Anatomy

30 Capítulo 30


Notas iniciais
Olá *-* demorei muito? Espero que não... Primeiramente gostaria de agradecer a linda da SantannaGates pela recomendação, fiquei muito muito muito muito feliz, obrigada mesmo *-------* Esse capítulo, vai resumidamente falar sobre a vida do Zachary, e bem, um mistério a menos a partir desse cap *-*
E leiam as notas finais, pls :) Boa leitura

– Há quanto tempo, Zachary! – o senhor de cabelos grisalhos sorria irônico para Zachary que apenas bufava encostado na porta.

– O que vocês querem? – o professor perguntou sem esconder a insatisfação em ver a visita inesperada.

– Boa tarde para você também... – a senhora de meia idade sorria como o marido. — Achamos estranho você não ter nos procurado...

– Se eu não os procurei era porque eu não queria mais saber de vocês... – Zachary a interrompeu. — Aliás, continuo não querendo saber de vocês. Tenham uma boa tarde. – fez menção de fechar a porta, mas o senhor não permitiu, adentrando e puxando consigo a esposa para dentro da casa do professor. – Serei obrigado a chamar a policia?

– Nós sabemos que mais cedo ou mais tarde você virá atrás de nós pedindo por dinheiro... Afinal não era por isso que você estava com a nossa filha? – a mulher perguntou, sentando-se no sofá juntamente de seu marido.

– Não e vocês sabem muito bem disso. – disse seco, tentando afastar o pensamento de tirar o casal dali embaixo de pontapés e mordidas de Maggie. — Eu amava Kath e nunca me importei com o dinheiro dela.

– E essa casa? – a mulher perguntou encarando a arquitetura. – Foi construída com o nosso dinheiro, não foi?

– Não.

– Você não tinha nem onde cair morto, Zachary. – a mulher riu ironicamente.

– Ah, não? Tem certeza? – Zachary perguntou, cruzando os braços.

– Você se aproveitou da inocência de nossa filha... – o senhor comentou.

– Calem a boca e sumam da minha frente. – Zachary bufou pela enésima vez, cerrando seus punhos. – Eu e Kath construímos essa casa com o meu dinheiro. – disse dando ênfase nas ultimas palavras. — O dinheiro que eu fui conquistando a cada mês com os meus primeiros salários que recebi como médico... Mas isso não interessa a vocês. – foi até a porta e indicou para que os dois saíssem. — Sumam daqui, por favor.

– Nossa filha pegou uma bela quantia de sua poupança e eu tenho a certeza que ela gastou na construção dessa casa. – a senhora disse enquanto pegava da bolsa um extrato bancário.

– Ela pegou sim uma quantia na poupança... Mas foi para abrir o próprio salão, já que vocês são mesquinhos e metidos demais e não queriam que ela fizesse isso.

– Nós não educamos nossa filha para que ela virasse uma cabeleireira! – a mulher aumentou seu tom de voz. – Nem para se casar com um morto de fome.

– Mas era o que ela gostava e queria fazer e vocês nunca a apoiaram.

– E você se fez de bonzinho, pegou todo o dinheiro dela e por fim a matou. – o homem elevou seu tom de voz também. — Muito digno Zachary Campbell.

– EU NÃO A MATEI! – Zachary gritou. – Vocês vão ficar me acusando sem provas até quando? Vocês sabem muito bem que eu poderia os processar por isso, não sabem? Mas eu não faço isso por dó... Dó de vocês que só pensam em dinheiro e nunca se preocuparam com o bem estar dos próprios filhos. – Zachary respirou fundo. – E garanto que nem se preocupam em saber onde é que Ektor se encontra e nem se preocupam em saber o que realmente aconteceu com Kathleen... Só querem saber de me acusar.

