Anatomy

31 Capítulo 31


Notas iniciais
Olá amadas! Bem, cá está mais um capítulo, me desculpem se deixei algum erro gritante passar, é que essa que vos fala exagerou na bebida durante a manhã/tarde e agora está morrendo de enjoo D: obrigada a todas que mandaram review pelo cap anterior e espero que gostem desse e que mais leitoras deem o ar da graça *-* se bem que eu não gostei muito desse capítulo, porque ele não ficou bem do jeito que eu queria. Gostaria de agradecer a biskt da FeerHaner por editar a capa e sim, há uma diferença gritante lol. Enfim, chega de papo e vamos ao cap, boa leitura :*

Zachary’s Pov

Os meses se passaram – quatro meses para ser mais exato -, desde o dia em que contei sobre minha vida a Brian.

Eu havia retornado há poucos dias atrás a dar aulas por causa de Chris que só havia autorizado meu retorno depois de mais alguns dias em repouso. E naquele exato momento, eu estava dando pela primeira vez após minha licença. Uma aula teórica sobre o sistema muscular na sala de Brian.

– As funções dos músculos são: produção dos movimentos corporais, estabilização das posições corporais, regulação do volume dos órgãos, movimento de substâncias dentro do corpo e a produção do calor. – eu dizia enquanto anotava na lousa. – Alguém saberia me explicar cada uma delas? – me virei para os alunos e ninguém disse nada. – Ninguém prestou atenção na aula do professor substituto, ou é só impressão? – perguntei risonho, fazendo os alunos rirem. – É, vocês não prestaram atenção... Muito bonito, pessoas.

– Ah professor, anatomia só é legal com você. – uma aluna disse, sorrindo pra mim.

– Levarei isso como elogio. – eu disse, sentando-me na minha mesa em seguida.

Brian pigarreou alto e eu acabei rindo, o encarando rapidamente.

– Bom, já que vocês não prestaram atenção na aula do outro professor, vocês terão de fazer uma pesquisa completa para amanhã sobre o sistema muscular porque na semana que vem terá prova e não, não me xinguem, porque essas provas é invenção da coordenação... Vocês sabem, só cumpro ordens. Na verdade seria prova surpresa, mas eu conto antes, porque eu sou legal. – ri ao ver a cara de irritação da maioria da sala. – Quem quiser, amanhã eu posso dar uma aula extra além da que teremos, para uma revisão de toda a matéria.

O sinal soou e logo os alunos começaram a se retirar. Exceto por Brian, que demorou para sair, intencionalmente.

– Ciúmes? – perguntei assim que a sala se encontrava vazia e Brian ainda guardava seu material.

– Nem um pouco... Mas anatomia só é legal com você. – ele disse afinando a voz, me fazendo rir alto.

– Eu não tenho culpa se sou bom professor. – pisquei e ele riu.

– É, mas as alunas querem que você dê aula de anatomia de preferência no corpo delas... E começa assim com um elogio, depois... Deixa pra lá.

– Ciumento. – eu desci da mesa e comecei a arrumar minhas coisas também.

– Você vai pra casa agora? – Brian perguntou se aproximando da onde eu estava e encostando-se em minha mesa.

– Não... Vou ter que resolver umas coisas... Mas se quiser ir para lá agora, pode ir.

– Não, não. Ash me chamou pra sair. – ele sorriu e eu concordei com a cabeça. — Disse que precisa conversar com alguém...

– Será que é algo com Joseph? Porque ele não veio hoje e... – comentei, vestindo meu casaco.

– Faz bastante tempo que ele não vem... Mas espero que não... Eu te conto quando for pra sua casa, ok?! – ele sorriu fraco e ao notar que uma faxineira acabara de entrar na sala, ele apenas apertou minha mão. – Até mais, professor.

– Até Brian. – ri baixo, terminando de arrumar minhas coisas, passando rapidamente na sala dos professores e decidido a resolver uma situação que estava me deixando mal nos últimos tempos.

Zachary’s Pov Off



Zachary estacionou seu carro na rua de trás do prédio de Charles. Retirou seus óculos escuros, acionou o alarme do carro e andou a passos largos até a entrada do local.

