Anatomia de um amor imortal
6 A noite que começa tudo

A noite é feita para descanso. Mas os amantes apaixonados a usam para a realização de seu amor carnal. Era o momento preferido de Vladimir, quando ele podia sentir o calor da pele suave de Regina, seus beijos, suas mãos fortes em seus ombros e costas, além de deliciar-se com os gemidos e depravações presenteados por ela. Era a comandante de seu coração e sentia que a conhecia há muitas luas. Cada traço, cada uma das curvas, cada um dos espaços onde a carne era mais quente, pertencia ao seu conhecimento. Não havia mistério naquele corpo, porém, a cada um dos encontros íntimos, Vladimir conseguia desvendar mais um enigma em sua amada.
Pouco depois das quatro horas da madrugada, o homem desperta e não encontra Regina em sua cama. Sai do quarto e a busca pelo andar superior da casa e não a encontra nem no quartinho de Johnathon. Intrigado e irritado, Vladimir se dirige para o andar térreo e percebe a porta da sala aberta.
Imediatamente, ele apanha uma arma que estava em um móvel e sai da casa porque seu coração dizia que a invasora estava de volta. E seu coração estava certo!
No jardim da casa, iluminadas pela forte luz artificial, paradas diante uma da outra, Regina e a velha olhavam-se silenciosas. Cego de raiva e medo, o policial não titubeia e usa sua habilidade profissional para disparar contra a invasora que estava atrevendo-se a tocar o braço de sua esposa.
O disparo certeiro acerta a mulher de cabelos brancos e ela cai no jardim. Regina se assusta e grita, caindo também, mas ainda consegue ver a visitante levantar-se e correr em fuga, sendo imediatamente seguida por um homem transloucado, feroz e descalço, trajando apenas uma cueca.
Retornando para dentro de casa, Regina apanha sua arma, seu celular e uma lanterna. Sai do imóvel e fecha a porta para que Johnathon não tentasse seguir os pais, caso acordasse. A policial corre na mesma direção que os dois havia ido e durante o trajeto, liga para a ronda do condomínio.
— Aqui é a Capitão Mills! Preciso de ajuda em meu condomínio! Mulher ferida e policial no encalço! Agooooraaa!
Sem preocupar-se em estar apenas vestida com camisola, sem proteção nos pés, Regina invade a casa que havia sido vasculhada pela manhã e que ainda estava sem as proteções nas janelas. Entra no local e observa a sala principal, invadida pela luz da rua.
Num dos cantos da sala, encontra a velha agarrada ao corpo de Vladimir, com a boca colada ao pescoço dele. Havia muito sangue em ambos os corpos e o policial parecia desfalecido.
— Largue o meu marido! – ela aponta a arma e grita, vendo a velha soltar o corpo do homem no chão.
— Não me veja como estou. – a mulher gesticula como se estivesse criando uma nuvem para obstruir a visão da policial.
Regina se ajoelha ao lado do marido e observa a ferida de mordida em seu pescoço. Ele tremia e soluçava pela perda do sangue. Estava semi consciente.
— Vlad, meu amor! Fale comigo!
— Seu amor...
Regina se vira e encara a mulher de longos cabelos brancos, ainda ferida e sangrando também.
— O que você fez ao meu marido, desgraçada?
— Seu marido...
Sem preocupar-se com a resposta, Regina se volta para Vladimir e percebe a ferida profunda em seu pescoço. Toca os braços dele, o peito e o vê sofrer um espasmo, gemendo pela dor. Ofegante, ele abre os olhos e a boca.
— Aguente firme, meu amado! Já chamei ajuda!
— Seu amado...
— Cale essa boca ou vou acabar o que Vlad começou! O que fez com ele, cadela?
— Vlad...
A mulher de cabelos brancos e longos ajeita seu camisolão e senta-se no chão, inclinando a cabeça para o lado e observando o casal. Ora com paixão, ora com raiva, ora com repulsa.
— Não toque em meu marido de novo ou matarei você! – Regina se vira para o esposo e percebe que a ferida havia parado de sangrar. – O que fez a ele?
— Ele não pode morrer...eu já o perdi uma vez...agora que o reencontrei, não quero que ele morra por minha culpa, de novo.
Mas Regina não demonstra ter escutado as palavras da mulher. Apanha o celular e liga reforçando pedido de ajuda, afirmando que um policial estava ferido.
— Estou arrebentado, amor...levei um coice...no peito...- ele sussurra ao recobrar a consciência.
— Ouça, Vlad! As sirenes dos carros de polícia estão chegando!
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