– Você não tem moral para falar de nossos filhos. – a mulher se levantou raivosa e se aproximou de Zachary. – E nós te acusamos porque é mais do que evidente que você a matou, e foi por causa do nosso dinheiro... É o de se esperar de um cara sem família e pobre... Conhece e ilude uma garota de família rica e por fim a mata, para ficar com todo o dinheiro dela.

Brian’s Pov

Depois de passar na minha casa, Ashley se ofereceu a me levar de volta para a casa de Zachary. Após agradecer a carona e esperar seu carro desaparecer do meu campo de visão, me surpreendi ao reparar em uma Mercedes prateada que estava estacionada em frente a casa.

– Algum amigo deve ter vindo visitá-lo, melhor não incomodar... – comentei comigo mesmo, dando meia volta e pensando para que lado seguir, decidido a dar uma volta na região.

–... Para ficar com o dinheiro dela. – ouvi alguém gritar de dentro da casa.

Arqueei minha sobrancelha, desistindo da idéia de dar uma volta pelo bairro e aproximei lentamente da entrada, abaixando-me e encostando-me na porta, para ouvir o que estava se passando.

– Eu não sou sem família... – ouvi Zachary dizer com a voz trêmula.

– Uma pessoa que cresceu sem os pais, para mim é sem família. Você nunca teve uma estrutura familiar e destruiu a nossa... – ouvi uma voz feminina e arqueei a sobrancelha. — Até hoje não entendi o que Kathleen viu em você.

– Vão embora. – Zacky disse raivoso e pude ouvir passos se aproximando da porta onde eu estava encostado.

– Nós vamos e quando conseguirmos provar que essa casa foi construída com o nosso dinheiro, quem irá embora será você, Zachary... E depois que provarmos que foi você quem matou Kathleen, você vai pro seu lugar... Você vai para a cadeia!

Mordi meu lábio completamente confuso, e procurei me esconder num canto do jardim enquanto a porta era aberta, revelando um casal de meia idade que entraram no carro e partiram rapidamente.

Assim que o carro desapareceu de minha vista, resolvi entrar e me deparei com Zachary curvado no sofá, com as mãos sobre o rosto e chorando. Aquilo me partiu o coração. E embora todas as palavras ditas por aquele casal tivessem me deixado um pouco receoso, não deixaria que meros desconhecidos destruíssem todos os meus sentimentos por ele.

Joguei minha mochila silenciosamente num canto do chão e me aproximei dele, o abraçando.

– Brian? – ele perguntou assustado tentando secar as lagrimas. – Eu...

– Não precisa dizer nada, Zee. – agachei em sua frente, o olhando nos olhos.

– Você ouviu, não foi? – perguntou baixo.

– Eu ouvi – mordi meu lábio. – Mas não precisa me contar nada.

– Eu... Eu não matei Kathleen. – disse rapidamente entre soluços.

– Acredito em você. – sorri fraco, acariciando em seu rosto.

– Senta aqui. – ele disse rouco, batendo no espaço vago ao seu lado do sofá.

– Não precisa me contar nada, não agora... – eu disse baixo assim que me sentei, acariciando brevemente seu cabelo. – Não se chateie mais... É desnecessário.

– Não Brian, eu quero que você entenda porque eu nunca contei sobre meus pais, nem nada muito especial sobre minha vida. — Ele me olhava, secando as ultimas lágrimas de seu rosto.

Brian’s Pov Off


Zachary’s Pov


Eu sempre procurei evitar falar de minha vida pessoal para as pessoas por ser um assunto extremamente delicado. Eu tinha medo de contar qualquer coisa fazendo assim pessoas sentirem dó de mim. E eu nunca quis que sentissem dó de mim. E era por isso que eu sempre desconversava com Brian, quando ele perguntava sobre meus familiares.

Mas tendo Brian presenciado aquela cena deplorável com os pais de Kath, eu me via na obrigação de contar a ele sobre mim. Até por que estávamos juntos, certo? Mais cedo ou mais tarde, eu teria de ser sincero e contar a ele sobre minha vida.

