Anatomy
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Brian’s Pov
Meu corpo inteiro doía devido as agressões. Era possível sentir meu próprio sangue escorrer de meu nariz, além de sentir o gosto metálico do mesmo invadir minha boca.
Mas a tendência era piorar, eu apanhava mais e mais a cada instante. Eu tive a sensação de que iria morrer e aparentemente sem um motivo claro.
Eram inúteis todas as minhas tentativas de me defender, nada era capaz de detê-los e nada era capaz de me fazer suportar mais toda a dor de cada chute e soco que eles desferiam contra mim.
– Por que estão fazendo isso? — perguntei num tom vacilante, cuspindo um pouco de sangue. – O que vocês querem? – minha voz saia num tom de sussurro, eu não tinha mais forças para nada, nem para tentar me levantar já que eles haviam amenizado as agressões contra mim.
– Nós apenas queremos que você fique calado, bichinha. – um deles acertou um tapa em meu rosto, colocando a mão em meu pescoço, e em seguida apertando a mesma região. Outro deles voltara a me chutar insistentemente enquanto o terceiro tentava amarrar minhas mãos, uma vez que eu tentava reagir contra o primeiro. Mas já estava mais que evidente que eu não teria chances, principalmente depois que o ar passou a me faltar.
– SOLTEM-NO! – pude ouvir alguém gritar. Até virei meu rosto em direção daquela voz, mas uma luz alta, que eu interpretei ser do farol de algum carro, impedia que eu visse quem havia gritado.
Os três mascarados então saíram correndo, me deixando ali, caído no chão, ferido, sem forças, quase morto.
Com muita dificuldade eu me levantei com o apoio do muro alto. Cuspi mais um pouco de sangue e procurei seguir a direção da tal luz. Eu andava lentamente e cambaleante. Meu corpo dava sinais que não aguentaria me sustentar por muito mais tempo. A dor que eu sentia era inexplicável.
E a pessoa que eu menos esperava se aproximou de mim, parecendo se desesperar assim que pareceu me reconhecer.
A pessoa? Meu professor de anatomia.
– Brian? – ele se aproximou e eu já derrotado, desabei em seus braços. – Brian? – me chamou mais uma vez, mas eu simplesmente não conseguia responder.
– Você o conhece? – um homem se aproximou de nós e pela voz, pude reconhecer que era o mesmo que havia gritado instantes atrás.
– Ele é meu aluno. – ouvi Zachary responder enquanto procurava me segurar com firmeza. – Tudo vai ficar bem, ok? – ele disse baixo, enquanto me levava cuidadosamente até um carro prata.
– Hospital? – agora eu podia ver o rosto do dono da voz que havia me salvado. Ele vestia um terno escuro, parecia ser alto, musculoso e tinha os olhos verdes, mas não tão verdes quanto os de Zachary.
– Nã-Não. – murmurei com muito esforço, pousando minha mão em cima da de Zachary, que apenas concordou com a cabeça.
– Nos leve para minha casa. Eu cuidarei dele. – o professor disse para o outro que apenas assentiu.
Assim que o carro entrou em movimento, fechei meus olhos. Sentindo-me fraco, com dor e extremamente humilhado. Com tais sentimentos, caí no sono mais profundo.
Brian’s Pov Off
Zachary’s Pov
Eu tinha uma merda de uma intuição fodida, pois desde o momento onde Schneider fez um comentário preconceituoso, que eu acreditei ser para Brian, algo me dizia para ficar de olho nele... Não que eu fosse um anjo da guarda, até porque eu estava muito longe disso, mas algo dentro de mim dizia que eu deveria zelar por aquele rapaz que parecia ser tão tímido, tão machucado por dentro.
Já estava me retirando da faculdade até que Charles veio ao meu encontro, e por fim resolvemos parar numa lanchonete para comprarmos algo e levar para a casa de meu amigo, para comermos e conversarmos. Charles resolveu ficar no carro me esperando, enquanto eu comprava os lanches.
Porém, logo depois que eu adentrei na lanchonete, ele me chamou desesperado e disse que um rapaz havia falado que tinha alguém apanhando num beco próximo dali. Resolvemos deixar o lanche de lado e fomos até o tal beco, que coincidentemente era próximo do local onde estávamos.
Os agressores saíram correndo assim que Charles gritou para eles e eu me surpreendi ao reparar que quem estava sendo agredido era Brian... Pois é, maldita intuição fodida!
Assim que Charles nos deixou em minha casa, o deitei em meu sofá uma vez que ele já estava desacordado. Eu então decidi limpar seus ferimentos, que não eram poucos. Sua roupa estava amassada e rasgada, e eu tive receio em tirá-las por medo que ele me interpretasse errado.
Não demorou para que eu o ouvisse resmungar algo e se remexer desconfortável. Ele estava despertando.
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