Anatomy
33 Capítulo 33
Notas iniciais
Brian’s Pov
– E de repente você volta, não diz nada e eu sou surpreendido ao te encontrar no sofá da minha casa vestido somente de cueca e meias... – meu pai disse assim que adentrou na sala. Por incrível que pudesse parecer, ele não estava bêbado.
– Se eu não me engano essa também é minha casa. – resmunguei, encarando a TV, passando a olhar meu pai em seguida. – Andou apanhando? – indaguei assim que o vi com o rosto e braços feridos.
– Isso não vem ao caso. – respondeu seco, fechando a porta atrás de si, colocando uma sacola cheia de medicamentos em cima da estante, próxima a TV.
– Engraçado que há um tempo, lembro-me de ter aparecido em casa todo machucado e você disse um monte para mim. – disse enquanto desligava a TV, já que estava impossível achar alguma programação decente na mesma. – Mas eu não serei tão imbecil como você... Vem limpar esses machucados. – fiz menção de me levantar, mas ele apenas acenou negativamente.
– Não precisa Brian. – me encarou. — Eu me viro... Venho me virando sem você aqui, hoje não seria diferente.
– Tudo bem então. – me levantei, fazendo pouco caso e fui em direção ao meu quarto.
– Brian? – o ouvi me chamar da sala.
– O que foi? – perguntei sem paciência, encostando-me na porta de meu quarto.
– Onde você esteve durante esse tempo todo? – perguntou, aparecendo no corredor.
– Me iludindo numa outra casa. – respondi, mordendo meu lábio. — Estou de volta para voltar a me iludir aqui mesmo.
Meu pai nada mais disse e eu interpretei como um bom momento para entrar no meu velho e agradável quarto. Logo me deparando com uma fotografia minha com minha mãe pregada na parede. Aproximei-me mais da imagem e a encarei, deslizando meus dedos sobre a imagem, sorrindo fraco ao me lembrar do momento onde a fotografia fora tirada, dias antes de minha mãe morrer.
Flashback
– Você está tão bonito hoje, Brian. – minha mãe apareceu na porta, vestida com um longo vestido claro e o cabelo preso num coque. No dia tínhamos uma festa comemorativa de não sei quantos anos da corporação policial que meu pai fazia parte.
– Você é quem está bonita, mãe. – eu ri enquanto a segurava pelo braço, fazendo-a rodar. – Se eu fosse o pai, ficaria com ciúmes... Porém feliz ao ter ao lado uma mulher tão bela.
Ela riu, enquanto sua pele corava, discordando com a cabeça.
– E esses olhos delineados? – perguntou em seguida, arrumando meu cabelo.
– Não gostou? – perguntei, me encarando no espelho.
– Claro que gostei, combina com seu rosto, te deixa mais bonito do que já é. – ela me abraçou delicadamente, beijando-me no rosto, deixando uma leve marca de batom em minha bochecha. – Coloque o blazer e vamos descer, sim?! – ela disse, indo até o guarda roupa e estendendo o blazer que eu deveria usar.
– Ok. – peguei o blazer de sua mão e o vesti, a olhando em seguida. – E aí?
– Tão formal... Espero poder te ver um dia saindo a trabalho trajado desse jeito.
– E se eu decidir ser um rockstar? – ri. – Eu jamais usaria roupas assim.
– Usaria em premiações que certamente sua banda ganharia. – ela riu junto.
Fomos surpreendidos pelo meu pai entrando em meu quarto enquanto segurava uma câmera fotográfica.
– Uma foto das duas pessoas que mais importam na minha vida. – eu e minha mãe sorrimos e meu pai tirou a foto.
– Vocês estão tão melosos hoje. – resmunguei em seguida, fazendo os dois rirem.
/Flashback
Deitei em minha cama e suspirei como fazia desde quando voltei para casa. Eu já estava a alguns dias em casa, e sim, meu pai não havia reparado que eu não estava na mesma durante esses dias, até porque ele vivia chegando em casa completamente bêbado e eu, como sempre, passava o dia trancafiado em meu quarto. Saindo apenas para ir à faculdade, procurando sempre voltar correndo para minha cama, orando para que eu não cruzasse com Zachary pelos corredores do campus, ou então para que ele não aparecesse em frente a minha casa.
Não me chateava o fato de meu pai não ter me notado antes não me chateava, até porque eu já estava chateado o suficiente por causa de minha briga com meu professor, que não ser notado pelo meu pai não me afetava em absolutamente nada. Não aumentava nem diminuía minha frustração.