Poucas pessoas sabiam, mas Brian era uma das pessoas que deviam saber.

– Meu pai morreu quando eu tinha apenas dois anos. – comecei, deixando meu olhar fixo num ponto do chão. — Dizem que só conseguimos nos lembrar de fatos da infância, depois dos três anos de idade, portanto eu não me lembro de nada que meu pai tenha feito por mim, e eu só sei como ele era por causa das fotografias que minha mãe guardava. – mordi meu lábio. – Minha mãe dizia que tínhamos uma vida boa, que éramos até de família rica, mas com a morte dele, surgiram dividas e o dinheiro foi aos poucos ficando escasso... Mas mesmo assim, minha mãe conseguia manter a nossa vida estável. Ela trabalhava como costureira e tinha vezes que ela virava noites para atender toda a demanda de roupas da clientela. – voltei a olhar Brian, com um sorriso mínimo nos lábios, relembrando fatos de meu passado. — Minha irmã mais velha a auxiliava, já eu e meu irmão mais novo ficávamos atrás de retalhos de tecidos para que minha mãe costurasse roupas para nós. – Brian se acomodou no sofá e fez com que eu encostasse minha cabeça sobre seu colo e assim o fiz. Ele prestava atenção em cada palavra que eu dizia e indicava com a cabeça para que eu continuasse. – Minha mãe sempre foi muito determinada e ela nunca deixou que nada faltasse para mim e meus irmãos. Mas a única coisa que não dava para ela fazer por nós era a falta de uma figura paterna dentro de casa...

– Do que seu pai morreu? – Brian me interrompeu, enquanto começava a acariciar meus cabelos.

– Segundo minha mãe, morreu em um acidente de trabalho, mas nunca especificou... Ele trabalhava numa indústria que tinha aqui na Califórnia.

Ele concordou com a cabeça.

– Tivemos essa vida até meus onze anos... Quero dizer, no meu aniversário de onze anos. – mordi meu lábio mais uma vez, tentando segurar a vontade de chorar que me invadiu de novo ao lembrar-me de meu aniversário. – Minha mãe naquele ano teve muitas dificuldades financeiras, principalmente pelo fato dela não ter pegado tantas encomendas de roupas, já que vivia reclamando de dor na cabeça e alegava que isso dificultava na hora de trabalhar. Porém, ela fez questão de guardar um pouco de dinheiro para me dar de presente de aniversário para que eu comprasse o que bem quisesse. Lembro-me de pegar aquela pequena quantia, abraçar-lhe e sair correndo porta a fora rumo a uma doçaria para comprar todos os doces possíveis com o dinheiro que ela havia me dado. – sorri fraco. – Assim que comprei, decidi voltar para casa, guardar meus doces e brincar na rua com meus irmãos, que tinham ido entregar umas peças de roupas e certamente não demorariam a chegar... Mas ao chegar em minha casa, deparei-me com minha mãe caída no chão, desacordada. – minha voz vacilou e eu engoli seco, fechando os olhos por instantes. – Eu a chamava, mas ela não acordava. Seu corpo já estava frio e eu era pequeno na época, mas com o meu pequeno corpo eu tentava aquecê-la, mas era em vão, ela não acordava. Eu gritei, chorei, implorei para que ela acordasse, mas ela não me ouviu, então eu deduzi que eu havia perdido minha mãe... – deixei que uma lágrima escorresse pelo meu rosto, principalmente ao ver que lágrimas escorriam pelo rosto de Brian. – Então resolvi sair correndo, sem rumo, perdido, desesperado por uma solução, mas não havia soluções, não para a perda de uma mãe... Ela morreu no dia do próprio aniversário, e no meu aniversário.

– Vocês faziam aniversário juntos então? – Brian perguntou baixo e eu apenas concordei com a cabeça.