Ao reparar que o porteiro estava de costas e distraído no telefone, correu até o elevador e acionou o mesmo, não tardando muito para que estivesse em frente à porta de seu amigo. Respirou fundo e tocou a campainha e das duas uma: ou Charles abriria a porta e em seguida fecharia na sua cara, ou sequer abriria a porta.

Em alguns instantes, Charles abriu a porta e encarou surpreso o amigo que estava encostado na parede.

– Zacky... Como diabos você conseguiu subir?

– Nada como uma distração do porteiro. – Zacky encarou o amigo que vestia apenas uma bermuda preta. – A gente precisa conversar.

– Acho que não...

– Acha que não? – o professor riu irônico. – Você simplesmente me liga falando um monte, me evita desde então e acha que nós não precisamos conversar? Que eu saiba somos amigos há mais de vinte anos e somos dois homens e não dois moleques.

Charles bufou em resposta, sabia que Zachary tinha razão, eles realmente tinham de conversar. Mas não naquele instante. Ele andava confuso demais.

– Charles, você é meu amigo há muito tempo... Vai deixar a amizade acabar assim? – o professor insistiu.

– E o que você quer?

– Eu já disse... Conversar.

– Eu não quero conversar agora, pois estou ocupado. E se quer minhas desculpas, está desculpado... Até porque se não fosse por um erro seu, eu não estaria num novo relacionamento hoje.

– Novo relacionamento? – o professor perguntou com uma sobrancelha arqueada. – Enfim, eu só quero conversar, questão de minutos. Prometo que nunca mais venho te incomodar.

– O que está acontecendo? – um rapaz de cabelos compridos apareceu atrás de Charles com a aparência visivelmente sonolenta, encarou Zachary e se surpreendeu, embora disfarçasse descaradamente.

– Você... – Zachary o encarou de volta, entrando no apartamento de Charles sem ser convidado e apontando na direção do rapaz. – Foi você que me envenenou. – disse se aproximando, o olhando com certa raiva.

– Zachary! – Charles o puxou pelo braço, fazendo-o chocar suas costas na parede. – Você não tem o direito de entrar em minha casa e falar essas coisas.

O professor que gemeu contra a dor que lhe invadiu o corpo após o choque com a parede encarou surpreso o amigo, que lhe encarava com raiva.

– Eu nem sei do que você está falando... – Collins se pronunciou atrás de Charles, tentando afastá-lo de Zachary, uma vez que seu punho estava cerrado e em direção do professor. – Pára com isso. – disse calmo ao pé do ouvido do maior.

– Você está com ele? – perguntou indicando com a cabeça para o rapaz.

– Sim. – murmurou abaixando o punho, embora sua outra mão ainda permanecesse sobre o peito do professor. – Vai embora Zacky.

– Você de repente mudou sua personalidade. – Zachary comentou. – Ok, pode me soltar, eu vou embora... Mas só te digo uma coisa. – suspirou. – Não me procure mais, em hipótese alguma e já que você está com esse cidadão que eu tenho a plena certeza que é o cara que tentou me matar, seja feliz com ele. – desvencilhou-se do braço de Charles e se retirou do apartamento do mesmo. Saiu resmungando, ignorando os protestos do porteiro que se surpreendeu com o mesmo se retirando do prédio, uma vez que não o tinha visto adentrar.

Correu até seu carro e debruçou-se sobre o volante.

– Antes só havia perdido a esposa, agora perdi meu melhor amigo. Minha vida é ótima. – disse irônico, dando partida no carro.


Ashley’s Pov

– Que bom que Zachary te emprestou um pouco pra mim. – disse enquanto eu e Brian caminhávamos pelo parque.

– Ah, eu sempre sairei com você quando me chamar. – ele riu. – Mas eu fiquei preocupado quando você disse que precisava conversar com alguém... O que está acontecendo?

– Eu e Joseph... – suspirei, enquanto puxava Brian pela mão para sentarmos num espaço vago entre duas árvores. – Acho que ele se cansou de mim.

– E por que acha isso?

– Ele vem me evitando nos últimos tempos... E ele está faltando direto nas aulas, você já deve ter reparado.

– Até Zacky reparou. – ele riu sem graça.

– Então... – murmurei.

– Talvez ele esteja passando por algum problema familiar.