Sei que exagerei em certas palavras e atos com Zachary, mas a história dele manter o quarto que era dele e de Kathleen intacto me deixava completamente arrasado. Talvez se ele tivesse me contado antes, eu até respeitaria aquele espaço, ou então daria alguma sugestão, ou eu poderia até fingir que o quarto não existia... Eu seria capaz de aceitar, porque eu tinha certeza do meu amor por ele e do quê era capaz por isso. Mas descobrir aquilo por mim mesmo, me destruiu. Em um instante me senti um nada, talvez apenas uma distração sexual para ele e nada mais.
Brian, eu te amo.
Sua voz ecoava em minha mente... Será que ele me amava mesmo?
Eu a amei, e mentiria se dissesse que não a amo mais.
Mas ele ainda amava Kathleen. Seria uma pessoa capaz de amar duas pessoas na mesma proporção e no mesmo instante?
Eu poderia dizer que estava na mesma situação de Ashley e sua relação com Joseph, “disputando” um amor contra um homem, mas eu não estava. Primeiramente pela obviedade, eu estava “disputando” o amor de Zachary com uma mulher, mas minha suposta “concorrente” já estava morta. Só tinha eu ali, disponível para Zachary, com os braços abertos, pedindo apenas que ele me amasse e somente me amasse, mas não, sua mente não estava focada apenas em mim, mas também estava focada em um amor do passado que já havia partido.
Gostaria de saber se meu pai ainda pensava em minha mãe, se ainda a amava na mesma proporção que dizia a amar quando ela ainda era viva. Talvez um dia eu pudesse tomar a liberdade para questionar meu pai sobre esse assunto. Mas uma coisa eu sabia: ele não havia deixado o quarto deles do jeito que minha mãe o deixou da ultima vez em que esteve ali.
Decidi dormir para tentar abandonar meus pensamentos que me atormentavam. No dia seguinte teria prova de Zachary e eu não sabia se deveria ir ou não. Talvez quando eu acordasse, eu decidisse. Não iria atormentar Ashley, Joseph, Robert — que fazia um tempo que não o via-, e Owen, principalmente Owen.
Bocejei, deitei de lado e fechei meus olhos.
Brian’s Pov Off
John’s Pov
– Eu sei que você quer acabar com a raça dele... Mas lembre-se, nós temos um acordo. — a voz soava tranqüila do outro lado da linha.
– Eu sei... Por isso entrei em contato. – eu disse ao telefone, esticando minhas pernas em cima da mesa.
– Minha equipe de investigação cuidará dos últimos detalhes para localizarmos Matthew Collins, e finalmente o prendermos...
– Acho que eu estava fora de mim quando fechei negócio com vocês. – ri forçado.
– Isso se chama troca de favores... –riu de forma estrondosa. -Nós te acobertamos nos seus negócios e você nos ajuda a encontrarmos certos otários, simples assim.
– E depois de preso, até quando vocês pretendem manter Collins na prisão? – perguntei enquanto colocava um cigarro de nicotina entre os lábios e o acendia, buscando na gaveta um cinzeiro.
– Até alguns dias após o julgamento, que será marcado assim que nós o colocarmos dentro da viatura... Vamos forjar uma rebelião na penitenciária e facilitaremos a fuga dele, a partir de então, ele será seu.
– E como pode ter certeza que ele será condenado no julgamento? – arqueei uma sobrancelha enquanto encarava a fumaça que saia de minha boca.
– Ele já está sendo procurado por tráfico de drogas e certamente mais alguns crimes cairão sobre suas costas e ele não terá como se defender...
– Ele também tem homicídio nas costas, você sabe. – cerrei meus punhos ao saber que ele era o autor de uma morte que me atormentava todos os dias.
– Você não tem provas concretas sobre isso... Nisso infelizmente não posso te ajudar. Ou até posso, deixando-o livre para você o matar, você poderá se vingar, você poderá o matar da forma que bem desejar.
– Não haverá investigação sobre sua morte? – traguei o cigarro, sorrindo ao imaginar Matthew Collins em minha frente implorando para que eu não o matasse.
– Não... Ele será um criminoso fugitivo, nós policiais iríamos agradecer sua morte. – riu do outro lado da linha. – Mas nada de euforia antes do tempo... Ainda só temos nomes.
– Só espero que vocês não falhem. – eu disse secamente, voltando minhas pernas na posição normal. – Sabe que uma falha de vocês e o trato será anulado, eu matarei Collins do meu jeito e vocês não irão ganhar seus devidos créditos.
– Não falharemos, John. Qualquer novidade entrarei em contato e espero que você faça o mesmo.
– Tranquilo. – joguei meu cigarro no cinzeiro. – Esperarei boas novas.
– E teremos... Até mais.
– Até mais, George. — Desliguei meu aparelho e o depositei em cima de minha mesa, enquanto Joseph me encarava com o corpo encostado na parede.