– Eu corri tanto que minhas pernas começaram a vacilar, e já que eu estava próximo a praia, decidi ficar por lá. Talvez o mar pudesse me trazer respostas, mas elas nunca vieram. Sentei-me na areia e permiti-me chorar, implorar para o papai do céu me levar junto de minha mãe e meu pai, mas Ele não atendeu meu pedido. – fechei meus olhos ao sentir a mão leve de Brian tocar em meu rosto e secar as lágrimas. – Foi então que eu conheci Charles.

Flashback

– Hey, por que está chorando? – um garoto de olhos claros e covinhas perguntava enquanto agachava-se em minha frente.

– M-Minha m-mãe... – respondi entre soluços.

– O que houve com ela?

– M-morreu.

– Eu sinto muito. – disse sentando-se ao meu lado.

Eu apenas abaixei a cabeça e continuei a chorar.

– É o meu aniversário hoje. – eu disse com a voz embargada.

– Eu posso te abraçar? – o menino desconhecido perguntou e eu apenas concordei com a cabeça, deixando o garoto mais forte me abraçar desajeitadamente.

– Sou Charles. – disse quando se afastou.

– Sou Zachary. – respondi baixo. – Mas pode me chamar de Zacky, todos me chamam assim.

– Charles, eu estava te procurando pela praia inteira. – uma mulher parou em nossa frente, encarando o garoto de um modo divertido.

– Desculpe mãe... Ele acabou de perder a mãe.

Abaixei a cabeça.

– Se perdeu da mãe aqui na praia? – ela perguntou, agachando-se em minha frente.

– Não... A mãe dele acabou de... Ir pro céu.

– Ai meu Deus! – a mulher exclamou e levantou meu rosto. – Eu sinto muito, garoto. – me abraçou. – Vem, deixa eu te pagar uma água. – ela se levantou, me puxou por uma mão e puxou Charles com a outra.

Charles tentava me animar falando sobre desenhos animados, jogos, mas nada me alegrava. Porém agradeci mentalmente por alguém ter surgido. Era capaz de eu ter cometido alguma loucura se continuasse sozinho.

/Flashback

– E vocês são amigos até os dias de hoje... – Brian comentou.

– Acho que fomos amigos até sexta passada. – eu disse fraco.

– Por quê? – Brian me encarou.

– Deixa pra lá... – respirei fundo, e passei a encarar o teto. – Os pais dele eram separados, então no mesmo dia ele tinha de ir para a casa do pai no Colorado. Então depois de deixá-lo no aeroporto junto com a babá, a mãe dele me deu carona até minha casa, eu a agradeci e entrei em casa, deparando-me com meus irmãos chorando abraçados e uma senhora, que era uma amiga próxima de minha mãe. Ela disse que cuidaria de nós até atingirmos a maioridade. – parei um pouco, perdido nos meus próprios pensamentos. — E então, antes de irmos para a casa dela, passamos no hospital, mas o médico não nos contou a real causa da morte de minha mãe... Até porque seria desnecessário contar sobre isso a três crianças, mas segundo os sintomas que ela apresentava, eu fui descobrir na faculdade que uma das coisas que poderia tê-la levado a morte era um tumor cerebral que não fora diagnosticado.

– Até você descobrir do que ela morreu na faculdade, no que você acreditava que era a causa da morte?

– Diversas teorias passaram em minha mente... A cada época eu achava que ela tinha morrido de alguma coisa, mas nada comparado a um tumor.

Brian me encarava pensativo, mas por fim voltou a perguntar.

– E essa senhora adotou você e seus irmãos, certo?

