Anatomy
32 Capítulo 32
Notas iniciais
Brian’s Pov
Estava preparando o café enquanto procurava um remédio qualquer para dor nas costas.
– Se tivesse dormido na cama não estaria atrás de um remédio para dor. – Zacky apareceu atrás de mim com um sorriso mínimo nos lábios, já vestido para ir à faculdade.
– E se você tivesse dormido, não estaria com essas olheiras. – retribui o sorriso, o servindo de café e sentando-me na mesa juntamente com ele.
– Verdade. – me encarou enquanto agradecia pelo café com um aceno de cabeça. – Tem remédio pra dor na gaveta do cômodo do quarto. – disse depois de dar o primeiro gole no café.
– Pegarei depois... – disse enquanto passava um pouco de geléia numa torrada. – Preciso te contar uma coisa. – o encarei, mordendo minha torrada.
– Sobre o quê? – perguntou rouco enquanto bebericava o café.
– Eu disse que conhecia Matthew Collins e realmente eu o conheço, ele foi meu namorado quando eu tinha de uns 16 para 17 anos. – disse pausadamente, pesando minhas palavras.
Zachary me encarou assustado, depositou a xícara na mesa e tossiu, interpretei que ele tivesse engasgado com o líquido.
– Namorado? – perguntou quando se recompôs.
– Sim... Peço que me perdoe por mentir e agir feito uma criança birrenta na noite de ontem... É só que esse nome me causa repulsas, e bem, eu não tenho boas lembranças dele. – encarei o horário no celular e voltei a olhar Zacky. – Bom, eu tenho certo ódio por ele.
Ele concordou com a cabeça, sem tirar os olhos de mim.
– E o que ele te fez pra te causar repulsa? – perguntou instantes depois.
– Acho que estamos atrasados... – mordi meu lábio, me levantando e colocando minha xícara em cima da pia. Zachary permanecia sentado e me encarava. – É uma longa história, prometo que te conto um dia.
– Tudo bem... Eu esperarei por esse dia. – se levantou, colocou sua xícara na pia próxima da minha, virou-se pra mim e acariciou meu rosto. – Mas vê se dorme na minha cama hoje... – disse baixo, aproximando seus lábios nos meus, me beijando com ternura.
– Dormirei. – disse assim que nossos lábios se separaram. – Mesmo que você não me convidasse.
Rimos baixo e nos retiramos de casa.
Brian's Pov Off
Joseph’s Pov
Cheguei à faculdade e me deparei somente com Ashley, que parecia estar estudando.
– Oi. – murmurei enquanto sentava-me em meu lugar.
– Oi. – ela virou-se para mim e sorriu tímida. – Que bom que veio.
– Faltei demais, estava na hora de vir. – sorri.
– Semana que vem terá prova... – ela disse, ficando de frente pra mim.
– Sério? – bufei.
Ela acenou com a cabeça e riu baixo.
– Vai ter aula extra do Zachary hoje, talvez te ajude. – disse um tempo depois.
– Bom dia pessoas, desculpe o atraso. – Zachary entrou na sala, juntamente de Brian, que apenas sorriu para nós dois e sentou-se na frente de Ashley.
– Fazendo o professor se atrasar, Brian? – ela perguntou divertida para Brian que riu e encostou suas costas na parede, olhando para nós.
– Ontem durante a noite tivemos uma discussão e pela manhã me desculpei. Eventualmente nos atrasamos. – Brian se explicou, sorrindo sem graça.
– Por que discutiram? – perguntou e eu fingia não prestar atenção.
– Zacky brigou com Charles e agora tem a plena certeza que foi Collins quem o envenenou. – Brian disse baixo para nós dois.
– Collins? – ela perguntou. – É o tal ex namorado que você suspeita?
– Sim. – respondeu.
– Brian, Ashley e Joseph, deixem a fofoca pra depois. – Zachary chamou a nossa atenção, embora encarasse Brian de um jeito doce.
– Depois eu conto tudo o que houve e vocês me contarão sobre a conversa que eu suponho que vocês tiveram. – Brian piscou e se virou para frente, Ashley me encarou rapidamente e suspirou, encarando a lousa. Eu apenas mordi meu lábio, começando a anotar o que Zachary começara a escrever na lousa.
