Anatomy
29 Capítulo 29
Notas iniciais
Zachary’s Pov
Alguns dias se passaram desde aquela minha discussão com Charles. Eu, durante esse tempo, havia o procurado em sua casa e tentado ligar por diversas vezes para marcarmos um encontro e conversarmos feitos dois homens maduros que éramos, mas ele não me atendia e o porteiro de seu prédio sempre alegava que ele não estava em casa... Talvez ele tivesse pedido para o homem dizer isso a mim, uma vez que eu sempre via a janela de seu apartamento aberta.
Eu não entendia tal reação dele, até porque Charles nunca agira de tal forma, principalmente comigo, mas talvez ele tivesse mudado. E se ele queria distancia de mim, eu cederia. Não correria mais atrás.
– Estou indo para a faculdade... – Brian apareceu no quarto, terminando de vestir seu casaco. – Depois vou passar em casa pra ver se está tudo bem por lá e ver se meu pai não cometeu nenhuma loucura. – rimos.
– Tudo bem, vê se presta atenção na aula.
– Pode deixar. – me levantei para acompanhá-lo até a porta. – Eu volto logo, não morra de saudades. – riu.
– Claro, já estou morrendo de saudades. Estou até chorando. – ri enquanto abaixava minha cabeça, fingindo conter o choro.
– Irônico. – riu, selando seus lábios nos meus. – Tem comida pronta no microondas. Vê se come.
– Pode deixar... – sorri. – Vai sozinho e a pé?
– Não, Ashley me ligou e já está chegando.
– Ah bom... Fico mais tranqüilo.
Escutamos um barulho de buzina e nos entreolhamos.
– Deve ser ela. – ele se inclinou, beijando-me brevemente mais uma vez. – Até mais, Zee.
– Até. – sorri e ele se retirou, encostei a porta e em seguida fui até a janela para vê-lo entrar no carro de Ashley e partir.
Sentei-me no sofá, pegando o jornal do dia e o folheando, enquanto Maggie deitava próxima ao meu pé e Icky se aninhava em meu colo.
Zachary's Pov Off
Charles’s Pov
Após a breve discussão com Zacky, eu procurava evitá-lo de qualquer forma. Eu sabia que eu estava errado, mas eu era orgulhoso demais para aceitar isso. Talvez meu amigo também estivesse errado em me deixar sair com Collins, mas eu estava mais errado ainda em sair. Mas não, eu não conseguiria dar meu braço a torcer.
Deitei-me no meu sofá, tentando ignorar o sentimento de raiva que brotava dentro de mim. Sentia raiva de mim mesmo, raiva de todos ao meu redor, raiva da vida.
Fechei os olhos na esperança de dormir um pouco, já que era uma das coisas que eu menos fazia nos últimos dias, mas meu celular começou a tocar insistentemente.
Encarei o visor do meu celular e rolei os olhos ao ver quem era. Hesitei algumas vezes antes de atender, mas por fim o fiz.
– Alô. – atendi me odiando pelo fato de ter atendido.
– Charles?
– Oi... Collins. – disse sem vontade.
– Eu estou perto da sua casa e pensei na possibilidade de passar aí, posso?
– Como sabe onde eu moro? – perguntei arqueando uma sobrancelha.
– Oras, você me contou e além do mais me convidou para ir a sua casa. Não se lembra? – riu do outro lado da linha e eu rolei os olhos mais uma vez.
– Não. — bufei.
–Vejo pelo tom de voz que está de excelente humor. – riu mais uma vez. – Posso passar aí ou não?
– Pode. – respondi seco, me levantando e encarando a janela, estreitando meus olhos ao deparar-me com Collins já parado na portaria.
– Já estou chegando. – desligou.
Não demorou muito para que a campainha tocasse, e eu lamentei por instantes. Eu não queria ver ninguém, muito menos ele e Zachary.
– Olá. – Collins sorriu assim que eu abri a porta.
– Oi. – respondi seco, deixando a porta aberta e me sentando no sofá.
– Está tudo bem? – perguntou enquanto fechava a porta atrás de si.
– Nem um pouco. – bufei, cruzando meus braços e encarando o horizonte pela janela.
– Quer me contar o que houve? – sorriu enquanto se agachava em minha frente pousando suas mãos em meus braços. – Guardar as coisas para si mesmo pode lhe fazer mal.
