Anatomy
6 Capítulo 6
Notas iniciais
- Não adianta fugir de mim, Collins. Eu vou te achar. – o homem loiro sorria irônico enquanto encarava um caderno que havia encontrado no apartamento abandonado de Matthew Collins. – Eu e Brian Williams. – leu a legenda de uma foto que estava solta no mesmo caderno. – Esse rapaz será meu mapa. – mordeu o lábio enquanto deslizava o dedo sobre a imagem do garoto que estava com Collins na foto. – Filho daquele policial bastardo que prendeu Peter... E ainda por cima namora Collins. Que rapaz mais infeliz!
- Mandou me chamar, John? – um rapaz de estatura extremamente baixa, porém com músculos notáveis apareceu na sala pouco iluminada onde o loiro estava.
- Sim J.J. – pôs-se de pé num pulo e aproximou-se do menor. – Tenho uma pequena missão a você.
- Missão? – arqueou uma sobrancelha. – E o que seria? – cruzou os braços.
- Este rapaz está matriculado na faculdade de medicina da Califórnia. Primeiro ano. – entregou a mesma foto que encarava a tempos atrás. – Brian Williams é o nome dele.
- E?
- Você se passará por um calouro e se aproximará do próprio. – sorriu vitorioso, voltando a se sentar em sua poltrona.
- Quem é ele?
- A chave para encontrarmos Matthew Collins.
O menor voltou a encarar a foto que acabara de receber e por fim riu desconcertado.
- Já me passei por tanta coisa por conta de suas “missões”, mas agora, voltar a estudar?
Ambos riram.
- Me mantenha informado, J.J.
- Pode deixar, John.
- Viajarei a negócios logo mais, sentirei sua falta, meu amigo.
O menor apenas abaixou a cabeça sem jeito. Era apaixonado há tanto tempo por John e nunca fora retribuído. Sabia disso, pois o loiro sempre o enxergou como um irmão mais novo. Ele sabia que John sempre fora apaixonado por Peter, e mesmo preso, John ainda o amava.
- Eu também. – sorriu forçadamente. – O manterei informado. Até mais. – disse, encostando a porta assim que se retirou da sala.
Brian’s Pov
Dois dias enfiado dentro da casa de Owen jogando vídeo game não me fizeram nada bem. Minha cabeça latejava como se eu tivesse batido a mesma diversas vezes contra a parede e meus olhos ardiam, como uma súplica para que ficassem fechados e finalmente descansassem. Mas não, eu teria de estar acordado para assistir a bendita aula de segunda feira. Mal a semana havia começado e eu já estava desejando seu fim.
-... E então eu comprei duas bolsas e quatro sapatos que combinam entre si. Sério, você tem de vê-las. Elas são lindas... Lindas não, magníficas... – Ashley desde que me vira não parava de falar sobre suas compras realizadas no fim de semana. E eu, bem, não prestava atenção em uma palavra sequer.
- Pelo amor de alguma entidade existente nos céus, cale a boca. – eu resmunguei a interrompendo, enquanto tentava esconder meu rosto da claridade que invadia a sala.
Ashley subitamente parou de falar e passou a me analisar.
- O que você fez nesse final de semana? – ela perguntou com sua voz estridente. – Você está terrível!
- Qual a parte do “cale a boca” você não entendeu? – olhei para ela com cara de poucos amigos.
- Me conta logo o que você fez no seu final de semana... – ela insistia, claramente ignorando meu surto de mau humor. – Não me diga que ficou estudando.
- Eu fiquei na casa de Owen. – respondi, derrotado. – Agora posso dormir?
- Owen não é gay, é?
- Boa noite, Ashley. – rolei os olhos, abaixando minha cabeça, procurando cochilar mesmo que por poucos minutos.
- Boa noite nada, quem é esse baixinho que acabou de sentar perto da gente?
Bufei, me segurando para não avançar no pescoço da loira, que dividia seu olhar entre mim e o tal “baixinho” que ela se referia.
- E eu vou saber?
- Saberemos agora. – piscou. – Hey! – ela chamou o tal e o mesmo nos encarou. – É novo aqui?
- Sim. Não pude vir na primeira semana de aula. – sorriu para Ashley e percebi que seu sorriso se alargou mais ao me ver. Rolei os olhos pela enésima vez. Sério mesmo que o próprio flertaria comigo naquele horário?
- Eu sou Ashley e esta coisa mal humorada é Brian.
- Joseph. – podia seu olhar pesar em mim e aquilo não estava me agradando nem um pouco. – Ele é sempre mal humorado assim? – perguntou claramente se referindo a mim, como se eu não estivesse ouvindo.
Eu estava prestes a responder algo a altura de meu mau humor, porém Ashley acabou se manifestando primeiro:
- Que nada. Brian é um amor de pessoa. – riu de minha expressão. – Só hoje que ele acordou assim...
- Eu. Apenas. Quero. Dormir. – praticamente rosnei. – Posso?
- Bom dia classe! – nosso professor de bioquímica entrou na sala sorridente. Logo eu não poderia mais dormir.
- Acho que não. – Ashley piscou divertida e Joseph acabou por rir da cena.
Eu apenas queria descansar.
Brian’s Pov Off
Zachary’s Pov
Eu gostava das segundas porque eu tinha o dia inteiro livre, ou seja, nada de lecionar nesses dias.
