentir mais relaxado. Ele saiu, 15 minutos depois, sem camisa, com o cabelo molhado e enrolado na toalha. Abriu o guarda-roupa. Puxou uma jaqueta de couro e uma camisa simples preta, com uma calça jeans e tênis. Ele se arrumou. Ele ainda tinha uma vantagem de tempo. Ele penteou os cabelos negros que iam até os ombros e pegou seu perfume favorito. Estava pronto. Não sabia quem era, mas imaginava ser uma mulher, pois a voz que falou com ele era feminina e doce, com um forte sotaque irlandês.
Ele olhou pro relógio antes de sair. Tinha 10 minutos. Pra fazer um trajeto de menos de um quilômetro. Era na esquina da rua do seu apartamento. Ele foi caminhando tranquilamente, escolheu um bom lugar e sentou. Não esperou muito e, discretamente, viu alguém se aproximar. Um casal se sentou diante dele. Ele apertou a mão do homem.
–Maureen MacGowan. — disse ela. Era a mesma voz do telefone. Ela esticou a mão para cumprimentá-lo e ela a beijou Esse é meu irmão, Eoghan.
–Eu sou... — ele percebeu que estava hipnotizado por ela. Esqueceu o próprio nome.
–Você é... Eu sei quem você é, mas... Tudo bem? — ela perguntou, confusa.
–Tudo, tudo perfeito, senhorita. Meu nome é Donald Curtis. Mas pode me chamar de Don.
Ele cumprimentou o irmão dela. Eles eram perturbadoramente lindos. Ele e ela. Um era uma cópia perfeita do outro, mas com o sexo oposto. Ambos tinham o rosto definido e com traços leves, porém fortes. Os olhos dos dois eram verdes. Seus rostos eram perfeitamente simétricos. Ele tinha os ombros largos e uma leve barba. Seu cabelo era ruivo, assim como a barba, mas ela era um pouco mais escura. Seu queixo era quadrado e bem definido. Tinha uma ótima postura e vestia um sobretudo preto. Ela também era ruiva, mas em um tom mais claro, com o cabelo chegando quase no meio das costas. Ela usava um vestido vermelho com um blazer preto e um salto alto escuro.
–Tudo bem, senhor Curtis? — perguntou Eoghan, com um sotaque mais forte que o dela.
–Tudo. Tudo sim. Eu queria saber por que você, a senhorita, me ligou?
–Temos uma proposta. — ela era firme Sabemos que o senhor está com problemas para escrever. Temos um trabalho que pode trazer uma certa inspiração. Mas precisamos da sua confiança. Devemos adiantar que você correrá riscos a partir do momento que aceitar.
–Eu aceito. — disse sem pensar. Ela causava uma estranha influência nele. Ele se sentia na obrigação de ajudá-la.
–Mas não vai nem pensar?
–Já aceitei. Não vou voltar atrás.
–Faigh an leabhar, mo dheartháir.¹ — Eoghan tirou um livro de um bolso interno do sobretudo e entregou a ela. Ela pegou e o ofereceu ao escritor Pegue. Meu e-mail está anotado aí. Toda a informação que for necessária está escrita e ilustrada em algumas partes. Acho que você já tem meu número. — e deu uma piscada pra ele.
Ele empalideceu, mas retribuiu a piscada.
–Vamos ficar nos encarando ou vamos pedir algo?
O ruivo sussurrou algo no ouvido dela.
–Desculpe meu irmão. — e ela sorriu para Donald Ele não fala inglês muito bem. Ele veio da Irlanda faz alguns meses. Ele disse que está com sede.
–Então vamos resolver esse problema. Podem pedir algo.
Ela sorriu. A música que tocava mudou.
–Eu amo essa música. — ela disse sorrindo.
–Não conheço. — ele disse — Qual o nome?
–Heaven. — ele fez um sinal de que não conhecia. Ela completou: — Three Doors Down.

–Linda. Você, digo, ela é perfeita. — ele disse.