Se eu estava arrependido de ter dado um tempo? Sim, eu estava muito. Mas eu não queria vê-la sofrer por minha causa. Engraçado, antes eu não tinha ninguém, e passei a ter duas no mesmo instante. A vida gostava de brincar comigo.
– Pessoas... Vou entregar essa lista de exercícios, façam e me entreguem no final da aula. – meus pensamentos foram interrompidos por Zachary que passava de mesa em mesa, entregando a tal lista. – Está tudo bem, Joseph? – perguntou assim que se aproximou de mim, entregando-me a lista.
– Sim. – sorri tímido.
– Por que faltou tanto? – sorriu gentil.
– Problemas pessoais... – respondi baixo.
Ele apenas concordou com a cabeça enquanto voltava a entregar a lista para o restante da sala. Passei um bom tempo encarando a folha, uma vez que eu não sabia absolutamente nada. Apenas escrevi meu nome e estava decidido a tirar um cochilo, porém Ashley me emprestou sua lista assim que terminou. Sorri automaticamente.
– Obrigado. – sussurrei enquanto começava a “copiar” as respostas.
A aula se encerrou justamente na hora que eu havia acabado de copiar as respostas dela. A agradeci mais uma vez com um sorriso gentil e entreguei nossas listas a Zachary.
– Bom, terá aula extra para quem quiser. – Zachary disse, e os alunos concordaram com a cabeça. — Sala 2402 depois do horário de aula normal.
– Vocês vão ficar? – Brian perguntou guardando suas coisas.
– Eu necessito. – sorri forçado.
– É, eu também vou. – Ashley respondeu desanimada.
– Até mais. – Zachary disse para nós, se retirando da sala em seguida.
Nós três caminhamos silenciosamente até a cantina, onde pegamos somente três sucos e nos sentamos num canto mais reservado.
– E aí? – Brian quebrou o silencio. – Conversaram? – perguntou me olhando diretamente.
– Sim. – olhei para baixo.
– Hm... Não estou gostando dessa reação de vocês.
– A gente deu um tempo, Brian. – Ashley respondeu seca.
– Por quê? – perguntou assustado.
– Ah deixa pra lá... – ela suspirou, encostando sua cabeça no ombro de Brian, enquanto eu desviava o olhar para um ponto distante qualquer. – Conte sobre você e Zachary.
– Como vocês quiserem. – Brian sorriu desconcertado – Bom, como eu havia dito, Zacky brigou com Charles...
– Charles?- perguntei, tentando puxar na memória algum Charles, porém eu desconhecia.
– Um velho amigo de Zachary... Enfim, Zachary foi à casa dele para conversar, porém acabou encontrando Collins, meu ex, e o reconheceu instantaneamente como o cara que o envenenou no bar e logo de cara, saiu acusando o mesmo. Zacky disse que Charles quase quebrou suas costelas por causa disso, não sei se foi uma força de expressão ou se realmente isso aconteceu. – disse rapidamente, parando apenas pra beber mais um pouco de seu suco. – E ele me contou que Charles e Collins estão juntos... Sinto pena de Charles.
– E Collins está morando com Charles? – perguntei.
– Não sei... Isso Zachary não me contou.
– E por que vocês discutiram? – Ashley perguntou.
– Bom, até então Zacky reconheceu o rosto de quem o envenenou, mas não sabia seu nome. No meio da noite, ele acordou assustado falando o nome “Matthew Collins”, e eu quase enfartei. – riu.
– Ou seja, ele lembrou o nome, lembrou o rosto e ligou o nome ao rosto?
– Acredito que sim. – ele me olhou, bebendo seu suco. – Eu fiquei nervoso e tolo que sou, não consegui disfarçar, e ele percebeu. Ele perguntou se eu conhecia o próprio e no começo eu menti, dizia que não e tal. Eu sinceramente queria saltar da janela naquele momento. – ria e eu o acompanhava. – Depois de uma breve discussão e uma insistência de sua parte, eu confessei que eu o conhecia.