Eu até poderia, como de praxe, dormir até tarde e depois ler o jornal e por fim dormir novamente, mas naquele dia em especial, eu havia decidido fazer algo diferente: resolvi ir ao meu antigo trabalho, o IML* da Califórnia, onde eu trabalhei por longos oito anos.
O motivo de retornar lá? Eu havia deixado alguns pertences meus e sempre me faltava coragem para ir lá buscá-los. Por quê? Todos os pertences, indiretamente ou não, ligavam a uma única pessoa.
Com a cara e a coragem, dirigi calmamente ao IML, porém a calma me abandonou assim que eu estacionei no estabelecimento, dando lugar a uma angustia junto com uma dor no peito e uma tremedeira desigual. Mordi meu lábio fortemente para tentar reprimir tais reações, mas era em vão. Tudo aquilo era porque eu odiava as más lembranças que aquele lugar me trazia. Aqueles gestos eram apenas uma reação do meu subconsciente tentando fazer com que eu saísse de lá o mais depressa possível. Mas eu não iria desistir, não naquele dia.
Eu sempre gostei do que fiz e modéstia a parte, eu sabia que tinha vocação para ser medico legista. Mas a dor que aquele local me causava depois de tudo que aconteceu com Kathleen... Bem, eu não consegui ter mais forças para continuar a trabalhar lá. Por isso optei a somente lecionar na faculdade.
Com passos rápidos e pesados, logo eu estava na recepção, reconhecendo alguns rostos. Os mesmos sorriam ao me ver porém eu não conseguia sorrir, apenas acenava.
- Doutor Zachary? – a recepcionista, cuja eu não me lembrava do nome, me encarava sorrindo. – Não me diga que resolveu voltar a trabalhar aqui...
- Não, não. – forcei um sorriso, embora tenha falhado completamente. – Vim apenas buscar alguns pertences que deixei.
- Que pena! Seria uma honra tê-lo de volta aqui... – murmurou ainda exibindo um largo sorriso. – Estão dentro de uma caixa branca na sala da administração. Lembra onde é?
- Lembro. – continuei tentando a forçar um sorriso. – São só alguns porta-retratos e alguns instrumentos de autópsia... Bem, obrigado. – acenei e me retirei, seguindo para um corredor pouco iluminado.
A cada passo dado, mais as memórias ficavam vivas, fazendo minhas mãos suarem e minha respiração ficar descompassada, exatamente como ficaram quando tudo aconteceu. Finalmente me veio a imagem daquele corpo tão conhecido e explorado por mim, deitado na maca, com o rosto exibindo dor e agonia.
O desespero tomava conta de mim cada vez mais e eu tive a sensação que desmaiaria se não chegasse logo na sala da administração. Praticamente joguei meu corpo contra a porta e agradeci mentalmente por não ter ninguém ali. Permiti pegar um copo d’água e por fim encontrei a tal caixa branca, tratando de abri-la para ter certeza de que se tratava de meus pertences. Engoli em seco ao me deparar logo de cara com um porta-retrato de Kathleen.
- Melhor ir embora. – murmurei rouco para mim mesmo, fechando a caixa e me retirando da sala.
- Apareça mais vezes doutor. – pude ouvir a mesma recepcionista, mas nem me preocupei em olhá-la.
- Aparecerei. – menti. Eu não voltaria lá tão cedo.
Zachary’s Pov Off
Brian’s Pov
Ao terminar as aulas daquele dia, Joseph me convidou para irmos a uma lanchonete próxima da faculdade. Meu humor havia melhorado graças à uma hora de sono ininterruptos na biblioteca.
- Está gostando do curso? – perguntei enquanto sentávamos num canto mais reservado e aguardávamos nossos lanches.
- Sim. – sorriu gentil. – Apesar de ter começado hoje, eu gostei bastante. E você?
- Também. – retribui o sorriso. – Finalmente estou começando a realizar meu sonho de garoto. Sempre quis ser médico.
- Até hoje não encontrei minha vocação. – riu sem graça. – Quando garoto quis ser bombeiro, depois quis ser engenheiro, e agora tento virar médico. No fim, virarei gari! – rolou os olhos, rindo com uma pitada a mais de humor.
- Que mente otimista, Joseph. – ri também.
- Pode me chamar de J.J. Todos me chamam assim. – disse após beber um pouco de seu suco que havia acabado de chegar. – Joseph Jacobs. – completou após reparar minha cara de confusão em relação ao seu apelido.
- Ah sim... – sorri sem jeito. – Você pode me chamar de... Brian. É, não tenho apelidos. – ri e ele me acompanhou.
Nossos pedidos chegaram e passamos a comer silenciosamente, apenas trocando alguns olhares de vez em outra.
- Você namora? – perguntou depois de um longo tempo em silencio.
Desviei o olhar e me remexi incomodado na cadeira.
– Bom, foi só uma duvida, não se ofenda, por favor. – ele me olhou. – E nem precisa responder. — bebeu mais um pouco de seu suco. — Eu não namoro, sou um mero desiludido da vida. – sorriu triste.
– Um dia ela volta. – tentei soar simpático.
– Ele. – Joseph me corrigiu, sorrindo fraco.
– Gay? – não pude deixar de rir.
– Às vezes me distraio com garotas.
– Entendo... Mas enfim, eu também não namoro. Creio que somos dois desiludidos.
J.J acenou com a cabeça, sorrindo.
– Dois solteiros e desiludidos. – rimos.
– Um brinde a desilusão?! — ergui meu copo de suco.
– Um brinde. — ele sorriu e brindamos, caindo na risada logo em seguida.
Notas finais
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