Anatomy
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Brian’s Pov
- Finalmente a aula prática chegou. – Zachary sorria para os alunos, enquanto todos adentravam ao laboratório. – Sentem-se com suas duplas, por favor.
Eu tinha um problema: Ashley e Joseph haviam faltado e todos os outros alunos tinham suas devidas duplas.
Procurei sentar no canto mais afastado possível, onde Zachary não conseguisse me visualizar com facilidade. Logo comecei a fazer as anotações necessárias para o relatório que teríamos que entregar ao final da aula, até que fui surpreendido pelo próprio parado ao meu lado.
- Cadê sua dupla? – perguntou baixo, me encarando.
- Ela... Ela faltou. – eu disse baixo, desviando o olhar, tentando disfarçar a surpresa de tê-lo tão perto e por ter sua atenção diretamente a mim.
- Por que não me avisou? – sorriu gentilmente, me encarando com certa ternura, fazendo-me recordar de minha mãe quando a mesma tentava brigar comigo e falhava, fazendo então me encarar da mesma forma que o professor estava me encarando.
- Ah... Bem... Sei lá. – sorri sem graça. Boa Brian! Gagueje mais e se passe por um idiota.
- Não tem mais ninguém para fazer dupla com você... Mas qualquer duvida, não hesite em me chamar, está bem?
- Ok. – concordei com a cabeça. – Obrigado.
Ele se retirou e eu encarei desesperado as tais instruções para fazermos os relatórios. Tinha de encarar uma parte de algum osso e tinha de descrevê-lo. E eu sequer sabia como começar.
Encarava o tal osso, completamente perdido, além do fato de querer cometer um suicídio já que se eu tivesse prestado atenção nas aulas e não na bunda do professor, eu saberia sobre o que se tratava.
Passei longos minutos encarando aquele osso, enquanto batia a ponta do lápis na mesa, tentando desenvolver algo.
- Este osso é uma clavícula e está acima da primeira costela. – Zachary reapareceu do meu lado, apontando, para não dizer encostando sua mão em meu corpo, mostrando onde estaria situada a tal da clavícula. Parecia que ele tinha ouvido meus pensamentos e atendeu as minhas suplicas.
Sorri timidamente, concordando com a cabeça.
- Dessa forma é a vista superior da clavícula. – ele pegou o osso em mãos. – E assim... – ele inverteu o osso. -... É a visão inferior. – ele explicava baixo, só para mim.
- A mocinha solitária está com dificuldade em um simples ossinho? Acho que alguém aqui tem mais vocação pra ser cabeleireiro do que médico. Até porque aqui não é lugar pra bichinha desmunhecada... – alguém no laboratório comentou, fazendo com que os demais rissem, exceto por mim, porque eu sabia que aquilo fora comentado diretamente para mim.
Eu odiava a intolerância das pessoas em relação a opção sexual alheia. Eu, como muitos gays, sofria muito por conta do preconceito. E sabendo disso, eu sempre procurei não dar aparência para que as pessoas desconfiassem de minha opção, mas provavelmente, alguém já sabia.
- Algum problema senhor Michael Schneider? – Zachary perguntou para o tal que havia feito tal comentário.
- Nenhum problema, professor. – o tal de Michael respondeu.
- Pelo que eu saiba opção sexual nunca definiu profissão de alguém... E mais um comentário infame como esse, pedirei para que se retire de minha aula. – o professor concluiu enquanto todos o encaravam com receio e eu apenas procurava me encolher mais no meu canto. Por fim, Zachary voltou a me encarar. – Agora escreva no papel o que eu te expliquei sobre a clavícula... Observe o osso e descreva tudo o que conseguir enxergar. – sorriu desconcertado.
- Obrigado. – respondi murmurando e comecei a escrever o que ele tinha dito embora a vontade de chorar se aflorasse a cada segundo seguinte.
O professor sempre me encarava e por muitas vezes nossos olhares se encontravam, mas ele tratava logo de desviar, voltando sua atenção para as duvidas dos outros alunos.
- Quem terminar, peço que me entreguem os relatórios e estão automaticamente liberados. – Zachary disse e em seguida, vários alunos se levantaram e entregaram seus relatórios. Não tardou para que a sala estivesse completamente vazia, restando somente eu e ele.
Levantei-me lentamente e caminhei até a sua direção, estendendo a folha de papel.
- Conseguiu fazer? – perguntou sorrindo.
- Sim. – respondi baixo, com um sorriso mínimo.
- Em relação ao comentário que o aluno fez durante a...
- Deixa pra lá. Sou acostumado com esse tipo de intolerância. – murmurei. – Posso ir?
- Claro. – mordeu o lábio, não de forma provocante, mas sim de um modo que demonstrava tensão. – Bom final de semana... Brian. – disse depois de ler meu nome no relatório.
- Igualmente. – assenti e me retirei do laboratório. Ainda chateado pelo comentário do infeliz e um pouco alegre por conta de Zachary.
Não demorou muito para que eu tomasse o caminho de minha casa, andando calmamente pelas ruas, embora um vento frio atingisse minha pele violentamente, fazendo com o que eu me abraçasse na tentativa de me esquentar. Mais alguns passos e eu tive a sensação de estar sendo seguido.
Olhei ao meu redor e não encontrei nada ou ninguém, respirei fundo tentando ignorar tal sensação e continuei meu trajeto, porém apressando meus passos.
- Está com frio, princesinha?
Para a minha surpresa, três homens mascarados me cercaram subitamente. Eu realmente estava sendo seguido.
Mordi meu lábio nervosamente e empurrei o homem que estava em minha frente, porém não consegui fugir, um dos outros me segurou violentamente pelo braço.
- Me deixem ir... – eu disse com a voz trêmula. – Eu não tenho nada que vocês possam roubar.
Os três riram juntos.
- E quem disse que nós queremos te roubar?
Olhei assustado para os três, enquanto me debatia, uma vez que um deles me segurava pelos dois braços. O terceiro me atingiu com um soco no estomago, fazendo com que eu gemesse de dor enquanto me encolhia no chão.
- O que vocês querem? – perguntei, depois de muito esforço, pois minha voz começava a vacilar após receber mais chutes na região no abdômen.
- Cala a boca! – um deles gritou enquanto atingia minha perna direita com outro chute.
Aquilo só deveria ser um pesadelo.
Brian’s Pov Off
O rapaz assistia a cena de longe, principalmente ao saber quem era a vitima.
Ao ver Brian caído no chão, sendo agredido violentamente por três homens mascarados, sentiu uma ponta de desespero e até quis ajudar o próprio, mas achou melhor não interferir. Assim que os tais homens arrastaram Brian para um beco mais escuro, resolveu correr até encontrar um homem que estava encostado em uma BMW, vestido de terno e gravata, de estatura alta, e com um físico definido por músculos, que parecia distraído enquanto encarava a fachada de uma lanchonete a sua frente.
– Hey. Tem um cara apanhando de uns três caras e eles o arrastaram para um beco mais escuro, ajude-o, ou chame a policia. – disse um pouco apressado e ofegante, voltando a correr para o outro sentido, ignorando os gritos do tal homem que o chamava de volta.
Assim que chegou em seu apartamento recém alugado, resolveu discar para o numero de telefone tão conhecido por ele, porém não obteve respostas. Resolveu então mandar uma mensagem:
Brian está correndo perigo, alguém mais o quer, mas pelo que pude ver, o quer morto.
Estava tão preocupado com Brian que não sabia se deveria voltar para o local onde o mesmo estava sendo agredido, ou se simplesmente permanecia em seu apartamento torcendo para o homem ter feito algo que o ajudasse.
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