– Desde aquele dia com você, minha vida virou um inferno. – o fuzilei com o olhar. – Terminei com a minha noiva, briguei com o meu amigo, perdi causas no tribunal... O que você quer? Foder de vez com a minha vida?
– Hey, alto lá! – ele se levantou, e continuou a me encarar. – Eu não tenho culpa se sua vida virou do avesso, e coincidentemente depois de transarmos... Se tudo isso aconteceu era porque já não estava bem. – ele riu e eu continuava a olhá-lo sério. – Charles, você não pode sair culpando todo mundo por algo que você que cometeu.
– Cometi com você e porque eu estava bêbado. – bufei mais uma vez, me levantando e indo em direção a janela, encarando a rua rapidamente e voltando a olhá-lo. – Nem sei por que eu te atendi, e nem sei por que abri a porta pra você... Eu quero que você desapareça, Collins.
– Não, você não quer isso... – ele sorriu e se aproximou, alisando meu braço. – Eu não consigo parar de pensar em você e sei que isso é recíproco.
– Não é não. – me afastei, abrindo a porta indicando que ele se retirasse. – Por favor, vá embora.
Collins mantinha um sorriso irônico nos lábios e fez menção de ir embora, porém ele fechou a porta e com uma força desconhecida me jogou sobre ela, avançando em meus lábios.
Tentei relutar e tirá-lo de perto de mim, até cheguei a fazer isso, mas fui surpreendido com uma lâmina gélida tocar na região do meu abdômen.
– Quer merda é essa? – perguntei assustado, encarando-o nos olhos.
– Eu odeio quando me rejeitam. – ele disse entre dentes, sorrindo debochado em seguida. – Eu realmente gostei de você e não era a minha intenção ser um pouco mais agressivo com você... Mas você pediu. – seus lábios se aproximaram de meu pescoço, e sem um pingo de delicadeza, ele mordeu a região, sugando-a com seus lábios em seguida.
– Q-Que merda você quer? – perguntei após um baixo suspiro, talvez eu tenha gostado daquele ato dele, embora aquilo certamente deixaria uma marca monstruosa em meu pescoço.
– Você... Eu quero você. – respondeu baixo em meu ouvido.
Ouvir certas coisas desencadeia reações que provavelmente trazem arrependimentos depois, mas a minha vida já estava uma merda mesmo...
Pousei minhas mãos nas nádegas de Collins e colei nossos corpos, avançando em seus lábios de um modo nada gentil. Ouvi um gemido de aprovação vindo de sua parte, mas eu pouco estava me importando se ele estava gostando ou não.
– Acho que isso não será necessário agora. – disse baixo enquanto pegava o canivete que estava em sua mão e a joguei em cima da mesa.
– Talvez... – suspirou enquanto deixava ser dominado. Abri o zíper de sua calça e a baixei junto de sua cueca em um único movimento, ele sorria malicioso enquanto depositava chupões em meu pescoço.
Assim que nos desvencilhamos de suas roupas, fiz o mesmo com a bermuda que eu vestia.
Ele fez menção de se ajoelhar em minha frente, porém eu o virei de costas pra mim e rocei meu membro já ereto nas suas nádegas, ele suspirou e quando estava certo a tomar alguma atitude, eu o segurei pela nuca e o inclinei no braço do sofá, fazendo-o ficar totalmente indefeso e totalmente empinado para mim. Com a minha própria saliva, lubrifiquei sua entrada e meu membro.
Pousei minhas mãos em sua cintura e penetrei de uma só vez, arrancando gritos e xingamentos da parte dele, mas eu pouco me importava com o que ele estava sentindo.
Minha mão foi de encontro aos seus cabelos e eu os puxava para mim enquanto eu forçava mais e mais sua entrada, retirando e reintroduzindo meu pênis por diversas vezes. Era possível ouvir o som de nossos quadris colidindo do modo mais rude possível e aquilo só me excitava mais.
Assim que pareceu ter se acostumado com a dor, ele agora gemia e pedia por mais, enquanto empinava e rebolava sobre meu membro. Larguei seus cabelos e o segurei pela cintura, puxando mais seu corpo contra o meu. Eu gemia alto sem me importar se os vizinhos estavam ouvindo ou não.