– É aí que ta... – brinquei com uma mecha do cabelo de Brian. — Ele nunca me falou sobre a família dele. – o encarei.

– Zachary também nunca havia me contado sobre a família dele... – ele sorriu. – É um assunto delicado para ele, talvez seja para Joseph também, e pode ser que ele esteja esperando a hora certa para te contar algo.

– Espero... Odeio mistérios. – ri. – Mas ele mudou o jeito de ser drasticamente e é isso que me preocupa. Algo pode estar acontecendo com ele e eu poderia ajudá-lo, mas ele não me conta nada.

– Talvez ele tenha medo, insegurança em contar algo... Talvez seja algum assunto que o machuque. – Brian suspirou. – Talvez ele tenha em mente que ninguém poderá ajudá-lo... E eu estou dizendo isso por pura “experiência” pessoal. – ele me encarou. – Tem coisas que eu não consigo contar a Zachary.

– Por que você tem medo ou acha que ninguém pode te ajudar? – perguntei interessada.

– Na verdade são traumas pessoais... Mas continue falando do seu caso, estamos aqui para isso. – ele sorriu.

– Bom, antes ele falava que me amava e agora ele fica quieto. – afastei meu cabelo de meu rosto. — Antes ele ia direto a minha casa, agora ele pouco aparece e quando aparece, está com a aparência abatida e nós não fazemos nada de mais. – suspirei. — Eu só queria saber o que está acontecendo com ele... Eu o amo, Brian.

– Imagino. – ele disse baixo, acariciando meu rosto. – Já tentou falar isso com ele?

– Como? Ele foge de mim... Acho que ele está arrependido de ter ficado comigo.

– Pára de besteira Ash. – ele me encarou e pegou seu celular. – Só um minutinho. — se levantou e se afastou um pouco.

Reparei em um casal que estava sentado um pouco mais a frente e eu permiti chorar um pouco, eu só queria ser feliz, amar e ser amada. Desejo simples, mas difícil de realizar. Eu queria que Joseph falasse comigo tudo que o angustiava, tudo que ele amava fazer e tudo que ele odiava, mas ele era quieto, não conversava muito sobre a própria vida. Eu sequer sabia onde ele morava e o que fazia depois das aulas quando não ia para minha casa. Eu só queria que ele confiasse em mim e me contasse tudo, assim como eu sempre fiz com ele.

Eu já não controlava minhas lágrimas e elas escorriam sem pudor algum. Minha maquiagem certamente estava toda borrada, mas eu nem estava me importando mais.

– Hey loira, não chora. – Brian voltou, me abraçando e secando minhas lágrimas. – Me deixe na casa de Zacky e vá para a sua casa... Agora.

– Por quê? Não quer mais minha companhia? – ri fraco.

– Eu quero a sua felicidade. – riu, encostando seu dedo na ponta de meu nariz. – Joseph estará te esperando na sua casa.

– Como assim? – perguntei surpresa.

– Liguei pra ele e disse umas coisinhas, agora me de uma carona e corra pra ele... Ele me disse que vocês precisam conversar e ele te deve desculpas.

– Quem mandou você ligar pra ele? – perguntei risonha, o abraçando. – Você é o melhor amigo que alguém poderia ter.

– Ah... Você me ajuda e eu te ajudo. – ele sorriu, beijando meu rosto. – Agora vamos, retoque a maquiagem e apareça linda e bela para ele. – ele se levantou e me puxou, enquanto saímos caminhando de volta para o carro. – Seja sincera com ele e diga tudo que está preso nesse seu coraçãozinho.

– Tentarei. – sorri.

O caminho para a casa de Zachary foi silencioso, a não ser pelas músicas melodramáticas que tocavam no rádio e Brian murmurando que entraria em depressão em ouvi-las.

– Estranho... Zacky não chegou ainda. – Brian disse, assim que estacionei em frente à casa do nosso professor. – Enfim, obrigado Ash.

– Precisando de qualquer coisa, me liga. – sorri, beijando-o na bochecha. – E eu quem devo agradecer... Agora me deixe correr para casa.

– Voe borboleta. – ele riu, descendo do carro. – Boa sorte. – disse encostando-se na janela do carro.

