Anatomy

10 Capítulo 10


Notas iniciais
Mais um capítulo pra vocês! Me desculpem se houver algum erro gritante, acabei de escrever e enfim, nem revisei. Espero que gostem. Boa leitura ♥

Brian abriu os olhos lentamente e deparou-se com aquelas orbes verdes esmeralda que ele tanto gostava de admirar durante as aulas.

- Eu morri? – perguntou rouco, rindo fraco da própria pergunta, enquanto o professor o encarava, sem esconder a preocupação de seu rosto.

- Acho que não. – Zachary sorriu assim que ouviu a risada do outro, enquanto passava uma gaze sobre o rosto do mais jovem.

- Como você soube que eu estava naquele lugar? E nessas condições? – perguntou baixo.

- Foi pura coincidência. – o professor desviou seu olhar para o seu kit de primeiros socorros. – Está se sentindo melhor? – perguntou, voltando a encará-lo.

- Não. – resmungou. – Dói muito... – seu rosto expressava dor, principalmente ao sentir seu professor limpar mais um de seus diversos ferimentos.

- Imagino o quanto deve doer. – disse baixo. – Quer tomar um banho? Assim você limpa todos seus ferimentos e consegue relaxar seu corpo um pouco.

- Se eu conseguir andar até o banheiro... – disse risonho, fazendo o professor rir.

- Eu te ajudo! – sorriu reconfortante, ajudando o mais jovem a se levantar do sofá. Com dificuldade, Brian foi guiado até o banheiro. – Consegue se despir? – o professor perguntou assim que ambos adentraram ao banheiro.

- Acredito que sim. – disse tímido, sentindo o rosto corar.

- Tem toalhas limpas em cima da pia e eu vou ver se encontro algumas peças de roupas que pode servir em você.

- Obrigado. – sorriu para o professor que apenas sorriu de volta e encostou a porta, deixando Brian sozinho, encarando o próprio reflexo no espelho.

Owen’s Pov

- Estou preocupado com Brian... – comentei com Amy, que estava deitada ao meu lado, deslizando suas mãos delicadas em meu peitoral.

- Por quê? – me encarou.

- Ele não me atendeu e nem está na casa dele.

- Ele deve ter saído com aquela amiga da faculdade.

- Não sei... Estou muito preocupado e com medo de ter acontecido algo com ele. Brian não é de sumir assim.

- Relaxa amor... Brian deve estar bem e agora, eu vou te deixar bem também. – disse, com um sorriso malicioso, subindo em cima de meu corpo, beijando-me em seguida.

Owen’s Pov Off

Brian’s Pov

Eu já havia perdido a noção do tempo que eu estava embaixo daquela água quente, que deslizava sobre meu corpo ferido, levando para o ralo meu sangue e minhas lágrimas. Eu não conseguia compreender o porquê de eu ter sido alvo daqueles três mascarados, mas só sabia que por pouco eu teria morrido nas mãos deles.

Fechei o registro do chuveiro e com um pouco de dificuldade peguei a toalha branca que estava em cima da pia. Sequei meu corpo com o máximo de cuidado possível, mas mesmo assim a toalha branca ficara vermelha graças aos meus ferimentos.

Zachary havia deixado algumas peças de roupas limpas para mim e eu logo as vesti, mas antes me permiti encarar meu reflexo no espelho, assustando-me com a minha própria imagem. Cortes e manchas roxas se destacavam entre minha pele. A dor era quase insuportável.

Depois de vestido, desci lentamente as escadas, logo sentindo um aroma agradável de comida.

- Uh Brian, você está aí. – disse Zachary, me olhando da cozinha, secando suas mãos. – Estou fazendo o jantar. Não são lá essas coisas... Mas até hoje estou vivo. – ele riu e eu acabei rindo junto.

- Garanto que você cozinha melhor do que.

- Um dia você me convida para jantar em sua casa e assim teremos a prova de quem cozinha melhor. – o professor ainda ria, vindo em minha direção e me auxiliando a terminar de descer as escadas e a sentar à mesa.

- Fechado. – sorri fraco. – Obrigado. – disse assim que me sentei.

Zachary apenas acenou e se retirou para a cozinha, retornando logo em seguida com uma bandeja em mãos, colocando-a em cima da mesa.

- Se você estivesse no hospital, provavelmente teria de comer aquelas sopas horrendas. – ele disse, sentando-se a minha frente. – Então eu resolvi fazer lasanha, não sei se você gosta e...

- É meu prato preferido. – eu disse sorrindo.

- Jura? – ele riu e eu acenei com a cabeça. – Sem querer eu acertei no seu prato preferido... E devo confessar, é meu prato preferido também. – sorriu. – E eu acho que os hospitais deveriam fazer pratos assim, coisas boas que fariam o paciente se recuperar... Mais feliz.

- Concordo. – ri. – Aquelas sopas são horríveis, tanto no visual quanto no gosto.

Zachary ainda ria enquanto me servia e em seguida servia a si mesmo.

- Espero que goste. Não é aquela coisa... Mas pense numa sopa hospitalar.

- Provavelmente gostarei. – sorri, experimentando a tal lasanha. – E gostei. – ri sem jeito, uma vez que ele me olhava, aguardando por uma reação. – Está muito bom, parabéns.

- Pode falar a verdade...

- Eu estou falando a verdade. – mordi meu lábio. – Além de um ótimo professor, é um excelente cozinheiro.