Relaxei meus movimentos e Collins se aproveitou para sair da posição que estava, deitando-se no sofá e me puxando para cima de si, ele posicionou suas pernas em cima de meu ombro e eu senti-o pegar em meu pênis e o posicioná-lo em sua entrada mais uma vez.
– Me fode... Mais. – sussurrou em meu ouvido e fiz o que ele pediu, penetrando mais uma vez nele. Meus movimentos eram bem sutis e ele parecia gostar, já que gemia e implorava por mais. Ele passou a se masturbar enquanto eu investia fortemente e rapidamente dentro dele.
Não demorou muito para que ele gozasse e lambuzasse tanto a sua quanto a minha barriga. E com seu ato, mais três investidas eu me derramei dentro dele, soltando um gemido alto de alívio. Saí de dentro dele bem lentamente, sentando-me na parte vaga do sofá, enquanto tentava normalizar minha respiração.
Ele sentou-se ao meu lado e me encarou rapidamente e logo sua língua entrou em ação novamente. Ele lambeu minha barriga que estava suja de seu sêmen, e quando eu achava que ele ia descer mais um pouco para terminar aquilo com apenas um oral, ele inclinou seu corpo contra o meu e beijou o meu pescoço.
– Você é tão gostoso, Howard. – disse baixo no meu ouvido, enquanto sua mão deslizava sobre meu peitoral e abdômen.
Virei meu rosto em sua direção e ele me beijou sem pudor algum, eu retribuí, deixando que nossas línguas se entrelaçassem do modo mais obsceno possível, sua mão passou a brincar com pênis enquanto minha mão mexia em seu cabelo.
– Me leva pra sua cama. – disse quando pausamos o beijo brevemente em busca de ar. – Quero sentir você de novo dentro de mim. – disse baixo, mordendo e lambendo o lóbulo de minha orelha.
Fechei meus olhos por instantes e me levantei, o puxando em seguida. Nos beijamos mais uma vez enquanto eu o conduzia até meu quarto.
Ele deitou-se em minha cama e eu deitei ao seu lado, virando-o de costas para mim e passando a beijar sua nuca e pescoço enquanto eu o provocava introduzindo meu dedo indicador dentro dele. Ele mexia seu quadril para frente e para trás, enquanto sussurrava meu nome. Ele me excitava muito fácil e lá estava eu totalmente ereto novamente, louco para tê-lo mais uma vez.
Eu ergui sua perna e penetrei sem um pingo de gentileza, ele jogou sua cabeça para trás e gemeu, enquanto movia e friccionava seu quadril. Pousei minha mão em seu pênis e o masturbei enquanto fazia movimentos contínuos dentro dele.
– Você não me queria, Collins? – perguntei rouco em seu ouvido.
Mas ele não me respondia, apenas gemia como uma vadia.
Deitei de barriga para cima, fazendo-o subir em cima de mim, encaixando-se em mim perfeitamente. Ambos gememos com esse ato e ele me arranhou desde os braços até o abdômen enquanto seu quadril insinuava-se violentamente contra o meu. Nós dois arfávamos e gemíamos alto, minhas mãos estavam sobre as suas coxas e eu as apertava, sem me importar se deixaria marcas ou não e o mesmo vinha da parte dele, suas mãos se apoiavam em meus ombros.
Ele se derramou assim que eu atingi sua próstata, e eu me derramei mais uma vez dentro dele instantes depois.
Permaneci deitado e o encarei, porém ele se levantou e foi para a sala, voltando em seguida com suas peças de roupas em mãos e as vestiu.
– A gente se vê por ai. – selou nossos lábios e se retirou.
Enfiei minha cabeça nos travesseiros, me detestando mais.
Eu havia deitado com um homem novamente e agora estava sóbrio.
Charles’s Pov Off
John’s Pov
Estava jogado no sofá velho, lamentando pelo efeito da heroína que eu havia injetado ter passado tão rápido. Joguei minha cabeça para trás e lembrei-me de minha infância, principalmente de minha irmã. A pessoa que mais me fazia falta.
Eu sempre tive a sensação de ser sozinho no mundo e talvez eu fosse mesmo. Meus pais eu não via há muito tempo, assim como minha irmã que já não era mais viva. Peter, meu namorado estava preso e havia determinado que eu não deveria visitá-lo na prisão. Então eu era um merda de um usuário/traficante que se sentia sozinho. Não que viver na solidão fosse de todo ruim, mas sempre chega uma hora em que é necessário ter ao menos um amigo, para poder abraçar.
