Anatomy
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Brian’s Pov
- Sério mesmo que a sua super programação de final de semana é só assistir filmes e comer pipocas aqui?
- Ah Brian... Isso é legal. – Owen resmungou.
- Se fosse para assistir filme eu ficaria em casa e...
- E assistiria com seu pai? – ele me interrompeu, cruzando os braços.
- Ok, você venceu tocando na ferida. – sorri sem jeito. – Mas sério que só vamos fazer isso durante dois dias?
- Amy praticamente me proibiu de ir a bares, boates, e locais do tipo.
- Você virou um cachorrinho dela. – ri, enquanto ele concordava com a cabeça. – Você não se sente mal sabendo o que ela vai fazer em Nova York?
- No começo eu até me sentia mal, mas agora nem ligo mais... Até porque é o trabalho dela né?! E ela gosta de ajudar nas despesas de casa.
- Acho que eu não suportaria namorar um ator pornô. – comentei, sentando-me em seu sofá.
- Você é diferente, Brian. – ele disse sentando-se ao meu lado.
- Você que é o diferente. – respondi, arrancando risadas baixas de sua parte.
- É, talvez o diferente seja eu mesmo... Quer tomar café?
- Café? Desde quando você gosta de tomar café? – perguntei surpreso.
- Novos costumes, meu amigo, novos costumes.
- Eu queria saber o que Amy realmente fez com você. – disse risonho enquanto íamos para a cozinha de sua casa.
Brian’s Pov Off
Matthew’s Pov
Eu sabia que Brian passara a me odiar com todas as suas forças desde a época que nosso namoro acabou. Já haviam se passado cinco anos e do modo como eu o conhecia, eu sabia que esse ódio dele por mim jamais fora superado.
O que eu fiz contra ele fora extremamente errado, mas por mais estranho que possa soar, eu havia feito o mal a ele para protegê-lo. Eu o afastei da morte, e depois tive de afastá-lo de mim, era a minha única escolha. Eu representava perigo a ele.
Eu sabia que não deveria ter me apaixonado por Brian... Eu sofria desde então por mantê-lo longe de meus braços. Seu sorriso e sua timidez que sempre me cativavam me faziam uma falta imensa.
Eu disse que representava perigo a Brian, pois desde quando comecei a namorar com ele, eu acabei entrando num mundo que não havia mais voltas. Nesse mundo, qualquer erro cometido, você não é morto, mas seus entes mais queridos sim. Fora o que aconteceu com meus pais e minhas irmãs. E a ultima pessoa que eu não gostaria de perder para a morte era Brian. Eu não suportaria perdê-lo.
Mas apesar de saber de seu ódio por mim, eu ainda estava por perto, mesmo com ele sequer sonhando com isso. Eu por muitas vezes seguia seus passos e procurava saber o que estava acontecendo em sua vida. Era o único modo possível que eu tinha para manter contato com o rapaz que eu tanto amava.
Eu sabia que Brian voltaria a ser meu. Era só questão de tempo para ele me entender, perdoar e me aceitar de volta. Nós nos amávamos.
Matthew’s Pov Off
Brian’s Pov
- Primeiro tomamos café, agora estamos vendo filme romântico com pipoca e refrigerante... Quantos anos eu tenho mesmo? Ah sim, sete anos... E com quem eu estou? Claro, com a minha queridíssima avó. – eu dizia emburrado, me afundando cada vez mais no sofá escuro de couro.
- Para de reclamar. – Owen ria da minha cara enquanto jogava uma pipoca em minha direção.
- Estou vendo que esse fim de semana será extremamente entediante... Deveria ter ficado em casa estudando. – eu resmungava.
- Não sei se te comparo com um senhor de idade ou com uma adolescente em sua pseudo TPM. – ele dizia rindo enquanto pausava o filme, me batendo com uma almofada em seguida.
- Nem com um nem com outro. – eu ri, jogando uma almofada em sua direção. – É incrível perceber como a Amy te mudou.
