Anatomy
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Brian’s Pov
– Por que me trouxe aqui? – perguntei receoso.
– Aqui está a razão por eu ter agido daquela maneira com você naquele dia em minha casa. – Zachary disse olhando para o nada e por fim me olhou.
– Como assim? – eu estava assustado e não conseguia disfarçar.
– Minha mulher está enterrada aqui. – disse baixo, pousando suas mãos em seu colo.
Abri minha boca, mas desisti de falar. O que Ashley havia me contado então era verdade... Ele realmente era viúvo.
Zachary permanecia me olhando, como se tentasse ler meus pensamentos.
– Eu sinto muito! – disse quando minha voz resolveu sair.
Ele apenas acenou com a cabeça.
– Espero que me perdoe. – disse depois de instantes em silencio.
– Acho que perdoei. – sorri fraco.
A partir de então ficamos quietos, perdidos nos nossos próprios pensamentos.
– Minha mãe também está enterrada aqui... – eu disse, tomando novamente sua atenção para mim. – Mas não costumo vir muito... Prefiro lembrar-me dela viva, do que encarando uma mera lápide.
– Entendo. – disse rouco. – Eu sou o oposto... Venho muito aqui. – respirou fundo. – Eu não consigo superar a morte de Kath. – disse com a voz embargada. – Eu sei que eu deveria seguir a diante, mas... Eu não sei da onde tirar forças. – pude perceber que a partir de então ele tentava segurar o choro. – Ficando com outro alguém, eu sinto como se eu estivesse a traindo. E foi o que eu senti no instante em que você me beijou naquele dia... Eu te desejei por instantes... E de repente tomei um choque de realidade, te tratando daquela forma.
Concordei com a cabeça.
– E eu me senti mal por n motivos a partir de então. Eu te tratei mal em minha casa, te tratei mal ontem na aula... Você não merece isso... Principalmente pelo fato de você não sair da minha cabeça nesses últimos dias.
O encarei surpreso, com um sorriso discreto nos lábios.
– Eu estou confuso sabe?! – ele continuou. – Tanto por não superar essa minha perda quanto por você surgir em minha vida e invadir meus pensamentos...
– E tudo isso piora por eu ser homem? – perguntei.
– Sim. – mordeu o lábio, depois de hesitar.
Olhei para fora, encarando o portão de bronze do cemitério.
– Eu precisava me desculpar e ser sincero com você. – Podia sentir seu olhar em mim. — É o mínimo que posso fazer.
– E por que me beijou hoje? – voltei a encará-lo.
– O gosto dos seus lábios... Queria sentir mais uma vez.
– E você não sentiu a mesma coisa que sentiu quando eu te beijei em sua casa?
– Se você estiver se referindo a te desejar, sim, eu senti a mesma coisa e eu mais uma vez pensei em Kath, mas eu fiz de tudo para não pensar nela e sim em você, para a culpa não me perturbar mais uma vez... Eu apenas gostaria de não sofrer tanto mais por ela.
– E se eu me propuser a te ajudar a superar a morte de sua esposa?
– Como? – ele me encarava surpreso.
– Isso não vem ao caso... Só me diga se aceitaria. – eu disse baixo, acariciando seu rosto.
– É complicado... – murmurou.
– É complicado porque você se acostumou a ficar só, a guardar a dor para si mesmo. Eu não quero substituir sua esposa, pois as pessoas são únicas e cada uma tem seu valor. Eu apenas quero... Estar ao seu lado.
Ele abaixou sua cabeça, pensativo.
– Eu havia prometido a mim mesmo que não ficaria com mais ninguém... – continuei. — Mas quando estou com você, ou quando simplesmente te vejo, é como se eu tivesse que rever esse meu pensamento. É como se eu percebesse que as pessoas não são iguais as outras. – respirei fundo, lembrando-me do dia em que disse que Zachary era como Matthew. – Todos nós temos alguém marcado para ser nosso. – ele voltou a me olhar e eu prossegui. – Talvez esteja cedo demais, mas desde a primeira vez que eu te vi na aula, eu não senti só atração sexual... Um sentimento enorme brotou dentro de mim.
Zachary mordeu seu lábio e soltou seu cinto de segurança, encostando sua cabeça em meu colo. Não demorou muito para que eu escutasse um choro baixinho vir de sua parte. Sorri fraco enquanto meus dedos deslizavam sobre seus cabelos, numa tentativa de cafuné. A posição que estávamos poderia ser até incomoda, mas eu não trocaria aquele momento por nada.
Ficamos daquele jeito por longos minutos, um silencio reconfortante reinava dentro daquele carro. Nossos sentimentos estavam expostos um ao outro e estávamos “digerindo” eles.
– Há muito tempo eu não chorava na frente de alguém. – disse assim que se recuperou, sorrindo torto.
Sorri e sequei uma lágrima que ainda escorria de seu rosto.
– Eu sou ao contrário... Choro na frente de todo mundo. – ri e ele acabou me acompanhando.
– Vamos para outro lugar? – ele perguntou. – Ficar em frente a um cemitério não é muito legal. – riu sem jeito, enquanto seu polegar acariciava meu rosto. Assenti e logo Zachary pôs-se a conduzir o carro novamente.