–Obrigado mesmo assim. — ela disse. Não se sentiu nem um pouco incomodada. O irmão dela deu um leve sorriso sarcástico. Ele conhecia aquela cena.

–É isso que você quer? Eu não vou te segurar aqui. Pode sair da minha casa! — gritou Noah
–Nossa casa, Hayes!
–Minha! — ele gritou — Eu comprei ela!
–Certo, certo. É isso que você quer? Ótimo, fale com meu advogado depois. Acabou!
–Você não pode terminar o nosso casamento assim!
–Não? Quem vai me impedir? Você?
–Não duvide de mim. Você... — mas ela saiu. E bateu a porta, deixando-o falando sozinho.
Ele se sentou na cama. Jogou os cabelos castanhos repartidos para trás e enterrou o rosto nas mãos. Ele suspirou fundo e se levantou. Abriu a porta. Ela estava saindo com o carro. Ele empalideceu. A mulher com quem ele passara os ultimos 5 anos casado, tinha ido embora. Ele voltou e se jogou no sofá. O notebook estava aberto sobre a mesa. Ele entrou no seu e-mail. Olhou a mensagem mais recente. Sebastian Taylor. Os olhos negros olharam fixamente para a mensagem ao abri-la. Sobre sua última expedição.
–O que eu fiz? — e se encostou no sofá. Seu telefone tocou. Ele olhou o número. Seu antigo chefe. Ele respirou fundo. Já tinha perdido o emprego. O que mais tiraria dele? Atendeu e respondeu da forma mais seca possível — Que foi?
–As circunstâncias mudaram, senhor Hayes. A universidade pensa em aceita-lo de volta. Se o senhor ainda estiver disposto ao cargo.
–O que mudou? O que eu fiz continua feito.
–Bom, senhor Hayes, seus alunos demonstraram uma insubordinação incorrigível para com o professor substituto. Embora ele tenha uma graduação superior a sua, seus alunos se recusaram a deixa-lo exercer o seu trabalho. E declararam que iriam impor a mesma condição a qualquer possível substituto ao seu cargo. Reafirmaram, ainda, que só assistiriam outra aula do curso se você voltasse. O senhor aceita?
–Eu... — ele sorriu — Aceito. Quando eu volto?
–Quando quiser. O cargo é seu.