– Podemos dizer que sim e não. – ri fraco. – Ela tinha uma casa nos fundos da casa dela e ela deixou que nós três morássemos ali, mas ela nunca nos deu um prato de comida, então nós três tínhamos que nos sustentar. Ela nunca nos ajudava em nada, tirando o fato da moradia, mas éramos nós por nós mesmos. – voltei a encarar Brian. – Meu irmão sofria de déficit de atenção e nenhuma escola da região era preparada para atender e lidar com esse tipo de situação. Já minha irmã por ser a mais velha de nós três se via na obrigação de trabalhar, e eu até me propus a trabalhar para ajudá-la, porém ela nunca deixou. Ela dizia que eu deveria somente estudar, pois seria através dos estudos que eu seria capaz de nos tirarmos daquela situação, de tal pobreza que vivíamos. – sorri tímido. — E enquanto minha irmã saia cedo para ir trabalhar de babá numa mansão, eu saia junto para ir à escola, enquanto meu irmão ficava sozinho. Ele ficava sozinho até porque nós achávamos que não tinha perigo, uma vez que o marido daquela senhora ficava na casa da frente. Mas infelizmente meu irmão não estava seguro ali, ele era violentado por aquele verme... – minha voz falhou.

– O senhor estuprou seu irmão? — Brian perguntou assustado e eu apenas assenti, fechando os olhos, lembrando-me da cena.

– Um dia eu saí mais cedo da escola e como Charles estava no Colorado, eu voltei pra minha casa e ao chegar lá, me deparei com os dois nus no banheiro com aquele velho abusando sexualmente meu irmão... Eu nunca senti tanto asco na minha vida quanto naquele momento. – eu disse cerrando meus punhos.

– E você não contou nada para sua irmã?

– Não, porque eu tinha medo dela fazer algo que a fizesse ir presa, ou que teríamos de ir embora dali sem rumo, eu tinha medo de ir morar debaixo da ponte. – ri sem jeito. – Às vezes eu me culpo por ter deixado meu irmão sofrer nas mãos daquele homem daquele jeito.

– E esse senhor nunca tentou nada com você?

– Tentou uma vez, mas eu o cortei. – Brian me olhou assustado e eu ri. – Como não tínhamos muito dinheiro, minha irmã era quem cortava nosso cabelo com uma navalha. Então, num dia, ela cortou o meu cabelo e foi trabalhar em seguida, levando meu irmão consigo. Eu, como tinha ficado com alguns fios espalhados pelo corpo, resolvi tomar banho e fui surpreendido por aquele velho adentrando no banheiro e sorrindo de uma forma perversa. Eu não pensei duas vezes em pegar a navalha e avançar na direção dele. – ri. – Agora imagine um garoto nu segurando uma navalha e avançando na direção de um velho. É tão triste que acaba ficando cômico.

– E onde você o acertou? – Brian riu fraco, cruzando os braços.

– Na mão. – ri baixo.

– Mas sua irmã nunca soube o que aconteceu? – perguntou após me acompanhar no riso, voltando a acariciar meus cabelos.

– Soube no dia em que esse velho morreu.

– Você o mato...

– Claro que não Brian... Eu nunca matei ninguém, juro. – o interrompi, rindo baixo. – Ele sofreu um infarto fulminante. – Brian suspirou aliviado. — No dia do enterro, meu irmão com 14 anos contou para minha irmã que tinha 18, tudo o que ele havia feito, e minha irmã surpresa perguntou para mim se ele tinha tentado algo comigo e eu disse que sim, mas ele não tinha conseguido nada porque eu tinha o cortado.

– E o que ela fez?

– Ela ficou um pouco chateada comigo pelo fato de não ter contado a ela sobre tudo que eu tinha presenciado, mas no fim entendeu que eu não tinha ocultado os fatos por mal.

– Acho que eu teria a mesma reação que ela... Mas dá pra perceber, você só quis manter uma moradia com seus irmãos. – ele tocou meu rosto e eu sorri.

– Ela havia feito algumas economias e conseguiu alugar um pequenino apartamento, e para lá nós mudamos... E foi o ultimo lugar que vivemos juntos... Então o tempo passou e eu sem muita dificuldade consegui passar na universidade de medicina daqui. – sorri. – Sim, a mesma que você estuda e eu dou aula.