– E aí? – Ashley terminou seu suco, e voltou a olhar Brian.
– Eu desatei a chorar e ele resolveu me deixar em paz.
– Então, ele só sabe que você o conhece? – ela perguntou.
– Hoje pela manhã me desculpei por minhas atitudes e contei que Collins foi meu namorado quando eu tinha de 16 pra 17 anos.
– E Zachary? – perguntei.
– Quase engasgou com o café. – nós três rimos. – Ele ficou um pouco... Assustado, é acho uma palavra que possa definir Zacky naquela hora. Mas eu prometi que o contaria mais sobre ele uma hora qualquer e ele pareceu relaxar... Mas logo ele vai me atormentar para que eu o conte logo e talvez eu faça isso. Mas me preocupa e muito o fato de ele reconhecer Collins. Tenho medo de que ele cometa alguma loucura. Ontem ele chegou em casa meio alterado e disse que queria matá-lo, tenho medo disso.
– Antes de Zacky decidir matá-lo, alguém já terá feito isso. – murmurei.
– O quê disse? – Brian perguntou.
– Nada, pensei alto. – sorri sem graça. – Vamos pra sala, a aula de embriologia já deve começar. – me levantei, sendo seguido de Ashley e Brian.
– Eu vou comprar algum doce, vão indo na frente. – ela disse, eu e Brian apenas concordamos com a cabeça e seguimos pra sala.
– Sério mesmo que vocês deram um tempo? – Brian perguntou assim que nos afastamos.
– Ah Brian... Acho que nunca comentei com você que eu gosto de um cara.
– Um cara? Não. – riu, enterrando suas mãos nos bolsos de seu casaco.
– Então... – cocei minha nuca.
– Deixe-me adivinhar... Você está com o cara?
– Ainda não. – olhei pra Brian, que retribuía o olhar. — Mas há um tempo a gente ficou e uma nova esperança brotou em mim e eu decidi dar um tempo com Ash pra poder pensar melhor. Não quero botar tudo a perder por uma simples aventura.
– Entendo. – Brian sorriu e entramos na sala. – Mas se Ash ficar mal por sua causa, eu te bato, ok?
– Que medo! – ri enquanto me sentava. – Mas eu fiz isso para o próprio bem dela.
Ashley entrou na sala em seguida e nós resolvemos encerrar o assunto, até porque o professor já havia começado a dar aula.
Joseph’s Pov Off
– Alô?
– John?
– J.J?
– Yeah, estamos muito perto de Collins.
– Como assim?
– Ele está tendo um caso com um amigo de Zachary, o professor.
– E você sabe onde ele está?
– Brian não soube dizer... Mas estarei atento.
– Ótimo J.J, ótimas noticias... Mas eu queria te ver, você mal aparece aqui desde aquele dia.
– Eu... Ah... Qualquer hora eu apareço aí.
Pode ouvir sua risada rouca soar do outro lado da linha e instantaneamente sorriu.
– Tudo bem, eu te espero, como ando fazendo nos últimos dias... Qualquer novidade me ligue.
– Ok.
Joseph desligou o celular e caminhou nervosamente em direção a sala onde Zachary já estava dando sua aula extra.
As últimas palavras de John o deixaram um pouco desnorteado. Tinha esperanças de John pegar Collins logo, pois a partir disso, decidiria com convicção se deveria afastar-se de vez de Ashley ou se aproximaria novamente para nunca mais abandoná-la.
Brian’s Pov
– Hoje você vai pra casa, certo? – perguntei para Zachary depois de a aula extra acabar e todos irem embora.
– Sim. – ele sorriu, enquanto saiamos da sala e caminhávamos pelo corredor da faculdade. – Estou morrendo de dor de cabeça e eu não quero pensar em outra coisa a não ser dormir.
– Isso que dá beber e depois não dormir a noite. – ri fraco enquanto apoiava minhas costas na parede próxima da sala dos professores.
– Isso é o que acontecerá quando eu discutir com você. – riu baixo, entrando na sala em seguida.
Sorri e passei a encarar o nada, pensativo.