Depois de alguns dias sem nos vermos, Joseph reapareceu, contando-me com detalhes tudo o que havia descoberto e por fim, resolvi ligar para George James que fazia parte da milícia Californiana, colaborando com os meus negócios. Eu o ajudava a encontrar e prender outros criminosos que não faziam parte de minha “gangue”. Com isso, ninguém desconfiava que muitos policiais eram corruptos e muitas vezes colaboravam com o tráfico de drogas. Era uma troca justa entre nós, traficantes e policiais.
– E então? – perguntou assim que retribui seu olhar.
– George e seus homens começarão a investigar a partir do que já temos.
– Então acabou meu disfarce? – perguntou em voz baixa.
– Ainda não... Você sabe que eu não confio muito neles. – eu disse acomodando-me na cadeira, enquanto Joseph sentava-se em cima da mesa, ficando de frente pra mim. – Continue do jeito que está, descubra as coisas por si só. Caso a policia vacile comigo, matarei Collins antes mesmo dele ser preso.
– Certo. – sorriu amigavelmente.
– Cansou de ser estudante de medicina?
– É que... Ah, deixa pra lá. – ele riu sem jeito. – Se George e os caras se manterem fiéis ao trato, acha que demorará muito para que a prisão de Collins aconteça?
– Sinceramente eu não sei. – estralei meus dedos, sorrindo presunçoso. — Mas eu espero que não, costumo não ter muita paciência para matar traidores como ele.
– E então meu disfarce acaba quando ele for preso? – suspirou profundamente, enquanto me encarava.
– Sim... Não será necessário você ficar próximo de Brian, nem do professor, nem nada. – ri enquanto deslizava minha cadeira até ele, pousando minhas mãos em suas coxas. – Aí você poderá ficar próximo só de mim, que tal? – me levantei e beijei seu pescoço.
Ele apenas murmurou algo desconexo enquanto deixava seu pescoço mais exposto para que eu explorasse aquela região com meus lábios.
– Por que sumiu durante esses dias? – parei os beijos, embora ainda roçasse meus lábios na região beijada.
– Oras, estava fazendo meu trabalho. – deu uma risada nervosa.
– Pensei que não tinha gostado daquele beijo e estava me evitando por isso. – falei com tristeza.
– Confesso que te evitei sim... Mas não por não gostar de seu beijo.
– Então por que me evitou? – perguntei sussurrando.
– Conversemos sobre isso depois...
– Então diga que você me quer... – perguntei próximo ao seu ouvido, enquanto começava a desabotoar lentamente sua camisa.
– E-Eu te quero, John. – ele respondeu baixo, encostando seus lábios nos meus, iniciando um beijo regado a desejo.
– E o que você quer que eu faça? – mordisquei seu lábio, enquanto trazia suas pernas para envolvê-las em minha cintura.
– Oh, não me faça pedir. – murmurou rolando os olhos, fazendo-me rir junto aos seus lábios.
Passei minha mão pelo seu peitoral despido, e ele voltou a me beijar. Nossas bocas pareciam ter o encaixe perfeito, e não só nossas bocas como nossos corpos também.
No instante seguinte ouvi um ruído de zíper sendo aberto, Joseph abaixava lentamente e com um pouco de dificuldade minha calça jeans escura.
Desvencilhei-me do beijo e abaixei minha calça, aproveitei a circunstância e retirei minha camiseta. Joseph me devorava com os olhos, principalmente minha boxer cinza que já estava apertada, devido minha ereção. Ao reparar seu olhar nessa área, decidi me acariciar por cima da cueca mesmo, sem reprimir meus gemidos.
Joseph então se levantou e se aproximou, me empurrando novamente até a cadeira. Eu sem hesitar me sentei e joguei minha cabeça para trás assim que senti suas mãos gélidas tocarem meu membro inchado, quente e sedento por um toque que não fosse das minhas próprias mãos.
– Sempre admirei seu corpo. – ele disse contra o meu pescoço, deslizando sua mão sobre a extensão de meu pênis.
– Acha que eu nunca reparei? – indaguei rouco, rindo em seguida, sendo acompanhado dele.
– E por que nunca fez nada? – ele me encarou, encaixando-se por cima de meu corpo.
– Talvez estivesse esperando a hora certa de “atacar minha presa”. – ri baixo enquanto passava a lamber e mordiscar seus mamilos, sentindo sua ereção mesmo que por cima de algumas vestimentas roçar sobre a minha, causando uma sensação única.
– E-Eu quero te sentir dentro de mim, John. – disse provocante contra meu ouvido.