– E passou sem muita dificuldade? Ok, senhor sabe tudo. – ele riu baixo e eu acompanhei.

– Como minha irmã havia depositado em mim toda a confiança, eu me dediquei aos estudos para não decepcioná-la. – sorri. – Enfim, eu conheci Kath depois de entrar na faculdade, e fora na primeira festa no prédio de direito que eu fiquei bêbado pela primeira vez e dei meu primeiro beijo, e era onde Charles estudava. – ri fraco, permitindo-me lembrar de Kath. — Eu havia me apaixonado perdidamente por ela e era retribuído, mas a questão era que ela era de família rica e eu, bem, era pobre... Bem aquela coisa clichê de filme meloso e romântico.

– E os pais dela descobriram e foram contra o namoro?

– Sim... Eles sempre diziam que eu só queria o dinheiro e é tudo aquilo que você ouviu agora pouco. – suspirei. – Mas essa casa foi construída com todo o dinheiro que eu economizei nos meus primeiros salários como médico do IML.

– E onde estão seus irmãos?

– Minha irmã foi estudar moda em Paris e mora lá até hoje. – sorri, enquanto meus dedos se entrelaçavam com os de Brian. – Meu irmão casou-se com a psicóloga dele e foi morar em Londres.

– Só você permaneceu na Califórnia...

– Eu nunca vi motivos para ir embora daqui. E bem, eu tinha Kath, que também adorava a Califórnia.

– Eu ouvi você dizer que ela abriu um salão de beleza.

– Sim... Ela sempre quis ter um salão de beleza e eu havia prometido que construiria uma para ela assim que encerrasse a nossa casa, mas ela recusou e com o dinheiro de seus pais, ela abriu seu próprio negocio. Eu, como quis terminar a casa sem depender do lucro do salão dela, comecei a lecionar na faculdade. Rapidamente consegui concluir essa casa, comprar o carro que eu queria e tudo mais. E era assim que vivíamos, ela morava comigo, mas tinha o seu dinheiro e suas coisas, enquanto eu tinha o meu dinheiro e minhas coisas, nós fazíamos isso para justamente evitar esse tipo de confronto com os pais dela.

– Só que eles não entendem...

– Exatamente, e eles ainda dizem que fui eu quem a matei. – suspirei. – Você acha que eu mataria a pessoa que eu mais amava e era retribuído? – mordi meu lábio. – Seria a mesma coisa que se acontecesse algo de ruim com você e me acusassem de ter feito isso. – respirei fundo. – Eu cresci sem dinheiro, eu não mataria ninguém para ter isso. Principalmente pelo fato que eu já estava trabalhando.

– Mas como Kathleen morreu? – perguntou.

Eu fiquei calado, minha infância e a morte de minha esposa eram dois assuntos que eu sempre evitava tocar e como eu já havia falado de minha infância, falar da morte dela no mesmo momento seria pedir demais pra mim mesmo.

– Tudo bem... – ele sorriu tímido. – Obrigado por confiar em mim, Zee... Imagino o quão delicado esse assunto deve ser pra você.

– Achei mais do que justo te contar sobre isso... Eu sempre fugi do assunto família e depois do ocorrido de hoje, encarei como um sinal que eu deveria te contar sobre... Obrigado por me ouvir, Brian.

Levantei-me e Brian fez o mesmo, ele me abraçou e eu retribuí o abraço com a mesma intensidade.

– Estou me sentindo um exagerado. – ele disse contra o meu pescoço.

– Por quê?

– Pensei que minha vida se tornou uma merda depois de Colli... Da morte de minha mãe.

– Hã? – me desvencilhei do abraço e o encarei.

– O quê? – ele perguntou, mordendo o lábio, parecendo tenso.

– Tem algo mais que te aconteceu além da morte da sua mãe? – perguntei arqueando uma sobrancelha.