– Vou precisar. – me retirei com o carro assim que Brian se afastou.

A casa de Zachary não era tão longe da minha e nada do que “meter o pé” no acelerador que não me fizesse chegar instantes depois em minha casa.

Estacionei meu carro e encontrei Joseph sentado na calçada. Ele parecia distraído que nem notou minha presença. Sentei-me ao seu lado e toquei em sua mão.

– Hey. – sussurrei.

– Oi Ash. – ele disse baixo, com um sorriso fraco nos lábios. – Tudo bem?

– Ah... Sim e você?

– Também. – ele me encarou. – A gente tem que conversar né?

– Sim... Vamos entrar?

– E seus pais? – ele perguntou receoso.

– Estão viajando e minha irmã foi com eles... – sorri tímida, afastando meu cabelo de meu rosto.

– É melhor ficar aqui... – ele disse baixo, me olhando. — O que eu tenho pra dizer é rápido.

Desviei meu olhar para umas crianças que brincavam na rua. Eu até imaginava o que ele falaria. Certamente ele iria terminar nosso relacionamento.

– Então fale... – murmurei, procurando não encará-lo, já que eu estava com os olhos marejados novamente.

– Ash... Eu te devo desculpas por agir desse jeito nos últimos dias. Sabe, te evitando, não indo às aulas... É que eu ando confuso, muito confuso. – ele tocou em meu rosto e virou-me para ele.

– E o que é que está te deixando confuso? – perguntei com a voz trêmula.

–Antes de eu te conhecer, eu era a fim de um cara... – ele começou e eu arregalei meus olhos.

– Não me diga que você é... – eu disse um pouco pasma.

– Bi. – ele sorriu sem jeito depois de me interromper. – E bem, eu era a fim dele desde que eu me conheço por gente, mas ele nunca havia reparado, até porque ele tinha outro... E quando eu já não tinha esperanças com ele, você apareceu e mesmo eu não querendo aceitar de inicio, caí de amores por você. – ele acariciou meu rosto. – Você parecia demonstrar que me amava...

– E eu te amo.

Ele concordou com a cabeça, pegando em minha mão.

– E-Eu também te amo Ash... – ele continuou. – E eu já estava decidido a me esquecer dele e ficar com você, até que...

– Até que? – perguntei o encorajando.

– Ele me beijou. – mordeu seu lábio.

Fechei meus olhos.

– Foi como se todos os meus planos fossem por água abaixo... E eu não seria capaz de ter dois relacionamentos ao mesmo tempo... Eu não sou desses. – ele olhou para o chão. – Eu não seria capaz de te beijar, ir pra cama com você e depois sair, me encontrar com ele e fazer a mesma coisa...

– Então você está com ele?

– Não... Da mesma forma que vim agindo com você, eu estou agindo com ele. – ele voltou a me olhar. – Eu me isolei bruscamente do mundo com a intenção de pensar e decidir o que fazer... Eu tinha e tenho medo de fazer a escolha errada. – ele deslizava seu polegar sobre minha bochecha e me olhava nos olhos. — Então Brian me ligou e eu decidi vir aqui e ser sincero com você... Porque eu cheguei numa conclusão.

– E que conclusão? – perguntei com a voz trêmula.

– Eu quero dar um tempo... Saiba que a culpa não é sua, é minha e exclusivamente minha. Você é uma garota maravilhosa, merece tudo de melhor, e eu sou o errado, o perdido, o confuso.

– Joseph... – ele colocou um dedo sobre meu lábio, me interrompendo.

– Eu só quero esse tempo, para poder pensar melhor, já que agora eu te contei o que está acontecendo comigo e talvez depois disso, eu consiga tomar uma decisão definitiva sem me arrepender...

– Tudo bem. – murmurei e ele se levantou, me puxou pela mão e me abraçou.

– Me desculpe Ash... – ele disse baixo contra minha pele. – Mas eu não quero te fazer sofrer.

– Siga o que o seu coração mandar, está bem? – o olhei, depois de desvencilhar-me do abraço. – Se cuida. – entrei em minha casa, subindo as escadas, deitando em minha cama e me entregando ao choro.

Ashley’s Pov Off


Brian’s Pov

Já havia anoitecido e Zachary ainda não havia chego. Eu andava angustiado pela casa com Icky no colo.