Para não dizer que eu era um ser totalmente solitário, eu tinha dois cães: Zeus e Boo.* Eles sempre estavam ali, sempre se alegravam ao me verem e bem, eram meus únicos companheiros. Interessante, dois cães como amigos. Bela vida, ótima vida.
Mas para ser um bom líder, eu tinha que passar uma imagem de chefe durão e impassível, mas quando eu me encontrava só naquele buraco onde eu chamava de “escritório-casa”, toda essa imagem desaparecia, dando lugar a um John tendendo a depressão. E então eu decidia usar algum narcótico, para tentar aliviar um pouco esses sentimentos negativos, me deixando alegre, eufórico. Vivendo uma ilusão.
Mas a merda da heroína terminou seu efeito antes do desejado e lá estava eu, permitindo que lágrimas escorressem de meu rosto.
Zeus e Boo saíram de seus esconderijos e vieram em minha direção, pulando em meu colo. Ri fraco com a atitude dos cachorros de limpar as lagrimas que escorriam de meu rosto.
– O que seria de mim sem vocês? – eu permanecia rindo baixo enquanto soltava o elástico que estava amarrado em meu braço.
– John… — Joseph entrou e encostou a porta atrás de si. – Eu estava aqui por perto e resolvi passar por aqui e ver se você estava precisando de al... Hey, você estava chorando?
– Não, não. – me sentei, fazendo com que os cães descessem de cima de mim, pulassem brevemente em Joseph e voltassem para seus cantos.
– Seus olhos estão vermelhos e seu nariz também e você não ta com cara de quem cheirou, só injetou mesmo por causa da seringa jogada ali no chão. – ele riu baixo me encarando. – Então você chorou mesmo.
– É, talvez eu tenha chorado. – disse enquanto focava em qualquer canto do chão.
Joseph me conhecia demais, pois convivia comigo desde quanto tínhamos por volta dos 14 anos. Mas até pra ele eu me mostrava ser sério, sem sentimentos, mas essa não era a primeira vez que ele havia me pego em tal circunstância.
– Quer falar sobre o que aconteceu? – perguntou, sentando-se ao meu lado. – Tenho tempo de sobra para conversar.
– Você já se sentiu sozinho J.J? – perguntei rouco, o olhando nos olhos.
– Me sentia antes dessa “missão” que você me deu. – riu. – Por que pergunta isso?
– Acho que esse é o meu problema... – murmurei. – Eu não sou tão durão, eu não sou tão frio. Não é só ódio que corre pelas minhas veias... E não, não estou falando essas coisas por estar sobre efeito de droga nem nada, talvez eu esteja querendo abrir meu coração uma vez na vida, e é muito provável que eu me arrependa depois. Mas acho que ninguém quer ouvir... Mas foda-se, eu sou sozinho nesse mundo.
– Bom, eu estou aqui pra te ouvir, sempre estive. – ele disse suavemente. – E você sabe que tudo o que diz aqui, morre aqui. – ele sorriu, me encarando nos olhos. – Você não é durão, muito menos frio e eu posso afirmar isso, porque eu convivo há muito tempo com você. – murmurou. – E você não está sozinho.
– Como pode ter certeza disso?
– Eu estou aqui... – ele suspirou. — Nós somos amigos, certo?
Sorri e concordei.
– Às vezes eu imagino como seria minha vida se eu não detestasse meus pais, se eu não brigasse com eles e se eu não tivesse saído de casa... – joguei minha cabeça para o lado, enquanto o olhava.
– Você seria um playboy mimado. – Joseph riu, encostando-se no sofá. – Nós jamais seríamos amigos... Você não teria moral entre mil e um traficantes da área e provavelmente agora estaria cuidando dos negócios de seu pai.
Concordei rindo.
– Você estaria casado, pai de duas garotas, que provavelmente seriam loiras e teriam os olhos verdes iguais aos seus. Além do fato que Zeus e Boo jamais seriam seus cães. – continuou.
– Que imaginação fértil. – sorri fraco. – Mas talvez tendo essa vida, eu não tivesse perdido minha irmã.
– Não foi culpa sua. – ele me olhava.