– Na... Não. – ele gaguejou e saiu de perto, encarando seu celular. – Percebo que eu era um adolescente mimado. – riu sem graça. – Para de me olhar assim, Zee.

– Assim como? – ri.

– Ah, esquece. – sorriu nervoso e se aproximou mais uma vez, me beijando rapidamente. – Tomou seu remédio?

– Esqueci.

– Depois eu não quero ir pra faculdade e eu que sou o culpado... Você não se cuida, senhor Zachary. – disse, se retirando pra cozinha.

Brian também tinha seus segredos e bem, como eu confiei nele, esperava que ele também confiasse em mim.

– Tome o remédio e vamos pra cama, já teve emoções demais para um dia só.

– Ai Brian... – murmurei depois de tomar o remédio e subir junto com ele para o meu quarto.

Zachary’s Pov Off


Joseph’s Pov


Dirigia com certa pressa rumo ao meu pequeno apartamento. Minha cabeça rodava, meu coração estava acelerado e minha boca parecia formigar... Maldito gosto dos lábios de John. Maldita sensação que ele sempre me causava além do gosto delicioso de seus lábios.

Minhas mãos trêmulas tocavam o volante, enquanto meu pensamento insistia em brincar comigo voltando para o instante em que eu estava com John, sentindo suas mãos percorrendo o meu corpo e o seu maldito sorriso entre os beijos. Em seguida, me veio imagens de momentos íntimos com Ashley.

Eu estava a ponto de enlouquecer.

Flashback

Afastei John, o encarando surpreso, pousando minha mão em meus lábios.

– Desculpe, eu...

– Tá... Tudo bem, John. E-Eu vou embora. – eu disse me agachando e pegando minha camiseta que o próprio havia tirado há minutos atrás.

– Joseph. – ele me segurou pelo punho, me encarando receoso, mas seu olhar não demonstrava arrependimento assim como o meu também não. – Obrigado por estar ao meu lado sempre.

– E eu estarei. – disse me retirando rapidamente, vestindo minha camiseta e indo até o estacionamento.

/Flashback

– John... Por que quando eu corria atrás de você feito um cachorrinho você nunca me notou? – eu perguntava enquanto socava o volante. – Por quê? – mordi meu lábio, ignorando a lágrima solitária que rolou pelo meu rosto. – Eu amo Ashley, e eu a tenho... É, eu a tenho. – fechei meus olhos, porém me assustei com uma buzina de um carro que quase acertou o meu, e por puro reflexo joguei meu carro para o outro lado da via. – Inferno! – praguejei, decidindo estacionar meu carro e tentar relaxar um pouco, ou eu seria capaz de capotar o carro, se bem que isto parecia uma boa opção.

Fui surpreendido pelo toque do meu celular e ao encarar o visor, vi que era Ashley quem ligava. Meu dedo deslizou para o botão de “recusar”, mas por fim decidi atender.

– Oi. – atendi, encostando minha cabeça no banco.

– Oi amor, onde você está?

– Estou indo para a minha casa.

– Minha casa está vazia hoje, quer vir pra cá?

– Melhor não, eu estou com dor de cabeça. – menti.

– Quer que eu vá pra sua casa?

– Não precisa... – até porque ela não sabia onde eu morava. – Nos vemos na aula.

– Ok Joseph... Melhoras.

Desliguei, jogando o aparelho no banco do passageiro, religando meu carro e voltando a tomar o rumo de meu apartamento.


– Merda John... Por que o seu beijo tinha de ser melhor do que eu imaginava?



Notas finais
Gostaram? Enfim, eu vim reparando que o numero de leitores vem aumentando e o numero de reviews diminuindo D: eu amo demais as reviews de vocês e eu acho mega importante, para saber o que estão achando e tudo mais... Espero que mais reviews apareçam pra tia aqui ficar feliz okay?