Eu teria de falar a Zachary sobre Collins. Eu teria de ser sincero com ele, assim como ele foi comigo. Mas eu nem sabia nem por onde começar... E eu sabia que Zacky mais cedo ou mais tarde me colocaria contra a parede e faria me contar tudo, principalmente depois de eu ter lhe contado que Collins foi meu namorado na adolescência. Eu teria de contar a ele sobre meu trauma, meu medo, meu sofrimento passado. E eu sabia que devia lhe contar antes que conflitos maiores entre nós aparecessem.
Talvez eu lhe contasse quando chegássemos na casa dele.
– Terra chamando um menino distraído chamado Brian. – fui surpreendido por Zacky parado em minha frente acenando.
– Ahn... Oi. – ri. – Desculpe, estava pensando em umas coisas...
– Percebi. – ele sorriu. -Vamos?
– Claro... – a partir de então seguimos quietos para o estacionamento.
– Sabe o que eu estava lembrando? – Zachary perguntou, quebrando o silencio assim que nos aproximávamos de seu Land Rover.
– O quê? – o olhei rapidamente.
– Quando você me agarrou aqui no estacionamento. – riu sem jeito enquanto suas bochechas ganhavam um tom rosado.
– E eu posso fazer isso de novo... – ri, encostando-o na porta de seu carro. – E nós podemos fazer algumas coisas a mais que não fizemos naquele dia... – pisquei. – Já te disse que tenho fetiche em transar em publico? – perguntei, rindo em seguida.
– Transar em publico? – riu pelo nariz. – Você me surpreende a cada dia, Brian.
– E isso seria bom ou ruim? – perguntei baixo enquanto meus lábios roçavam sobre toda a extensão de seu pescoço
– Depende do ponto de vista... – disse enquanto deslizava sua mão pelo meu peitoral. – Posso realizar seu fetiche qualquer dia. – mordeu e lambeu o lóbulo de minha orelha.
– E por que não agora? – eu disse enquanto minha mão brincava com o zíper da sua calça.
– Porque aqui é o meu local de trabalho e onde o senhor estuda, se alguém nos pega, eu serei demitido e você expulso. – riu, olhando ao redor.
– Pelo menos meu fetiche seria realizado... – eu disse rindo, me afastando em seguida. – Pode me levar na praia, na praça, até mesmo num boteco e me ame loucamente.
– Você quem manda. – entrou no carro e eu fiz o mesmo em seguida.
– E eu quero você bem disposto, e não com dor de cabeça... – eu disse enquanto colocava o cinto de segurança. — Porque você não se “concentra” na cama quando está com qualquer dor pelo corpo.
Sorri ao ouvir uma risada longa e gostosa vir de sua parte.
– Se amanhã eu acordar “bem disposto” eu te levo para algum lugar e atendo seu pedido. – disse após se recompor de sua risada, dando partida no carro.
– Ótimo. – sorri, encostando minha cabeça no vidro.
Talvez ele não atendesse esse meu pedido no dia seguinte, dependendo de sua reação assim que eu contasse sobre Collins. Eu não gostaria que ele me julgasse ou sentisse pena de mim.
Eu estava com medo de sua reação, mas havia decidido que contaria sobre minha vida a ele. Assim esse nó que se formava em minha garganta desataria de vez e eu pudesse levar a minha vida a diante sem me lembrar dos fatos passados... Porque talvez eu me lembrasse tanto das coisas que me aconteceram pelo simples fato de não conversar com ninguém sobre esses assuntos.
Owen era o único que sabia sobre todos os acontecimentos de minha vida, e apesar de tudo, eu não gostaria de cansá-lo ao me lamentar, ou ao contar algo que ele já sabia de cor e salteado.
– Está tão quieto. – Zacky comentou, acariciando brevemente meu rosto.
– Apenas pensando. – respondi após um longo suspiro.
– Pensando em quê? – ele perguntou enquanto entrava na rua de sua casa.
– Na vida.
– Que profundo. – comentou após estacionar o carro na garagem.
– Muito. – Ri enquanto descia do carro.