Era o que eu precisava ouvir para me levantar, jogar os objetos que estavam em cima da mesa no chão, incluindo celulares e alguns entorpecentes, e indicar para que ele se posicionasse e se insinuasse para mim ali. Joseph então se inclinou sobre a mesma, enquanto eu tomava a liberdade de abaixar sua calça juntamente de sua roupa intima, lubrificando com minha língua sua entrada, preparando-o para o que vinha a seguir.
John’s Pov Off
Zachary’s Pov
– Parabéns Campbell, agora você é um solitário oficial. – murmurei para mim mesmo enquanto descia do meu carro, ignorando meus cães que latiam empolgados com minha chegada.
Não tinha mais ninguém para eu dar carona e ficar comigo, não tinha mais ninguém para me recepcionar a não serem meus cães, não tinha mais ninguém para me ligar e me convidar para sair. Sim, eu estava me referindo a Brian, Kath e Charles.
Será que todas essas minhas percas foram eu mesmo que as causei?
De Brian eu já sabia, mas Kath teria morrido por minha causa? Fui eu quem errou tanto com Charles e por isso acabei com nossa amizade? Eu estava condenado a viver só mesmo?
– Eu não sei, eu não sei. – resmunguei respondendo as suposições que minha mente criava. Joguei meus pertences em cima do balcão americano e busquei por um copo d’água.
Eu queria gritar, jogar objetos na parede e estraçalhá-los, chorar e me culpar pelos sentimentos de arrependimento, de ódio próprio que atormentavam a minha mente. Eu sabia que só fazia coisas erradas. Foi extremamente desnecessário tratar Brian daquela maneira. Eu havia errado com ele pela segunda vez em pouco tempo juntos. Talvez Brian não me perdoasse dessa vez. E ele até tinha razão em não perdoar mais.
Depois de colocar o copo recém usado na pia — não estraçalhado — resolvi subir ao meu antigo quarto, o mesmo que gerou toda confusão entre eu e Brian, e sentei-me na cama respirando fundo, tentando esquecer o modo que tratei Brian ao encontrá-lo ali e tentando esquecer todas as memórias que vivi com Kathleen naquele cômodo.
Refleti por instantes como seria se eu tivesse agido de outra forma quando eu encontrei Brian aqui, se eu fosse paciente e lhe contasse o porquê de manter esse quarto desta forma. Talvez ele ficasse um pouco decepcionado, mas depois me entenderia... Brian tinha um coração bom, eu sabia disso, eu já o conhecia bem depois de meses juntos, na mesma convivência.
Mas uma ação gera uma reação. Minha rudez o fez agir daquela maneira, sair daqui, bravo e chateado comigo. Eu sabia que ele estava bravo e chateado comigo, eu conseguia ver tais coisas em seu olhar.
– Eu sou um idiota. – murmurei irritado comigo mesmo.
Alguns dias tinham se passado, e eu havia pensado na possibilidade de conversar com Brian na própria faculdade, mas eu tive receio por n motivos. Receio de desencadearmos mais brigas, receio de que alguém escutasse e nos prejudicasse, receio de Brian ter desistido de mim.
Eu tinha errado e tinha consciência disso, eu deveria ter sido sincero com Brian desde o dia em que ele pôs os pés em minha casa, disposto a me ajudar e a me amar. Eu deveria ter lhe contado sobre Kathleen, eu deveria ter confiado completamente em Brian.
Eu deveria, eu deveria...
Eu deveria fazer milhões de coisas e não as fiz, e nada me restava a não ser lamentar e sofrer por não ter feito. Doía no peito enxergar os próprios erros depois do que tudo que havia acontecido. Doía no peito saber da dimensão do meu amor por Brian e pensar que ele poderia não ser meu mais, não depois de eu agir feito um idiota e brigar com ele. Como eu queria voltar no tempo, como eu gostaria de refazer algumas atitudes minhas desde o meu primeiro dia com Brian.
Eu encarava meu celular e chegava a discar o numero dele, mas me faltava coragem de completar a ligação. O que eu falaria caso ele me atendesse? Talvez eu não conseguisse, naquele momento, traduzir em palavras todo o arrependimento que me envolvia. Talvez eu falhasse naquele instante em pedir perdão a Brian.
Joguei o aparelho num canto do quarto e deitei-me na cama e pude notar que o perfume de Kath que havia nos lençóis havia desaparecido. Nenhum cheiro era mais sentido, nada mais que fizesse recordar que ela já havia estado ali.
Seria hora de guardá-la na memória como alguém que eu havia amado no passado? Kathleen fora especial, sem duvidas, mas ela não estava mais ali, eu não deveria mais viver para quem não estava mais ali.
Eu só queria Brian de volta, eu só queria fazer as coisas certas para ele a partir de então.
Eu necessitava começar do zero.
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