– Cadê o seu dono, hein? – perguntei pro cachorro que apenas me olhava e lambia meu rosto.

Instantes após tamanha agonia, pude escutar o barulho de carro e suspirei aliviado ao espiar pela janela e ver que o carro era de Zacky.

Deixei o cachorro no chão e me sentei no sofá, aguardando a entrada dele. E bem, depois de alguns minutos ele entrou... Cambaleando.

– Zee? – perguntei arqueando uma sobrancelha. — Onde você estava?

– Não enche Brian. – respondeu irritado, jogando suas coisas em cima da mesa de centro.

Pelo tom de voz e pelo jeito que andava, Zachary estava bêbado.

– Eu aqui preocupado com você e você bebendo, que ótimo. – resmunguei bufando em seguida.

– Fui à casa de Charles e ao chegar lá, nós “discutimos”... E pra piorar a situação, o cara que me envenenou estava lá, e os dois estão juntos, Brian. Vê se pode. – ele gargalhou, sentando-se na escada, enquanto desabotoava a camisa. – Eu reconheci o bastardo, mas Charles o defendeu com unhas e dentes. Só faltou quebrar a minha costela e ainda disse que eu não tenho direito de acusá-lo. – ele dizia rapidamente e embolado. – Como não?

– Co-Como assim o homem que te envenenou estava lá? – minhas sobrancelhas no mínimo estavam na minha nuca de tanto que eu as arqueei. — Você o reconheceu?

– Na hora que ele apareceu atrás de Charles, eu reconheci o rosto. Eu liguei os fatos, mas é inadmissível que os dois estejam juntos...

– O homem bate com a descrição que você havia dito a mim e a Owen? – perguntei baixo.

– Sim. Cabeludo, olhos azuis, algumas tatuagens. – disse rolando os olhos.

Mordi meu lábio e me levantei, tentando disfarçar meu nervosismo. Não podia ser Collins, não podia ser ele. Tinha de ser alguém muito parecido com ele. Tinha de ser.

– Vamos deitar, sim?! Acordamos cedo amanhã e você dará aula extra, lembra-se? – sorri forçadamente, me aproximando dele.

– Oh, lembro. – ele me olhou e sorriu. – Me ajude a levantar porque está tudo rodando.

– Por que foi beber? – perguntei, o ajudando a se levantar e a subir a escada.

– Eu passei no bar depois de brigar com Charles, para ver se o barman não se recordava de algo, mas ele não se lembrava e bem, aproveitei que estava puto da vida pra beber. – murmurou, enquanto adentrávamos no quarto.

– Você poderia ter me avisado né? – sorri tímido. – Fiquei aflito.

– Mas já estou aqui, certo? – ele sorriu e roçou seu lábio no meu, se afastando em seguida. — Só sei que estou com vontade de voltar lá e matar aquele cara.

– Que horror Zee... Vamos tentar provar o ocorrido e deixe que a justiça o puna. – sorri nervoso.

Ele apenas riu e se jogou na cama.

– Eu ia propor a fazermos amor agora. – disse rouco. — Mas eu estou fedendo a álcool e sei que você não gosta muito.

– Seria como se eu estivesse transando com meu pai e isso não me parece muito legal. – ri baixo.

Zachary apenas riu e virou-se de costas pra mim, fiz o mesmo, apagando o abajur em seguida.

– Boa noite Bri.

– Boa noite.

Brian’s Pov Off


Zachary’s Pov

– Sou Matthew Collins. – se apresentou, mordendo o lábio provocante. – Mas podem me chamar de Matt...Aceite minha bebida. Eu a chamo de “sonho dos deuses”. – mordeu o lábio.

Eu peguei o copo e encarei o mesmo e o rapaz que havia me entregado a bebida.

Instantes depois, eu dei o primeiro gole, seguida de outros goles e logo o ar parecia faltar, e uma vontade de dormir me dominou, o som do local parecia diminuir a cada instante.

– Tenha bons sonhos no inferno, doutor. — Collins sussurrou em meu ouvido.


Acordei assustado com a respiração ofegante, depois de um belo salto na cama.