Zachary desceu em seguida e foi em direção a porta, eu o abracei por trás enquanto ele abria a porta. Sua mão pousou em cima da minha e assim que adentramos na casa eu depositava beijos em sua nuca e pude notar que ele se arrepiava a cada toque meu.
– Ainda está com dor de cabeça? – perguntei baixo contra a sua pele.
– Um pouco... – ele riu depois de ouvir meu suspiro frustrado. — Acho que vou tomar banho e dormir um pouco, se quiser me acompanhar.
– Vai lá... Depois eu deito com você.
– Não quer tomar banho comigo? É isso mesmo? – perguntou, se virando de frente pra mim, me encarando malicioso.
– Vai logo tomar banho. – ri, batendo de leve em seu braço. – Vou comer algo e depois subo e durmo com você.
– Tudo bem. – selou brevemente nossos lábios e subiu as escadas, logo pude ouvir o som da porta se fechar.
– Conto ou não conto? – perguntei enquanto tirava minha camiseta e tênis e fui à cozinha, preparar um lanche. – Ai Zachary... Você poderia ser ao menos pouco previsível, assim não teria tanto receio em te contar algo. – peguei a jarra de suco que estava na geladeira e me servi um pouco, enquanto pegava pão e alguns frios para pôr no mesmo. – Vou contar quando ele estiver lesado pelo sono. – ri do meu pseudo plano enquanto mordia um pedaço do meu lanche recém pronto.
Após terminar de comer, dar comida para Icky e Maggie e lavar a louça suja, decidi ir pra cama, esperar por Zachary que muito provavelmente estaria terminando seu banho e finalmente lhe contar sobre Collins. Eu estava decidido!
Subi as escadas e reparei que a porta do quarto onde Zachary dizia ser seu escritório estava entreaberta. Estranhei, pois a mesma vivia trancada e eu nunca o questionei por isso, só sei que resolvi ir lá checar e depois encostá-la e ir para a cama dele, aguardá-lo.
Ao chegar ao quarto, encarei estupefato o local. Aquilo nem de longe parecia um escritório e sim outro quarto, pois havia cama, cômoda, criado mudo, uma estante de livros e uma TV. Dei mais alguns passos dentro do cômodo e reparei que a cama, que por sinal era de casal, estava desarrumada. A cômoda tinha uma gaveta aberta, e na mesma, tinha algumas roupas femininas. Em cima da cômoda tinha algumas maquiagens, escovas de cabelo e dois porta-retratos. Permiti-me pegar estes últimos e encarar as fotos que ali se encontravam.
No primeiro porta-retrato, estava Charles e Alicia junto de Zachary e uma mulher loira. Charles e Zachary estavam bem diferentes em relação desde quando eu os conheci. Portanto interpretei que a época da foto era de quando eles estudavam na faculdade. Já na segunda foto, era somente uma loira que estava com Zacky na primeira foto, com Maggie e Icky no colo.
Seria essa a tal Kathleen?
Coloquei os porta-retratos em seus devidos lugares e voltei a encarar a cama desarrumada sem entender absolutamente nada, completamente perdido nas mil e uma suposições que minha mente criava.
– Brian? QUE MERDA VOCÊ ESTÁ FAZENDO? – Zachary apareceu atrás de mim e me puxou pelo braço, fazendo-me virar de frente pra ele. – Você não tem direito...
– O que significa isso? – perguntei assustado com o seu ato e olhando ao redor. – Isso é o que você chama de escritório?
Ele me puxou para fora do quarto, fechando a porta com força em seguida.
– Você não tinha o direito de entrar aqui, Brian! – disse ríspido enquanto eu tentava assimilar tudo o que eu havia visto ali dentro.
Cravamos uma briga nos corredores, porém ao mesmo tempo em que queríamos acertar o outro com socos, chutes e xingamentos, nós também não queríamos isso e eu fui mais sensato em jogá-lo contra a parede e prensá-lo com o meu corpo.
– Ei... Ei... – eu disse ofegante, tentando segurá-lo. Ele se agitava enquanto nossos lábios se roçavam.
– Você não podia ter entrado ali... – ele disse trêmulo assim que sua respiração se normalizou.