- É o amor. – ele suspirou apaixonado, caindo na gargalhada em seguida. – Tanto é que você ficou extremamente delicado quando começou a namorar Matthew, e até começou a usar maquiagem.
- Delicado? Maquiagem? Quem vê pensa que eu virei travesti! – acabei rindo.
- É... Acho que exagerei. – riu. — Aceita jogar vídeo game então? Sei lá, não sou bom para programas caseiros.
- O que você faz com Amy quando estão em casa?
- Você não vai querer saber e nem fazer. – Owen me olhou malicioso, ainda rindo.
- Opa! Melhor vídeo game mesmo. – ri também.
- Vamos relembrar nossos velhos tempos... Aquela época que você não pintava os olhos com esses lápis, delineador, sei lá que merda você usa.
- Agora vai me zoar mesmo? – perguntei emburrado.
- Mas até que você fica bonitinho com os olhinhos pintadinhos.
- Vá a merda, Owen. – eu permanecia rindo. – Liga logo esse vídeo game.
E assim seguiu nossa tarde, regada a brincadeiras e zoações entre nós.
Brian’s Pov Off
Zachary’s Pov
– Você tem um mês para pensar no convite e aceitá-lo. – Charles Howard, um grande e velho amigo meu — que sempre me obrigava a ir aos lugares com ele -, havia acabado de me acordar com sua ligação, já me intimando para ir num jantar.
– Não trabalho sob pressão. – dei risada. – Mas por que diabos eu devo ir num jantar de família?
– Porque você é a minha família aqui na Califórnia.
– Larga de drama e pague duas passagens para seus pais... – disse enquanto acariciava os pêlos de Icky, que dormia tranquilamente em meu colo.
– Eles já disseram que não virão. E ia ser chato para mim, já que Alicia irá aparecer com a família e eu não.
– Conheça os sogros e depois você viaja com ela até a cidade de seus pais. Pronto, simples assim. – eu disse óbvio.
– Dá pra parar de ser anti-social? – o ouvi resmungar do outro lado da linha.
– Dá pra parar de ser tão chato? – rolei os olhos.
– Por favor Zacky. Você é como um irmão pra mim. Provavelmente você me conhece mais que os meus próprios pais...
– Ei, eu nunca troquei uma fralda cagada sua! – acabei por rir e ele também.
– Idiota. Não é disso que eu estou falando e...
– Ok Charles, você me venceu pelo cansaço. – suspirei derrotado. — Serei seu pai no jantar.
– Mas eu não disse que...
– Mas vai querer mandar no que eu quero representar no jantar? – o interrompi segurando a risada.
– Ai Zacky... Tudo bem, o que importa é que você aceitou. Vamos jogar golf agora?
– Mas que programa de velho! Não tem dominó incluso na programação também?
– Você é muito novo né Zachary Campbell?!
– Tenho a mesma idade que você, brutamontes!
– Vai querer jogar ou não? – perguntou impaciente.
– Quando?
– Agora!
– Se eu disser que não você...
– Já estou passando na sua casa, esteja pronto.
– Filho da puta. – rimos. – Já estou com meu taco em mãos.
– Que nojo! Eu...
– Para de falar e vem logo antes que eu desista da idéia. – e desliguei, ainda dando risada.
Eu conhecia Charles desde os meus onze anos de idade. Lembrava-me de estar chorando na praia, até que um brutamonte desconhecido parou em minha frente, perguntando o que havia acontecido comigo. Desde então viramos melhores amigos, e eu sempre torci para que aquela nossa amizade durasse até os meus últimos dias de vida.
Todo final de semana ele acabava por inventar algo para nós fazermos. Eu sabia que no fundo ele queria que eu não ficasse muito dentro de casa, me remoendo pelas coisas que me aconteceram. Ele não queria que eu ficasse me remoendo por Kathleen Johnson, minha ex esposa.
Tratei de me arrumar logo e sair com meu amigo. Um pouco de distração... Eu precisava daquilo.
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