– Zacky? O que aconteceu? – Brian perguntou, se espreguiçando e acendendo a luz do abajur.

– Matthew Collins.

– O quê? – ele perguntou, sentando-se na cama.

– O nome do cara que me deu a bebida... Realmente é o mesmo cara que está com Charles. Realmente foi ele quem me envenenou, Brian... Matthew Collins.

– Como pode ter certeza Zacky? – ele perguntou, me encarando com os olhos arregalados.

– Eu acabei de sonhar... Foi ele Brian. – eu disse me levantando da cama.

– Isso foi apenas um sonho...

– Esse nome não é estranho pra você? – perguntei me levantando da cama.

– Na... É, é, nunca ouvi falar antes. – mais uma vez Brian gaguejando.

– Brian... – cruzei meus braços, o encarando.

– O que foi? – perguntou nervoso.

– Você conhece esse Matthew Collins? – perguntei.

Ele engoliu em seco, mordendo o lábio.

– Não. – respondeu sem me olhar nos olhos.

– Brian... – o chamei impaciente.

– Zacky, eu não conheço ninguém, me deixa dormir, nós acordamos cedo. – disse rapidamente, mordendo o lábio.

– Eu não vou dormir e você também não vai, não antes de me contar se conhece ou não o tal cara.

– Eu já disse que não conheço, que merda! – ele se levantou nervoso, vestindo uma calça jeans.

– Aonde você vai? – perguntei irritado.

– Eu vou pra minha casa... É. – pegou sua mochila após calçar seus sapatos.

– Você não vai sair sozinho a essa hora da noite.

Ele passou reto por mim, com sua mochila nas costas. O segurei pelo punho e ele se virou para mim.

– Qual é o seu problema? – perguntei baixo. – Custa me falar se conhece o tal cara ou não? Custa me dizer qualquer coisa sobre você? Poxa Brian, eu confiei em você...

Seus olhos estavam marejados e sua boca trêmula.

– Me solta Zacky, você está me machucando. – disse tentando disfarçar sua feição de medo.

– Eu não vou te soltar. – apertei seu braço com mais força, uma vez que ele se debateu, tentando livrar-se de mim. – Pára Brian...

– ME DEIXE EM PAZ. – ele gritava, enquanto estapeava meu outro braço. – Eu não conheço ninguém com esse nome... E se conhecesse? Você diria que eu tenho algo a ver com o seu envenenamento?

– Eu nem pensei nisso, mas já que você está supondo. – o soltei.

– Vai pro inferno! – ele desceu as escadas correndo.

– Brian, me desculpe. – gritei do topo da escada. — Por favor, não saia, não a essa hora da noite. – desci correndo atrás dele, conseguindo alcançá-lo, chocando seu corpo contra a porta. – Por favor... – murmurei, segurando seu rosto para que ele me encarasse.

– Eu odeio que desconfiem de mim... – murmurou.

– Brian, eu estou nervoso... Você sabe, briguei mais com Charles e me deparei com o cara lá, agora esse sonho... Eu não quero brigar com você também... Desculpe Bri. — encostei meus lábios nos seus.

Ele virou seu rosto e se desvencilhou de mim, jogando sua mochila.

– Eu vou dormir no sofá. – disse com a voz embargada.

–Vem pra cama.

– Eu já vou satisfazer a sua vontade de ficar aqui. – respondeu seco, sentando-se no sofá. – Posso voltar a dormir, ou não?

– Pode... – respondi murmurando. – Só me diga uma coisa... – agachei em sua frente e o encarei. – Você conhece Matthew Collins ou não?

– Conheço. – respondeu bravo. — Está satisfeito agora?

– Por que mentiu pra mim?

– Eu não sei Zachary, eu não sei. – começou a chorar desesperado, pousando suas mãos no cabelo.

Eu sem jeito me levantei, beijei o topo de sua cabeça e subi para o quarto, jogando-me na cama.

Por que Brian mentira pra mim? Por que ele reagira daquela forma toda vez que o nome Matthew Collins era citado? Quem era esse Matthew Collins de verdade? O que ele tem ou fez que deixou Charles completamente irritado e contra mim? Como eu provaria que ele tentou me envenenar? Quem acreditaria num sonho?

Muitas perguntas, nenhuma resposta.