– Por que não? O que significa aquele quarto? – perguntei. – Aquilo não é um escritório...
– Você não entenderia Brian... Ninguém me entenderia. – desviou o olhar.
– Nós não confiamos um no outro... – disse, saindo de perto dele, fazendo-o me encarar assustado.
– Como não? – perguntou indignado. — Diga por você, Brian. Porque eu confio em você... Eu te contei sobre minha vida, assuntos que não comento com ninguém.
– Mas não me contou sobre esse quarto... O que eu ou ninguém entenderíamos? – perguntei engolindo em seco.
Ele fechou os olhos, mordendo os lábios.
– Esse quarto era meu e de Kath... Eu mantive o quarto intacto desde o ultimo dia em que ela esteve aqui. – ele voltou a me encarar. — Desde a cama desarrumada que ela deixou até a gaveta entreaberta da cômoda...
Acreditei no momento que um tapa na cara doeria menos do que o que ele acabara de dizer.
– Você não a esqueceu, Zachary. – eu disse com os olhos marejados. – Você só está me usando.
– Lógico que não, Brian... A cada dia você me ajuda a superar a morte dela. – ele me olhava surpreso. – Você disse que me ajudaria.
– E eu te ajudei e até dei o meu melhor pra você, fiz de tudo para te agradar e não pensar tanto nela. Eu me declarei, eu cuidei de você, quase morri junto com você para ser retribuído desse jeito.
– Eu tento não pensar tanto nela e viver um novo relacionamento com você.
– Pára de mentir Zachary... Olhe só este quarto. Você não quer esquecê-la e sim relembrá-la.
– Eu a amei, e mentiria se dissesse que não a amo mais. – ele abaixou seu tom de voz. — Mas agora eu te tenho Brian, me entenda.
– Cale a sua boca, eu não quero ouvir mais nada que venha de você... Todo esse tempo, eu achando que tinha conseguido de vez fazer você esquecê-la e me amar, somente me amar... Eu queria me fazer feliz te deixando feliz. Mas eu falhei... Você não a esqueceu, você ainda a ama...
– Você disse que não queria substituí-la.
– Mas em nenhum momento eu quis substituí-la... Eu queria que você seguisse a sua vida, de preferência comigo ao seu lado. Mas pra mim já chega, isso foi uma grande decepção,.
– Você gostaria que seu pai arranjasse outra mulher depois que sua mãe morreu? – ele perguntou assim que dei as costas pra ele.
– Não misture as coisas, Zachary. – me voltei para ele, não me preocupando em demonstrar as lágrimas que rolavam.
– Eu não estou misturando as coisas... Os casos são semelhantes.
– Não são. Eu nunca te contei como ela morreu, por que ela morreu e como era o relacionamento dos meus pais, nada é semelhante com o seu caso com Kathleen. – disse o nome da ultima com desdém. — E isso também não me interessa mais.
– Brian... – ele murmurou se aproximando de mim mais uma vez.
– Chega. Eu vou para a minha verdadeira casa e você não vai me impedir dessa vez.
– Brian, pára com isso... – ele segurava meu braço com mais firmeza.
– Chega Zachary! – estapeei seu rosto. Sei que exagerei em tal ato, mas foi a primeira reação que me veio em mente para poder afastá-lo de mim.
– Brian, eu te amo. – ele segurou meus dois braços enquanto suas lágrimas passavam por cima do seu rosto marcado pela minha mão.
– CALA A BOCA! – gritei, me soltando. – Eu sou um idiota... E você também é, fique aí lamentando por quem já morreu. – fui até seu quarto e peguei minhas coisas, descendo as escadas apressadamente.
– Não me deixe sozinho, por favor... – ele segurou em minha mão assim que eu cheguei na porta, porém eu a soltei, e saí porta afora. Procurando conter as lágrimas que queriam cair. – Por favor, Brian.
Fui embora correndo entre os carros, sem me importar com as buzinas que eram lançadas a mim. Antes de desaparecer da vista dele, me permiti olhar pra trás e vê-lo cair desolado no jardim de sua casa.
Talvez tenha sido melhor assim.
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