Sebastian saiu do hotel com seu assistente. Nas costas estava a mochila com a espada enrolada. Eles esperaram por cerca de meia hora no beco onde haviam marcado de encontrar o homem, o comprador misterioso.
–Sério? Acho que você veio para o lugar errado, Taylor.
–Quieto, Trevor! Devemos ter chegado cedo demais.
–Ou atrasados demais. Ele marcou aqui as 18 horas. São... — olhou no relógio — 18:34! Esse cara está nos enrolando. Vai ver ele mudou de ideia ou...
–Para de falar. Olha, tem alguem chegando. Comporte-se.
–Que seja. — e se calou.
Um homem não muito alto apareceu. Ele estava acompanhado de dois homens negros, todos os três de terno. O do meio, o possível comprador, usava uma cartola preta e uma gravata azul-escura, e segurava uma enorme maleta preta. Eram essas características que o diferenciava dos outros. A iluminação era precária, então não conseguiam distinguir o rosto de qualquer um deles.
–Sebastian Taylor? — perguntou o homem do meio. Sua voz era normal e tinha um leve sotaque canadense.
–Sou eu. — e deu um passo, ficando mais próximo do homem.
–Cadê a minha relíquia?
–Cadê minha recompensa?
–Está duvidando de mim, senhor Taylor?
–Parece que está de mim. — o homem abriu a maleta, a pouca luz revelou que ela estava cheia de notas — Certo, vou pega-la.
Ele tirou a mochila das costas e a abriu, tirou a espada ainda enrolada de dentro dela e a entregou na mão de seu contratante que, por sua vez, entregou a maleta.
–Foi bom fazer negócios com você. — disse Sebastian, sorrindo.
–O prazer é todo meu. — e virou as costas — Mas, pensando melhor, executem eles!
Os dois homens puxaram pistolas e miraram para atirar. Por instinto, Taylor saltou sobre seu assistente e jogou a maleta sobre um dos seguranças, que deixou a arma cair. Eles se levantaram e correram. Pularam por cima de uma pequena grade nos fundos do beco e correram, dando a volta para o hotel onde estavam hospedados. Os homens foram atrás, ainda atirando. Quando eles alcançaram a estrada principal, ainda movimentada por causa do horário, eles pararam de atirar, talvez com medo de serem vistos. Não poderiam passar mais uma noite lá. Teriam que se mudar.
–Trevor! — gritou o arqueólogo — Trevor? — ele olhou para trás. Seu amigo estava cambaleando.
–Me ajuda, por favor.
–O que houve? — perguntou, preocupado.
–Não sei. Acho que me cortei enquanto pulava a cerca... Você tem que me levar para um hospital, ou ligar pros bombeiros. Tá doendo.
–Consegue andar?
–Acho que sim. Posso me apoiar em você?
–Claro. Deixa eu ver isso, eu sei algo de primeiros socorros. Posso segurar um pouco até acharmos ajuda. — e tirou a mão dele da frente, pois ela cobria o ferimento. Um pequeno furo, a marca do tiro, estava nas costas dele — Deus...
–Que houve? Foi muito feio?
–Temos que ir para um hospital. Agora!
Ele notou a gravidade na voz dele. Ele murmurou um palavrão mentalmente. Cada vez que respirava sentia suas costas queimarem. Ele ficou feliz em saber que pelo menos conseguiria andar. Sebastian, com a mão livre, ligou pedindo ajuda. Enquanto apoiava o amigo e o ajudava a andar até um lugar que talvez fosse mais seguro. Eles eram quase irmãos, e eles se ajudariam.

Donald saiu do bar seguido pelo casal. Eoghan ficou sentado no carro enquanto Maureen seguiu com o escritor para o seu apartamento. Assim que entraram, ela bateu a porta e o empurrou contra a parede, beijando-o. Ele a repeliu.
–O que é isso? — ele disse, surpreso.
–Eu vi como você me olhava lá. E não diga que não percebeu que era recíproco.
–Eu nem... — ela o beijou. Ele a empurrou — Eu nem te conheço.
–Isso não é desculpa. — ele não pensou direito. Ele a conduziu até a cama e a empurrou sobre ela.
Escuridão.
–O que houve? — foi tudo o que ele conseguiu dizer quando acordou. Sua cabeça ardia na parte de trás. Ele estava apenas enrolado em seus lençóis. Sem sinal da ruiva. Apenas sua porta, que fora deixada aberta. Ele se levantou e a fechou. Quando foi se deitar, entendeu o que havia acontecido. Seus olhos foram de encontro ao seu notebook, ou melhor, onde ele deveria estar. A mesa estava vazia.
Ela roubou seu notebook.
–Meu... Não... — não foi com o livro que ele se preocupou. Foi com a pesquisa a qual ele dedicara os últimos sete anos. Provas, teorias, depoimentos, vídeos. Ele tinha coisas o suficiente para convencer qualquer pessoa racional que ele estava certo. Ele tinha uma cópia de tudo em um pen drive. Mas aquilo, tudo o que ele juntara, poderia mudar muitas coisas. E ele não sabia o que ela poderia fazer com aquilo. Seu telefone tocou. Ele atendeu.
–Alô? — disse, confuso.
–Donald? Deus! O que houve com você? Tentei te ligar a manhã toda!
–Manhã? Mas são... — ele olhou no relógio — 13:40... O que houve, Sebastian?
–Eu e o Trevor fomos atacados. Pode me encontrar?
–Claro. Só nós dois?
–Não. O Noah também. Espere, vou te passar o endereço.
–Certo, pode falar.

Notas finais
Faigh an leabhar, mo dheartháir. - Pegue o livro, meu irmão