– Eu sei que foi. Eu que desencadeei muitas coisas após a prisão de Peter. – mordi meu lábio. – E uma dessas coisas que fiz, fez com que ela morresse.
O menor me encarou e se levantou.
– Não se culpe John, isso pode te fazer mal. – sorriu. – E você não está sozinho, lembre-se.
– Obrigado J.J.
Ele acenou com a cabeça enterrando suas mãos nos bolsos da calça jeans que usava.
– Qualquer coisa me ligue e... Se quer uma sugestão, procure alguém pra suprir essa sua solidão.
– Tenho pessoas em mente... Mas não sei se isso resolveria. – eu disse, passando rapidamente minha mão pelo meu cabelo.
– Tente ao menos. – ele disse com um sorriso de canto.
Sorri desconcertado pensando se eu deveria ou não fazer o que havia acabado de vir à mente. Pelo sim ou pelo não, me levantei e permaneci encarando Joseph, que me encarava de volta com a sobrancelha arqueada.
– Você ficaria bravo ou chateado se eu... – me aproximei mais dele, com um sorriso mínimo de canto.
– Você não quer me... – ele me interrompeu nervoso, mas eu o interrompi encostando meu dedo indicador em seus lábios, passando a contorná-los em seguida. Ele me encarava confuso, desconcertado, mas eu nada fiz a não ser fechar meus olhos e encostar meus lábios nos dele.
Senti seu corpo trêmulo chocar-se contra o meu, enquanto suas mãos procuravam afagar meus cabelos. Já minhas mãos gélidas, procuravam acariciar-lhe nas costas por debaixo da camiseta cinza que vestia. Ele sussurrava meu nome entre o beijo e eu apenas grunhia em resposta.
Naquele momento Joseph parecia tão certo para mim.
Céus, como pude não ter experimentado o gosto de seus lábios antes?
John’s Pov Off
Zachary’s Pov
Eu sempre levei uma vida agitada que quando eu não tinha nada para fazer, eu ficava inquieto. Desde a hora que Brian saiu para a faculdade, eu li jornal, assisti TV, comi, brinquei com meus cachorros, embora ambos quisessem que eu corresse com eles, o que me fez mudar de idéia, e então eu decidi ler um livro.
Não era um livro qualquer. Era um livro que Charles havia me dado no dia do meu aniversário de cinco anos atrás. Coloquei meus óculos e abri na primeira página propositalmente, ali havia uma pequena dedicatória dele para mim.
“Meu amigo, você sabe que o meu forte nunca foi a leitura... Embora na minha época de universitário, eu li livros e mais livros sobre leis e talvez seja por isso que eu criei certa fobia de ler.
Pedi para a vendedora, muito bonita por sinal, me indicar um bom livro que retratasse a amizade. Acredito que um livro seria um excelente presente para você, um amante da literatura e o tema abordado uma boa já que você é meu melhor amigo.
Agradeço todos os dias pelo fato de você ter aparecido na minha vida, mesmo depois de circunstâncias tristes que te envolveram na época.
Espero que sejamos amigos até o dia de nossas mortes e que se for possível, espero que nossa amizade se estenda após a morte.
Espero também que goste do livro e que se recorde de mim toda vez que vê-lo.
Feliz aniversário, Zacky
Com carinho.
Charles Howard”
Fechei o livro, encostando minha cabeça na poltrona e suspirando pesadamente.
Por que Charles estava me evitando de tal forma? Toda nossa amizade seria afetada por causa de uma noite? Será que todas as palavras escritas na dedicatória eram mentiras? Eu não queria acreditar.
Eu precisava me encontrar com ele, nem que eu tivesse que ficar por horas em frente ao seu prédio.
Resolvi reler o livro, embora o tema me chateasse naquele momento, porém a campainha tocou interrompendo minha intenção de ler. Encarei a porta por segundos e me levantei, deixando o livro e os óculos sobre a mesa de centro.
– Brian... – murmurei risonho, acreditando que seria ele e que talvez ele tivesse esquecido as chaves. Sim, eu havia dado cópias da chave da minha casa para ele.
Abri a porta com um sorriso, mas o mesmo se desfez ao ver que quem havia tocado a campainha não era Brian.
– Ah não... – encarei o casal, me perguntando se deveria ou não fechar a porta na cara deles.
Notas finais
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