– Não sabia que conhecia aqui. – comentei assim que ele estacionou na orla.
– Às vezes eu venho com Maggie e Icky... Quer dizer, faz muito tempo que não venho. – soltamos o cinto de segurança e saímos do carro.
– Eu venho com um amigo. – me sentei em cima do capô do carro e ele fez o mesmo. – Antes eu vinha mais, pra conversar, pra beber. – disse sorrindo, me lembrando de Owen quando me disse naquele mesmo lugar onde eu estava com Zachary que eu encontraria alguém que me amaria e que iria me fazer recuperar de tudo o que eu estava sofrendo — Esse lugar tem uma paz incrível que nunca muda. – comentei por fim, perguntando silenciosamente a mim mesmo se Zachary seria essa pessoa que Owen disse que eu encontraria.
– Verdade. – ele passou a encarar o horizonte. – É bom pra pensar na vida. – comentou.
– E pra namorar. – acrescentei, rindo.
– Já veio aqui pra isso? — Ele voltou a me olhar, com uma expressão divertida no rosto.
– Não. – ri com o rosto corado. — Só imagino que deve ser bom.
– É, deve ser. – disse baixo.
– Estou feliz pela gente estar se acertando em relação aquele dia em sua casa. – eu disse baixo assim que me permiti encostar minha cabeça em seu ombro. – Você e sua tristeza misturada com mau humor assustaram a todos na faculdade.
Ele nada dizia, apenas sorria fraco enquanto seu braço envolvia minha cintura.
Levantei minha cabeça fazendo com que nossos rostos ficassem próximos, encostando meus lábios nos seus. Sua mão que antes estava em minha cintura veio de encontro a minha nuca, no trajeto ele me arranhou levemente nas costas. Decidi então me levantar e ficar de frente para ele, me encaixando em suas pernas, assim como eu tinha feito na sala de aula.
O gosto do seu beijo era único, o que me fazia querer mais e mais sempre que nossas bocas se colidiam. Por vezes o ar me faltava, principalmente quando suas mãos passaram a deslizar pelo meu corpo, pousando em minhas nádegas, apertando mais meu corpo contra o seu.
O beijo ficava cada vez mais ardente, minhas mãos gélidas agora tocavam em sua pele quente por debaixo da camisa que ele vestia. Era possível ouvir somente o som de nossas línguas se entrelaçando e das nossas respirações pesadas, colidindo contra o rosto do outro.
Zachary mordiscou minha orelha e ofegou baixinho assim que minha mão deslizou até a frente de sua calça, que já tinha um volume considerável. Resolvi provocá-lo mais, acariciando e apertando aquela região, enquanto minha língua deslizava pelo seu pescoço. Estava prestes a abrir o zíper de sua calça até que ele pôs sua mão em cima da minha.
– Aqui não... – disse baixo em meu ouvido.
– Por quê? – perguntei no mesmo tom enquanto depositava mais alguns beijos em seu pescoço.
– Alguém pode nos ver.
– Não tem ninguém aqui.
Ele riu sem graça.
– Eu sou tímido. – disse por fim.
– Tímido? – arqueei uma sobrancelha.
– É sério. – disse enquanto depositava breves beijos em meus lábios.
Apenas ri, me virando de costas para ele, até que senti ele me abraçar por trás. Ficamos quietos a partir de então, encarando a paisagem até que ele resolveu quebrar o silêncio.
– Posso te perguntar algo? – disse encostando seu queixo em meu ombro.
– Pode.
– O que Michael tem contra você?
Respirei fundo.
– Sinceramente não sei.
– Ontem na sala você estava prestes a brigar com ele...
– Ele falou algumas coisas para mim quando eu cheguei na sala... Eu tento não ligar para certos comentários, mas chega uma hora que irrita.
– Entendo.
– Mas não vamos estragar nossa tarde falando sobre isso, certo? – sorri tímido.
– Yeah. – sorriu e virou meu rosto para si. – Seus machucados do rosto cicatrizaram rápido... – comentou.
– Ainda ficaram umas manchas, mas eu disfarço... Com maquiagem. – ri sem graça.
Ele sorriu.
– E as dores? Cessaram? – perguntou pousando a mão na área das costelas, um dos lugares que mais machucou no dia da agressão.
– Sim. Exceto esta região. – ri após contorcer-me.
– Dói muito? – perguntou, subindo um pouco minha camiseta, apalpando novamente a mesma área machucada.
– Ai! – resmunguei. – Não muito, é só incomodo... Mas isso é normal, não é?!
Ele assentiu, ainda olhando para a região, parecendo pensativo.
– E os outros machucados pelo corpo? – perguntou depois de um tempo pensativo.
– Tem uma cicatriz ou outra, mas desde então eu venho cuidando para elas desaparecerem de vez.
– Você sabe que tem algumas que ficarão para sempre...
– Eu sei. – mordi meu lábio. – Mas não vamos mais falar sobre meus machucados... Vamos dar uma volta por aqui?
– Pode ser. – ele se levantou, fechou o carro e assim começamos a caminhar pela orla, conversando sobre diversas coisas, mas nada pessoal, até porque havíamos “aberto nossos corações” demais para um único dia.
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