Anatomia de um amor imortal
15 Normalidade?

— Jonny, companheiro! O tio Killian chegou e trouxe pastéis!
— Killian! – grita Vladimir. – Socorro!
Assustado e atento, o policial empunha sua arma e corre no auxílio do irmão e do sobrinho. Ao chegar à cozinha, encontra Vladimir sobre a mesa e com o filho choroso junto ao corpo. Atrás deles, uma porta escancarada vinha esfriar o ambiente confuso, com o vento que entrava por ela.
Killian fecha imediatamente a porta e guarda sua arma, retornando para o irmão. Segura seus ombros e recebe um olhar aterrorizado em sua direção.
— Ela...é um demônio...Killian...ela ficou desfigurada outra vez ...os dentes afiados...exatamente como na noite em que ela me mordeu...ela quebrou a pedra d-da pia...
— Acalme-se, Vlad. – Killian segura o rosto do irmão entre as mãos. – Tudo vai ficar bem!
— A Condessa...ela retornou...os olhos delas estavam amarelos de novo...o mesmo monstro daquelas noites...- Vladimir perde o controle sobre seus nervos e começa a tremer. As lágrimas saem de seus olhos como se fossem cascatas cristalinas de degelo. Soluça como se fosse um garotinho apavorado.
— Ela já foi embora, Vlad! Olhe para mim! – Killian mantém o rosto do irmão entre suas mãos e sorri. – Você confia em mim?
— Sim...
— Lembra-se de como sempre confiamos um no outro? Lembra-se do dia em que você me raptou do orfanato? Você me raptou e fingiu ser meu pai, quando fomos morar nas ruas! Lembra-se?
— S-sim...
— Lembra-se de como conseguimos chegar àquela cidade no Nepal? Lembra-se como conhecemos o velho Ling Yo e como ficamos sabendo da existência de Kane?
— Ela...ela...veio buscar meu filho...e ela me quer...Killian...n-não deixe que ela me leve...
— Lembra-se de como viemos para este país e como Kane nos tratou como filhos? – Killian sorri ainda mais. – Recebemos casa, comida, amor e um novo pai. Hoje somos os soldados dele! Então, sempre devemos confiar que vamos proteger um ao outro.
Soluçando, Vladimir tenta buscar o autocontrole e somente consegue, ao sentir a mãozinha de seu filho, tocando seu rosto também.
— Viu? Jonny também quer que você se acalme. Que tal se vocês descessem da mesa?
Momentos mais tarde, Killian está deitado na cama ao lado do irmão, com o sobrinho adormecido entre seus corpos. Ele acaricia o rosto de Vladimir.
— Ela feriu você?
— Não. Ela não conseguiu tocar em mim. – ele ainda soluçava.
— Por que você estava em cima da mesa?
Vladimir sorri e funga algumas vezes.
— Pensei em proteção... e tinha de encontrar um meio de impedir que fossemos atacados pelo Mal...pensei em coisas sagradas e lembrei-me de que Kane sempre nos disse sobre os espaços sa-sagrados de uma...casa...
— De fato. Ela não conseguiu tocar em vocês.
— Mas não posso passar minha vida sobre a cama ou sobre a mesa da cozinha. Killian, ela é um demônio! Como vamos deter aquela aberração! Ela é uma besta fera!
— Shhhhh! Vamos encontrar um modo.
Era tarde quando Regina estaciona seu carro diante de sua casa. Sorri confortável, quando vê o carro de Killian estacionado em frente ao seu jardim. Ao entrar na casa, encontra o cunhado em pé junto ao sopé da escada, apoiando-se no corrimão.
— Killian? O que faz acordado tão tarde? Emma não veio com você? Onde está Vlad? Sabe se Jonny jantou e se ele fez...
— Reyninna esteve aqui dentro.
Como se fosse atingida por um pontapé em seu peito e calando-se repentinamente, Regina arregala seus olhos e vasculha o ambiente em busca do que não sabia o que era.
— Onde está Jonny e Vlad?! – ela ia subir a escada, mas Killian se opõe.
— Os dois estão dormindo. Cada qual em sua cama sagrada e estão seguros.
— O que aquela vadia quis desta vez?!
— Ela entrou porque foi convidada e isso abriu precedente. Disse a Vlad sobre a história do marido falecido e afirmou que ele é o tal que retornou do limbo.