Seu rosto corou, mas por fim ele sorriu largamente.

- Bom... Obrigado.

E assim nosso jantar se seguiu.

Brian’s Pov Off

– Se eu descobrir quem foi que apareceu no beco quando eu finalmente iria começar a minha diversão com Brian, eu juro que mato. Aquele bosta tem uma sorte imensa... Mas essa sorte não durará para sempre. – o rapaz disse enquanto fitava uma foto que estava colada na parede. – O que Brian tem que eu não tenho? Beleza? Eu e os outros dois rapazes desfiguramos seu rosto com socos... Dinheiro? Que eu saiba, ele não tem onde cair morto... – socou a parede. – Eu não sei o que você tem que deixou o homem que eu amo louco de amores por você. Mas você ainda vai pagar por isso. E ninguém vai te salvar.

Brian’s Pov

- Quer passar a noite aqui? – Zachary perguntou assim que terminamos nosso jantar.

- Posso? – perguntei timidamente.

- Claro. – sorriu. — Desde que não te traga problemas com seus pais.

- Meu pai nem vai sentir falta. – suspirei.

Ele apenas acenou com a cabeça, fazendo assim um silencio reinar entre nós. Porém meu corpo doía e parecia que todos meus machucados tinham resolvido doer em sintonia.

– Está com muita dor? – ele perguntou, quebrando o silencio.

Olhei para ele surpreendido.

– Sua expressão facial. – respondeu como se estivesse lendo minha mente. – Você fechou os olhos pesadamente, porém lentamente como se estivesse tentando amenizar a dor, além de se contorcer, mas isso deve ter sido reação aos medicamentos que apliquei nos seus machucados para cicatrizar logo. – ele sorriu ao ver minha expressão assustada. – Não se assuste... Eu só aprendi a ler e interpretar as emoções e reações das pessoas. Nada que alguns anos sendo medico legista além de ter estudado psicologia. Mas isso não vem ao caso. – ele se levantou. – Melhor você ir para a cama descansar.

Concordei, me levantando e então ele me guiou até onde, interpretei ser seu quarto.

– Trouxe um comprimido que é relaxante muscular, assim que faz efeito, a dor ameniza e o sono vem. Assim você consegue dormir sem incomodo algum de dor. – peguei o tal comprimido de sua mão, bebendo um gole de água em seguida.

Então ele ajeitou os travesseiros e afastou o edredon para que eu sentasse, apoiando minhas costas nos travesseiros, e assim que o fiz, ele me cobriu.

– Nem sei como te agradecer, Zachary. – eu disse, segurando em sua mão.

Ele pareceu se assustar de inicio, mas logo ele sorriu.

– Não precisa agradecer.

– Lógico que preciso... Você salvou a minha vida.

Ele apertou firmemente minha mão, sorrindo ainda.

– Descanse. – e então ele soltou minha mão. – Boa noite.

– Zachary? – o chamei.

– Sim. – ele me olhou.

– Pode ficar aqui até eu pegar no sono?

Ele me encarou confuso, mas assentiu com a cabeça.

Com um pouco de esforço dei espaço na cama para que ele se sentasse ao meu lado e assim ele o fez.

– Você é casado? – perguntei, enquanto o encarava.

Ele pareceu engolir seco e desviou seu olhar para o chão.

– Não. – respondeu baixo. – E você? – ele voltou seu olhar para mim.

– Também não.

– Hm. – ele murmurou. – Até porque você é novo demais para ser casado. – coçou a nuca, rindo sem graça.

– Achei incrível essa coisa de conseguir ler as expressões das pessoas. – sorri.

– É... Com apenas uma expressão eu já conseguia dar meu primeiro passo na autopsia.

– Como?

– Ah... Se o rosto do falecido mostrava dor, ou sofrimento, eu logo conseguia interpretar que a pessoa havia sofrido antes de morrer, provavelmente assassinato, ou algo semelhante. Se o rosto tinha uma expressão mais serena, eu logo interpretava que a pessoa havia aceitado sua morte, talvez uma morte natural. Mas é claro, sempre há suas exceções.

– Entendo. – sorri fraco. — Provavelmente o rosto de minha mãe expressava dor...

– Como assim? – ele arqueou uma sobrancelha.

– Minha mãe foi morta. Fizeram uma emboscada para o meu pai, mas quem pagou foi minha mãe e minha cachorrinha. – suspirei triste.

– Oh, eu sinto muito. – ele segurou em minha mão. – Nem deveria ter tocado no assunto de autopsia e...

– Não Zachary. Uma coisa levou a outra. Não esquente. – sorri. – A cada dia que passa, mais eu aceito os fatos e acredito que ela agora está num mundo completamente melhor do que esse em que vivemos.

– Com certeza. – nós trocávamos olhares. – Você e sua mãe eram próximos?

– Sim... Amor de mãe pra filho e vice-versa. – meus olhos começaram a pesar. Eu queria permanecer acordado e continuar a conversar com meu professor, mas o sono me invadia a cada instante. — Ela era a pessoa mais importante da minha vida. – disse baixo.

– Sei como é perder alguém assim. Importante. – Zachary olhava para o nada.

– Mas eu busco forças para continuar. – bocejei.

Zachary apenas sorriu, e se levantou. Ajeitou os travesseiros mais uma vez e eu me deitei.

– Boa noite Brian.

– Boa noite Zachary. – e enfim me entreguei ao sono.



Notas finais
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