— Ela os feriu?
— Acalme-se, por favor! Os dois estão adormecidos e seus gritos vão estragar o meu esforço! – Killian aponta para a cozinha. Sai e é seguido pela mulher. – A Condessa veio acompanhada pela serviçal ruiva e quis convencer Vlad de que os dois foram casados num passado distante. Afirmou que fez um pacto para permanecer viva e esperar a volta do amado.
— Preciso descobrir onde ela está...
Killian sorri e toca a mesa.
— Vlad subiu aqui com o menino e isso impediu que Reyninna os tocasse. Deduzo que deva ser uma verdade ou a sua parenta é tão supersticiosa que não ousou questionar.
Massageando as frontes para controlar sua raiva, Regina inspira profundamente e encara Killian.
— Precisamos encontrar o ninho dela. Eu gostaria de conversar e descobrir o que ela quer comigo e com Vlad.
— Pelo que Vlad me contou da conversa e o que entendi da observação que Emma fez aquela noite, ela não quer nada com você, mais. Quando invadiu o presídio e o mosteiro, ela estava protegendo meu irmão. Pela conversa dela com ele, o que menos importa é a aceitação de sua família. Vocês viraram apenas um pretexto e percebi que a mulher é insistente.
Regina fica pensativa, incomodada e deslocada, sem saber como agir contra aquela criatura. Não havia sido treinada para lidar com aquilo. Como detê-la?
— Como conseguirei encontrá-la?
— Caso você vá à casa dela, provocará mais distanciamento e fuga. Mas se mandássemos Vlad, para conversar com ela e colocar um rastreador no monstro? Saberíamos o real local onde ela dorme e faríamos uma visita diurna para ela.
— Seria arriscado demais expor Vlad desta maneira.
— A Condessa canina irá permitir que ele se aproxime. Quanto mais vocês tentarem, mais ela fugirá e ficará mais furiosa, podendo ferir meu irmão. Vamos dar a ela, o que veio buscar e descobriremos o ninho onde dorme.
No quarto do filho, os olhos de Regina admiram a pequena figura adormecida sobre a cama grande, como se fosse uma ilha para o pequeno príncipe. Ao redor dele, havia pétalas de rosas espalhadas sobre o edredom e em torno da cama. Por um longo período, Regina fica ali, sentindo o cheiro gostoso dos cabelinhos de seu menino.
Depois, em seu quarto, Regina se aproxima da cama e vê a silhueta de seu homem adormecido. Ele havia dito sim para todos os momentos de uma vida a dois e com seu jeito protetor sempre conseguia resolver os problemas do cotidiano e oferecer amparo para sua família. Mas desta vez, ele parecia ainda mais frágil do que naquela noite em que fora mordido por Reynina.
Tocando o ombro dele, Regina consegue despertá-lo sem sobressaltá-lo. Mas assim que ele a identifica no banco de dados de sua memória, salta sobre a cama e apoia ambas as mãos na parte superior dos ombros dela.
— Ela veio, Regina! A Condessa afirma que sou o marido que retornou depois do suicídio! Ela destruiu a pedra da pia com um soco e exibiu aqueles dentes pontiagudos de novo! Disse-me que vocês estão tentando tirar-me dos braços dela!
Regina segura os ombros do marido e tenta acalmá-lo para que pudessem conversar sem gritos.
— Meu amado, eu estou aqui e nada de mal irá acontecer nem ao nosso filho e nem a você.
— Gigia, ela esteve aqui e o rosto dela ficou deformado! Ela chorou sangue e não há bondade nela! Você entende o que quero dizer? Ela não irá desistir de mim, a menos que encontremos um meio de detê-la!
— Sim, eu sei o que quer dizer.
— Ela...ela...é uma coisa ruim...e Kane sempre nos ensinou a não pronunciar o nome do mal...então, entenda o que vou dizer, porque será a única vez: aquela coisa veio dos Hades!
Com movimentos suaves e delicados, Regina acaricia o rosto do marido. Beija-lhe os cílios e depois, beija-lhe demoradamente os lábios, devorando a boca de Vladimir. Ele geme e inclina a cabeça para trás.
— Faça amor comigo, Regina...preciso sentir que você está perto de mim e que somos um só...
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